WALLACE LEAL V. RODRIGUES

KATIE KING

 

(MATERIALIZAÇÃO DO ESPÍRITO KATIE KING)

Prefácio da obra:

Há muito tempo Miss Florence Cook, Sir William Crookes e o Espírito Katie King vêm exercendo incontável fascínio sobre nós.

Aqueles três anos - que foi o período em que o Espírito se materializou - pareciam-nos mágicos, uma espécie de conto-da-carochinha, e que jamais se repetiram na História do Espiritismo.

E Katie King surgia como uma espécie de Cinderela espírita. Nada mais belo do que a disposição heróica desse espírito de mulher, abandonando as suas esferas de vida no Além para vir submeter-se às exigências dos cientistas cépticos, a fim de provar a sobrevivência do Espírito e a sua possibilidade de se comunicar com os encarnados, os quais, muitas vezes, ao invés de gratidão, egoisticamente punham-se a infligir à pobre Miss Florence Cook as mais disparatadas, e, por vezes, inumanas exigências para o controle dos fenômenos.

A coragem e a humildade de Miss Florence Cook, a terna solicitude do Espírito em relação ao "seu" médium, sua docilidade para com aquele que foi sem dúvida o maior sábio de sua época, Sir William Crookes, a nosso ver, deviam ser perenizados em um livro, de modo que todas as gerações espíritas os tivessem na retentiva, sem os perigos do olvido que, sentíamos, como uma fina poeira, ia caindo sobre suas figuras, apagando-lhes os traços e tornando esquecida a maravilhosa saga.

O trabalho foi árduo. A nosso favor tínhamos apenas as antigas coleções de órgãos espíritas dos arquivos schutelianos, e, inesperadamente, a descoberta de que os bombardeios de Londres não tinham destruído de todo as chapas fotográficas que Mr. Harrison, editor do "The Spirítualist" e o próprio Sir William Crookes haviam batido. Obter cópias foi um trabalho de obstinação.

O líder inglês, que se tornou guardião dessas "plates", não tem boa vontade em franquear o seu exame, e foi com infinita deliberação que o vencemos pelo cansaço, obtendo as fotos.

Tudo isso, mais o trabalho de tradução, resultam em quase quatro anos de preocupação constante. Este nosso filho poderá, por vezes, parecer rebarbativo, mas acontece que não tivemos por bem mutilar o testemunho de nenhum narrador, por respeito e, também, porque as personagens que por aqui transitam são exatamente os membros do grupo, - pequeno, por sinal, que se reunia para as sessões, harmonizando suas vibrações de carinho e respeito, a fim de que o trabalho do Espírito Katie King não se tornasse tão árduo, dado que por si só já era um trabalho de gigantes, como se irá ver.

Contristamo-nos com o fato de algumas dos fatos estarem tão retocadas, mas há, por outro lado, um excelente "close-up" de Katie King, que ameniza, de certa forma, a falta de qualidade de alguns dentre outros clichês. Lamentamos, igualmente, que os processos da fotografia, na época, não façam justiça à beleza do Espírito materializado, que, segundo o próprio William Crookes, era formoso como um botão de rosa, um anjo, pois estes são os anjos de que nos fala a Bíblia.

Aqui fica o nosso arrazoado; e se o livro prender a atenção do leitor, nós, com isso, nos daremos por muito bem pago pela difícil empreitada.

Wallace Leal V. Rodrigues

Araraquara, verão de 1.975

Apresentação do tema:

Apreciação de Gabriel Delanne:

"Evitar o fenômeno espírita, não lhe dar a atenção que merece e à qual tem direito, é condenar a verdade à bancarrota". Quem escreveu isto? O maior poeta de nosso século: Victor Hugo. O gênio tem suas intuições. Esta frase, que data de mais de oitenta anos, (*) hoje podemos assegurar que foi profética.

(*) Na época, 1899. Nota do tradutor.

O Espiritismo tem sido escarnecido pelos ignorantes e por aqueles que têm interesse em destruí-lo. Todavia, como se apóia em fatos naturais, venceu os seus detratores e, mais forte do que nunca, caminha na conquista das esferas intelectuais. Como explicar seu incessante progresso? Simplesmente, porque tem por método a investigação científica, emprega a observação e a experimentação, recrutando seus adeptos entre as mentes positivas, ávidas de conhecimentos precisos acerca do que seremos depois da morte.

