Timoléon Jaubert

contemporâneo de allan kardec

Presidente da sociedade espírita de bordeaux

O GRANDE ARTICULADOR DO ESPIRITISMO EM BORDEAUX

O GRANDE MÉDIUM de efeitos físicos

(Médiuns tiptólogos)

(1806 - 1893)
 

(Tiptologia [do grego tiptó + logos + -ia] - (Do grego, tipto, eu bato, e logos, discurso.) Linguagem por pancadas, ou batimentos: modo de comunicação dos Espíritos. Tiptologia alfabética.

A Terminologia também é empregada para mencionar o estudo dos raps (plural da palavra inglesa rap /pancada). É a forma de comunicação obtida pela sucessão de pancadas e ou batidas curtas em material rígido, mormente madeira, produzindo ruídos provocados pelos Espíritos com a intenção de expressarem os seus pensamentos.)

Tiptólogo - Gênero de médiuns aptos à tiptologia. Médium Tiptólogo.

Sematologia (Do grego, sema, sinal, e logos, discurso.) Linguagem dos sinais. Comunicação dos Espíritos pelo movimento dos corpos inertes.

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

Timoléon Jaubert - A Biografia de um Médium Espírita

Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec - Bulletin 43

 

Tradutora do Francês para o Português

Fabiana Rangel

Biografia de Timoléon Jaubert:

A tiptologia alfabética

As primeiras manifestações inteligentes foram obtidas a partir de batidas. Os Espíritos se serviram delas por meio de médiuns de efeitos físicos, que são mais aptos a produzir esses fenômenos materiais. Timoléon Jaubert fez parte do grupo desses médiuns.

Percurso desse homem incomum...

Sua função de vice-presidente do tribunal civil de Carcasonne e seu grau de Cavaleiro da Legião de Honra não o impediram de tomar um bom assento entre os pioneiros do Espiritismo. Contemporâneo de Allan Kardec, de quem ele não tem mais que dois anos de diferença, Jaubert tornou-se presidente honorário da Sociedade Espírita de Bordeaux, onde se distingue pelas faculdades mediúnicas grandiosas e por sua dedicação moral e física à Doutrina Espírita, nos seus primórdios.

Poesias ditadas por um Espírito

"Mr. Jaubert era daqueles homens inspiradores, um legítimo espírita, carregado de simplicidade, modéstia, bondade, dignidade e abnegação; pacato e ajuizado; sem orgulho e entusiasta, predicados essenciais para o apostolado doutrinário abraçado. Esses fatos ligam o seu nome às corajosas profissões de fé que fortalecem os fracos e oferece audácia aos tímidos. "Esta caracterização, obtida a partir de uma carta reproduzida na íntegra na Revista Espírita, em junho de 1863, ilustra o artigo intitulado “Um Espírito, coroado com jogos florais” onde consta que a Academia de Jogos Florais de Toulouse tinha emitido o seu juízo sobre o mérito de poesias recebidas no concurso de 1863. Sessenta e oito concorrentes se apresentaram para fábula; duas fábulas foram notadas: uma recebeu o primeiro prêmio (a Primavera); o outro foi mencionado com louvor no relatório. Agora, estas duas poesias, disse Jaubert, pertencem a seu espírito familiar. O surpreendente é que os poemas foram obtidos não psicograficamente, porém tiptologicamente, isto é, por meio de batidas, muito mais em voga naquela época.

Sobre o evento Allan Kardec comenta na Revista Espírita de junho de 1863:"Algumas pessoas podem se surpreender pelo Sr. Jaubert não ter constrangido os adversários do Espiritismo proclamando, ali, diante da multidão reunida, a verdadeira origem das fábulas premiadas.

Se ele não fez isso, foi por uma razão muito simples: o Sr. Jaubert é um homem modesto, que não busca confusão, e que, acima de tudo, tem boas maneiras. Agora, entre os juízes, havia provavelmente quem não compartilhasse de suas opiniões a respeito dos espíritos. Isso lhe teria sido, portanto, publicamente dito, como uma espécie de desafio, uma negação, procedimento indigno de um cavalheiro.

