Maurice Lachâtre e o Espiritismo

Entre a publicidade e as controvérsias

Ery Lopes / IRMÃOS W.

 

Colaboração:

Adair Ribeiro (AllanKardec.online)

Carlos Seth (CSI do Espiritismo)

Jáder dos Reis Sampaio (Espiritismo comentado)

 

1ª Edição
© 2022 - São Paulo

Distribuição gratuita:

Portal Luz Espírita

Autores Espíritas Clássicos

Sinopse da obra:

Maurice Lachâtre é comumente lembrando pelo movimento espírita por sua participação no famoso episódio do Auto de Fé de Barcelona (1861), tendo sido ele o livreiro para quem Allan Kardec havia enviado a remessa de obras confiscada pelo bispo daquela cidade espanhola e então queimadas em praça pública em nome da Santa Inquisição da Igreja Católica.

Mas, nosso personagem em questão é de uma relevância muito maior para o desenvolvimento do Espiritismo nascente na Europa, conforme o relato apresentado neste trabalho de pesquisa profundo e esclarecedor, que vem contribuir para um melhor entendimento sobre o contexto no qual teve origem o Espiritismo.

Prólogo:

Quando a memória de Maurice Lachâtre é evocada no meio espírita, isto quase sempre se dá por ele ter sido um dos protagonistas do célebre episódio Auto de Fé de Barcelona. Lachâtre era então o livreiro a quem estava destinada a remessa de livros espíritas enviada por Allan Kardec — o codificador do Espiritismo —, remessa que foi fatidicamente confiscada pela Igreja Católica da Espanha para em seguida cair na fogueira da Inquisição. Para muitos, porém, sequer é o caso de se dizer que tal papel merece o título de protagonista; no máximo, um coadjuvante. Enfim, o livreiro seria um personagem quase sem importância para a historiografia da nossa Doutrina Espírita.

No entanto, pesquisas e estudos mais recentes e mais bem apurados sobre a vida e a obra de Lachâtre e sobre sua relação com Kardec — e, por conseguinte, com o Espiritismo — apontam para uma necessária revisão quanto ao valor do seu papel histórico para o desenvolvimento do movimento espírita, ora o colocando em considerável ascendência. Fazer um apanhado desses novos estudos e pesquisas é precisamente o objetivo deste trabalho, fazendo jus à memória do personagem, enriquecendo a Historiografia Espírita e melhor contextualizando a nascente da doutrina que abraçamos com dedicação.

Obviamente que este apurado pode — e deve — ser revisto, mediante novas fontes históricas que porventura venham a ser encontradas, bem como por uma melhor contextualização dos fatos, inclusive com a colaboração de pesquisadores mais sagazes. Até que isso ocorra, temos o parecer que nos aponta que é graças a Maurice Lachâtre o fato de os principais dados biográficos do codificador do Espiritismo terem chegado até nós, como ficará demonstrado adiante nesta obra. E o ponto crucial é o grau de autenticidade desses dados, haja em vista a grande proximidade entre Kardec e Lachâtre — conforme as novas pesquisas nos detectam. A bem dizer, o que o livreiro escreveu sobre o pioneiro espírita é praticamente a transcrição de uma autobiografia kardequiana. E isto é de suma relevância.

E como dissemos, para fazer jus à memória de Lachâtre, resgatar sua trajetória particular é também percorrer caminhos que ajudaram a fortalecer o nome do Espiritismo, pois, sim, não foi nada irrisória a contribuição lachatreana: por sua ousadia, a doutrina rompeu barreiras — o que seria indigno desdenharmos.

Entretanto, não romantizaremos a coisa: o espiritismo lachatrista não é em tudo a mesma doutrina kardecista; com efeito, em muitos pontos, é uma versão por vezes bastante deturpada e comprometida por ideologias perigosas que o livreiro encampava até com fervor. Cumpre saibamos distinguir esses pontos, embora sem precisarmos lançar qualquer anátema ao personagem, reconhecendo a importância do conjunto da obra, de cujos excessos os tempos sem fim cuidam de depurar em favor mesmo do curso natural das coisas.

Eis, portanto, a matéria-prima desta nossa elaboração, que oferecemos com carinho a todos quantos interessam a História do Espiritismo.

Os editores

Maurice Lachâtre (1814 - 1900), Amigo de Allan Kardec, O Iluminista, O Livreiro-editor, Protagonista do Auto de Fé de Barcelona

Journal de la Banque des Échanges

O sócio de Maurice no tal Banque des Échanges era Hippolyte-Léon Denizard Rivail, aquele que mais tarde tornar-se-ia célebre sob o pseudônimo Allan Kardec, com o qual assinaria suas obras espíritas.

Conforme os Arquivos de Paris (Arch. Paris D3IU3 83), o empreendimento Société Delachâtre e o Rivail fundado em 18 de março de 1839 servia como uma espécie de agência financeira para “fomentar e facilitar as transações comerciais, proporcionar novas oportunidades para o comércio e a indústria, suprindo a falta de recursos pecuniários através de qualquer tipo de produto”, sob o nome corporativo Lachâtre e Rivail. Esse banco também editava um periódico estrategicamente relacionado a esses negócios.

 

Nouveau Dictionnaire Universel

O Nouveau Dictionnaire Universel cujo tomo I, contendo os verbetes de A até G, vem à lume em 1852; o segundo tomo sai em 1854, com os verbetes de H até Z. A publicação cai no gosto popular e entre 1855 e 1857 Maurice trabalhará numa nova edição, que ganhará o título Dictionnaire français ilustre [Dicionário Ilustrado Francês], seguido pelo Dictionnaire des écoles [Dicionário das Escolas] cujos fascículos despontam entre 1856 e 1858.

