FUNDAÇÃO DA UNIÃO ESPÍRITA FRANCESA

 

 RELATÓRIO

Das Sessões de 24 de dezembro de 1882 e de 5 de janeiro de 1883

PREÇO: 30 CENTS

À VENDA

NA SEDE SOCIAL: Passagem Choiseul, 39 e 41

(1883)

 

OS LABORATÓRIOS DO ESPIRITISMO

NA COMPROVAÇÃO DA IMORTALIDADE DA ALMA

 

 TRADUTOR

ABÍLIO FERREIRA FILHO

 

PREFÁCIO

ANTONIO CESAR PERRI DE CARVALHO

 

 CAPA

ERY LOPES

 

revisão

irmãos w.

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

 Fondation de l' Union Spirite Française

Compte-rendu

Des séances du 24 décembre 1882 et du 5 janvier 1883

En Vente

Au Siege Social, Passagem Choiseul, 39 et 41

(1883)

 

 VERSÃO DIGITALIZADA EM 2018

 

 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

WWW.AUTORESESPIRITASCLASSICOS.COM

 

Prefácio:

Oportuna publicação digital é disponibilizada com editoria de Autores Espíritas Clássicos.

Vem a lume histórica publicação francesa do final do século XIX sobre a fundação da União Espírita Francesa, contando com tradução de Abílio Ferreira Filho.

Como um preâmbulo, os editores transcrevem a bela e ilustrativa história relatada por Allan Kardec “O caminho da vida”, que a estrada é a figura da vida espiritual da alma, transcrita de Obras Póstumas.

Em seguida, seguem-se os textos dos discursos e decisões registradas nas Atas relacionadas com a fundação da União Espírita Francesa (Union Spirite Française), das reuniões ocorridas em Paris entre 24 de dezembro de 1882 a 15 de janeiro de 1883. Embora no subtítulo da publicação cite o dia 5 de janeiro, a Ata em que foi lido e aprovado o Estatuto é do dia 15 de janeiro.

A apresentação é de Alexandre Delanne, o grande amigo de Allan Kardec.

Nas discussões prevaleceu “o princípio de uma federação ou União Espírita Francesa prevaleceu, sem prejuízo aliás de conexões que se poderiam formar posteriormente com as outras nações. Finalmente definiu-se com o título União.”

No transcorrer das discussões Alexandre Delanne comenta: “Os princípios de nossa filosofia foram reunidos, como vós o sabeis, em corpo de doutrina por nosso mestre que nos faz muita falta, Allan Kardec: foi preciso seu gênio e a cooperação do mundo invisível para espalhar-se tanto e tão rápido, nas massas, nossas idéias tão justas, tão consoladoras e tão grandes. Sua partida da terra foi uma perda bem sensível para seus adeptos e um grande prejuízo no desenvolvimento de nossa doutrina. Desde sua morte, com efeito, o espiritismo, nós o constatamos, diminuiu sua marcha.”

E cita como causa a guerra franco-prussiana e a dispersão dos espíritas, perdendo a “unidade no estudo”.

Surge a criação da nova revista Le Spiritisme, com o objetivo do ensino “conforme às idéias enunciadas por Allan Kardec, isto é simples, claro, e principalmente ao alcance dos novos adeptos, que não demandam senão a conhecer os costumes do mundo dos espíritos, a grande pátria a que nós devemos rever.”

Marcantes discursos foram feitos por Gabriel Delanne, sobre Deus, e por Léon Denis, com apelo caloroso à união e à concórdia.

O Estatuto da União Espírita Francesa em seu Artigo 1º, define:

“A união tem por objetivo o agrupamento de espíritas franceses, o estudo de todos os fenômenos espíritas, e a propagação da filosofia e da moral do espiritismo por todos os meios que as leis autorizam, e principalmente pela publicação de um jornal bimensal tendo por título: O Espiritismo, órgão da União Espírita Francesa.”

O presente volume registra momentos históricos e marcantes vividos pelo Espiritismo na França, oportunidade em que se completaria, em poucos meses, 13 anos da desencarnação do Codificador.

Na leitura dos discursos e comentários registrados em Atas, percebe-se que havia um ambiente de dissenção e de preocupações com a situação do Espiritismo na França, evitando-se comprometimento com a Sociedade anônima para a continuação das obras de Allan Kardec.

Da relação de 18 fundadores destacamos: Alexandre Delanne, Gabriel Delanne, Léon Denis, Madame Berthé Froppo. Há grande número de assinaturas como membros da União e assinantes da nova revista.

