WILLIAM THOMAS STEAD

COMUNICAÇÕES COM OUTRO MUNDO

Psicografado por

MADAME HYVER

 

 Editado por

ESTELLE W. STEAD

 

LONDRES (1921)

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Título Original em Inglês

William T. Stead

Communications with the next World

Through - Madame Hyver

Edited by Estelle W. Stead

 

The Psychic & General Book

London (1921)


Tradutor do Inglês para o Português

Wellington Alves

Comentários do tradutor:

William T. Stead, espiritista inglês convicto e atuante, veio a falecer no desastre do Titanic em 1912.

Alguns anos depois, ele psicografou esta obra através da mediunidade de Madame Hyver, famosa médium francesa. Aqui ele envia mensagens a sua filha, Estelle, acerca das formas corretas e incorretas de se comunicar com o outro mundo, dando conselhos desde a formação dos grupos espíritas até a forma de agir moralmente, discorrendo sobre as categorias de médiuns e seus percalços.

Várias passagens podem, hoje, parecer destoantes da Doutrina Espírita, tais como o seu parecer de que médiuns devam ser pagos, mas não tira o mérito essencial da obra.

Tradutor da obra
Wellington Alves - Novembro de 2011

Introdução da obra:

Este livro contém uma série de mensagens dadas pelo meu pai, W. T. Stead, a partir de 1914, dois anos após sua morte no Titanic. Para muitos, isto pode parecer uma afirmação estonteante e uma que não possa ser aceita sem prova definitiva.

Pessoalmente, eu sinto e sei que estou em contanto com meu pai e que ele é o autor destas mensagens.

Nesta introdução, eu gostaria de dar ao leitor a prova que o deixará absolutamente sem dúvidas que a comunicação é possível e que meu pai foi capaz de dar tais mensagens através de Madame Hyver. Evidências outras do que aquelas obtidas pela experiência pessoal são complicadas de se juntar e, por minha experiência pessoal, tenho apenas a minha palavra. Contudo, eu a dou conjuntamente com outra prova que fui capaz de coletar, e se não convencer o leitor, ficarei mais do que satisfeita se elas levarem-no ao caminho da investigação.

Quando eu estava na América em 1913, meu pai me disse em uma sessão que estava em contato com uma médium na França. De tempos em tempos, nos anos que se seguiram, ele me lembrou disso. Em 1918, ele disse-me seriamente em uma sessão pública no W. T. Stead Bureau, onde Mrs. Wricot era a médium, que ele queria me dar um livro.

Quando eu questionei minha capacidade de achar tempo para escrever, ele afirmou que eu não precisaria me preocupar sobre isso, pois ele supriria o material. Ele apenas queria que eu estivesse pronta para fazer o que ele quisesse quando chegasse em minhas mãos.

Tomei nota disso, mas não ouvi mais nada até que eu fui perguntada em janeiro deste ano (1921), pelo Sr. Newall, do The Weekly Despatch, a olhar algumas mensagens que reportava ser de meu pai. Tais mensagens, ele disse, foram dadas através de uma médium francesa. O fato de pronto atiçou meus interesse e curiosidade naturais.

Falei com meu pai em uma sessão (por Voz Direta) onde Sra. Osborne Leonard era a dirigente. Ele mencionou as mensagens e de novo lembrou-me que tinha me preparado para o que viria. No dia seguinte, M. Victor, a quem a mensagens foram enviadas da França, veio a mim e trouxe um manuscrito. Quando eu os li, tive pouca dúvida de que eram as mensagens que meu pai havia-me falado.

M. Victor, que não é um espiritista, embora desde que leu estas e outras mensagens seu interesse na questão foi grandemente estimulada, recebeu as mensagens por um parente a quem ele havia traduzido o livro de Magnussen, God's Smile, para o francês. Este parente, que conhecia Mme. Hyver, por reciprocidade enviou as mensagens ao M. Victor. Foi à época que os escritos de Vale Owen apareceram no The Weekly Despatch e ocorreu a M. Victor que ele poderia traduzir e publicar as mensagens que havia recebido de seu parente.

De todo modo, ele nada fez até uma manhã de setembro último, quando afirma que acordou com uma incrível vontade de traduzir as mensagens que recebera. Não tinha noção de onde veio a vontade, mas estava tão impressionado que entrou em contato com Mme. Hyver e obteve a necessária permissão.

M. Victor não sentiu necessidade de dar publicidade às mensagens até ter obtido provas de que eram ao certo de meu pai. Ele estava prestes a escrever para Madame Hyver sobre o assunto quando recebeu uma comunicação dela afirmando que meu pai daria provas pessoais para ele da autenticidade se ele entrasse em contato com algum médium inglês.

