Congrès et conférences

(Congrès Spirite Internacional)

(1888 - 1946)

1888 Barcelone Congrès International Spirite, 1889 Paris Congrès Spirite International, 1900 Paris Congrès Spirite International, 1905 Liège Congrès Spirite 11 e 12 Juin 1905, 1907 Anvers Congrès Spirite International, 1908 Liège Congrès Spirite, 1909 Jemappes Belge, 1910 Congrès Spirite Universel Bruxelles, 1911 Charleroi Congrès Spirite Belge, 1912 Congrès Belge Namur, 1913 Congrès Belge Namur, 1913 Genève Congrès Spirite International, 1923 Liège Congrès Spirite International, 1923 Varsovie II Congrès Sciences Psychiques, 1925 Paris Catalogue exposition Congrès Spirite International, 1925 Paris Congrès Spirite International, 1927 Paris III Congrès International des Recherches Psychiques, 1928 Londres Congrès Spirite International, 1931 La Haye Congrès Spirite International, 1934 Congrès International Barcelone Photos, 1934 Congrès Spirite International Barcelone, 1946 Paris Congrès Spirite Français, Les Conférences Spirites De L'année 1884

ENCYCLOPÉDIE SPIRITE

réalisation du Mouvement Spirite Francophone

 

 

Congressistas Espíritas:

O ESPIRITISMO NAS CORTES ESPANHOLAS

Na primeira legislatura das Cortes Constituintes da República Espanhola foi apresentada a seguinte proposta:

“Os deputados que subscrevem, conhecendo que a causa primeira do desconcerto que por desventura reina na nação espanhola na esfera da inteligência, na região do sentimento e no campo das obras, é a falta de fé racional, é a carência, no ser humano, de um critério científico ao qual ajustar as suas relações com o mundo invisível, relações profundamente perturbadas pela fatal influência das religiões positivas, têm a honra de submeter à aprovação das Cortes Constituintes a seguinte emenda ao projeto de lei sobre reforma do ensino secundário e das faculdades de filosofia, letras e ciências.

“O parágrafo terceiro do artigo 30, título II, ficará redigido do modo seguinte:

“Terceiro. Espiritismo.

Palácio das Cortes, em 26 de Agosto de 1873. – José Navarrete. – Anastasio García López. – Luís F. Benítez de Lugo. – Manuel Corchado. – Mamés Redondo Franco.”

O eloquente orador Sr. Navarrete era o encarregado de defender na seguinte legislatura essa emenda, por virtude da qual o estudo do Espiritismo faria parte do ensino secundário universitário.

Dissolvidas aquelas Cortes, não foi possível discutir a repetida emenda, porém ela ficará para sempre como um monumento para demonstrar a importância que neste país o Espiritismo chegou a conquistar, e que honrosa representação ele teve nas Cortes Constituintes da República Espanhola.

ENSINO DO ESPIRITISMO

Para a eventualidade de ser discutida nas Cortes a emenda apresentada pelos deputados espíritas, foram formuladas as bases de ensino seguintes.

PROGRAMA DE UM CURSO ELEMENTAR DE ESPIRITISMO

Prolegômenos. – Noções de Cosmologia e Antropologia. Tratados sumários.
1º Pluralidade dos mundos habitáveis e habitados – Cosmografia comparada.
2º Noção de Espírito. – Vida livre. – Encarnações.
3º Teoria do Progresso. – Progresso universal indefinido.
4º Fundamentos da Filosofia, a Moral e a Religião. – Síntese espírita.
5º Ideal social humano.
6º Espiritismo experimental. – Magnetismo, sonambulismo lúcido, fenômenos espontâneos e sistemas de comunicação com o mundo invisível.

Huelbes Temprado. Torres-Solanot.

Primeiro Congresso Internacional Espírita 1888

Discurso de Pierre-Gaëtan Leymarie:

O COVEIRO DO ESPIRITISMO

O Sr. Presidente. Passo a palavra ao Sr. Leymarie, representante da Sociedade Científica de Estudos Psicológicos de Paris, fundada por Allan Kardec.

Sr. P. G. Leymarie (em francês). Meus caros irmãos: Nada tão oportuno para mim agora, como dizer-vos brevemente quem foi Allan Kardec, qual a sua vida e como devem ser caracterizadas as suas obras.

Allan Kardec era filho de um magistrado de Lyon [1], homem muito inteligente, que quis fazer do filho um erudito, porém prático, capaz de enfrentar todas as vicissitudes da vida. Por isso colocou seu filho, cujo verdadeiro nome era Hipólito Denizart, junto ao célebre professor Pestalozzi, em Yverdon (Suíça), o qual mudou completamente o sistema de educação da juventude, perto de 80 anos atrás. Hipólito foi um dos seus melhores discípulos, ao ponto de que quando o mestre se ausentava, ele o substituía.

Lá por 1830 o futuro fundador do Espiritismo mudou-se para Paris, onde criou um colégio do sistema Pestalozzi e contraiu matrimonio com Madame Boudet, senhorita instruída, prudente e econômica, possuidora de certa fortuna.

Abandonou então o ensino para dedicar-se à publicação de diferentes obras, entre outras, gramáticas, aritméticas, dicionários, etc., muito usados de 1845 até 1860. Nesse tempo, além dos títulos de Bacharel em Ciências e Letras, estudou Medicina [2], Magnetismo, e tinha conhecimentos de alemão, inglês e italiano. Estava conceituado como um dos mais eminentes professores franceses, e obtivera prêmios em uma centena de certames.

Na época, desde 1850, vários homens eminentes de Paris, entre eles o acadêmico Taillantier, os publicitários Sardou pai e filho, o sábio filósofo holandês Tiedeman-Marthez, o editor da Academia, etc., ocupavam-se dos fenômenos do Espiritismo moderno, importado da América. Durante cinco anos e graças a todas as formas de mediunidade, obtiveram milhares de comunicações de almas que se diziam de pessoas mortas, e delas a evidência da imortalidade da alma e seu poder de comunicar com os viventes após a morte.

Não conseguindo sistematizar nem ordenar as comunicações recebidas, houve o acordo de encomendar esse trabalho ao sábio professor Denizart, cujo espírito sintético era bem conhecido. Allan Kardec começou por perguntar a si mesmo qual a aberração que poderia obrigar aqueles sábios a dar fé às declarações dos mortos, e na dúvida, puramente científica, quis entender o fenômeno.

Admirado daqueles fatos que sem demora lhe foram oferecidos, encontrando naquelas comunicações uma filosofia sublime, um mundo novo para as inteligências, de acordo com a ciência e com o bom senso, decidiu-se a realizar o enorme trabalho de classificar metodicamente todas as comunicações, por uma mesma ordem de ideias. Achou algumas soluções de continuidade entre os diversos capítulos; para preenchê-las, formulou perguntas precisas e claras que, submetidas às inteligências de além-túmulo do grupo estabelecido na época, na Rua dos Mártires (Paris), foram respondidas de imediato, e satisfatoriamente. E com esses e outros trabalhos reunidos, publicou-se em 1857 O Livro dos Espíritos, sob a direção de Allan Kardec, sem o qual sua organização teria sido impossível.