A filosofia é insuficiente para nos informar a respeito da mente que pensa e seu futuro; seus mais célebres representantes chegaram a conclusões diametralmente opostas no tocante a esta questão fundamental. O espírito que busca, com imparcialidade, costuma vagar desorientado no labirinto das afirmações contraditórias e termina por cair no cepticismo ao verificar a impotência dos que tentaram decifrar o enigma de nosso destino.

As religiões apelam para a fé a fim de sustentar seus ensinamentos dogmáticos, mas como diferem entre si e pretende, cada uma em separado, representar a verdade absoluta, deixam o investigador na mais completa indecisão.

Quem, pois, nos dará a certeza da realidade da alma e nos dirá se é ou não mortal?

De nossa parte podemos sustentar que o Espiritismo resolve todos esses problemas: lança mão da observação e da investigação para estabelecer que a alma existe durante a vida do corpo físico e sobrevive à sua destruição.

Empregando o método positivo, criou a verdadeira psicologia experimental, que tem fundamento nos fatos sempre comprobatórios quando as circunstâncias em que se verificam sejam idênticas. Meio século tem a inovação desta ciência, mas só de vinte anos a esta parte assumiu o caráter rigoroso ao qual deve toda a sua autoridade.

William Crookes é, na Europa, o primeiro cientista que teve o valor de comprovar, escrupulosamente, as afirmações dos espíritas. Muito céptico, a princípio, suas investigações o conduziram progressivamente à convicção de que esses fenômenos são verdadeiros e não titubeou um único momento em proclamar, alto e bom som, a certeza em que resultou o seu trabalho. Com a altiva firmeza que oferece quanto é comprovado, cientificamente, converteu-se em campeão de uma impopular mas indiscutível verdade.

A partir daquele momento, ninguém foi mais capaz de deter o impulso recebido. Russel Wallace, Lodge, Myers, Hodgson seguem pela senda aberta. Na Alemanha, cientistas eminentes como Zolner, Weber, Fechner, Ulrici, o Dr. Frièze, Carl Du Prel rendem-se à verdade que passam a defender. Na Rússia, Aksakof e Bouterow.

Na Itália, o professor Falconer, Chiaia, Broffério, Finzi, Schiaparellí e o próprio Lombroso são levados a confessar a exatidão dos fenômenos espíritas que, antes, punham em dúvida. Na França, Gibier, Richet, De Rochas, Flammarion comprovam a mediunidade de Eusápia Paladino.

Em toda a parte estão na ordem do dia as investigações em torno desse assunto, e hoje já não é permitido a nenhum homem de inteligência negar "a priori" esses fatos relegados à conta de superstições populares.

Já não é à meia-noite, na pradaria deserta, ou nos castelos em ruínas que se apresentam os fantasmas.

Ao contrário, surgem nos laboratórios dos cientistas para se submeterem a todas as condições, mesmo às mais rigorosas e escrupulosas pesquisas.

Este livro que oferecemos ao leitor possui grande força para levar à convicção a alma de todos quantos não são cegos pelos preconceitos. Em seus relatos ver-se-á que a aparição de Katie King, durante três anos, foi uma das mais bem investigadas entre numerosas outras semelhantes, existentes nos anais das pesquisas psíquicas. Pelo número e precisão das investigações de que foi objeto, merece ser considerada "clássica".

Nela não há lugar para dúvidas. A médium é uma jovenzinha de 15 anos, incapaz de organizar e levar a bom termo tão colossal embuste, sob a meticulosa observação de jornalistas, escritores e cientistas de primeira ordem.

Tomaram-se todas as medidas, sempre com sua aquiescência, para impedir qualquer fraude. Procedeu-se em relação a ela como se teria feito com o mais hábil dos prestidigitadores. Imobilizam-se suas mãos por meio de cordas,cujos nós e laçadas são costurados e selados; com uma correia que cinge sua cintura e fica sujeita às maiores precauções; as extremidades se fixam no solo mediante uma argola de ferro.

Outras vezes passavam lhe uma corrente elétrica pelo corpo de modo que um galvanômetro indicasse os seus menores movimentos. Entretanto, a aparição se mostrava completamente liberta, vestida com véus dispostos com arte e que desapareciam ao mesmo tempo em que o fantasma.

Katie King difere tanto da médium Florence Cook que mesmo os incrédulos mais sistemáticos, como o Doutor Sextos, pôde vê-las juntas, enquanto Miss Cook jazia em transe, amarrada em sua cadeira. Seu testemunho confirma o da escritora Florence Marryat e o de Sir. William Crookes, que tinham podido ver a mesma cena.

Como não se convencer da realidade destas estranhas manifestações quando se assiste ao desaparecimento do fantasma que, em plena luz, se desagrega sob os olhos das assistentes?