Dizemos mais: de um verdadeiro espírita que respeita todas as opiniões, mesmo aquelas que não são as suas. O que teria produzido esse estardalhaço? Protestos de alguns expectadores, o escândalo, talvez.

O Espiritismo ganhou? Não, ele teria comprometido sua dignidade. Mr. Jaubert, e os muitos espíritas que assistiram à cerimônia, deram prova de uma grande sabedoria, abstendo-se de qualquer manifestação pública. Era um sinal de deferência e respeito seja à academia ou à assembleia. Eles provaram, mais uma vez, nesta ocasião, que os espíritas sabem manter a calma no sucesso como sabem mantê-la diante dos insultos de seus oponentes, e que não é com eles que devemos esperar a excitação e a desordem.

O fato não perde em nada a sua importância, pois em pouco tempo ele vai ser conhecido e aclamado em uma centena de países diferentes.".

Ainda na R.E de junho de 1863 Kardec narra em “Considerações sobre o Espírito Batedor de Carcassonne. Aí se permite que o Sr. Sabô, presidente do grupo espírita de Bordeaux, relate uma experiência com o Espírito de Jaubert, onde as comunicações obtidas superam claramente o conhecimento pessoal do médium.

Allan Kardec conclui o artigo dizendo: "Vamos fazer sobre esse capítulo uma última observação quanto à qualificação de batedor, que consideramos errônea, dada ao Espírito que se comunica com o Sr. Jaubert. Esta qualificação convém apenas, como já dissemos em outro ponto, aos espíritos que podemos dizer batedores de profissão, e que ainda pertencem, pela pouca elevação de suas ideias e de seus conhecimentos, às categorias inferiores. Esse não seria o caso deste espírito, que demonstra a superioridade das suas qualidades morais e intelectuais.

A tiptologia não é um divertimento para ele; é um meio de transmissão de pensamento do qual ele se serve por não ter encontrado em seu médium a faculdade necessária para fazê-lo de outro modo. Sua finalidade é séria, enquanto que a dos ditos Espíritos batedores é quase sempre inútil, mesmo que seja mal intencionada. Podendo a qualificação de Espírito batedor ser tomada erroneamente, nós preferimos a de Espírito tiptor, termo que se refere à linguagem da tiptologia."

A Sociedade Espírita de Paris, em seguida, concede o título de membro honorário a Jaubert, cuja carta de agradecimento, publicada na Revista Espírita de agosto 1863, atesta a sua adesão ao Espiritismo: "Eu acredito na imortalidade da alma, na comunicação dos mortos com os vivos, como creio no sol. Eu gosto do Espiritismo como a afirmação mais legítima da lei de Deus: a lei do progresso. Eu a confesso abertamente, porque confessá-la é o certo. Eu aceitei a Primavera da Academia de Toulouse como uma resposta vívida para aqueles que não querem ver nos textos reais ditados pelos espíritos nada além de percepções equivocadas ou elucubrações ridículas.

Eu recebo o título de membro honorário da Sociedade, da qual você é o líder, como o mais honroso entre os que eu obtive das mãos dos homens. Mais uma vez, recebam os senhores e todos os membros da sociedade parisiense meus mais sinceros agradecimentos. Seu relato da reunião dos Jogos Florais interpretou fielmente os meus sentimentos e minha conduta. Eu não poderia, declarando que a história coroada era trabalho do meu espírito familiar, expor-me a ofender o público e os juízes. Você exprimiu perfeitamente, em sua Revista, o respeito que tenho por mim mesmo e pelas opiniões alheias. E agora, se em tudo isso eu ainda não tomei a iniciativa, se não fiz mais que responder-lhe, é porque seria preciso falar de mim, e associar meu nome a um evento do qual sem dúvida estou feliz, mas que outros se negaram a considerar bem-sucedido".