M. Victor fez sessões com Sr. Peters e Sr. Vango, mas não lhes disse nada sobre o objetivo da visita. Em ambas as sessões meu pai falou das mensagens e deu testes que o convenceram. Ele deu provas adicionais ao falar de matérias familiares e particularidades que só poderiam ser verificadas por mim.

Mme. Hyver é uma grande médium não-profissional que prestou serviços a muitos dos melhores investigadores em França. Ela se conscientizou de seu poder como médium escrevente em 1888 quando tinha dezenove anos. Sr. Leon Denis em Dans L'Invisible: Spiritisme et Mediumnite (*) escreveu em altos termos as comunicações dadas através da mediunidade de Mme. Hyver. "As mensagens que ela recebe", ele diz, "são sempre de um caráter muito elevado e lidam com questões de alta filosofia e moral."

Em 1892, Mme. Hyver entrou em contato com a Duquesa de Pomar e perfez sessões com ela regularmente todas as semanas até a duquesa morrer, há dois anos. Mme. Hyver diz que foi a duquesa quem, do outro lado, apresentou meu pai e o grupo de espíritos que trabalham com ele à pequena corrente que ela tinha com alguns amigos. Isso foi em 1913, bem à época na qual ele me disse que estava em contato com uma médium em França.

As mensagens que ele deu então eram curtas e sem interesse e Mme. Hyver não as manteve. "Minha crença", ela diz em uma carta, "é que Stead estava apenas treinando naquele tempo." As mensagens dadas neste livro foram recebidas por ela em intervalos entre cinco de maio de 1914 e primeiro de fevereiro de 1915.

Em 1912, a seguinte mensagem foi recebida uma poucas semanas após sua passagem:

"Quando eu vejo por mim mesmo as dificuldades extraordinárias na obtenção de mensagens a partir deste lado, não me admiro que temos tão pouco, mas que temos tanto quanto fizemos em nossas pesquisas, quando eu estava contigo.

Pois é você e suas condições que fazem a barreira. Ideias preconcebidas, ferroando como agulhas em sua mente, preconceitos e superstições preconcebidos - tudo isso deve ser esmagado e jogado fora antes que os dois mundos possam perceber que são únicos e unos, e podem combinar-se para expressar aquilo que mais do que nunca eu descobri ser o supremo objetivo de toda existência - a realização da Divindade no Homem, pela União de todos aqueles que Amam no Serviço de todos aqueles que Sofrem.

Que isso seja nosso lema e, Deus nos ajudando, vamos conseguir coisas poderosas e provar tanto para a ciência laboriosa, que pergunta severamente em busca de conhecimento, e para a humanidade sofredora, que só pede por causa do AMOR, que não há Morte."

Com tais ideais perante ele, meu pai me disse que reuniu ao seu redor um grupo de espíritos que perceberam que a barreira entre os dois mundos não era intransponível, que poderia ser quebrada se pudessem ensinar os métodos certos de comunicação.

Seu próximo passo era escolher o médium pelo qual daria suas instruções. Ele escolheu uma francesa que sabia pouco sobre sua vida ou personalidade, porque ao escrever através daqueles que o conhecia, ou sabiam um tanto dele, havia o perigo de que as mensagens fossem "coloridas" por tais conhecimentos.

Eu não sinto que ele tem sido capaz de obter o seu estilo em grande parte, mas toques aqui e ali e expressões de vez em quando tão típicos dele. Isso era devido ao fato de que, às vezes, ele estava mais perto do guia, em outras, um do grupo estava na retaguarda, e no último caso a mensagem era carregada pela linguagem e tingida com as idéias particulares do transmissor mais perto do guia.

Em alguns casos, ele disse, as mensagens eram inspiradas por ele pessoalmente, mas em geral o grupo todo concentrava seus pensamentos no espírito-guia do médium e através dele enviavam-nas. Sua assinatura era dada a todas as mensagens porque a sugestão em primeiro lugar veio dele e foi ele o responsável pela seleção do médium.

Eu concluo com esta mensagem, do meu pai, que sinto que possa ajudar o investigador:

"Prova de conquista nunca poderá vir a menos que a mente seja capturada de surpresa. Por quê? Porque o ser vivo no invisível deve piscar-se no ser que vive no visível. O que isso significa? Que a tela da mente consciente tem de ser nua de imagens, de modo que a mente ativa no invisível possa jogar suas imagens uma a uma na superfície clara, como em um espelho que reflete apenas os objetos que se deseja retratar.