Que misteriosa operação será esta que ressuscita, por um instante, um ser que há séculos desapareceu do cenário dos vivos? E a alma que vem tangivelmente afirmar sua existência, irrompendo em nosso materialismo para proclamar que sobreviveu à morte do corpo! Concebe-se, pois, o assombro e a incredulidade com que se têm recebido provas tão irrecusáveis.

A negação se impõe como um dever, mas o fato é tão manifestamente contrario a todas as possibilidades, que se julgou indispensável recusá-lo sem mais discussões. Isso aconteceu durante algum tempo, até que outros investigadores, tão respeitáveis quanto os primeiros, chegaram a idênticos resultados; tornaram-se imprescindíveis procurar uma explicação para os fenômenos e se invocou para isso a teoria da alucinação para destruir os fatos.

A crítica movimentando-se habilmente permitiu que se vissem por todas à parte fraudes de médiuns e que se suspeitasse sistematicamente da boa fé das testemunhas - o que é assaz difícil quando se trata de homens universalmente respeitados pelo seu talento. E se afirmou que os espectadores estavam enganados por alucinações provocadas pelos médiuns.

Acaso este ser que todos podemos ver de igual maneira, cujas mutações acompanhamos, que tocamos, que nos fala, não é mais do que uma fantasmagoria, um produto doentio de nossos cérebros enfermos? Sim! respondem gravemente os incrédulos. Estais sob a influência do hipnotismo, sonhais com os olhos abertos. A alucinação coletiva, que se explica facilmente pela sobre-excitação produzida pela expectativa do maravilhoso, é o que determina a confusão de que sois vítimas inconscientes.

Difícil parecia responder a alegações desta natureza e, entretanto, nós, os espíritas pudemos refutá-las vitoriosamente empregando a fotografia para testificar a objetividade do fenômeno. Se a chapa sensível reproduz a aparição tal como esta se mostra aos olhos dos assistentes, isso significa que ela tem existência real, objetiva; então, caem por terra todos os sofismas dos contraditores. Pois bem! Essa comprovação fotográfica foi obtida com tal abundância que desafia qualquer suspeita.

Mr. Harrison foi o primeiro a obter o retrato de Katie King. E seu testemunho é apoiado pela declaração serena de Mr. Luxmoore e do Dr. Georges H. Tapp. Em seguida, Sir William Crookes afirma ter obtido mais de cinqüenta outras, por intermédio de cinco câmaras enfocando o fantasma a um só tempo. Não deveria haver, pois, nenhuma dúvida quanto à materialidade de Katie King.

Ante semelhante evidência destruíram-se as objeções? Será possível negar-se a sobrevivência tão laboriosamente estabelecida?

Seria desconhecer os negadores acreditar que se rendem tão facilmente. Raciocinaram em seguida e afirmaram que a aparição não era um Espírito, mas, simplesmente, um desdobramento de Miss Florence Cook.

Para emitir esse parecer, apoiaram se nos relatos publicados pela "Sociedade de Investigações Psíquicas", de Londres, que registram mais de dois mil casos de aparição de vivos e de mortos. E eis aqui um caso estranho: os que fazem profissão de não crer na existência da alma, servem-se dos fenômenos de desdobramento para combater as materializações sem perceber que, com isso, caem em contradição.

Se a alma pode sair do corpo, isso supõe que é independente dele, e esta é a demonstração mais palpável de sua existência; portanto, sua sobrevivência não é impossível, visto que não é engendrada pelo organismo. Ademais, todos os fantasmas de vivos são sócios de seu corpo físico e, graças a essa identidade, podem ser reconhecidos. E, como Katie King difere de Miss Cook, é mais do que provável que não é um desdobramento da jovenzinha.

Mas o que demonstra peremptoriamente a independência absoluta de Katie King, é que ela fala com a médium estando esta completamente desperta.

Pela leitura dos relatórios de Sir William Crookes vemos que, em sua última aparição, o Espírito se despediu de Miss Florence Cook, quando esta foi despertada e posta em seu estado normal.

Os documentos reunidos nesta obra estabelecem que, desde o início das manifestações, isto sucedia. Portanto, pode-se assegurar que foi um Espírito que, durante três anos, se submeteu a tão rudes provas a fim de demonstrar, de modo irrecusável, a existência da alma depois da morte.
Pela acumulação de testemunhas, faremos penetrar a luz da imortalidade em todos os ambientes.

Quando se verificar que os fenômenos espíritas se produzem em todos os países e são comprovados por investigadores habituados às mais precisas e delicadas operações científicas, os homens sinceros não poderão resistir à autoridade dos fatos.