Assim que anunciado por Allan Kardec, Jaubert e Espírito tiptor passam a ter sucesso.

Lemos na Revista Espírita, de novembro 1863, sob o título Novo sucesso do Espírito de Carcassonne: "O Espírito tiptor de Carcassonne mantém sua reputação, e prova, pelo sucesso que alcançou em várias competições onde ele é candidato, o mérito incontestável de suas excelentes fábulas e poesias. Depois de ganhar o primeiro prêmio, o Eglantina de Ouro, na Academia dos Jogos Florais de Toulouse, ele vai obter uma medalha de bronze no concurso de Nîmes.

O Correio de Aude disse: "Este prêmio é particularmente lisonjeiro, pois o concurso não foi restrito apenas a fábulas e poemas, mas contemplava todas as obras literárias." Esse novo triunfo certamente é um presságio de outros para o futuro, pois é provável que este Espírito não pare por aí. Decididamente, ele se tornou um concorrente formidável. Que dirão os incrédulos? O que eles já disseram na ocasião do sucesso de Toulouse: Mr. Jaubert é um poeta que tem a fantasia de se esconder sob o manto de um Espírito.

Mas aqueles que conhecem o Sr. Jaubert sabem que ele não é um poeta e, além disso, ainda que ele o fosse, o modo de obtenção, pela tiptologia, na presença de testemunhas, leva embora todas as dúvidas, a menos que se suponha que ele está escondido, não embaixo da mesa, mas na mesa."

A fim de avaliar a qualidade de seus poemas encantadores, você os pode ler em nossa revista número 39, que ganhou o primeiro prêmio nos Jogos Florais de Toulouse, sob o título "O leão e o corvo". (Ver abaixo) As almas poetas, que querem um pouco mais, poderão ir ao volume intitulado Fábulas e Poesias Diversas pelo Espírito batedor de Carcassonne, onde estão reunidas.

Efeitos físicos impressionantes

As capacidades do médium tiptólogo Jaubert não o impedem de ser um médium desenhista de qualidade, produzindo mediunicamente quadros dignos de um pintor de renome. Mas ele foi também, o que é raro nos nossos dias, um excelente médium de efeitos físicos.

Por falta de espaço, relataremos apenas duas anedotas sobre isso.

A primeira se deve a seu amigo J. Chapelot que, em seu Dicionário Humorístico, conta: "Cinco amigos jantam juntos em um hotel de Toulouse. Um dos cinco é médium. Na sobremesa, o Espírito que se comunica comumente com esse médium anuncia espontaneamente, por meio de batidas na mesa, que um bolo que lhes é destinado está em uma bandeja de prata no escritório do hotel. O médium pediu ao garçom que trouxesse o bolo.

O garçom vai até o escritório, vê, de fato, a bandeja de prata, mas não nota nada dentro dela. Mesmo assim, ele leva a bandeja e diz, rindo, que a única coisa que brilha do bolo ali é a sua ausência. E os cinco amigos começam a rir também. O médium se contenta a dizer: - O que vocês querem, meus amigos, nós fomos tapeados. Mas isso me surpreende muito, pois é a primeira vez que esse Espírito me engana. Isso é tão surpreendente que foi ele que acabou de ser coroado hoje pela Academia de Jogos Florais. No mesmo instante, vimos aparecer gradualmente o bolo que acabou por preencher exatamente o prato".

A segunda anedota é contada por Gabriel Delanne que testemunhou surpreso uma chuva de doces, como escreveu a Kardec, em uma carta publicada na Revista Espírita de maio 1865, de onde extraímos esta passagem: "... Poucos dias depois, eu assistia em Carcassonne a emoções de um tipo diferente. Eu visitei o presidente Jaubert: temos muitos aportes há algum tempo, ele me disse. Vou levá-lo até a senhora que é o objeto dessas manifestações.

