CAMILLE FLAMMARION

O GRANDE ASTRÔNOMO ESPÍRITA

O POETA DOS CÉUS

(1842 - 1925)

 

 

Túmulo de Allan Kardec

Cemitério do Père-Lachaise, Paris, França

Discurso de Camille Flammarion proferido no túmulo de Allan Kardec

"Aquele cuja visão é limitada pelo orgulho ou pelo preconceito e não compreendem esses desejos ansiosos de nossos pensamentos, ávidos de conhecimentos, que atirem sobre tal gênero de estudos o sarcasmo ou o anátema! Nós erguemos mais alto as nossas contemplações!... Tu foste o primeiro, ó mestre e amigo! tu foste o primeiro que, desde o começo de minha carreira astronômica, testemunhou uma viva simpatia por minhas deduções relativas à existência das Humanidades Celestes; porque, tomando nas mãos o livro Pluralidade dos mundos habitados, puseste-o a seguir na base do edifício doutrinário que sonhaste. Muitas vezes nos entretínhamos, juntos, sobre esta vida celeste tão misteriosa. Agora, ó alma! sabes por uma visão direta em que consiste essa vida espiritual, à qual todos retornaremos, e que esquecemos durante esta existência.

"Agora voltaste a esse mundo de onde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrenos. Teu invólucro dorme aos nossos pés, teu cérebro está extinto, teus olhos estão fechados para não mais se abrirem, tua palavra não mais será ouvida!... Sabemos que todos nós chegaremos a esse último sono, à mesma inércia, à mesma poeira. Mas não é neste envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. O corpo cai, a alma fica e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor. E, no céu imenso, onde se exercitarão as nossas mais poderosas faculdades, continuaremos os estudos que na Terra dispunham de local muito acanhado para os conter. Preferimos saber esta verdade, a crer que jazes por inteiro neste cadáver, e que tua alma tenha sido destruída pela cessação do jogo de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este sol brilhante é a luz da Natureza.

"Até logo, meu caro Allan Kardec, até logo."

Camille Flammarion

Fontes: Revista Espírita de Maio de 1869

Biografia de Camille Flammarion:

Nascido em Montigny-Le-Roy, França, no dia 26 de  fevereiro de 1842, e desencarnado em Juvissy no mesmo país, a 4  de junho de 1925.

Flammarion foi um homem cujas obras encheram de luzes o  século 19. Ele era o mais velho de uma família de quatro filhos,  entretanto, desde muito jovem se revelaram nele qualidades  excepcionais. Queixava-se constantemente que o tempo não lhe  deixava fazer um décimo daquilo que planejava. Aos quatro anos  de idade já sabia ler, aos quatro e meio sabia escrever e aos cinco  já dominava rudimentos de gramática e aritmética.

Tornou-se o primeiro aluno da escola onde freqüentava.

Para que ele seguisse a carreira eclesiástica, puseram-no a  aprender latim com o vigário Lassalle. Aí Flammarion conheceu o  Novo Testamento e a Oratória. Em pouco tempo estava lendo os  discursos de Massilon e Bonsuet.

O padre Mirbel falou da beleza da ciência e da grandeza da  Astronomia e mal sabia que um de seus auxiliares lhe bebia as  palavras. Esse auxiliar era Camille Flammarion, aquele que iria  ilustrar a letra e a significação ítalo- romana do seu nome -Flammarion: "Aquele que leva a luz".

Nas aulas de religião era ensinado que uma só coisa é  necessária: "a salvação da alma", e os mestres falavam: "De que  serve ao homem conquistar o Universo se acaba perdendo a  alma?".

Foi dura a vida dos Flammarions, e Camille compreendeu o  mérito de seu pai entregando tudo aos credores. Reconhecia nele  o mais belo exemplo de energia e trabalho, entretanto, essa  situação levou- o a viver com poucos recursos.

Camille, depois de muito procurar, encontrou serviço de  aprendiz de gravador, recebendo como parte do pagamento casa e  comida. Comia pouco e mal, dormia numa cama dura, sem o  menor conforto; era áspero o trabalho e o patrão exigia que tudo  fosse feito com rapidez. Pretendia completar seus estudos,  principalmente a matemática, a língua inglesa e o latim. Queria  obter o bacharelado e por isso estudava sozinho à noite. Deitava-se tarde e nem sempre tinha vela. Escrevia ao clarão da lua e  considerava- se feliz. Apesar de estudar à noite, trabalhava de 15 a 16 horas por dia.

Ingressou na Escola de desenho dos frades da Igreja de São  Roque, a qual freqüentava todas as quintas-feiras. Naturalmente  tinha os domingos livres e tratou de ocupá-los. Nesse dia assistia  as conferências feitas pelo abade sobre Astronomia. Em seguida tratou de difundir as associações dos alunos de desenho dos frades de São Roque, todos eles aprendizes residentes nas vizinhanças.  Seu objetivo era tratar de ciências, literatura e desenho, o que era  um programa um tanto ambicioso.

