OS GRANDES MÉDIUNS DOS CÍRCULOS DE ALLAN KARDEC

Sr. D'Ambel

MÉDIUM DA SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDO ESPÍRITAS (SPEE)

secretário particular de Allan Kardec

(O DISSIDENTE DO ESPIRITISMO)

(1816 - 1866)

 

CSI DO ESPIRITISMO

IMAGENS E REGISTROS HISTÓRICOS DO ESPIRITISMO

 Carlos Seth | Revisão de Junho de 2020 | Para outras imagens:
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(#SrDAmbel)

Apresentação da pesquisa do médium:

Destaque: O médium de Erasto.

Médium: Eugène Alis d'Ambel, conhecido na Revista Espírita como Sr. D'Ambel (M. D'Ambel em Francês).

Nome completo: Emmanuel-Balthazard-Marie-Eugène-Alis d'Ambel (1)

Variações encontradas: Alis (2) | Alix (3) | Arnald (4)

Nascimento: 25 de dezembro de 1816 na comuna (cidade) de Grenoble (5), a 571 km de Paris, no departamento (estado) de Isère na França.

Desencarne: 17 de novembro de 1866 no 9º "arrondissement" (6) (conjunto de bairros) de Paris.

Profissão: editor musical (falido (7) em 1857), vice-presidente da SPEE (SPES em Francês) e diretor de publicação do semanário L' Avenir, Moniteur du Spiritisme (8) (O Futuro, Monitor do Espiritismo), normalmente com edições às quintas-feiras, de 07 de julho de 1864 a 19 de abril de 1866.

Contextualização de caso: todas as comunicações de Erasto, com identificação de médium, foram através do Sr. D'Ambel, inclusive a mensagem em O Livro dos Médiuns (OLM) sobre o cão do Sr. T.(9), que na Revista Espírita (R.E.) descobrimos se chamar Sr. Thiry (10). Erasto, discípulo de São Paulo, grego de Corinto, foi o Espírito mais atuante em OLM com 12 mensagens identificadas; e o Sr. D'Ambel, cunhado de Georges (Espírito também frequente na (R.E.) e estudado em outro caso), foi vice-presidente da SPEE.

Erasto

Segundo São Luís, Georges em vida era pintor e professor de desenho da Sra. Costel (médium mais atuante da R.E., com cerca de 70 mensagens e estudada em outro processo).

Temos ainda uma provável relação de parentesco entre o Sr. D'Ambel e o Sr. D., que escrevia melhor sob a inspiração dos Espíritos (11). O ponto de ligação seria a informação do Sr. D'Ambel na palavra ao leitor do L'Avenir de 1º de março de 1866 (12): "...uma pessoa da minha família,... depois de alguns dias de experimentação, obteve comunicações que me impressionaram pelos resultados materiais, pois o Espírito mandou que ele escrevesse em Inglês muito bonito, embora sua escrita habitual fosse muito ruim e principalmente indecifrável."  (tradução livre de "...une personne de ma famille,... obtint, après quelques jours d'essais, des communications qui me frappèrent par leur résultat matériel, car l'Esprit le fit écrire en très-belle anglaise, bien que son écriture habituelle fût très-mauvaise et la plupart du temps indéchiffrable.").

Seria algum parente da mãe de D'Ambel, Sra. Marguerite Dupré? Não o sabemos.

E é justamente neste artigo desta edição do L'Avenir que se inicia a publicação do polêmico "O Livro de Erasto" (13), em 5 partes, terminado na edição de 12 de abril de 1866. Além da "doutrina dos anjos caídos", temos alguns "trechos estranhos" como a descrição das pessoas da era anti-hebraica. Erasto também se esqueceu da cultura oriental, além de apresentar o Cristo como salvador, etc. Uma semana depois da última publicação de "O Livro de Erasto", sai o último número de L'Avenir em 19 de abril de 1866. E em 17 de novembro do mesmo ano o Sr. D'Ambel desencarna de forma trágica.

O sistema "Erasto – D'Ambel" está irreconhecível em comparação à chamada Codificação, principalmente em OLM, obra em que Erasto se destaca. Voltaremos ao assunto na conclusão de caso.