Por azar, esta senhora estava indisposta; seu estômago estava inchado a ponto de não ser capaz de abotoar seu vestido. Seus guias consultados, a sessão foi adiada para a próxima noite às oito horas. M. C..., capitão aposentado, colocou sua sala de estar a nossa disposição. É uma grande sala vazia, havia somente o tapete por toda a sala; apenas ornamento sobre a lareira, uma cômoda e cadeiras; não há quadros ou cortinas ou panos: um verdadeiro apartamento masculino. Estávamos num total de nove pessoas, todos adeptos convictos.

Tão logo entramos, eis que uma chuva de doces caiu ruidosamente em um canto da sala! Dizer qual foi minha emoção seria difícil, porque aqui a reputação honorável dos assistentes, este quarto nu e escolhido, ao que parece, de propósito pelos espíritos para remover quaisquer dúvidas, nada poderia fazer suspeitar de uma manobra fraudulenta e, apesar de este prodígio, eu não parei de olhar, de examinar estas paredes, e de perguntar-lhes se eles não seriam cúmplices de um arranjo qualquer.

A médium doente toma o lápis e escreve: "Diga a Delanne para colocar a mão na boca do estômago e o inchaço desaparecerá. Ore antes". Todos oramos. Eu estava no fundo da sala, quando, em meio a concentração geral, uma nova chuva de bombons ocorre no canto oposto àquele em que ela veio pela primeira vez. Imagine nossa alegria. Eu me aproximo da doente; o inchaço era muito mais forte do que no dia anterior. Eu coloco minha mão, e inchaço desaparece como mágica.

- Estou curada, disse ela. Seu vestido, antes muito justo, torna-se muito grande. Todos constataram o fato. Unimo-nos com o pensamento de agradecer aos bons espíritos tanta bondade. Em seguida, aconteceu uma terceira chuva de doces. Jamais esquecerei esses fatos em toda minha vida. Estes senhores ficaram encantados, mais por mim do que por eles, porque estão acostumado a esses tipos de eventos.

Cada um deles tem algum objeto trazido pelos espíritos. Mr. Jaubert me disse que várias vezes ele viu a sua mesa se revirar e se levantar sozinha, sem a ajuda das mãos; seu chapéu ser levado do canto de um cômodo a outro. Um fato semelhante de cura também aconteceu há alguns meses sob a mão do Sr. Jaubert ".

Um notável que tem a coragem de suas opiniões

Jaubert era então, como vimos, um médium de grande qualidade. Ora, não ignoramos de que as boas habilidades mediúnicas são, em geral, acompanhadas por uma moralidade excelente e um grande investimento. Jaubert não é exceção a esta regra. Na verdade, ele não hesita em desbotar sua reputação de magistrado para limpar as provocações de seus contemporâneos proporcionando um testemunho determinante no julgamento Hillaire.

A Revista Espírita, de março 1865, dedica um artigo sobre isso, em que lemos: "Nesta carta, o Sr. Jaubert percebe que ele e seus amigos, ocupando-se de manifestações físicas, viram e viram bem, sob a luz de lâmpadas tão bem como na luz do dia, fatos semelhantes aos obtidos por Hillaire, o qual ele relata nos menores detalhes.

Esta leitura, seguida daquela, em um tom solene, da profissão de fé do mesmo Sr. Jaubert, um magistrado, vice-presidente em funções de um tribunal civil, chefe de departamento, essa leitura emocionou todo o auditório. (O Diário de Saint Jean d'Angely, de 12 de fevereiro, dá uma análise desse argumento notável. Veja também a Revista de l'Ouest, de Niort, 18 de fevereiro)".

No "Os pioneiros do Espiritismo na França", de Malgras, encontramos outra carta de Jaubert, servindo como testemunha no relatório dito "espíritas", datado de 7 de junho de 1875, 10 anos após o caso Hillaire: "Eu sou espírita e, como sempre, declaro que os mortos entram em comunicação direta com os vivos. Digo isso porque sei. Eu sei porque estudei durante vinte anos esse fenômeno. Eu o estudei, não no livro dos outros, mas no meu livro: o livro de fatos.

