Paulo Neto

 

Resposta ao parapsicatólico - Para Entender o Espiritismo

 

Introdução da obra:

 

Primeiramente diríamos que, para entender o Espiritismo, é preciso estudá-lo e muito,  pois não é lendo só meia dúzia de livros Espíritas que fará de uma pessoa um bom entendedor de tudo quanto abrange seus princípios. Mais ainda, se há interesse real em compreender os seus fundamentos, é imprescindível abandonar preconceitos, sejam conscientes ou inconscientes, porquanto, somente assim poder-se-á efetivamente entendê-los.

 

Muito bem observou o Prof. Rivail:

 

Em lógica elementar, para se discutir uma coisa, é preciso conhecê-la, porque a opinião de um crítico não tem valor senão quando fale com perfeito conhecimento de causa; só então sua opinião, ainda que errônea, pode ser levada em consideração; mas de que peso é ela sobre uma matéria que não conheça?

 

O verdadeiro crítico deve provar não somente erudição, mas um saber profundo no que concerne ao objeto que trate, um julgamento sadio, e de uma imparcialidade a toda prova; de outro modo, qualquer rabequista poderia se arrogar o direi to de julgar Rossini, e um aprendi z de pintura o de censurar Rafael. (KARDEC, 1996, p. 23).

 

O Espiritismo não pode considerar como crítico sério senão aquele que tiver visto tudo, estudado tudo, aprofundado tudo, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que soubesse sobre o assunto quanto o adepto mais esclarecido; que tivesse, por conseguinte, haurido seus conhecimentos em outro lugar do que nos romances da ciência; a quem não se pudesse opor nenhum fato do qual não tivesse conhecimento, nenhum argumento que não tivesse meditado; que refutasse, não por negação, mas por outros argumentos mais peremptórios; que pudesse, enfim, assinalar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico está ainda por se encontrar. (KARDEC, 1996, p. 25).

 

Para se proceder, no ensino do Espiritismo, como se o faria nas ciências ordinárias, seria preciso passar em revista toda a série de fenômenos que podem se produzir, começando pelos mais simples e alcançando sucessivamente os mais complicados; ora, é o que não se pode, porque seria impossível fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de física e de química.

 

Nas ciências naturais opera-se sobre a matéria bruta que se manipula à vontade, e se está quase certo de poder regular seus efeitos; no Espiritismo, trata-se com inteligências que têm liberdade, e nos provam a cada instante, que não se submetem aos nossos caprichos; é preciso, pois, observar, esperar os resultados e apanhá-los de passagem; também dissemos claramente que todo aquele que se gabasse de os obter à vontade, não poderia ser senão um ignorante ou um impostor, por isso ao Espiritismo verdadeiro não se porá jamais em espetáculo, e jamais subirá ao palco. Há mesmo alguma coisa de ilógica em supor que os Espíritos vêm desfilar e se submeter à investigação como objetos de curiosidade.

 

Os fenômenos, portanto, podem faltar quando deles se tem necessidade, ou se apresentar de maneira diferente daquela que se deseja. Ajuntemos, ainda, que, para os obter, é preciso pessoas dotadas de faculdades especiais, e que essas faculdades variam ao infinito, segundo a aptidão dos indivíduos; ora, como é extremamente raro que a mesma pessoa tenha todas as aptidões, há uma dificuldade a mais, porque seria preciso ter sempre sob a mão uma verdadeira coleção de médiuns, o que não é possível. (KARDEC, 1996, p. 36-37).

 

O que temos visto é que certos rabequistas de plantão, quer de batina quer engravatados, se arvoram em críticos do Espiritismo, sem ao menos terem se dado ao trabalho de estudá-lo e pesquisá-lo com profundidade suficiente para que possam abranger todas as nuances dos fenômenos mediúnicos. É muito comum, entre eles, o uso do argumento de que tudo é falso, mas, se fosse mesmo esse o caso, não deveriam se dar ao trabalho de combatê-lo, pois: “Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira” (KARDEC, 2001, p. 55).

 

E, quanto à produção dos fenômenos mediúnicos, no tocante à falsidade, Kardec, também alertou:

 

[...] É, pois, necessário que todos aqueles que se interessam pela causa da Doutrina se tenham por advertidos, a fim de desmascarar as manobras fraudulentas, se isso ocorrer, e mostrar que o Espiritismo verdadeiro nada tem de comum com as paródias que dele se poderão fazer, e que ele repudia tudo o que se afasta do princípio moralizador que é a sua essência”. (KARDEC, 1993, p. 3(Grifo nosso).

 

Entretanto, fato curioso, é que, nesse quase século e meio de vida, até agora ninguém fez algo que viesse derrubar, dentre outros, seus dois princípios basilares: comunicação com os mortos e reencarnação. Vemos, ao contrário, que os pesquisadores sérios estão justamente comprovando-os, para desespero dos fundamentalistas retrógrados que se apoiam em falácias, mentiras e calúnias como armas para combatê-los.

 

Por outro lado, tanta preocupação conosco não faz sentido algum, uma vez que não fazemos a mínima questão de recrutar adeptos, como podemos observar nessas judiciosas recomendações do codificador:

 

O Espiritismo tem por fim combater a incredulidade e suas funestas consequências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura; ele se dirige, pois, àqueles que em nada creem ou que de tudo duvidam, e o número desses não é pequeno, como muito bem sabeis; os que têm fé religiosa e a quem esta fé satisfaz, dele não têm necessidade.

 

Àquele que diz: “Eu creio na autoridade da Igreja e não me afasto dos seus ensinos, sem nada buscar além dos seus limites”, o Espiritismo responde que não se impõe a pessoa alguma e que não vem forçar nenhuma convicção.

 

A liberdade de consciência é consequência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do homem; e o Espiritismo, se não a respeitasse, estaria em contradição com os seus princípios de liberdade e tolerância. (KARDEC, 2001, p. 122).

 

Mas por que desse falatório todo? Bom, caro leitor, para que você possa ter uma ideia do que se anda dizendo por aí, vamos apresentar-lhe um texto de um “parapsicatólico”, que tem como único objetivo de vida combater o Espiritismo. Essa pessoa é, como não poderia deixar de ser, um fanático religioso, que nem mesmo poupa sua crítica ferina aos que andam ao seu lado, na crença que abraça, atacando a todos os que dizem algo em contrário ao que elevem espalhando, aos quatro cantos, contra o Espiritismo.

 

Quem quiser comprovar isso, ao navegar na Internet, faça uma visita ao seguinte endereço: http://www.catolicanet.com.br/gf/conteudo.asp?pagina=2928, onde está o texto intitulado “Para Entender do Espiritismo”, subtítulo “Não têm consciência” (visitado em 17.02.2006, às 13:00 horas). Tenta, o seu autor, provar que tudo não passa de coisas do inconsciente do médium, portanto, nada do que ele produz vem de outras mentes, no caso, de espíritos desencarnados, mas de sua própria, transformando o inconsciente num ser onipotente e onipresente.

 

Paulo Neto

Ver no site a obra de Herculano Pires "Parapsicologia Hoje e Amanhã"

 

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Palestras Espírita com Paulo Neto)

 

Fontes: Portal Paulo Neto (O Grande Articulista Espírita)

 

 

"A sabedoria do prudente é entender o seu caminho; porém a estultícia dos tolos é enganar... não é um verdadeiro sábio aquele que não se curva perante o poder dos fatos."

 

Charles Richet "O Grande Pesquisador Espírita"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Neto - Resposta ao parapsicatólico - Para Entender o Espiritismo