A mente consciente encarnada é ativa, ocupa-se imaginando o que deseja ou que outros podem desejar. A tela da mente está cheia destas imagens-pensamento e as imagens recebidas de nós são apagados e indistintas, confusas e esmaecidas. Nunca venha buscar conselhos ou ajuda ao longo de qualquer linha especial, fadada ao fracasso pelas razões apresentadas.

Sabemos o que é necessário e sempre respondemos quando possível. Comungue conosco pelo amor de comunhão e todas as outras coisas que o amor pode ditar e as circunstâncias permitirão ser acrescentadas. - W. T. STEAD."

Estelle W. Stead.
Julho, 1921.

Prefácio da obra:

Se estas mensagens fossem dadas ao público, elas levantariam muitos protestos, especialmente entre os espiritistas. Pessoas pensarão que sou muito severo em minhas críticas, pouco encorajador com os médiuns e parcamente inspirado no assunto da felicidade da vida espiritual. Isso não me perturba, pois ao lerem e debaterem, essas mensagens serão de grande benefício em fazer as pessoas refletirem. Não há nada como encontrar pessoas que não são da mesma opinião que a nossa e isso nos faz progredir.

Embora, na Terra, eu perfiz muitas experiências e pesquisas psíquicas e li extensivamente sobre o assunto, buscando o limite das possibilidades do Espiritismo, eu descobri que era ignorante e preconceituoso e tinha muito ainda a aprender.

Não pretendo falar muito, mas direi que o Espiritismo não é um jogo e mediunidade tem seus grandes perigos. Todos que chegam ao Espiritismo para se divertir, para dominar outros, ou locupletar-se com ilícitos, expõem-se a graves represálias.

Pessoas que experimentam devem assim fazer com um espírito religioso e científico. Seus métodos devem ser restritos e com rigoroso controle. Este é o único modo de se evitar sulcos profundos no qual as rodas do carro do Espiritismo derrapam.

Por W. T. Stead

Fontes: Canal Espírita (Programa Espiritismo em Foco - Falando de Mediunidade)

Fontes: Canal Espírita (Programa Espiritismo em Foco - Kardec permaneceu)

Kardec e a qualidade das comunicações mediúnicas

De dois anos para cá a Sociedade cresceu em crédito e em importância; mas os seus progressos são assinalados pela natureza das comunicações que recebe dos Espíritos. Com efeito, desde algum tempo essas comunicações adquiriram proporções e desenvolvimento que superaram de muito a nossa expectativa. Já não são, como outrora, pequenos fragmentos de moral banal, mas dissertações, nas quais as mais altas questões de filosofia são tratadas com uma amplidão e uma profundidade que as convertem em verdadeiros discursos. Foi o que observaram, em sua maioria, os leitores da Revista.

Sinto-me feliz ao assinalar um outro progresso no que concerne aos médiuns. Jamais, em nenhuma outra época, os vimos tantos, participando dos nossos trabalhos, pois chegamos a ter quatorze comunicações na mesma sessão. Mas, o que é mais precioso que a quantidade, é a qualidade, a julgar pela importância das instruções que nos são dadas. Nem todos apreciam a mediunidade do mesmo ponto de vista. Uns a avaliam pelo efeito: para estes os médiuns velozes são os mais notáveis e os melhores.

Para nós, que antes de tudo buscamos a instrução, damos mais valor àquilo que satisfaz ao pensamento do que ao que regala os olhos. Assim, preferimos um médium útil, com o qual aprendemos alguma coisa, a um outro admirável, com quem nada aprendemos. Sob este ponto de vista não temos que nos lastimar e devemos agradecer aos Espíritos por terem cumprido a promessa que fizeram, de não nos deixar desprovidos. Querendo ampliar o seu círculo de ensino, deviam também multiplicar os instrumentos.

Há, porém, um ponto ainda mais importante, sem o qual tal ensino não teria produzido frutos, ou pouco teria produzido. Sabemos que os Espíritos estão longe de possuir a soberana ciência e que se podem enganar; que, por vezes, emitem idéias próprias, justas ou falsas; que os Espíritos superiores querem que o nosso julgamento se exercite em discernir o verdadeiro do falso, aquilo que é racional daquilo que é ilógico.

É por isso que nada aceitamos de olhos fechados. Assim, não haveria ensino proveitoso sem discussão. Mas, como discutir comunicações com médiuns que não suportam a menor controvérsia, que se melindram com uma observação crítica, com uma simples observação, e acham mau que não se aplaudam as coisas que recebem, mesmo aquelas inçadas de grosseiras heresias científicas?