Entretanto, fora constituída uma Sociedade que, tendo conhecido o sucesso admirável do primeiro volume publicado, nomeou por unanimidade Allan Kardec como presidente. A partir de então dirigiu suas pesquisas e experiências com uma energia e prudência maravilhosas. Coletou novos elementos, classificou-os e dedicou-se a um trabalho constante, das cinco horas da manhã até meia-noite, e em 1858 editou a segunda edição de O Livro dos Espíritos e fundou a Revista Espírita [3]. Hoje aquele livro está na trigésima quarta edição, tendo sido traduzido a uma dúzia de idiomas.

Em 1860 Allan Kardec publicou O Livro dos Médiuns e a seguir O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e, por último, A Gênese, obra preciosa, onde coletou tudo aquilo que era conhecido na época sobre a doutrina nova. [4]

A imprensa ridicularizava Allan Kardec; Roma decretava a sua excomunhão, condenando a comunicação e anatematizando a tese da reencarnação dos mortos, ordenando a seus negros exércitos que o combatessem abertamente, já que o Espiritismo, não reconhecendo um Deus ciumento e vingativo e nem a possibilidade de milagres, minava os fundamentos da infalibilidade papal e dos dogmas católicos: nada, porém, conseguiu amedrontá-lo.

Estabeleceu assim os fundamentos do Espiritismo: o livre-arbítrio das almas; o sofrimento a que, pelas leis naturais, conduzem as más ações, sendo que as boas satisfazem as suas aspirações inatas; a lógica do progresso, por isso mesmo indefinido; a eternidade da matéria e da Criação; a série de existências que o homem tem precisado para atingir o atual estado de relativa perfeição, e a série que ainda lhe resta para conseguir somente aquilo que hoje já se vislumbra no seu pensamento; a solidariedade que enlaça todos os elos dessa corrente infinita e sucessiva, da vida ao instinto, do instinto à inteligência, da inteligência à razão pura; a inanidade, em uma palavra, do Céu, do Inferno e dos pequenos deuses de todas as religiões positivas. A única coisa certa é, que o homem vale segundo as suas obras; que a Verdade e o Amor são os únicos sentidos por onde se alcança a felicidade verdadeira e suprema.

Deve, pois, Allan Kardec, ser venerado por todos os Espíritas, porque de cada homem ele fez um investigador da Verdade, um ser livre e verdadeiramente responsável, que tem diante de si vidas e tempo inúmeros para consagrar ao próprio progresso, e também pluralidade de mundos dos quais elevarem-se ao conhecimento do infinito.

Hoje, já milhares de sábios eminentes têm estudado e aceitado as conclusões do Mestre, que dizia: “As bases do Espiritismo são inabaláveis; as consequências modificar-se-ão segundo o progresso intelectual e moral dos seus adeptos”.

Quanta notável experiência realizada pelos Hare, os Zöllner, os Butleroff, Varley, Wallace, Crookes e tantos outros! Sábios, materialistas em sua maioria, interrogaram o Espiritismo para combatê-lo e encontraram nas suas balanças a prova da existência dos Espíritos e sua ação sobre a matéria! E devem tudo isso ao homem ilustre, amigo de reis e operários, o bom conselheiro, aquele que primeiro os fez reparar nas verdades novas.

Allan Kardec faleceu em 30 de Março de 1869.[5] Devemos amá-lo, respeitá-lo, e também à sua digníssima companheira, e esperemos ver coroada de êxito em breve a grande obra que ele nos confiou.

 (Aplausos)


[1] Essa informação não condiz com as informações encontradas sobre a família de Kardec; nascido em Lyon, de fato, mas de famílias estabelecidas na comuna Bourg-em-Bresse. Para mais detalhes sobre a biografia de Allan Kardec, ver Enciclopédia Espírita Online: http://www.luzespirita.org.br/index.php?lisPage=enciclopedia&item=Allan%20Kardec — N. E.

[2] Esta informação foi motivo de certa polêmica, especialmente depois de ter sido replicada por Henri Sausse em seu opúsculo Biografia de Allan Kardec, publicado em 1896, que é uma transcrição do discurso do autor proferido em 31 de março daquele ano, por ocasião das solenidades pelo aniversário de desencarnação do Codificador Espírita; não tendo sido encontrada nenhuma evidência de que Kardec tenha estudado medicina, senão essa fala de Leymarie (a mesma de que Sausse se valeu para inclui-la na referida Biografia), é muito improvável que tenha fundamento — N. E.

[3] Na verdade, o ano de publicação da 2ª edição de O Livro dos Espíritos foi 1860; por sua vez, a Revista Espírita (Revue Spirite) teve sim o início de sua circulação em 1858, sendo o primeiro volume datado de 1 de janeiro — N. E.

[4] Na verdade, O Livro dos Médiuns foi lançado em 1861; já O Evangelho segundo o Espírito é de 1864, O Céu e o Inferno é de 1865 e, finalmente, A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo é de 1868 — N. E.

[5] Na verdade, Kardec faleceu em 31 de março de 1869 — N. E.

Pierre-Gaëtan Leymarie
Sociedade Científica de Estudos Psicológicos de Paris
O Traidor do Espiritismo

Primeiro Congresso Internacional Espírita 1888

Discurso de Albin Valabrègue:

APELO

O que falta a muitos espíritas franceses é Fé.

Não há Fé espiritual na França; existem convicções e acredita. No entanto, a Fé é a força das forças.

Seria um erro sério pensar que as religiões que estão morrendo deve levar com eles este grande alimento de entusiasmo e energia que é Fé.

No dia em que o espiritismo e o neocristianismo forem introduzidos na educação, uma nova Fé, em conformidade com a mente, a consciência, a razão, dominará as almas. O Espiritismo terá a ciência à sua direita, e o verdadeiro cristianismo à sua esquerda (o lado do coração).

ALBIN VALABRÈGUE,
Presidente da União Espírita,
12 rue moscou

Congresso Espírita Internacional de Bruxelas de 1910

Congressistas Espíritas:

Discurso de Leopoldo Cirne (*)

"Como a imprensa espírita deve ser direcionada para cumprir da forma mais útil sua missão de instrução, aperfeiçoamento e propaganda."

Em primeiro lugar, a imprensa espírita deve ser um reflexo dos grandes ensinamentos da doutrina codificados por Allan Kardec, cada uma das questões que nela se incluem comportando infinitos desenvolvimentos.