Sem dúvida, o apoio de Amélie Boudet, já nos últimos momentos de sua existência física, e o comprometimento dos fundadores da União Espírita Francesa, que acima destacamos, deixam claro que os genuínos amigos e seguidores de Allan Kardec estavam imbuídos do ideal de fidelidade à obra do Codificador.

São Paulo, julho de 2018.
Antonio Cesar Perri de Carvalho
Ex-presidente da FEB e da USE-SP; ex-membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional
 

Apresentação:

RELATÓRIO
DA SESSÃO DO DIA 24 DE DEZEMBRO DE 1882
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Presidente: Sr. Doutor Josset
Secretários: Srs. Chaigneau e G. Delanne
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A sessão foi aberta às 2 horas e 30 minutos
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DISCURSO SR. ALEXANDRE DELANNE
(PAI)

 

Senhoras e Senhores,

Caros Irmãos em crença,

Estamos felizes de constatar que vós aceitardes atender ao nosso apelo fraternal.

Vamos desenvolver diante de vós os motivos que provocaram esta reunião e que estavam contidos sumariamente em nossa convocação.

Devemos vos fazer compreender claramente nossa maneira de ver sobre a necessidade de criar a União Espírita Francesa, e, como corolário, a fundação de um jornal, órgão exclusivo dessa união.

Permiti-me, Senhores, lançar um rápido golpe de vista sobre a situação geral do espiritismo em nossa época. Os princípios de nossa filosofia foram reunidos, como vós o sabeis, em corpo de doutrina por nosso mestre que nos faz muita falta, Allan Kardec: foi preciso seu gênio e a cooperação do mundo invisível para espalhar-se tanto e tão rápido, nas massas, nossas idéias tão justas, tão consoladoras e tão grandes. Sua partida da terra foi uma perda bem sensível para seus adeptos e um grande prejuízo no desenvolvimento de nossa doutrina. Desde sua morte, com efeito, o espiritismo, nós o constatamos, diminuiu sua marcha.

Relembremo-nos brevemente as causas principais:

A guerra desviando os espíritas das especulações filosóficas nos fez muito mal, e no entanto se nosso chefe estivesse vivo, que partido não teria ele tirado de tal estado moral. Ele teria sabido, por sua grande autoridade, atrair a nós aqueles que sofreram cruéis feridas da pátria. Ele teria feito renascer a esperança nos corações quebrados que perderam um dos seus para a defesa de nossos lares.

Mais tarde, as ardentes lutas políticas que tivemos que sustentar, empregando todas nossas energias de cidadãos, retardaram a eclosão das sementes que prometiam uma abundante ceifa. O mundo espírita, separado subitamente por essas convulsões sociais, não tendo mais nosso mestre para reunir a família espírita em torno dele, nossos irmãos se dispersaram e trabalharam isoladamente. Resultou forçosamente desse estado de coisas uma falta de unidade no estudo. As comunicações não sendo mais suficientemente controladas não puderam servir à elucidação de novas leis seguindo os princípios postos pelo Mestre, malgrado os louváveis esforços de homens animados de bons sentimentos.

Hoje quando decorridos treze anos desde o desaparecimento do fundador do espiritismo, as teorias do materialismo parecem triunfar procurando aplicar suas desastrosas influências. A vontade de gozar se apodera de todos os ignorantes, de quem se retirou por sofismas a base a moral, suprimindo Deus.

As obras espíritas, espalhadas com profusão, teriam combatido eficazmente o arrastamento dos espíritos nessa via perniciosa. Contamos com os preços baixos das obras fundamentais para colocá-las ao alcance de todos, e cremos ainda que é uma das causas da diminuição da difusão de nossas crenças.

Os grupos, entregues a si mesmos, insuficientemente visitados, sentiram falta de método no ensino de nossa filosofia, a unidade de vista se fez defeituosa, não produziram os resultados como se esperava.

Para remediar tal estado de coisas, acreditamos que é indispensável nos agrupar de novo nossos esforços, de alguma sorte; marchando em filas fechadas, sob uma direção inteligente e ativa, que se pode cumprir grandes coisas. O isolamento, é a fraqueza; não permaneçamos por isso sozinhos conosco mesmos, formemos uma vasta associação que permitirá a todas nossas energias achar seu lugar útil, em uma palavra façamos a União Espírita Francesa.

Vede de todos os lados os benefícios da associação se tornaram palpáveis; não é senão casando seus esforços que os sábios chegaram a edificar o esplêndido monumento das ciências; façamos como eles, sigamos o caminho que eles nos traçaram, e nós espalharemos largamente a verdade.

