ANAIS DO
CONGRESSO BRASILEIRO
DE UNIFICAÇÃO ESPÍRITA

Realizado em São Paulo
nos dias 31 de outubro a 5 de novembro de 1948

*

E TRABALHOS PREPARATÓRIOS
REALIZADOS PELA U.S.E.

*

SÃO PAULO

(1948)

 

"Pai, quero que eles sejam um em mim, como Eu sou um contigo, para que sejam todos aperfeiçoados na unidade". S. João XV - Jesus

 

 

DIGITALIZAÇÃO:
Irmãos W.

REVISÃO:
Irmãos W., Prof. Antonio Cesar Perri de Carvalho,
APARECIDO JOSÉ ORLANDO

FORMATAÇÃO:
Ery Lopes, APARECIDO JOSÉ ORLANDO

PUBLICAÇÃO:

WWW.AUTORESESPIRITASCLASSICOS.COM

união DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS DO ESTADO DE SÃO PAULO (u.s.e.)

evento DA U.S.E.

Para que todos sejamos um – 70 anos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita

Palestra de Antonio Cesar Perri de Carvalho (ex-presidente da FEB e da USE-SP) na abertura do Encontro comemorativo dos 70 anos do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita.

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Para que todos sejamos um – 70 anos do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita - Antonio Cesar Perri de Carvalho - 01/02)

Roda de conversa: Reflexão para o futuro. As exposições contarão com dirigentes espíritas dos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e da Federação Espírita Brasileira.

Marta Antunes de Oliveira de Moura, Vice-Presidente da FEB fala das questões de Roustaing que ocorrem dentro da FEB, Adulteração da Obra: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho etc.

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Para que todos sejamos um – 70 anos do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita - Roda de conversa - 02/02)

Apresentação:

Em um momento da história do Espiritismo no Brasil, espíritas paulistas decidiram replicar o mesmo modelo que criou sua entidade federativa estadual. Considerando que a situação nacional era similar ao que acontecia em nosso Estado, propuseram e realizaram o 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, de 31 de outubro a 5 de novembro de 1948, em São Paulo.

Animados e motivados pela unificação direcional do Espiritismo em terras brasileiras, os espíritas decidiram por mudanças no até então incipiente e insípido movimento brasileiro. A decisão de constituição de uma Confederação Espírita Brasileira foi a mola propulsora para novas ações. O objetivo inicial não foi atingido, mas menos de um ano depois, surgiu o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, pelo Pacto Áureo, em 5 de outubro de 1949.

Neste ano de 2018, estamos comemorando os 70 anos de realização daquele Congresso. Nos próximos dias 20 e 21 de outubro, a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo realiza evento que busca refletir sobre o que aconteceu naquele tempo. Para isto, teremos a realização de palestra, contextualizando e contando a história do Congresso, e duas rodas de conversa com temas sobre seu legado e reflexões para o futuro.

Para este evento, participam representantes do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, estados estes que foram os protagonistas principais do que aconteceu há 70 anos.

Dentro destas comemorações, estamos reeditando os Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, em parceria com o site Autores Clássicos Espíritas.

Com sua leitura e estudo, entendemos muito das condições e do que foi decidido na época. Continua sendo importante fonte de reflexão para dirigentes espíritas que atuam ou não no movimento espírita. Por isso, sua importância de torná-lo mais conhecido.

A Diretoria Executiva da USE resgata para o movimento espírita os Anais do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita. Que possam ser fonte de reflexão e de inspiração para nossas ações.

São Paulo, setembro de 2018.
Aparecido José Orlando
Presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo

Histórico:

Os motivos determinantes da convocação, pela U.S.E., do I CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIFICAÇÃO, foram quase os mesmos do congresso de unificação estadual, reunido em S. Paulo em Junho de 1947 (*), visto que idênticas razões subsistiam e subsistem ainda em todo o País, exigindo semelhante iniciativa.

Para sua melhor difusão e entendimento aqui novamente as transcrevemos segundo enumeração constante dos Anais do Congresso Estadual de 1947, já distribuídos, aliás, a todas as instituições espíritas do País. (*)

"A situação do espiritismo em São Paulo, antes do aparecimento da União Social Espírita, se bem que em escala reduzida e atenuada, refletia o que se passava em todo o país. E foi analisando esses aspectos e meditando sobre suas ruinosas consequências que se resolveu, sem mais delongas, iniciar o urgente trabalho da unificação.

Se bem que seja do conhecimento geral a situação a que aludimos, convém aqui considerar os aspectos que apresentava, em nosso Estado, o movimento espírita, ao encerrar-se o ano de 1945.

1º — Dispersão generalizada e sistemática, em caminho de desintegração, por força de interferências estranhas e de dissensões que, forçosamente, levariam à formação de cismas ou desmembramentos sectários.