Depois vêm os fatos que, ao lado desta doutrina, devem ser divulgados de forma mais ampla, porque representam, seja espontânea ou como resultado de experimentação metódica com bons médiuns, a documentação multiplicada desta verdade fundamental que é a sobrevivência e imortalidade do espírito, com todas as suas consequências incalculáveis. Uma seção informativa deve completar a imprensa espírita, registrando o movimento de organização de grupos e associações, bem como de Congresso ou qualquer outro, realizado por toda parte, a fim de atualizar os leitores sobre a marcha, o desenvolvimento. e avanços na doutrina em todo o mundo.

A troca de jornais e revistas de todos os países entre si possibilitará essa gravação, que é muito útil para estimular o esforço e a dedicação dos seguidores.

Essas são, nos parece, as três principais características que devem marcar a imprensa espiritualista, para que cumpra melhor sua missão.

(*) LEOPOLDO CIRNE
Presidente da Federação Espírita Brasileira
Rua do Sacramento (atual Av. Passos, 28-30), Rio de Janeiro

Congresso Espírita Internacional de Genebra de 1913

Congressistas Espíritas:

Sophie Rosen-Dufaure (*)

Foi sobretudo pelo seu valor moral que os primeiros cristãos propagaram as suas crenças e, ainda hoje, a grande figura de Cristo eleva-se acima da Humanidade, impondo-se na veneração de tudo, mesmo para as naturezas mais resistentes à fé cristã, impondo-se por sua moral impecável, por sua caridade sublime, e perfeito; um de seu caráter, e sua doutrina e foi acima de tudo essa magnífica harmonia entre seus ensinamentos e suas ações que conquistou as almas.

(*) Sophie Rosen-Dufaure
Présidente de la Société d'Etudes Psychiques de Genève.

Congresso Espírita Internacional de Genebra de 1913

Congressistas Espíritas:

Em primeiro lugar, teremos o cuidado de não confundir a hipótese espírita com o ensino espírita. O primeiro é uma teoria científica dos fatos psíquicos; a segunda é um ensino moral, uma verdadeira religião baseada na revelação dos espíritos.

Vamos deixar de lado a doutrina espírita que é mais do coração do que da razão. A hipótese espírita pode ser formulada da seguinte forma: independência da personalidade consciente e a sua sobrevivência após a morte. Note-se que dizemos sobrevivência e não imortalidade, sendo esta última palavra um termo metafísico que, para a ciência experimental. não faz sentido.

René SUDRE
Membro do Institut Métapsychique International

II Congresso Internacional Ciências Psíquicas de Varsóvia de 1923

Apresentação do Congresso Espírita:

SEÇÃO FILOSÓFICA E MORAL

1 ° Princípios fundamentais do Espiritismo:

a) Existência do Espírito;

b) Sua sobrevivência ao corpo físico;

c) Comunicação de vivos e mortos;

d) Estudo das leis que regem o nascimento e a morte;

e) Reencarnação;

f) Existência de Deus.

Todos os espíritas franceses aceitam os princípios fundamentais do Espiritismo. Eles são explicados com muita clareza nos livros de Allan Kardec e Léon Denis, que todos conhecem na França. Sabemos que a reencarnação é polêmica em outros países; mas parece-nos tão justo, tão racional que, embora respeitando profundamente as idéias de nossos irmãos de outras nações, não as compartilhamos.

LOUIS GASTIN
Membro da União Espírita Francesa

Delegado do Congresso Espírita Internacional de Paris de 1925

Discurso de Jean Meyer:

Visita da delegação do Congresso Espírita Internacional de Paris em 1925 ao dólmen de Allan Kardec (no Père-Lachaise)

Discurso em homenagem Allan Kardec

Antes de se separar, o Congresso Espírita Internacional fez questão de expressar sua grata memória ao fundador de nossa doutrina espírita. Uma grande delegação, portanto, foi, no sábado, 12 de setembro, ao cemitério Père-Lachaise, para colocar uma magnífica coroa de folhas de carvalho.

Em nome da F. S. I, o Sr. Jean Meyer, vice-presidente, pronunciou as seguintes palavras:

Estamos aqui, meus Irmãos e minhas Irmãs, para prestar uma piedosa e solene homenagem de agradecimento a quem nos revelou a clareza desta doutrina que nos torna vislumbre o horizonte sublime de nosso destino imortal.

O reconhecimento que devemos a Allan Kardec, não podemos expressá-lo melhor do que seguindo o exemplo que ele nos deixou, ou seja, inspirando-se em suas visões amplas, tolerantes e caridosas para com todos, e também aplicando em nosso trabalho e aos nossos esforços a calma e a prudência que sempre demonstrou durante a sua vida ativa e fecunda. Assim, mostraremos ao mundo que o Espiritismo não é apenas uma doutrina baseada em fatos indiscutíveis em sua realidade, mas uma ciência afirmada pela razão iluminada e pelo bom senso.

Mestre Allan Kardec, neste último dia do Congresso Espírita Internacional de Paris, temos a alegria de expressar diante desta tumba, respeitada pelas milhares de almas que o Senhor iluminou com o sopro do espírito, a nossa alegria pelo sucesso obtido por manifestação grandiosa de espíritas de todos os países nesta semana que termina hoje.

Lá de cima você participou do nosso trabalho e do nosso triunfo. Este primeiro sucesso na França permite-nos olhar para o futuro com segurança. As grandes nuvens que, por muitos anos, tentaram envolver a Verdade Espírita em sombras estão se dissipando, um sopro mais poderoso que as oposições persegue as trevas diante de nós. Seguiremos em frente, confiantes, certos de ser guiados pelos nossos amigos invisíveis, para que, do nosso trabalho, saia um proveitoso benefício para a grande humanidade encarnada que convidamos ao estudo do verdadeiro conhecimento espiritual revelado pelo Espiritismo.

Sr. Jean Meyer
Vice-presidente do Fédération Spirite Internationale (F.S.I.)

Congresso Espírita Internacional de Paris de 1925

Discurso de André Ripert:

ABERTURA DO CONGRESSO

O Espiritismo desperta a curiosidade de todos, mas geralmente não desperta a noção do esforço que merece o estudo e compreensão. A multidão só tem ouvido de nossos congressos, histórias de maravilhas e milagres, sem saber que no cotidiano dos homens que compõem essa multidão, o Espiritismo já encontrou seu lugar e comprovou sua influência eficaz e benéfica.

A "grande revolução" anunciada por Allan Kardec, como o fluxo rítmico do oceano, chega até nós a seu tempo. Venha até nós na hora certa.

Um dia o leitor do próximo século folheará com espanto os relatos de nossos atuais congressos espíritas internacionais, onde verá os rastros de nossas dificuldades, pelas quais dificilmente compreenderá as razões; lerá também o testemunho da imensa vontade de amor e fraternidade que, neste momento, desenvolveu ações resplandecentes. O magnífico congresso de Londres que acaba de reunir a grande família espiritualista é apenas um passo em nossa longa caminhada, cada congresso é apenas a representação dos seguintes congressos.