Na centralização que vamos criar, está bem entendido que cada reunião, cada grupo, cada médium, cada espírita, conservará sua inteira independência e sua liberdade absoluta. Como o comitê eleito por vós só terá por objetivo centralizar os estudos e fazer o controle universal que é uma garantia para a unidade de direção.

Pois não será pela voz de um homem que se vai aderir, mas pela opinião unânime dos Espíritos. Aí está verdadeiramente o caráter essencial da Doutrina espírita. Aí está sua força, aí está sua autoridade. Deus quis que sua lei fosse assentada sobre uma base inquebrantåvel, por isso ele não a fez sobre a cabeça de um só. A opinião espírita francesa será o juiz supremo que nos reconhecerá, pois no concurso geral que nós acreditamos, as individualidades se apagam, e a coletividade será toda poder.

Para permanecer livres, nós repudiamos desde já toda personalidade; nós nos colocamos sobre um terreno inteiramente neutro para facilitar as idéias de conciliação, sem as quais não há nem força, nem poder.

Nossa doutrina será espalhada pelo jornal "O Espiritismo" que será de algum modo o Monitor universal do mundo dos espíritos.

Confiando à direção geral da União a um comitê nomeado por todos, evitamos o perigo que pode nos fazer incorrer as visões pessoais de um único homem e nós regressamos à grande tradição republicana.

Vivemos em Paris e na província, sem um laço fraternal de união; somos tão estranhos uns aos outros como se vivêssemos em latitudes diferentes; não se acreditaria jamais que uma mesma crença faz bater nossos corações; isso se dá pela falta de coesão daqueles que compartilham nossas idéias. Trata-se de nos unirmos em um feixe para aprender a nos conhecer, a nos amar e a nos apoiar uns aos outros.

Para formar essa associação tão desejada e tão necessária, nós vos propomos depositar 50 centavos por mês, ou 6 francos por ano, para criar essa federação e para fazer parte dela, pois malgrado o desinteresse inteiro de pessoas que querem ser nomeadas para a direção, impõem-se despesas gerais que é preciso cobrir, tais como: aluguel, iluminação, correspondência, etc.. etc.

O conjunto dos espíritas sendo de trabalhadores, e os membros do comitê devendo ser tomado desse conjunto, não poderiam consagrar à obra senão a décima segunda hora, isto é já uma tarefa pesada que eles aceitam, a da Direção. Eles não devem por isso ter outras despesas senão aquelas que são comuns a todo associado.

Os membros da União Espírita Francesa serão convocados periodicamente em um lapso de tempo que a própria assembléia determinará. Aí serão discutidos os interesses gerais e se tratará a questão dos congressos futuros.

Se vós respondeis a nosso apelo e que nossas idéias sejam compreendidas, nós vos proporemos, no futuro, quantias que poderão ser utilizadas para fazer conferências espíritas tanto em Paris quanto na província, e criar tanto quanto possível bibliotecas espíritas populares.

Em resumo, nós queremos que na "União" reine a mais perfeita igualdade entre seus membros; pois, sendo todos irmãos, devemos usufruir dos mesmos direitos. Ninguém será superior aos outros, se não for pelo seu devotamento à causa comum.

Vós sereis por isso inteiramente livres para nomear para o comitê aqueles que vos parecerem os mais dignos.

Vós ireis ver que os estatutos que nós vos submetemos foram elaborados no espírito que nos parece ser o mais liberal.

Vós sereis chamados a sancioná-los ou a fazer as objeções que eles vos suscitarão.

Sr. Alexandre Delanne

Tema apresentado:

SOBRE O JORNAL

LE SPIRITISME

(O ESPIRITISMO)

Passemos agora à necessidade da criação de um novo jornal, que chamaremos: "O Espiritismo"

Em tese geral, quanto mais uma crença, quanto mais uma filosofia política ou fisiológica tem órgãos à sua disposição, mais forte ela é, mais ela é chamada a crescer. - Por isso, a priori, a criação de um novo jornal espírita só pode ser vantajoso à nossa causa.

Mas há outras razões sérias que se impõem, elas são de várias naturezas:

1º. Razões particulares à União espírita;
2º. Razões sociais;
3º. Razões relativas ao ensino dos princípios do espiritismo.

1º. É indispensável que o resultado da concentração dos trabalhos seja exposto em uma folha periódica especial, a fim de que todos os adeptos conheçam o resultado dos Estudos.