Os fatos são essenciais para a ciência verdadeira. E esses fatos, há vinte anos, seja sozinho, seja com os outros, eu os tenho observado cuidadosamente, sem tomar partido, e sempre sob o controle de uma razão fria e sábia. Então, eu tenho certeza, mil vezes tenho certeza do que eu digo. Esses fenômenos são tão improváveis? (...) Mas eu creio que os mortos se comunicam com os homens - mas sem milagre, mas sem privilégio, pois Deus é justo - e em virtude de uma lei tão antiga quanto o mundo. (...) Até a data de hoje o Espiritismo tem sido caluniado. Não se refuta. Eu espero um livro digno e sério que o refute. Não ... o Espiritismo não vai passar. Deus não quer isso. Ele prova ... Ele moraliza... Ele consola ... Ela eleva a alma".

Magistratura e Espiritismo

A elevada posição social de Jaubert jamais o impediu de proclamar em voz alta suas convicções, melhor, de escrevê-las, para defender aqueles que foram processados. Outros magistrados, então, puderam encontrar coragem para seguir o seu exemplo.

Este é particularmente o caso Bonnamy, juiz, cuja carta de reconhecimento ilustra o artigo "Magistratura e Espiritismo" na Revista Espírita de Março de 1866, onde em Kardec diz: "O Espiritismo se infiltra cada vez mais e mais nas idéias, e já toma lugar entre as crenças recebidas. Não está longe o tempo em que não será permitido a nenhum homem esclarecido ignorar o que é exatamente essa doutrina, como hoje não pode ignorar os primeiros elementos da ciência.

Ora, como toca a todas as questões científicas e morais, compreenderemos melhor um monte de coisas que, de primeira vista, parecem estranhas. E assim, por exemplo, que a medicina descobrirá a verdadeira causa de certas afetações, que o artista possuirá vários objetos de inspiração, que será em muitas circunstâncias uma fonte de luz para o magistrado e para o advogado".

É nesse sentido que é apreciado o sr. Jaubert, o honorável vice-presidente do tribunal de Carcassonne. Nele, é mais do que um conhecimento acrescentado aos que ele possui, é uma questão de convicção, porque ele compreende sua aplicação moral. Mesmo que jamais tenha escondido sua opinião quanto ao assunto, convencido de ser verdadeiro, e da potência moralizante da doutrina, hoje que a fé se estende ao ceticismo, ele quis dar o apoio da autoridade de seu nome no momento em que ela era mais violentamente atacada, desafiada em zombarias, e mostrando a seus adversários o pouco caso que ele fazia de seus sarcasmos.

Em sua posição, e tendo em vista as circunstâncias, a carta que ele nos pediu para publicar, e que nós inserimos no número de janeiro último, é um ato de coragem que todos os espíritas sinceros guardarão preciosamente na memória. Ela ficará marcada na história do estabelecimento do Espiritismo".

Vamos deixar a palavra final a Allan Kardec, que em uma carta de 21 de Janeiro de 1865, graças aos espíritas dedicados ao caso Hillaire: "Eu venho, em meu nome pessoal e em nome da Sociedade Espírita de Paris, fazer uma justa homenagem a todos aqueles que, na triste circunstância em que todos nós temos sido atingidos, têm sustentado a sua fé e defendido a verdade com coragem, dignidade e firmeza. Um brilhante e solene testemunho solene foi dado pelos órgãos de justiça.