Transmitimos assim, acrescidos de tempos em tempos, a luz e a fé espiritual de que este Congresso viu ser a manifestação solene. Vamos permanecer humilde e impessoalmente servos de nosso ideal; nenhuma divisão nos afetará, nenhuma dificuldade atrasará o nosso sucesso, sem dúvida, nada enfraquecerá o advento da Grande Reconciliação entre Ciência e Fé.

Sr. André Ripert
Secretário-Geral da Fédération Spirite Internationale (F.S.I.)
Administrador da Maison de Spirites
8, rue Copernic, Paris

Congresso Espírita Internacional de Londres de 1928

Discurso de Jean Meyer:

O Instituto Metapsíquico de Paris, fundado em 1919, e declarado de utilidade pública em 21 de abril do mesmo ano, foi instituído para buscar a verdade sobre o fato espíritas, e para estudar as faculdades de médiuns; e por quase dez anos o zelo dos diretores deu um grande passo à frente no conhecimento dos fatos supranormais.

Sem dúvida, a hipótese espírita, como eles chamam nossa crença, dificilmente tem sua simpatia e até parece incomodá-los muito (pelo menos no que diz respeito às conclusões dos congressos de Copenhague e Varsóvia). O último, o de Paris (1927), porém, reconheceu que a hipótese espírita costumava dar os melhores resultados. O professor alemão Hans Driesch não teve medo de afirmar, com evidências, que pode muito bem ser aí que se encontra a solução para esses delicados problemas, que, no entanto, se mostram sobrenaturais a cada dia.

Não seria surpreendente, creio eu, se em poucos anos o espiritismo fosse camuflado sob um nome pomposamente científico. Perdoemos os estudiosos sinceros, que buscam a verdade com paciência e constância, a pequena fraqueza de se acreditar que só são capazes de encontrar uma verdade e de admitir tão dificilmente o que não foram os primeiros a observar; parece que eles culpam a verdade por ter repentinamente se revelado aos humildes, aos ignorantes.

Sr. Jean Meyer
Vice-presidente do Fédération Spirite Internationale (F.S.I.)

Congresso Espírita Internacional de Londres de 1928

Discurso de Léon Chevreuil:

REENCARNAÇÃO

A União Espiritual Francesa acreditou em poder chamar a atenção deste congresso para um assunto de imensa importância: trata-se da ideia de reencarnação e de vidas sucessivas.

Seria do interesse dos espíritas de todo o mundo não divergir muito em opiniões sobre um ponto tão essencial de nossa bela filosofia. Pode ser suficiente estabelecer nossa doutrina com clareza, pois as diferenças, se houver, provavelmente se devem à diferencia interpretativa e não à incompatibilidade doutrinária.

Na França, a doutrina das reencarnações é válida para qualquer pessoa que acredita que a vida futura não é uma quimera. Acreditamos nela porque é o único possível, o único provável e o único que não contradiz os nossos conhecimentos atuais.

Queremos abordar este problema com a mente mais ampla, cada um ficando livre para manter o seu ponto de vista sobre as relações da alma e do corpo, sobre as modalidades de manifestação espíritas e sobre as condições de vida no mundo, mas ficaríamos felizes se um acordo pudesse ser alcançado sobre este ponto e se, sem especificar nada, o congresso pudesse assinar uma moção declarando que a ideia reencarnacionista é perfeitamente aceitável como uma hipótese de trabalho por causa de sua plausibilidade e seu acordo perfeito com a ciência.

É menos uma profissão de fé do que uma resposta a ser dada aos oponentes que, especialmente na França, nos objetam que neste ponto estamos em desacordo absoluto com os espíritas anglo-saxões.

A doutrina das reencarnações é antiga, pois sua origem se perdeu nas brumas do tempo; é tão geral que pertence a todas as religiões, a todas as filosofias; a encontramos nos Vedas, em todos os livros sagrados e especialmente na Bíblia, visto que a conversa de Jesus sobre a reencarnação de Elias, na pessoa de João Batista, é um dos incidentes, - e não há não são muitos neste caso - que são encontrados mencionados nos quatro Evangelhos.

Esta doutrina, professada desde toda a antiguidade, pertence a todas as raças, a todos os povos, à Índia, ao Egito, à Grécia à Roma pagã e à Roma cristã, pois foi ensinada pelos pais da a Igreja. Depois de Pitágoras, Sócrates, Platão e foi universalmente aceito pela escola de Alexandria, Plotino nos diz expressamente, no livro Plotino de suas Enéadas: "É, diz ele, um dogma reconhecido desde toda a antiguidade e universalmente que, se a alma comete faltas, está condenada a expiá-los, sofrendo punições nos infernos escuros (na escuridão), então é admitida a passar para novos corpos, para começar suas provações novamente. "

É bastante curioso notar o quanto esta antiga crença já estava em conformidade com o puro ensinamento kardecista porque Plotino continua: "Cada um tem o destino que lhe convém e que está em harmonia com seus antecedentes, conforme suas existências sucessivas. Além disso, nesta ideia Palingenética, é muito difícil dizer algo novo porque tudo foi dito; ela é tão satisfatória para a razão pela qual foi adotado por muitos grandes pensadores do século XIX, como Fourrier, Pierre Leroux, Ch. Bonnet, Schopenhauer, etc., por escritores como Michelet, Henri Martin, G. Sand; de grandes poetas como Lamartine e Victor Hugo, e também acredito nos de língua inglesa, não posso citar todos.

Infelizmente, aconteceu na antiguidade e ainda hoje que essa concepção racional foi desfigurada por interpretações errôneas. Imaginei as multidões ignorantes devem distorcer, e isso aconteceu em uma época em que a ciência estava nas mãos de uma elite; os padres nem mesmo sentiam necessidade de desiludir o vulgo que via na transmigração das almas um castigo dos deuses; era uma sanção capaz de impressionar mentes simples, e a superstição popular inventou a metempsicose; a alma de um assassino deveria ser enviada para o corpo de um animal selvagem, a do homem sensual, para o animal impuro, etc.

Hoje, com o nosso conhecimento atual, seria totalmente ridículo supor que o elemento psíquico pode mudar o organismo e ser lançado em um corpo estranho, como um líquido que muda vasos, isso fere a ciência. É a razão. A ideia reencarnacionista, ao contrário, combina muito bem com as ciências naturais; não presumimos mais que as almas mudam de corpo, simplesmente presumimos que o períspirito, ou corpo espiritual, que é o suporte do ser sobrevivente, é capaz de fazer o que ele já fez; que no ventre da mãe ele pode nascer de novo; ele pode reconstruir um corpo assimilando uma substância visível; É uma materialização menos efêmera que a do ectoplasma e que permanece de acordo com as leis da natureza, já que toda vida é um novo começo e um progresso, uma edição revisada e corrigida de velhas formas.