2ª. Para que os espíritas possam melhor se conhecer, o jornal dará o endereço dos diferentes grupos de Paris e da província, o nome dos médiuns, os efeitos que eles produzem, etc., a fim de que nossos irmãos, desejosos de dar manifestações ou um controle a exercer, saibam aonde se dirigir.

3ª. Enfim, o ensino que daremos será conforme às idéias enunciadas por Allan Kardec, isto é simples, claro, e principalmente ao alcance dos novos adeptos, que não demandam senão a conhecer os costumes do mundo dos espíritos, a grande pátria a que nós devemos rever.

Isso não nos impedirá de ter uma parte puramente científica para os espíritas já instruídos, onde estabeleceremos a superioridade de nossos princípios sobre os sistemas filosóficos ou religiosos já conhecidos.

O Sr. Chaigneau vos explicará daqui a pouco a influência do espiritismo do ponto de vista social. Teremos por missão combater o materialismo, que é o mais terrível dissolvente da sociedade. É preciso nos dedicarmos em divulgar nossas idéias em todas as classes e particularmente nas dos trabalhadores. É preciso demonstrar-lhes que nós somos realmente irmãos, que a situação deles, frequentemente penosa, é só temporária, e que, submetendo-se à Lei do trabalho, que enobrece seus filhos, eles crescem moralmente, e poderão mais tarde adquirir uma posição mais feliz.

Examinemos agora o lado administrativo desse jornal.

Nosso órgão, para produzir bons resultados, deve ser editado todos de quinze em quinze dias, a fim de manter os leitores ao corrente dos acontecimentos do mundo espírita. De mais a mais, é urgente, é indispensável que ele seja barato para ser acessível a todos os bolsos. Nós fixamos a assinatura anual em 4 francos somente. O Jornal será publicado duas vezes por mês, tendo oito páginas de texto por número.

Seu comitê de redação será nomeado por vós por eleição; é aqui que é bom e necessário fazer conhecer de novo que todas as funções, quaisquer que sejam elas, são inteiramente gratuitas. É preciso o maior devotamento à nossa grande causa, é preciso pagar com a sua pessoa e com seu talento.

Fazemos pois um caloroso apelo aos nossos irmãos em crença de Paris e da França inteira, a fim de que eles nos ajudem a divulgar às mãos cheias essas idéias que fazem sua felicidade e a nossa.

Eis aqui o que temos a honra de vos propor para pôr em prática, é preciso subscrever cotas de fundadores que serão de 50 francos cada uma; mas é preciso que todo o mundo possa ter a honra de engajar seu nome nessa criação tão grande para o futuro; decidimos pois que haverá cotas subscrição para todo valor, desde 50 francos até 5 francos.

Como não queremos fazer uma sociedade comercial, é preciso considerar os valores aplicados como donativo feito para a propagação do espiritismo, e para cobrir as despesas inerentes à toda publicação. Se, entretanto, em um dado tempo o sucesso corresponder à nossa expectativa, nós reembolsaremos o dinheiro adiantado, conforme explicado em nosso estatuto.

Para aplicar nossos princípios de igualdade e de fraternidade, fica bem entendido que os subscritores e os fundadores são iguais, qualquer que seja o nome das cotas subscritas por eles. Eles só terão direito a uma voz nos votos da União Espírita Francesa.

A obra que empreendemos é muito grave e muito séria para comprometê-la por um apressamento inoportuno; não publicaremos o jornal senão quando tivermos os fundos necessários para cobrir as despesas do primeiro ano.

Senhores,

Terminando, podemos afirmar em alta voz que nenhuma intenção dissimulada domina essa comissão que tem seu mandato de duas assembléias precedentes. Isso deve ser para vós, senhores, a maior e a melhor garantia de suas intenções. O mais profundo desinteresse tem presidido a seus trabalhos, e é uma obra de devotamento, visando o bem de nossa querida doutrina, que o fez tomar a iniciativa do movimento.

Nós cremos, por deferência e para dar mais autoridade à nossa criação, dever comunicar nossas idéias, nossos projetos à Senhora Allan Kardec, que malgrado sua idade avançada, conservou intacta a lucidez de seu espírito prático e judicioso. Ela aprova em princípio uma vasta associação moral entre todos os espíritas, e a fundação do jornal barato, que ajudará a divulgar mais largamente os princípios fundamentais da doutrina inaugurada por seu ilustre marido.

Aguardamos confiantes o veredicto que vós ireis dar, pois essa União Espírita Francesa que nós editamos nesse dia não é somente nossa obra pessoal, mas a de nossos caros espíritos que nos clamam do alto do espaço:

Amai-vos, uni-vos!