2º — Desvirtuamento da doutrina por força de interpretações capciosas e individualistas e de práticas nocivas, visando interesses e ambições pessoais, com evidente desprezo dos seus postulados fundamentais, mormente os do campo moral.

3º — Disseminação de práticas exóticas, misto de magia e de superstição, com a introdução de ritos de outros credos, e cerimônias religiosas de estranho aspecto e significação, tudo o que está designado como "baixo espiritismo" mas que realmente não passa de "falso espiritismo".

4º — Arbítrio e personalismo, imperantes na maioria das instituições, transformando-as muitas vezes em propriedades particulares de uns e outros, do que resultava afrouxamento cada vez maior da comunhão geral, no campo da fraternidade.

5º — Clandestinidade de muitas instituições existentes que, propositadamente, fugiam a uma organização regular e ao intercâmbio, para exercerem práticas condenáveis e explorações da credulidade pública, causando assim confusão e profundo dano à segurança da expansão da doutrina.

6º — Infiltração nas fileiras espíritas de ideologias estranhas, ligadas a movimentos político-revolucionários e tentativas reiteradas de dominação político-partidária, tudo incompatível com as finalidades essenciais da doutrina.

7º — Desconhecimento completo que se tinha do vulto e da extensão do movimento espírita e do perigo que representava para a própria doutrina a expansão desordenada, sem diretrizes uniformes, sem disciplina, sem subordinação a um organismo central coordenador.

8º — Por último, a ignorância ou o desinteresse que demonstravam inúmeras instituições a respeito do papel e das responsabilidades que o espiritismo assume, como cristianismo redivivo, na esfera da coletividade mundial.

Por todas estas razões foi decidido iniciar a unificação para se poder desenvolver um trabalho seguro e oportuno, por meio de exortações no campo evangélico, visando a fraternização e a unidade de todas as entidades existentes no Estado".

Tendo em vista os resultados da unificação obtidos em São Paulo e considerada a situação geral no País, o confrade Edgard Armond secretario geral da Federação Espírita do Estado e presidente da Diretoria Executiva da U. S. E., pelas colunas de "O Semeador" - órgão oficial da Federação — propôs a convocação de um congresso nacional, comemorativo do Centenário do Espiritismo, proposta esta aceita pela maioria dos Estados e que deu causa aos acontecimentos que estão transcritos no Relatório que a U.S.E. apresentou ao plenário do Congresso em outubro do ano findo.

No início das démarches surgiram, como é natural, dificuldades de execução procedentes de várias partes e que se resumem no seguinte: — desconfianças individuais sobre os reais objetivos do movimento, que foi confundido com interesses ambiciosos de indivíduos e instituições visando hegemonia no campo do espiritismo nacional; confrades nossos, alguns de real valor e merecimento, pela imprensa espírita e por outros meios, tentaram abafar o vitorioso movimento; por outro lado, instituições espíritas de caráter federativo desencadearam contra ele tenaz e perniciosa campanha, hostilizando de toda maneira, sob a alegação de que se visava unicamente criar novas entidades federativas de âmbito nacional com desprestígio para as atualmente existentes.

Essa campanha, conquanto não produzisse os resultados esperados, conseguiu todavia arrefecer o ânimo de alguns e promover a desistência de outros que já haviam aderido à ideia inicial.

Entretanto, realizado o Congresso, o primeiro, aliás, que com esse aspecto e vulto se realizou no país, os fatos concretos representados pelos seus resultados, que se caracterizaram pela mais perfeita fraternidade, candura e tolerância, deram pleno e cabal desmentido a todas estas errôneas suposições, frutos do espírito de rotina de uns, de interesses materiais e personalismo de outros mas, sobretudo, da falta de ânimo combativo, tão necessário hoje em dia quando, sobre os ombros dos espíritas de responsabilidade, pesa a ingente tarefa de erigir os alicerces robustos, destinados às exemplificações evangélicas de amanhã.

Feito assim este ligeiro preâmbulo, vamos passar agora a descrever as providências preparatórias do Congresso.

Em Maio, de 1948, a Diretoria Executiva elaborou e a U.S.E. aprovou o seguinte "PLANO" que, remetido às Federações Estaduais adesas, foi por elas referendado para efeito de imediata execução.

(*) Nota da revisão - Informações disponíveis em: Anais do 1º Congresso Espírita do Estado de São Paulo. São Paulo: USE. 1947. 131p (esgotado); e em: Monteiro, Eduardo Carvalho; D’Olivo, Natalino. USE - 50 anos de unificação. São Paulo: USE. 1997. 335p.

1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Para que todos sejamos um – 70 anos do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita - César Perri - 01/02)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Para que todos sejamos um – 70 anos do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita - Roda de conversa - 02/02)

Marta Antunes de Oliveira de Moura, Vice-Presidente da FEB fala das questões de Roustaing que ocorrem dentro da FEB, Adulteração da Obra: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho etc.