Além disso tivemos também na R.E. uma mensagem polêmica sobre o México (14) (incas não habitaram o México, tinham um exército e ofereciam sacrifícios humanos), mas pensamos que a R.E. era apenas uma laboratório de Kardec para a preparação das obras fundamentais da doutrina espírita. Apesar do médium ser o Sr. D'Ambel, Erasto não a assina. Deduzimos que seja ele porque Kardec afirma no comentário que se segue à mensagem: "Quanto aos indígenas do México, diremos, como Erasto...".

As evidências coletadas até agora (9) (10) (15) (16) nos mostram que o único médium usado por Erasto foi o Sr. D'Ambel, mas há muitas outras comunicações na R.E (das 19 da dupla), que não foram utilizadas por Kardec nas obras fundamentais, todas do sistema "Erasto – D'Ambel", e ainda outras 9 mensagens de outros Espíritos (Buffon, Visconde Delaunay – pseudônimo de Delphine de Girardin, Antonio B., Mary, 2 de Jobard, François-Nicolas Madeleine, Viennois e Vaucanson) pelo mesmo médium. Em pelo menos 4 comunicações de Erasto (Epístola aos espíritas lioneses, A guerra surda, Futuro do Espiritismo e O juízo final) não houve identificação do médium.

A mensagem "Primeira epístola aos espíritas de Bordéus" também foi trazida através do Sr. D'Ambel, conforme esclarece Kardec: "O Espírito de Erasto, que já conheceis, senhores, por suas notáveis dissertações que já lestes, também quer trazer-vos o tributo de seus conselhos. Antes de minha partida de Paris, ele ditou, por intermédio de seu médium habitual, a comunicação seguinte, que vou ter a honra de vos ler." (17). Mas além de OLM, podemos confirmar a participação deles em O Céu e o Inferno (OCEOI) (18) (19), e deduzí-la tanto em OCEOI (no caso de Lapommeray), quanto em O Evangelho segundo o Espiritismo (OESOE) (20) (21) (22) (23).

Na RE temos também uma única mensagem de François-Nicolas Madeleine obtida através do Sr. D'Ambel, mas que não faz parte de OESOE.

Ainda, na 2ª parte de Obras Póstumas (OP), sobre "A minha primeira iniciação no Espiritismo", temos várias comunicações (24) pelo médium Sr. d'A... (provavelmente Sr. D'Ambel) do Espírito Verdade, do Espírito E. (provavelmente Erasto) e de Erasto. As cartas de Kardec à esposa (25) confirmam algumas destas suposições, quando diz na carta de 6 de setembro de 1863: "Darás conhecimento desta resposta ao Sr. D'Ambel e lhe dirás que eu ficaria muito contente se Erasto, a Verdade ou qualquer outro Espírito bom houvesse por bem me dar uma comunicação em meu retiro.".

Em resumo, embora sujeito à revisão futura:

Nota: O Espírito E. aparece apenas em Obras Póstumas (OP), que não consideramos como parte das 32 obras da Codificação

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Em tal quadro somamos cerca de 40 comunicações (em fundo cinza) que acreditamos ser da dupla.

Interessante também que o livro "Spiritisme et fusionisme" (26) de 1863 (sobre o fusionismo) (27) foi escrito por Toscan, a partir das evocações de Kardec, através do Sr. D'Ambel, do espírito do Sr. De Tourreil (Louis-Jean-Baptiste de Tourreil), ainda vivo (desencarnou em 15 de abril de 1863 (28)

Apesar desta proximidade com Kardec, o Sr. D'Ambel aparece na R.E. apenas de junho de 1861 a julho de 1865, totalizando 4 anos e 1 mês, com cerca de 28 comunicações, 19 de Erasto e 9 de outros Espíritos, como já vimos. Antes disso, em 7 de julho de 1864, surge o L'Avenir, inicialmente saudado na RE (29) e também em Londres (30), mas que parece se tornar uma dissidência (31) de Kardec no meio de sua missão. Após a desencarnação do Sr. D'Ambel em 1866 o L'Avenir é substituído pelo Le Progrès Spiritualiste, que tem como editora outra "dissidente" de Kardec, a Srta. Honorine Huet, que também é estudada em outro caso.