Sr. Alexandre Delanne

Lista dos Membros da União Espírita Francesa

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (O Espiritismo De Kardec Aos Dias De Hoje - Filme Completo) (Documentário Produzido pela Federação Espírita do Brasil)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Allan Kardec por Emmanuel através da psicografia de Chico Xavier)

O benfeitor espiritual escreve pela psicografia de Chico Xavier seus relatos sobre o codificador da Doutrina Espírita e sua importância para o Cristianismo renascente, o Espiritismo.

É comovente como Emmanuel considera o insigne mestre que, nos deixa emocionados e, ainda mais admirador desse espírito, tão importante para á Humanidade com sua sabedoria sobre a história das civilizações sob o ponto de vista espiritual.

Fontes: Encyclopédie Spirite (Journal Le Spiritisme) (1884 - 1895)

Fontes: Mouvement Spirite Francophone

"Hoje quando decorridos treze anos desde o desaparecimento do fundador do espiritismo, as teorias do materialismo parecem triunfar procurando aplicar suas desastrosas influências. A vontade de gozar se apodera de todos os ignorantes, de quem se retirou por sofismas a base a moral, suprimindo Deus

Para remediar tal estado de coisas, acreditamos que é indispensável nos agrupar de novo nossos esforços, de alguma sorte; marchando em filas fechadas, sob uma direção inteligente e ativa, que se pode cumprir grandes coisas. O isolamento, é a fraqueza; não permaneçamos por isso sozinhos conosco mesmos, formemos uma vasta associação que permitirá a todas nossas energias achar seu lugar útil, em uma palavra façamos a União Espírita Francesa.

Vede de todos os lados os benefícios da associação se tornaram palpáveis; não é senão casando seus esforços que os sábios chegaram a edificar o esplêndido monumento das ciências; façamos como eles, sigamos o caminho que eles nos traçaram, e nós espalharemos largamente a verdade.

Na centralização que vamos criar, está bem entendido que cada reunião, cada grupo, cada médium, cada espírita, conservará sua inteira independência e sua liberdade absoluta. Como o comitê eleito por vós só terá por objetivo centralizar os estudos e fazer o controle universal que é uma garantia para a unidade de direção. Pois não será pela voz de um homem que se vai aderir, mas pela opinião unânime dos Espíritos. Aí está verdadeiramente o caráter essencial da Doutrina espírita. Aí está sua força, aí está sua autoridade.

Deus quis que sua lei fosse assentada sobre uma base inquebrantável, por isso ele não a fez sobre a cabeça de um só. A opinião espírita francesa será o juiz supremo que nos reconhecerá, pois no concurso geral que nós acreditamos, as individualidades se apagam, e a coletividade será toda poder.

Para permanecer livres, nós repudiamos desde já toda personalidade; nós nos colocamos sobre um terreno inteiramente neutro para facilitar as idéias de conciliação, sem as quais não há nem força, nem poder.

Nossa doutrina será espalhada pelo jornal "O Espiritismo" que será de algum modo o Monitor universal do mundo dos espíritos.

Confiando à direção geral da União a um comitê nomeado por todos, evitamos o perigo que pode nos fazer incorrer as visões pessoais de um único homem e nós regressamos à grande tradição republicana."

Sr. Alexandre Delanne

União Espírita Francesa

24 de dezembro de 1882

Em Le Spiritisme, anunciando uma Assembléia Geral da União Espírita Francesa, Gabriel Delanne, então secretário da Comissão, fazia o seguinte apelo:

“Pedimos, com insistência, a nossos irmãos que nos venham prestar sua colaboração gratuitamente.

Queremos perseverar no caminho do mais absoluto desprendimento e mostrar a todos que a fé espírita não é palavra vã e que se pôde pôr em prática, no décimo nono século, as máximas do Cristo, que expulsava os vendedores do Templo e dava de graça todos os seus ensinamentos.”

Paul Bodier e Henri Regnault "Gabriel Delanne sua vida, seu apostolado e sua obra"


RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

 Fundação da União Espírita Francesa - Relatório das Sessões de 24 de dezembro de 1882 e de 5 de janeiro de 1883 PDF

 

Fundação da União Espírita Francesa - Relatório das Sessões de 24 de dezembro de 1882 e de 5 de janeiro de 1883 DOC

 

 Fondation de l' Union Spirite Française - Compte-rendu des séances du 24 décembre 1882 et du 5 janvier (1883) (Fr)

 

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