São os fisiologistas os responsáveis por nos ensinar que o desenvolvimento do feto apenas repete, em muito pouco tempo, as etapas prodigiosas pelas quais a evolução da natureza levou séculos para passar.

Para que isso fosse possível, era absolutamente necessário que a vida atômica, ou seja, a alma negra da célula primitiva, sobrevivesse a toda destruição orgânica; e é nessa alma atômica que devemos buscar a prova científica da reencarnação. Perguntar-nos-emos então se essas almas, colocadas a serviço da mais elevada consciência humana, não se dissociaram após a morte.

Se assim fosse, nunca teria havido progresso, enquanto a evolução dos seres atesta a sobrevivência das almas individualizadas, pelas transformações de sua espécie e pela continuidade de seu progresso.

Léon Chevreuil
Presidente da Union Spirite Française

Congresso Espírita Internacional de Londres de 1928

Discurso de Martinus Beversluis:

Para nós que o conhecemos, é óbvio que o Espiritismo tem uma influência estreita em todos os campos da ação e do pensamento humano, que tem grande significado não só para a ciência, mas também para a filosofia, a religião e a sociologia.

Da mesma forma, seu significado moral deve ser grande. O espiritismo pode dar à moralidade uma base sólida baseada na realidade e nos fatos. A palavra "moralidade" é derivada da palavra latim "moris", que é traduzida como "costume" ou "uso". Indica a ideia de uma regra para nossas ações por meio da qual podemos distinguir o certo do errado, a virtude do vício. Diz-nos qual deve ser o objetivo de toda a nossa vida, o ideal que buscamos, pelo qual lutamos. Ele deve ser o poder que domina todas as nossas ações e inclinações.

Entre os antigos, o costume era a regra das ações dos homens. Todos os membros desses povos foram considerados obrigados a agir de acordo com o costume, embora o costume envolvesse atos perversos, como roubo, assassinato e sacrifício humano. Agir contrariamente a esse costume era considerado condenável e criminoso.

Gradualmente, a regra de moralidade muda. O costume era considerado como a lei dada pelos deuses, e a transgressão desta lei tornou-se pecado; desobediência à vontade dos deuses causando calamidades como punição por violações da lei divina.

Os padres apareceram, tornaram-se instrutores dos homens, decidiram em diferentes casos o que era bom e o que era mau, qual era o caminho da virtude e o do vício.

Entre os israelitas, gradualmente a lei foi escrita. Uma tradição de religiões, um uso cerimonial foi instituído; nos tempos antigos, a tradição foi transmitida verbalmente, mais tarde foi escrita pelos sacerdotes e, finalmente, considerada como dada por inspiração e revelação do próprio Deus. Nos dias do judaísmo, após o exílio dos babilônios, a moralidade dos judeus consistia apenas na obediência à lei escrita no livro de Moisés e considerada dada por Deus a Israel. Assim, esta lei foi tomada como a Palavra de Deus, deu sabedoria, conhecimento e entendimento. Chegar a este conhecimento de Deus era chegar ao verdadeiro temor de Deus, à verdadeira piedade. Obediência a esta lei era justiça, desobediência, impiedade e pecado. No livro dos Salmos, lemos:

"Bem-aventurados os que andam no caminho reto da lei de Deus", e a oração: "Ensina-me, ó Deus, o caminho da tua lei e eu a seguirei até o fim".

Dê-me compreensão e eu guardarei sua lei; sim, vou assistir de todo o coração. É dito em outro lugar: “A lei de Deus é perfeita, converte a alma; é infalível e dá sabedoria aos simples." E assim por diante. Assim, a moralidade é identificada com a obediência aos vários mandamentos da lei judaica e identificada com a legalidade. Como os escribas mais tarde fizeram várias novas prescrições deduzidas dos termos da lei de Moisés, a vida passou a ser dominada por um grande número de prescrições.

A idéia básica de que a lei judaica era boa, que a vontade de Deus deveria ser a regra de todas as nossas ações, mas a verdadeira moralidade, assim como a verdadeira piedade, perguntam primeiro: Qual é a vontade de Deus? O espírito das religiões e da moral que ensinou ao homem esta oração: "Ensina-me, ó Deus, a tua vontade!"

E Jesus disse: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou. Mas como você conhece a vontade de Deus? A idéia de que Deus nos deu prescrições particulares para nossa conduta por meio da lei escrita, certamente está errada. A moralidade deve ser superior à conformidade de todas as nossas ações com essas prescrições. A moralidade deve governar toda a nossa vida, nossos pensamentos, inclinações, hábitos, palavras e ações. Deve ser um poder em nossa alma e nossas ações devem ser o resultado desse poder.

Martinus Beversluis (Pastor Holandês)
Conselheiro da Fédération Spirite Internationale (F.S.I.)

Congresso Espírita Internacional de Londres de 1928

Nota de André Dumas:

A MORAL ESPÍRITA

André Dumas afirma que o problema é aquele que impede o desenvolvimento-chave completo da consciência. O homem é produto do pensamento, da força e da matéria: o que desenvolve a autoconsciência. O animalismo é o resultado do desenvolvimento evolucionário e o objeto da individualização é a conquista de todos os instintos animais e a cooperação no desenvolvimento de todas as formas de avanço psíquico. Acredito que o ensino da reencarnação tende a criar igualdade social e evitar que uma nação tente governar outra.

André Dumas
Membro da Union Spirite Française

Congresso Espírita Internacional de Haia de 1931

Declaração da (F.S.I.):

A Comissão Executiva da Federação Espírita Internacional (F.S.I.) propõe ao Congresso ESPÍRITA, reunido em Haia, a partir de 4 a 10 de setembro de 1931, após a leitura dos relatórios, resumos, documentos e ouvidos os discursos relativos às questões vitais do Espiritismo, sua propagação e sua organização, votar as seguintes conclusões:

O Espiritismo é uma filosofia que se baseia em dados científicos precisos e cujos princípios fundamentais se enunciam da seguinte forma:

I. Existência de Deus. Inteligência e Causa Suprema de todas as coisas;

2. Existência de alma ligada durante a vida terrestre ao corpo físico perecível por um elemento intermediário, denominado perispirito ou corpo etérico;

3. Imortalidade da alma; sua evolução contínua em direção a perfeição através de estágios progressivos de vida;

4. Responsabilidade individual e coletiva entre todos os membros de acordo com a lei da causalidade.

Estas conclusões são aprovadas por unanimidade.

Fédération Spirite Internationale (F.S.I.)