Terminamos analisando o suicídio do Sr. D'Ambel aos 50 anos incompletos (e não aos 35 anos como noticiou o Le Fígaro) (32): "Um homem de letras, o Sr. Alis d'Ambel, que dirigiu um estranho jornal – ao qual o Sr. Edmond About (33) fez a honra de uma polêmica (34) –, o L'Avenir, Moniteur du Spiritisme, cometeu suicídio neste sábado, no apartamento que ocupou na Rua Bréda, 22. Ele tinha trinta e cinco anos de idade, e morreu de tristeza, desespero e miséria. Sua mobília seria vendida, talvez o pão estivesse faltando em casa; não sabendo para onde ir, ele se enforcou com a gravata no sábado às oito horas da manhã. Seu funeral aconteceu esta manhã em Notre-Dame-de-Lorette.".

Allan Kardec também noticia sua morte na RE (35): "Uma morte que nos surpreendeu tanto quanto nos afligiu foi a do Sr. D'Ambel, antigo diretor do jornal Avenir, ocorrida a 17 de novembro de 1866. Suas exéquias se realizaram na Igreja de Notre Dame de Lorette, sua paróquia (sic). A malevolência dos jornais que dele falaram revelou-se, nesta circunstância, de maneira lamentável, por sua afetação em ressaltar, exagerar, envenenar, como se tivessem prazer em revolver o ferro na ferida, tudo quanto esta morte poderia ter de penoso, sem consideração pelas suscetibilidades de família, esquecendo até o respeito que se deve aos mortos, sejam quais forem suas opiniões e suas crenças em vida.

Esses mesmos jornais teriam gritado escândalo e profanação contra quem quer que dessa maneira tivesse falado de um dos seus. E no final conclui: "Acrescentaremos que o morto não deixa filhos e que sua viúva retirou-se para a sua família."

É realmente uma surpresa este fim, já que o próprio D'Ambel afirmava (36): "Acrescentemos que se realmente tivesse conhecido o Espiritismo, nossa doutrina tê-lo-ia detido na rampa fatal, mostrando-lhe todo o horror que nos inspira o suicídio e todas as consequências terríveis que tal crime arrasta consigo."

Rua Bréda, hoje Rua Henry Monnier

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Enfim, não nos cabe julgar aquele que antes foi vice-presidente da SPEE (37) e secretário particular de Allan Kardec (38), chamado até de seu "tenente" pelos opositores (39). E bem antes disso foi editor de partituras musicais.

Partituras musicais editadas por D'Ambel

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Os médiuns daquela época, como os de hoje, têm características bastante humanas, não são Espíritos perfeitos. Isto não afeta em nada a integridade da Doutrina Espírita.

Esta última descoberta apenas fortalece a admiração que todos devem ter pelo trabalho desenvolvido pelo próprio Allan Kardec, mas claro, tudo é uma questão de convicção. Certo é que esconder a verdade histórica não nos parece uma boa atitude, pois cedo ou tarde ela sempre emerge. Melhor então que nós, os espíritas, estejamos preparados.

13) CSI do Espiritismo - O Sr. D'Ambel, na palavra ao leitor do L'Avenir de 1º de março de 1866, inicia a publicação do polêmico "O Livro de Erasto", em 5 partes, terminado na edição de 12 de abril de 1866.

No caso de D'Ambel e Erasto reconhecemos Allan Kardec como a liga que manteve o sistema saudável e em condições de trazer as importantes mensagens de O Livro dos Médiuns. Evidentemente que se algum detrator quiser se utilizar de má-fé, como em tantos comentários anacrônicos e descontextualizados que encontramos em todo lugar, é um risco que infelizmente corremos.