O de seus irmãos na crença não podia falhar. Eu pedi a mais exata e completa lista possível, a fim de inscrever seus nomes ao lado daqueles que são merecedores do Espiritismo. De modo algum será para levá-los a uma publicidade que abençoará sua modéstia e será, mais ainda, neste momento, mais prejudicial do que útil, mas nosso século está preocupado em fazer com que eles sejam esquecidos. É preciso que a memória dos verdadeiros votos, livres de qualquer segunda intenção, não seja perdida por aqueles que virão depois de nós. Os arquivos do Espiritismo lhes contarão sobre aqueles que têm um direito legítimo a seu reconhecimento".

Tradutora: Fabiana Rangel

Fontes: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec - Bulletin 43

Allan Kardec - Revista Espírita de 1863

Fables et poésies diverses par sprit frappeur

Didier et Compagnie, Ledoyen

Paris (1862)

Apresentação de Allan Kardec:

Fábulas e Poesias Diversas (*)

POR UM ESPÍRITO BATEDOR

Embora a tiptologia seja um meio muito lento de comunicação, com paciência é possível obter trabalhos de fôlego. O Sr. Jaubert, de Carcassonne, houve por bem remeter-nos uma coleção de fábulas e de poesias obtidas por ele através daquele processo. Se nem todas são obras-primas, com o que o Sr. Jaubert não se sentiria ofendido, pois não lhe dá a menor importância, algumas são notáveis, abstração feita à fonte de onde procedem. Eis uma que, a despeito de não fazer parte da coleção, pode dar uma idéia do espírito daquele Espírito batedor. É dedicada à Sociedade Espírita de Bordeaux, pelo próprio Espírito.

(*) Um vol. in-18. - Preço: 2 fr. - Em Carcassonne, L. Labau; em Paris, Ledoyen, Palais-Royal.

O LEÃO E O CORVO

(Primeiro prêmio)

Percorria um leão seus domínios imensos,
Por um nobre orgulho dominado;
Sem raiva a devorar vassalos indefensos;
Bom príncipe afinal, desde que bem jantado!
E nunca andava só; de sua juba em volta
Apressados se vêem lobos, tigres, panteras,
Leopardos, javalis; uma faminta escolta;
E até raposas longe das feras.
Ora, o monarca quis certo dia
Aos campônios falar e à corte com alegria:
“ – Companheiros, sois vós apoio à minha glória
E submissos fiéis a uma gula notória,
Por entender-me bem que viestes vós,
Que por graça de Deus sou rei! Ouvi-me a voz:
Eu poderia... Mas, por que o poder citar?”
Logo o leão sem se embaraçar,
Qual melhor não fizera experiente advogado
Ou bom procurador de inteligência astuta,
Dos deveres falou nos encargos do Estado,
Dos pastores, dos cães, da nova carta arguta,
Do mal que muita vez dele um tolo afirmou;
E cheio de emoção, matreiro terminou:
“Se o meu palácio deixo é pra vos dar prazer;
Vossas mágoas falai; verei o que fazer;
Touros, ovelhas... ouvirei com bondade.
Eu espero; falai com toda a liberdade.
Pois que! Todo o reino aqui reputo,
Sem um só infeliz! Nenhuma queixa escuto!...”
Velho corvo então o interrompeu,
E já livre no ar respondeu:
“Satisfeitos os crês; seu silêncio te toca,
Grande rei!... É o terror o que lhes fecha a boca.”

MONÓLOGO DE UM BURRO

Fábula

Um burro, sim, – não confundir,
Eu nunca digo mal de alguém de qualidade, –
Um Asno bem peludo, um burro de verdade,
Bem arreiado, é bom convir
Ralhava na estação com uma locomotiva.
O seu olhar brilhava a uma palavra viva.
“És tu, gritava então, tu que estás em repouso!
“Do carneiro vizinho ouvi atencioso,
“Que andas tu sem cavalo, ou asno, sem manobra;
“Que ruges a arrastar qual uma imensa cobra
“Esses caixotes, como aldeia de madeira;