A vida de ultratumba parecerá uma continuação lógica da presente e, sobrepondo-se à fé, ao misticismo, ao sobrenatural, a grandiosa certeza da imortalidade se fixará em todas as consciências com as conseqüências que lhe são correlatas. Em lugar da dúvida, ao invés de uma fé vacilante, teremos apresentado a prova logicamente estabelecida e experimentalmente demonstrada.

Esta será a solução do grande problema que vem perturbando os mais poderosos pensadores em todas as idades da humanidade. Irradiando fecunda sobre o século XX, abrilhantará os albores da emancipação intelectual, da regeneração moral que, por si sós, podem elevar nosso planeta a destinos infinitamente superiores.

Gabriel Delanne

Paris, 19 de abril de 1899

A foto mostra o espírito de Katie King junto do cientista Sir William Crookes. Esta foto ele jamais permitiu fosse divulgada. Nela vê-se o verso que o sábio escreveu sensibilizado pela beleza do espírito Katie King materializado.

"Numa sessão realizada ontem à noite Hackney (Londres, 29 de março de 1874). Katie nunca apareceu com tão grande perfeição. Durante perto de duas horas passeou na sala, conversando  familiarmente com os que estavam presentes. Várias vezes  tomou-me o braço, andando, e a impressão sentida por mim era a  de uma mulher viva que se achava a meu lado, e não de um  visitante do outro mundo; essa impressão foi tão forte, que a tentação de repetir uma nova e curiosa, experiência tornou- se-me quase irresistível".

Fontes: Documentário BBC - A Ciência e as Sessões Espíritas (Science and the Seance) (Documentário produzido pelo respeitado canal de televisão britânico BBC, no qual temos o resgate histórico daqueles foram os mais extraordinários eventos do século XIX: as manifestações espirituais, das quais brotaram, além da Doutrina Espírita, as grandes e revolucionárias invenções tecnológicas na âmbito das telecomunicações, como o rádio e a televisão)

  Fontes: Survival After Death (Materializações do espírito Katie King)

"Evitar o fenômeno espírita, não lhe dar a atenção que merece e à qual tem direito, é condenar a verdade à bancarrota". Quem escreveu isto? O maior poeta de nosso século: Victor Hugo. O gênio tem suas intuições. Esta frase, que data de mais de oitenta anos, hoje podemos assegurar que foi profética."

Gabriel Delanne "A questão de Katie King"

"O Espiritismo tem sido escarnecido pelos ignorantes e por aqueles que têm interesse em destruí-lo. Todavia, como se apóia em fatos naturais, venceu os seus detratores e, mais forte do que nunca, caminha na conquista das esferas intelectuais. Como explicar seu incessante progresso? Simplesmente, porque tem por método a investigação científica, emprega a observação e a experimentação, recrutando seus adeptos entre as mentes positivas, ávidas de conhecimentos precisos acerca do que seremos depois da morte."

Gabriel Delanne "A questão de Katie King"

"O Espírito Katie King materializou-se pela primeira vez a 22 de abril de 1872. Concordamos com Delanne, ao afirmar que “Os fenômenos de materialização constituem as mais altas e irrefragáveis demonstrações da imortalidade."

William Crookes "Fatos Espíritas"

"Vi Katie, recentemente, e tão bem iluminada pela luz elétrica, que me foi possível acrescentar às citadas diferenças entre Katie e sua médium, algumas outras. Tenho absoluta convicção de que Miss Cook e Katie King são duas individualidades perfeitamente distintas, pelo menos na que diz respeito a seus corpos. A pele de Katie é fina, enquanto a de Miss Cook possui pequenas manchas. O cabelo de Miss Cook é de um castanho tão escuro que parece negro, enquanto que o de Katie, do qual possuo uma mecha que ela me permitiu cortar em uma sessão, depois de assegurar-me de que não era postiço, - é de um lindo castanho doirado.

Uma noite contei a pulsação de Katie; estava regular: 75 pulsações por minuto, enquanto que a da médium, poucos instantes depois, alcançava 90, como lhe era habitual. Apoiando minha cabeça sobre o peito de Katie, ouvi o seu coração batendo, com maior naturalidade ainda que o da médium, a qual, depois de terminar a sessão, permitiu-me fazer com ela a mesma experiência.
Examinados da mesma maneira, os pulmões de Katie pareceram mais sadios do que os da médium, que, naquela época, seguia um tratamento médico motivado por um reumatismo de que sofria."

William Crookes "Fatos Espíritas"

 

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