Conclusão de caso: a única variável que diferencia o sistema "Erasto – D'Ambel" da Codificação em relação a "O Livro de Erasto" é o bom-senso de Kardec. Como Espírito superior encarnado, coube a ele, em última instância, avaliar quais comunicações iriam fazer parte das obras fundamentais. Os métodos de Kardec (caráter dos envolvidos, controle universal do ensino dos Espíritos ou CUEE, e bom-senso) sempre demonstraram a prioridade que ele dava ao conteúdo das mensagens, em relação aos médiuns. Ainda assim, conhecê-los, nos dá uma visão mais precisa do cenário à época. Também nos permite uma avaliação da superioridade dos Espíritos desencarnados, que embora superiores à média da humanidade, certamente ainda não eram puros.

Adendos:

Descobertas posteriores: https://bit.ly/2v2JxUQ e https://bit.ly/398Rq9Z (Abel d'Islam e outros pseudônimos). Também não encontramos Erasto nas edições anteriores à 2ª edição de OLM.

Registros de nascimento (fonte: página 9 de https://bit.ly/2IBhv7D consultada em 17/04/2019 através do seguinte procedimento: acessar https://bit.ly/2ImCJXF; clicar em Généalogie; preencher dates = 1816 à 1816; Type de document = REGISTRE D'ETAT CIVIL; depois clicar em "ETAT CIVIL : registre des naissances de 1816 [NOVEMBRE-DECEMBRE]" <Voir le document>) e óbito do Sr. D'Ambel (fonte: página 28 de https://bit.ly/2IBrvhk consultada em 17/04/2019):

Certidão de Casamento - Marie Léonie Georgé e D'Ambel

CSI do Espiritismo - Imagens e Registros Históricos do Espiritismo

Nestes 2 últimos registros, encontramos o nome de Marie Léonie Georgé, esposa de D'Ambel. Como ainda sabemos que Georges era cunhado do Sr. D'Ambel, esta pista nos ajudou a solucionar outro caso, o da Sra. Costel e o Espírito Georges.

CSI do Espiritismo - Imagens e Registros Históricos do Espiritismo

Abreviaturas utilizadas:

CUEE: Controle Universal do Ensino dos Espíritos
OCEOI: O Céu e o Inferno
OESOE: O Evangelho segundo o Espiritismo
OLM: O Livro dos Médiuns
OP: Obras Póstumas
RE: Revista Espírita
SPEE: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
SPES: Société Parisienne des Études Spirites

Portrait de M. Allan Kardec - Lithographies Aug. Bertrand. (Séc. XIX)

CSI do Espiritismo - Litografia de Allan Kardec feita pela Sr. Aug. Bertrand em 1866, conforme "Bibliographie de la France" de 15 de dezembro de 1866 que foi gentilmente cedida pelo colega Eduardo Burin, obtida de uma família de Lyon.

Localização das livrarias que vendiam as obras de Allan Kardec e das duas primeiras sedes SPEE no Palais Royal

CSI do Espiritismo - Imagens e Registros Históricos do Espiritismo

 

Fontes: Canal Allê de Paula - Espiritismo/Kardec (Resenha Espírita 42 - Historiografia Espírita) (Carlos Seth do CSI do Espiritismo e Adair Ribeiro do AllanKardec.online)

Fontes: CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

Fontes: AllanKardec.online - Historiografia do Espiritismo

 

"Se o Espiritismo pudesse ser retardado em sua marcha, não o seria pelos ataques abertos de seus inimigos declarados, mas pelo zelo irrefletido dos amigos imprudentes"

Allan Kardec - Revista Espírita, junho de 1862 - Ensinos e dissertações espíritas - O Espiritismo filosófico

"É um fato comprovado que o Espiritismo é mais entravado pelos que o compreendem mal do que pelos que absolutamente não o compreendem, e mesmo por seus inimigos declarados"

Allan Kardec - Revista Espírita, novembro de 1864 - O Espiritismo é uma ciência positiva

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Carlos Seth Bastos CSI do Espiritismo (Médiuns de Kardec) (Sr. D'Ambel)

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo (Contendo diversos mensagens do médium) (Sr. D'Ambel)

 

RELAÇÃO DE JORNAIS PARA DOWNLOAD

 

 L'Avenir - Moniteur du Spiritisme (Fr.) (1864)

 

 L'Avenir - Moniteur du Spiritisme (Fr.) (1865)

 

 L'Avenir - Moniteur du Spiritisme (Fr.) (1866)

 

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