“Um milagre que outrora eu crera, uma besteira!
“Chegados finalmente os tempos são! sem troça!
“Eu por trigo não tomo a alfafa de uma roça;
“Sei o cardo deixar por feixe de capim.
“Ninguém tão longe vai com os pés de ferro assim.
“Eu tenho a minha regra; e na razão confio.
“Sem cavalos marchar? Só tu? Eu desafio.”
Um asno, vede vós, invocava a razão,
Chama que, muita vez, ao néscio faz perder.
Ah! quantos sábios que como um jerico são!
Doutores, vós negais do Espírito o poder;
Negai o movimento, a força do motor.
Do nada o homem tirou a elétrica energia?
Toda locomotiva exige, enfim, vapor;
Aos mortos evocar... só à prece que irradia
De um coração pleno de amor.

O MÉDIUM E O DR. IMBRÓGLIO

Correi, correi, doutor Imbróglio
A mesinha anda só: é patente, tangível
– Que nada! vou provar num infólio
Que a coisa não é possível.

Faremos uma observação sobre a qualificação dada ao Espírito que ditou as poesias acima citadas. Os Espíritos sérios rejeitam com razão o qualificativo de batedores: este título convém apenas àqueles que poderiam ser chamados de batedores profissionais, isto é, Espíritos levianos ou malévolos, que se servem de pancadas para se divertirem ou atormentarem; as coisas sérias não são da sua conta. Mas a tiptologia, como qualquer outro, é um meio para comunicações inteligentes, de que se podem servir os Espíritos mais adiantados, em falta de outro meio, embora prefiram a escrita, porque responde melhor à rapidez do pensamento. É certo dizer que, neste caso, não são eles próprios que batem; limitam-se a transmitir a idéia, deixando a execução material a Espíritos subalternos, como um escultor deixa ao aprendiz o cuidado de talhar o mármore.

Fontes: Allan Kardec - Revista Espírita de Novembro de 1862

Ver no site - Allan Kardec - O Livros Dos Médiuns - Cap. 11 - Sematologia e Tiptologia - Linguagem dos Sinais e das Pancadas - Tiptologia Alfabética

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen - Programa Espiritismo em Foco (Resguardemos Kardec)

Fontes: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec - Bulletin 43 (Biblioteca Espírita em Francês)

Fontes: l'Encyclopédie Spirite (Biblioteca Espírita em Francês)

"[...] Sou espírita, é sempre declaro que os mortos entram em comunicação direta com os vivos.
Eu o declaro porque sei.

Eu o sei porque há vinte anos estudo este fenômeno. Eu o estudo não no livro dos outros, mais em meu livro, o livro dos fatos.Os fatos são indispensáveis a verdadeira ciência.

E estes fatos há vinte anos, tanto só, quanto com os outros, eu os constato prudentemente, sem preconceitos, e sempre sob o controle de uma fria e sabia razão.

Eu estou, portanto, certo, mil vezes certo do que afirmo.

Esses fenômenos, são, portanto tão inverossímeis?

[...] Eu creio que os mortos se comunicam com os homens - mas sem milagre - sem privilégio, porque Deus e justo -, e sem virtude de uma lei tão velha como o mundo.

[...] Até hoje caluniou-se o Espiritismo, e este não foi refutado.

Espero um livro digno é sério que o refute.

Não... O Espiritismo não passará.

Deus não quer isso.

Ele prova... moraliza... consolada... eleva a alma"

Carcassone, 07 de junho de 1875

T. Jaubert

(Carta ao Sr. Leymarie por ocasião do Processo dos Espíritas

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Artigos Espíritas - Sematologia e Tiptologia (Allan Kardec - O Livro dos Médiuns)

 

Timoléon Jaubert - A Biografia de um Médium Espírita (Material raro traduzido)

 

Timoléon Jaubert - Fables et poésies diverses par Sprit Frappeur (1862) (Fr)

 

Louis-Auguste-Gratien Salgues - Poésie sublime d'un esprit dictée chez M. Jaubert, vice-président du tribunal de Carcassone (1870) (Fr)