Congresso Espírita Internacional de Haia de 1931

Discurso de Andry-Bourgeois:

O ESPIRITISMO

Senhoras e cavalheiros:

O V Congresso da nossa Federação Espírita Internacional celebra as suas assembleias pacíficas na bela e tão moderna cidade de Barcelona, no país dos nossos amigos e irmãos espanhóis, do outro lado dos majestosos Pireneus, a única barreira natural que nos separa deles, desde que nossa cultura e nossa compreensão - se não nossa psicologia - celta-greco-latina é a mesma.

Estamos felizes em dizer, sem aqui fazer política, que o estado de liberdade desfrutado pela Espanha permite justamente este Congresso do Espírito livre.

Eu vim para Barcelona em outubro de 1906, 28 anos atrás, e estou feliz por voltar a ela, porque foi tão linda a lembrança que me deixou que ainda dura, à minha idade. Acreditamos e estamos convencidos de que nosso "credo espiritista", baseado em "fatos" e "observação", na ciência psíquica, a da nossa alma imortal, pode salvar o mundo, a Humanidade da dúvida, do materialismo, invasor e destruidor de todo progresso moral, de toda evolução psíquica.

Nossa crença, baseada em fatos bem comprovados, nas "provas de sobrevivência", pode ser aceita por todos os homens de boa vontade, pois fala, se não apela, ao seu coração e a sua razão, qualquer que seja a raça, a cor da sua pele, a sua religião ou até mesmo a sua opinião política.

O nosso Credo da Reencarnação», que partilham neste mundo 800 milhões de seres humanos, isto é, na «pluralidade das existências de alma» e na «pluralidade de mundos», constitui um obstáculo à infame e fratricida guerra dos povos, das raças e classes, desde que somos todos irmãos, nascidos do mesmo Pai, no Espírito: Deus. Nós procedemos d'Ele e retornamos a Ele, pelos nossos progressos, pelo mérito pessoal de nossos esforços e nossas ações para elevar e socorrer nossos irmãos de humanidade. Sendo o homem o único autor, o árbitro do seu destino, do seu futuro eterno.

Sim, acreditamos e estamos convencidos por evidências confiáveis, vindas de todas as partes do mundo, que em certos casos, raros, é verdade, podemos por meio de sujeitos sensíveis chamados "médiuns", comunicar com nossos queridos desaparecidos e isso depois de muito tempo de terem falecido, de terem desaparecido da Terra, como eu mesmo tenho a prova em meu pai que se materializou, em parte, diante de mim, onze anos depois de sua morte. Eu era o observador e o meio.

O espírito já um pouco adiantado sabe usar, pela "ideoplastia", a energia biopsíquica exteriorizada que o médium em transe fornece, para materializar-se, fazer contribuições ou produzir efeitos físicos de telecinesia ou transporte de objetos sem contato. É por isso que o médium é útil, indispensável e por que sem o "seu poder psíquico" - mais ou menos desenvolvido - não conseguimos nada.

Esse é, então, o "ponto principal" de nossa crença espírita, que podemos nos comunicar com os mortos, ou melhor: que o espírito imortal pode se manifestar a nós - crentes ou incrédulos - de diferentes maneiras, que todos vocês que estão aqui conhecem, mais ou menos.

Como vocês podem ver, queridos congressistas e amigos, estamos longe da crença ingênua e popular de que o Espiritismo é apenas para fazer mesas girarem para chamar espíritos sempre ilustres.

Esse foi "o começo do Espiritismo"; não devemos desvalorizá-lo nem renegar dele, porque ele nos permitiu, por longos períodos, chegar graças às repetidas experiências e trabalhos contínuos de ilustres pesquisadores, tais como: Allan Kardec, León Denis, Gustavo Geley e Gabriel Delanne, na França, sem esquecer os eminentes psiquistas ou espíritas estrangeiros, ao atual desenvolvimento que está tomando o mundo:

 "O Espiritismo científico", cujo Congresso que se celebra na bela pátria do grande Miguel de Cervantes Saavedra demonstra-nos a força evolutiva.

Antes do nosso último Congresso Internacional realizado em Haia, entre os nossos amigos holandeses, em setembro de 1931, tivemos a grande tristeza de perder um homem de extrema bondade, nosso querido e grande amigo Jean Meyer, que deixou esta Terra em 13 de abril de 1931, depois de ter realizado sua tarefa, sua missão benfeitora durante muitos anos, como diretor da "Revista Espírita" de 1916 até a sua desencarnação em 1931, depois de fundar com sua generosidade como mecenas ilustrado, o Instituto Metapsíquico Internacional de Paris e a Maison des Spirites, da rue Copernic, sede da União Espírita Francesa e da Federação Espírita Internacional, das quais ele foi ao mesmo tempo devoto vice-presidente.

Não podemos esquecer tudo o que ele fez pela nossa causa; é por isso que me permito recordá-lo aqui, neste Congresso, para que todos tenhamos em nossos corações um sentimento, ou melhor, uma lembrança de reconhecimento para este homem generoso e sincero.

Nosso abnegado secretário geral, André Ripert, teve que abandonar, por sua vez, suas delicadas funções em nossa Federação Espírita Internacional, abatido pela doença, e retirar-se para o campo, esperando com resignação estóica a sua passagem a uma vida melhor.

Mas a luz espiritual não pode ser extinta neste mundo, e sua tocha foi tomada, com vigor, por dois cérebros jovens, já maduros para esta nobre tarefa. Hubert Forestier, o filho espiritual de Jean Meyer e formado por este homem do Bem, assumiu o lugar do seu benfeitor como editor-chefe da «Revista Espírita» e como vice-presidente da nossa Federação.

Nos últimos meses do ano de 1933, Hubert Forestier intensificou ainda mais o movimento espírita na França, criando «A Sociedade de Amigos da Casa dos Espíritas», a fim de continuar a grande obra de Jean Meyer.

Os primeiros resultados obtidos, muito satisfatórios, provaram que nossa amada casa tinha muitos amigos sinceros, adictos e generosos por nossa nobre Causa.

Quanto a Jean Riviére, ele corajosamente se dedicou ao seu trabalho como secretário geral da nossa Federação. Vocês já puderam apreciar o valor do seu relatório; seus estudos pessoais de sociologia e economia política permitiram que ele trouxesse ao Congresso detalhes interessantes sobre a situação econômica atual do mundo e as soluções que nós, espiritistas, recomendamos.

Devemos ter um pensamento de gratidão para com o Dr. Emile Calmette, desencarnado recentemente em junho de 1934. Distinguido membro da União Espírita Francesa por muitos anos, o médico generalista de grande valor profissional aceitou, para demonstrar toda a sua adesão ao trabalho de seu amigo Jean Meyer, ser presidente honorário da "Sociedade de Amigos da Casa dos Espíritas". Sua amizade e conselhos cercaram especialmente nosso jovem e simpático vice-presidente, Hubert Forestier, desde a morte do malfadado Jean Meyer. O espiritismo francês deve muito a esse nobre coração, a esse médico cujo princípio imortal encontrou a paz na companhia daqueles que o precederam já na outra margem.