Fontes: GEECX - Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier (Anais do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita)

Fontes: GEECX - Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier (Informação histórica do 1º Congresso de Unificação)

Osvaldo Melo, presidente e representante da Federação Espírita Catarinense:

Quero afirmar, aqui uma opinião, para muitos, talvez, avançada demais ou mesmo, ousada a de que o Evangelho Segundo o Espiritismo, não basta, para ilustrar a mente do pregador. Isso, porque, nessa admirável obra, Kardec apenas; condensou a parte estritamente moral dos ensinamentos.

Acho, até mesmo, que o título dessa admirável obra, não devia ser o Evangelho Segundo o Espiritismo, mas, "O Espiritismo Segundo o Evangelho".

1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

Osvaldo Melo, presidente e representante da Federação Espírita Catarinense:

A Palavra de Cristo vivo, hoje, intacta, está completa no seu Evangelho.

Pesa-nos entretanto, afirmar, mas desconhecida para muitos e nestes muitos, conta-se um grande número de Espíritas.

Espíritas que dirão, entretanto, que já leram o Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec, mas, que não leram nem estudaram nem interpretaram,o Espiritismo segundo o Evangelho, porque, meus irmãos, verdade é esta: no Evangelho de Cristo, está por inteiro, a sólida base do Espiritismo do Espírito de Verdade.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec transladou do Novo Testamento, a parte moral da Doutrina, mas o Novo Testamento contém toda a Vida todos os ensinamentos, toda a Doutrina, sem faltar um til, para contemplar a formação integral do verdadeiro Espírita.

Chegamos, agora, à finalidade desta tese, para acentuarmos a necessidade absoluta, inadiável, imprescindível do estudo metódico e interpretação racional do Novo Testamento, para elucidação da Doutrina que aceitamos, que propagamos e que precisamos senti-la no coração e na mente.

A leitura acurada do Novo Testamento ou seja do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, principalmente, deve ser condição essencial para os pregadores, para os escritores, para os polemistas e doutrinadores espíritas.

Os ensinamentos do Mestre incomparável e único esclarecem, educam, aprimorando o Espírito, dando-lhe conhecimentos sempre novos e luzes sempre mais fortes.

Os Centros e Associações Espíritas devem prestar atenção a essa necessidade absoluta: — Se querem manter um corpo de doutrinadores pregadores à altura de honrar suas tribunas, que exijam dos que a ocupam, o conhecimento do Evangelho de Jesus, coordenado pelos quatros Evangelistas, inclusive os Atos dos Apóstolos e suas Cartas (Epístolas) e assim, evitarão doutrinas de cunho pessoal, de ideias pessoais e preconcebidas, de teorias próprias e inovações que só servem para semear dúvidas, indecisões, controvérsias, cizânias destruidoras, que fazem periclitar a fé, semeando a confusão nos espíritos recém vindos para o seio consolador da Terceira Revelação.

Assim, levadas na devida consideração o que se proclama, aqui, poderemos ter certeza absoluta de que estaremos fazendo uma obra útil e capaz de produzir bons frutos, pois, o edifício da felicidade humana só pelo conhecimento do Evangelho pode ser construído com segurança, escolhendo não a terra móvel das praias, mas o terreno sólido e granítico e rochoso que resistirá a toda a obra da treva.

1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

ESPÍRITAS DO BRASIL!

Jesus ordenou permanecêssemos em seu amor, guardando-lhe a palavra. Resta, portanto, que vós, nos quadrantes da Pátria, impulsionados pela fraternidade cristã e determinados pelo amor à Causa e ao bem, formeis fileiras em torno da Bandeira da Unificação e dos Ensinos Espíritas.

Apressai os passos! Caminhai decididos! Pugnai com fé e confiança! Edificai o Ideal com o Cristo! Fazei-o triunfante pelo vosso esforço de torná-lo glorioso!

Integrai-vos definitivamente no movimento, que não é nosso, mas determinação superior, que nos leva a caminhar à frente e volver para o alto!

ESPÍRITAS DO BRASIL!

Lembrai-vos que somos unos em Cristo, filhos de um só Deus, norteados por uma só aspiração, orientados por um só Mestre, para a formação do rebanho de um só Bom Pastor!

Que Jesus ilumine e oriente, e que Deus abençoe e ampare o Brasil!

São Paulo, 3 de Novembro de 1948.

Manifesto do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

"Pai, quero que eles sejam um em mim, como Eu sou um contigo, para que sejam todos aperfeiçoados na unidade". S. João XV - Jesus

Lema do 1º Congresso Brasileiro de Unificação Espírita do ano de 1948

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo PDF

 

Anais do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita de 1948 (Materiais Raros)