Aos 16 anos de idade, Camille Flammarion foi presidente da Academia, a qual, ao ser inaugurada, teve como discurso de abertura o tema "As Maravilhas da Natureza". Nessa mesma época escreveu "Cosmogonia Universal", um livro de quinhentas páginas; o irmão, também muito seu amigo, tornou- se livreiro e publicava-lhe os livros. A primeira obra que escreveu foi "O Mundo antes da Aparição dos Homens", o que fez quando tinha apenas 16 anos de idade. Gostava mais da Astronomia do que da Geologia. Assim era sua vida: passar mal, estudar demais, trabalhar em exagero.

Um domingo desmaiou no decorrer da missa, por sinal, um desmaio muito providencial. O doutor Edouvard Fornié foi ver o doente. Em cima da sua cabeceira estava um manuscrito do livro "Cosmologia Universal". Após ver a obra, achou que Camille merecia posição melhor. Prometeu-lhe, então, colocá-lo no Observatório, como aluno de Astronomia. Entrando para o Observatório de Paris, do qual era diretor Levèrrier, muito sofreu com as impertinências e perseguições desse diretor, que não podia conceber a idéia de um rapazola acompanhá-lo em estudos de ordem tão transcendental.

Retirando-se em 1862 do Observatório de Paris, continuou com mais liberdade os seus estudos, no sentido de legar à Humanidade os mais belos ensinamentos sobre as regiões silenciosas do Infinito. Livre da atmosfera sufocante do Observatório, publicou no mesmo ano a sua obra "Pluralidade dos Mundos Habitados", atraindo a atenção de todo o mundo estudioso. Para conhecer a direção das correntes aéreas, realizou, no ano de 1868, algumas ascensões aerostáticas.

Pela publicação de sua "Astronomia Popular", recebeu da Academia Francesa, no ano de 1880, o prêmio Montyon. Em 1870 escreveu e publicou um tratado sobre a rotação dos corpos celestes, através do qual demonstrou que o movimento de rotação dos planetas é uma aplicação da gravidade às suas densidades respectivas. Tornando- se espírita convicto, foi amigo pessoal e dedicado de Allan Kardec, tendo sido o orador designado para proferir as últimas palavras à beira do túmulo do Codificador do Espiritismo, a quem denominou "o bom senso encarnado".

Suas obras, de uma forma geral, giram em torno do postulado espírita da pluralidade dos mundos habitados e são as seguintes: "Os Mundos Imaginários e os Mundos Reais", "As Maravilhas Celestes", "Deus na Natureza", "Contemplações Científicas", "Estudos e Leitura sobre Astronomia", "Atmosfera", "Astronomia Popular", "Descrição Geral do Céu", "O Mundo antes da Criação do Homem", "Os Cometas", "As Casas Mal-Assombradas", "Narrações do Infinito", "Sonhos Estelares", "Urânia", "Estela", "O Desconhecido", "A Morte e seus Mistérios", "Problemas Psíquicos", "O Fim do Mundo" e outras.

Camille Flammarion, segundo Gabriel Delanne, foi um filósofo enxertado em sábio, possuindo a arte da ciência e a ciência da arte. Flammarion - "poeta dos Céus", como o denominava Michelet - tornou-se baluarte do Espiritismo, pois, sempre coerente com suas convicções inabaláveis, foi um verdadeiro idealista e inovador.

Fontes: Paulo Alves Godoy - Os Grandes Vultos do Espiritismo

Fontes: Vita Oltre la Morte (Documentario sulla vita di Camille Flammarion)

Fontes: L' Observatoire de Camille Flammarion

Fontes: Sociedade de Estudos Espíritas Camille Flammarion

Fontes: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec

"Mas se o ceticismo vela entre nós, a necessidade de crer atrai-nos"

Camille Flammarion "O Grande Pelegrino das Estrelas"

"Um sábio que ri do possível está bem perto de se tornar um idiota. Evitar habilmente um fenômeno, virar-lhe as costa, sorrindo, é deixar a verdade caminhar para a bancarrota"

Victor Hugo "Escritor Francês"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

00 - Conteúdo resumido das obras espírita de Camille Flammarion

 

Biografias de Camille Flammarion

 

01 - Camille Flammarion - A Morte e seu Mistério 

 

02 - Camille Flammarion - As Casas Mal Assombradas

  

03 - Camille Flammarion - As Forças Naturais Desconhecidas

 

04 - Camille Flammarion - Como Acabará o Mundo

 

05 - Camille Flammarion - Deus na Natureza

 

06 - Camille Flammarion - Estela

 

07 - Camille Flammarion - Narrações do Infinito

 

08 - Camille Flammarion - O Desconhecido e os Problemas Psíquicos

 

09 - Camille Flammarion - O Fim do Mundo

 

10 - Camille Flammarion - A Pluralidade dos Mundos Habitados

 

11 - Camille Flammarion - Urânia

 

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