O verbete “Allan Kardec”, por ele publicado no Novo Dicionário Ilustrado está bem ajustado com os princípios da codificação espírita, a exemplo do próprio verbete “Espiritismo” colocado na mesma obra. Essa justeza doutrinária evidentemente tem a ver com o fato de Kardec pessoalmente ter colaborado com a redação. Todavia, posteriormente, vamos encontrar Lachâtre modelando a doutrina dos Espíritos em favor de seus apelos ideológicos particulares. E isso carece ser distinguido, com todo o respeito à pessoa envolvida.

Biografia de Allan Kardec publicado no Nouveau Dictionnaire Universel do Sr. Maurice Lachâtre, Tome I, Pág. 199, Édition de 1865 a 1870.

Le Monde Invisible

(Directéur: Maurice Lachâtre) (1867)

A doutrina dos Espíritos parece interessar cada vez mais ao livreiro dicionarista, pois em 1867 vamos encontrá-lo a lançar a sua própria série espírita, aqui já mencionada: O Mundo Invisível [Le Monde invisible]. Bem, não exatamente espírita nos moldes kardecistas, mais ou menos “similar”, como denota o seu subtítulo: Estudos sobre o espiritismo, o espiritualismo e o magnetismo, os mistérios do além-túmulo, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, as maravilhas da natureza: exposição de doutrinas religiosas e filosóficas por grupos espíritas de Paris, França e do exterior, com a colaboração de espíritos, filósofos e livres pensadores.

Dom Antonio Palau y Térmens

O protagonista do Auto de Fé de Barcelona

(1806 - 1862)

Naquele fatídico dia de 09 de outubro 1861, quando as estradas de ferro fazem ouvir o ruído do progresso, o avanço da civilização, um bispo fez retroceder as épocas superadas. Os diários liberais (laicos) espanhóis, em suas edições do dia seguinte noticiavam sua condenação ao Santo Ofício de Barcelona.

O bispo Termens viu as chamas se erguerem até que consumiram de todo as encadernações, brochuras e revistas espíritas, enquanto isso os curiosos correram até às cinzas e recolheram punhados de papeis que conservavam ainda algo que se pudesse ler, salvo das chamas.

Enviadas por Kardec a Maurice Lachâtre, um editor e escritor, um contestador por excelência, em choque permanente com o regime político e a religião católica dominante.

Projeto Allan Kardec - ACERVO AKOL

Tu tens também uma carta do senhor Lachâtre, que ainda sonha com publicações; se quiseres lhe responder, eis o que ele diz: “Informo-te, caro amigo, de uma decisão que tomei, a fim de que possas fazer tuas próprias observações, se achas que as deves me enviar, e também para que me transmitas as do Espírito de Amélie Debray, a quem te peço para /2/ questionar. Maurice, considerando concluída sua missão na Espanha, após o ano passado, propõe-se a partir pelo mar, no próximo mês de fevereiro, até Gênova, sem colocar os pés na França, uma vez que seu tempo de exílio ainda não terminou, e ir a Bruxelas para fundar uma editora, a fim de publicar as obras condenadas, as quais ele considera um dever conservar para a atual geração e para a posteridade. Os Mistérios do Povo, de Eugène Sue, & O Dicionário Francês Ilustrado. Ele fala também em reproduzir a Revista Espírita na Bélgica”.

Temo que este homem faça excentricidades quando sair da Espanha; gostaria mais dele na Bélgica do que na França.

Carta de Amélie Gabrielle Boudet para Allan Kardec - 03/09/1863

Fontes: Editora Lachâtre (Comprar Obra: Maurice Lachâtre - O Espiritismo Uma Nova Filosofia)

Fontes: Luz Espírita - Espiritismo em Movimento (Maurice Lachâtre e o  Espiritismo: entre a publicidade e as controvérsias) 

Fontes: Luz Espírita - Espiritismo em Movimento (Verbete Maurice Lachâtre)

"Deixando ao Nouveau Dictionnaire Universel a responsabilidade de certas partes da nota bibliográfica que ele dá do Sr. Allan Kardec, acreditamos correto colocá-la sob os olhos de nossos leitores. Não saberíamos, aliás, felicitar o autor, o Sr. Maurice Lachâtre, pelo fato de que acreditou ter de incluir os neologismos necessitados pelo estabelecimento da doutrina dos espíritos e que, até aqui, tinham sido sistematicamente rejeitados por todos os dicionários. Hoje, é um fato cumprido e as palavras espiritismo, espírita, perispírito, reencarnação, etc., etc., desde algum tempo já consagradas pelo uso, adquiriram direito na língua francesa"

Auguste Bez

O médium de Bordeaux

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Maurice Lachâtre e o Espiritismo - Entre a publicidade e as controvérsias (Obra rara traduzida)

 

Maurice Lachâtre - Allan Kardec uma breve biografia (Verbete Nouveau Dictionnaire Universel Tome I, Pág. 199, Édition de 1865 a 1870)

 

Journal de la Banque des Échanges (1839) (Fr.) (Directéur: Maurice Lachâtre e Professor Rivail / Allan Kardec)

 

Le monde Invisible (1867) (Directéur: Maurice Lachâtre)

 

Projeto Allan Kardec - ACERVO AKOL (Carta de Amélie Gabrielle Boudet para Allan Kardec - 03/09/1863)
 

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