Aqueles que permanecem neste planeta de sofrimento continuam alegremente a boa luta contra o materialismo sempre em pé.

Hubert Forestier, no importante relatório ativo e moral que comunicou à Assembleia Geral da União Espírita Francesa em fevereiro de 1934, indicou-nos o que foram os trabalhos das várias sociedades francesas filiadas à nossa Federação Nacional.

Estas notícias satisfatórias provam que nossas ideias sempre existem na França, e que o estudo da nobre ciência da alma desperta grande interesse em todos os meios, o que deve nos encorajar a perseverar, nós, os membros da União Espírita Francesa.

A Sociedade de Estudos Psíquicos de Paris, cuja sede encontra-se também em 8, rue Copernic, realizou sua reunião geral de fim de exercício, em 29 de junho passado. Vinte e cinco pessoas responderam com solicitude à convocação de seu abnegado secretário-geral, o engenheiro eletricista Henri Mathouillot, astuto observador das "ondas psíquicas".

O Dr. Moner mostrou à Assembleia muito interessada um novo dispositivo muito simples para detectar a radiação humana. Um relatório especial será publicado sobre sua concepção e funcionamento.

Não podemos fazer por menos, como presidente desta Sociedade de Estudos Científicos, que parabenizar o Dr. Moner e nosso Secretário Geral, Henri Mathoullot, muito sinceramente, por sua atividade, zelo e sacrifício ao longo de todo o exercício de 1933-1934. Os estudos serão retomados no final de setembro próximo.

Podem ver, então, que esta Sociedade de Estudos dos Fenômenos Psíquicos também não deixa de progredir, tomando como hipótese de trabalho "a tese espírita" de que o espírito fica individualizado depois de deixar o corpo carnal e pode se manifestar em certas condições e pelo canal de um médium, porque em certos casos ou fenômenos qualquer outra hipótese - além da espírita - é infrutífera. Eis o que nos separa dos metapsiquistas.

Há, além disso, fenômenos de telecinesia tão bem estudados por sábios eminentes, as fotografias transcendentais de extras ou de falecidos (desaparecidos) com aparelhos e placas marcadas e verificadas; os sinais digitais, obtidos em Boston pela Sra. Margery Crandon, de pessoas falecidas, sob o controle do espírito de seu falecido irmão Walter; as "correspondências cruzadas" coletadas em grande número em todas as partes da Terra, especialmente desde a morte do grande "Myers", o imortal autor de "A Personalidade Humana", esses fenômenos permitiram ao ilustre e sábio Sir Oliver Lodge, aos 83 anos de sua vida, afirmar - em uma mensagem de radiodifusão - diante do mundo surpreso: "que a morte não existia" e que finalmente tivemos evidências convincentes de sobrevivência do princípio psíquico pensante, que nos anima e nos dirige nesta vida.

O que dizer, o que acrescentar a esta bela e leal afirmação? Apenas que o Espiritismo, bem entendido, sem sectarismo ou misticismo, baseado unicamente na ciência da observação e controle de eventos psíquicos anormais, pode e deve levar a Humanidade, ainda na infância, a uma melhor e mais segura compreensão do seu elevado destino e a razão de sua chegada, do seu espírito na carne a este planeta de evolução e reparação, de progresso e pagamento libertador. Portanto, elevar os homens e fazer que eles finalmente, sintam amor sincero "uns aos outros", como desejava o Mediador Divino de todo o seu nobre coração.

É, portanto, conveniente, indispensável, que a cada três anos possam reunir-se em Congressos semelhantes no mesmo lugar, durante alguns dias, todos os homens de boa vontade, convencidos do poder do espírito de todas as partes do mundo, para comungar na mesmo crença, a "sobrevivência de nossa alma imortal em um corpo glorioso", radiante de luz, justiça e verdade e, acima de tudo, fazer compartilhar depois essa crença nobre, baseada em evidências psicofísicas inegáveis, a todos os seus irmãos de humanidade sofredora, para ajudá-los, com amor e esperança, a melhor suportar seu fardo, sua cruz terrestre, geralmente merecida por nossas vidas anteriores.

Andry-Bourgeois
Engenheiro de Minas e da Escola Superior de Eletricidade,
Vice-presidente da U.S.F.,
Presidente da Sociedade de Estudos Psíquicos de Paris

V Congresso Espírita Internacional da Espanha de 1934

Discurso do professor Asmara:

A RELIGIÃO

O Sr. Presidente: "Há também, queridos irmãos, alguma outra sugestão, que talvez fosse interessante trazer à consciência daqueles que vêm nos estudar, por exemplo, a ideia da revelação, a palavra divina.

É prática comum divinizar as coisas causando uma sugestão ou auto-sugestão no sujeito que estamos estudando; se é interessante ou não interessante dizer ao homem que, embora Deus esteja eternamente cantando sua verdade em todos os lugares, embora estejamos envoltos na verdade divina, a verdade divina não é acessível ao homem por meios diretos, como a luz solar não é acessível, que se olharmos cara a cara nos deixa cegos.

A parte da verdade divina que o homem pode interpretar, que o homem pode conhecer, sempre vem através do homem. É uma limitação dessa verdade divina, é uma parte dessa verdade divina, mesmo que seja uma parte percebida por grandes inteligências, por grandes homens que foram faróis da Humanidade no mundo da Filosofia ou no mundo da ciência, ou seja percebida por nós, de acordo com nossos instrumentos de captação.

Talvez certas verdades, certos dogmas que com este caráter são oferecidos às massas, tenham servido para poder dizer que a religião é a morfina do povo, confundindo religião com a Igreja, com o culto, com o clero, tirando a palavra religião de sua própria jurisdição, de sua doutrina verdadeira e própria.

É necessário o conhecimento do que é e define essa palavra, e é conveniente ser dita essa definição da palavra religião?, limpando-a de impurezas, limpando-a de imperfeições, limpando-a de mistificações, para dizer ao mundo o que é religião, e o que é palavra divina, porque deveríamos sempre dizer palavra humana, ideia humana da palavra divina.

Esses são dois pontos que seria muito útil esclarecer, no momento em que se diz que a religião está em crise.

É a religião que está em crise ou são os elementos subjetivos ou objetivos que estão em crise?

Substancialmente uns e outros, e devemos dar luz às massas para evitar confusão. Se o que importa é apagar o nome da religião, como acaba de ser manifestado aqui, ou se o que importa é dizer a verdade do que é religião; que existe em nós a verdade imediata, uma verdade profunda, que não é filosófica, mas que se enquadra na ciência, que não é verdade intuitiva que nos dá ressonância com respeito aos grandes problemas da vida, e que essa verdade nos leva a Deus, como o heliopatismo lança as plantas em direção ao sol, para buscar a luz do sol, que é a vida delas.