Essa pretensão estaria deslocada se o que escrevem fosse produto de sua inteligência; é ridícula desde que eles não são mais que instrumentos passivos, pois se assemelham a um ator que ficaria ofuscado, se nós achássemos maus os versos que tem de declamar. Seu próprio Espírito não se pode chocar com uma crítica que não o atinge; então é o Espírito comunicante que se magoa e transmite ao médium a sua impressão.

Por isto o Espírito trai a sua influência, porque quer impor as suas idéias pela fé cega e não pelo raciocínio ou, o que dá no mesmo, porque só ele quer raciocinar. Disso resulta que o médium que se acha em tais disposições está sob o império de um Espírito que merece pouca confiança, desde que mostra mais orgulho que saber. Assim, sabemos que os Espíritos dessa categoria geralmente afastam seus médiuns dos centros onde não são aceitos sem reservas.

Esse capricho, em médiuns assim atingidos, é um grande obstáculo ao estudo. Se só buscássemos o efeito, isto seria sem importância; mas como buscamos a instrução, não podemos deixar de discutir, mesmo com o risco de desagradar aos médiuns. Assim, outrora alguns se retiraram, como o sabeis, por este motivo, embora não confessado e porque não tinham podido impor-se perante a Sociedade como médiuns exclusivos e intérpretes infalíveis das potências celestes. Aos seus olhos, os obsedados são aqueles que não se inclinam diante de suas comunicações.(1)

Pondo-se de lado o grau da faculdade, as qualidades de um bom médium são a modéstia, a simplicidade e o devotamento.

Deve oferecer seu concurso tendo em vista ser útil e não para satisfazer a sua vaidade. Não deve nunca ater-se às comunicações que recebe, pois, de outra forma, poderia fazer crer que nelas põe algo de seu, algo que tem interesse em defender. Deve aceitar a crítica, mesmo solicitá-la, e se submeter às advertências da maioria sem intenções calculadas. Se o que recebe é falso, mau, detestável, tudo isso é preciso que se lhe diga sem receio de feri-lo, e mesmo na certeza de que tal não ocorrerá. Eis os médiuns verdadeiramente úteis a um grupo e com os quais nunca teremos motivos de descontentamentos, pois que bem compreendem a doutrina.

São, igualmente esses que recebem as melhores comunicações, uma vez que não se deixam dominar pelos Espíritos orgulhosos. Os Espíritos mentirosos os receiam, pois que se reconhecem impotentes para deles abusar. Quanto aos outros, ou não compreendem a doutrina ou não a querem compreender. (2)

Alguns levam a sua susceptibilidade a ponto de se escandalizarem com a prioridade dada à leitura das comunicações recebidas por outros médiuns. Por que uma comunicação é preferida à sua? Compreende-se o mal-estar imposto por tal situação.

Felizmente, no interesse da ciência espírita, nem todos são assim; e apresso-me em aproveitar a ocasião para, em nome da Sociedade, dirigir agradecimentos àqueles que hoje nos prestam seu concurso com tanto zelo quanto devotamento, sem calcular esforço nem tempo e que, não tomando partido por suas comunicações, são os primeiros a participar da controvérsia que podem suscitar.

Em resumo, senhores, só nos podemos felicitar pelo estado da Sociedade, do ponto de vista moral: não há quem não tenha observado uma notável diferença no espírito dominante, em relação ao que era no princípio; e cada um sente instintivamente a impressão, em muitos casos traduzida em fatos positivos. É incontestável que aí reina menos mal-estar e constrangimento, enquanto se faz sentir um sentimento de mútua benevolência. Parece que os Espíritos perturbadores, vendo a sua impotência para semear a desconfiança, tomaram o sábio partido de afastar-se. (3)

1. Texto extraído da Revista Espírita, junho de 1862, do discurso do Sr. Allan Kardec na abertura do ano social, a 1º de abril de 1862, ed. Edicel.
2. Parte do discurso pronunciado pelo Sr. Allan Kardec, nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux, extraída do livro Viagem Espírita em 1862, ed. O Clarim.
3. Texto extraído da Revista Espírita, junho de 1862, do discurso do Sr. Allan Kardec na abertura do ano social, a 1º de abril de 1862, ed. Edicel.

 

RELAÇÃO DAS OBRAS PARA DOWNLOAD

 

William T. Stead - Comunicações com outro mundo PDF

 

William T. Stead - Communications with the next World (1921) (Eng)