Verdades, ideias que são lançadas ao conhecimento dos homens para a extensão desse sentimento religioso natural e inato. Pode-se ser religioso diante de um panorama da natureza, diante do filho que morre ou diante do filho que nasce, de frente para o mar, olhando o céu estrelado.

Se esse sentimento religioso, nobre e elevado que podemos sentir diante das grandes concepções da natureza, diante das criações de Deus, indefinível que existe no homem, pode ser apagado ou podemos ignorá-lo, ou se o conveniente é dizer ao homem o que é a verdade religiosa, o que é esse sentimento inato aperfeiçoado no povo através da verdade filosófica, através da verdade científica, que sempre terá essa parte da determinação do nosso temperamento e do nosso modo de agir, que é, em definitiva, uma das nossas motivações de conhecimento.

Sendo assim, é conveniente que a Assembleia se pronuncie sobre se a palavra religião deveria ou não ser suprimida, ou se declara o que deve ser feito para evitar esses erros, essa confusão de ideias, dando à palavra um valor que não tem.

Se a religião representa um florescimento do espírito do homem que busca seu nível e sua relação com os poderes superiores, se religião é meditação diante dos grandes problemas da vida, diante dos grandes problemas que nos são apresentados, que por muito que a ciência nos ajude e por mais que a filosofia nos ensine, provavelmente serão sempre uma incógnita, porque sempre teremos incógnitas, sempre teremos sérios problemas que nos unirão com os poderes superiores, dentro dos quais vemos que esse sentimento religioso é a ressonância que nos leva a aquele florescimento do espírito humano.

Devemos superar essas falsas interpretações e dizer o que é a religião, fronte à Igreja, contra a Igreja, contra sectarismos e dogmas, dando ao sentimento religioso seu privilégio. Parece-me que isso deve ser assim".

(A declaração do Professor Asmara é apresentada em francês e inglês.)

Professor Asmara
Fédération Spirite Internationale (F.S.I.)

V Congresso Espírita Internacional da Espanha de 1934

Introdução:

Algumas palavras
no primeiro Congresso Espiritual Francês de 1946

O Sr. José Lhomme pediu ao Sr. Henri Regnault, vice-presidente da Union Spirite Française, que viesse a Liége proferir duas conferências por ocasião do Congresso Nacional anual. O União Espírita Belga retomou, após um longo hiato devido à guerra mundial, uma tradição cara à nação amiga.

Quando relatou aos seus colegas da Comissão da União Espírita Francesa sobre os dias, tão úteis para a causa, ele havia morado na Bélgica.

O Sr. Henri Regnault apresentou a audaciosa ideia de que, talvez, pudéssemos também, na França, tentar organizar um Congresso anual.

A guerra e a ocupação prejudicaram a organização do espiritismo francês. Muitas sociedades, vários grupos foram dispersos. Apesar dos esforços dos EUA, as forças espíritas da França e das Colônias estão longe de estar reunidas.

O Comitê, ao aprovar a ideia, decidiu que a questão fosse dirigida ao Intergrupos da Região Parisiense, órgão recentemente constituído com vista à organização metódica das federativas da região parisiense filiadas à União Espírita Francesa, com o objetivo de para chegar, a partir daí, com a criação da Federação Espírita na França.

Aproveitando esta importante questão, os Intergrupos decidiram organizar o Congresso de 1946, que o realizaria em Paris em setembro de 1946.  O empreendimento foi ousado, mas mais uma vez a fortuna favorece a ousadia e o primeiro Congresso Nacional francês, apesar da desorganização do espiritismo nacional, foi o maior sucesso tanto na qualidade quanto no número de relatórios enviados à Secretaria-Geral do que pelo número de delegados.

A publicação por assinatura do livro do Congresso foi decidida por unanimidade.

Apresentamos o resultado do trabalho desenvolvido em conjunto pela comissão editorial.

Não esquecemos a preciosa ajuda que nossos amigos invisíveis deram tanto ao sucesso do próprio Congresso como à possibilidade de publicar esta brochura, um verdadeiro desenvolvimento do espiritismo francês em setembro de 1946.

O COMITÊ

Congresso Espírita Internacional da França de 1946

Aparição mediúnica. (Sessão no escuro com William Eglinton, Londres, 20 Maio de 1885). Gravura cuja beleza foi popularizada por muitas reproduções.

Documento original que pertencia ao Doutor Gustave Geley e que foi doado ao Sr. Jean Meyer em memória pela dedicação do seu grande saber.

Primeiro Congresso Internacional Espírita de Barcelona de 1888

Congresso Espírita Internacional de Liège de 1923

Congresso Espírita Internacional de Paris de 1925

Congresso Espírita Internacional de Londres de 1928

Congresso Espírita Internacional de Haia de 1931

V Congresso Espírita Internacional da Espanha 1934

Fontes: Encyclopédie Spirite (Congrès et Conférence)

Fontes:CSI Espiritismo (Documentos Históricos do Espiritismo)

Vítor Meunier, redator do jornal Le Rappel, seção científica, contemporâneo de Allan Kardec, escreveu que "O Espiritismo cresce em abundância como uma floresta, sobre as ruínas do materialismo agonizante."

"Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos.

Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos".

Espírito de Verdade, O Prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

1888 Barcelone Congrès International Spirite

 

Primeiro Congresso Internacional Espírita 1888 (Obra rara traduzida)

 

1889 Paris Congrès Spirite International

 

Congresso Espírita Londres (1898) - Gabriel Delanne (Obra rara traduzida)

 

1900 Paris Congrès Spirite International

 

1905 Liège Congrès Spirite 11 e 12 Juin 1905

 

Congresso Espírita de Liège - Bélgica (1905) (Obra rara traduzida)

 

1907 Anvers Congrès Spirite International

 

1908 Liège Congrès Spirite

 

1909 Jemappes Belge

 

1910 Congrès Spirite Universel Bruxelles

 

1911 Charleroi Congrès Spirite Belge

 

1912 Congrès Belge Namur

 

1913 Congrès Belge Namur

 

1913 Genève Congrès Spirite International

 

1923 Liège Congrès Spirite International

 

1923 Varsovie II Congrès Sciences Psychiques

 

1925 Paris Catalogue exposition Congrès Spirite International

 

1925 Paris Congrès Spirite International

 

Léon Denis - Congresso Espírita Internacional de Paris em 1925 (Obra rara traduzida)

 

1927 Paris III Congrès International des Recherches Psychiques

 

1928 Londres Congrès Spirite International

 

1931 La Haye Congrès Spirite International

 

1934 Congrès International Barcelone Photos

 

1934 Congrès Spirite International Barcelone

 

V Congresso Espírita Internacional da Espanha 1934 (Obra rara traduzida)

 

1946 Paris Congrès Spirite Français

 

Les Conférences Spirites De L'année 1884