EDUARDO CARVALHO MONTEIRO

BATUÍRA, VERDADE E LUZ

Trechos da obra:

A Origem do Espiritismo em São Paulo

No dia 31 do mês passado, aniversário do desprendimento de nosso estimado mestre, reuniu-se pelas 8 horas da noite toda a família espírita de São Paulo em casa de nosso confrade Dr. Ramos Nogueira, para dar a Allan Kardec, espírito de escol, prova solene de quanto é respeitado como mestre.

Assumindo a presidência, o nosso I.L.C. (?) Antonio Gonçalves da Silva leu, antes de abrir os trabalhos, uma poesia denominada "Evocação" e dada pelo Espírito de Fagundes Varella.

Em seguida, o quartanista de Direito, o sr. Aristides de Vasconcellos, fez a apologia do grande homem, seguindo-se na tribuna o nosso esforçado companheiro, o sr. Ângelo Torterolli, que fez a apologia do Espiritismo.

Falou por último o Dr. Ramos Nogueira, que dissertou procurando mostrar ser o Espiritismo a Terceira Revelação e saudando Allan Kardec por ter sido quem tornou metódico o instrumento de tal revelação. Uma banda de música, que tocou nos intervalos dos discursos como, também ao iniciar-se a sessão, fez ouvir no ato de encerramento a Marselhesa, como hino da liberdade.

Em 23 de junho de 1887, o Reformador noticiava palestra pronunciada pelo Dr. Ramos Nogueira na sede da FEB e em janeiro de 1888 agradece a esse confrade ter cedido à Entidade uma brochura com todos os textos de suas palestras na Federação.

O mesmo Reformador anunciava a comunicação do Espírito de Luís Gama, companheiro de Batuíra na luta abolicionista, em seu número de 15 de março de 1890.

No mesmo ano de 1890, segundo informava a Revista, havia cinco periódicos espíritas circulando no Brasil: Reformador (Rio de janeiro); Verdade e Luz (São Paulo); O Regenerador (Belém); e A Luz e a Revista Espírita (Curitiba).

Em 15 de agosto de 1894, o Reformador lamentava o desencarne do Dr. Ramos Nogueira, "paulista que foi procurar cura nas montanhas".

O Reformador de 1° de março de 1902 registrou a Diretoria do Centro Espírita São Paulo, recém-fundado: Presidente, Studário Cardoso; Vice, João Pinto Alves; 1° Secretário, Antonio Ferreira Brazil; 2° Secretário, Francisco de Paula Domingues; Auxiliar, Epiphanio Prata.

Desse seu entrosamento com a FEB, Batuíra constituiu na capital paulistana, a 24 de maio de 1908, a União Espírita do Estado de São Paulo, entidade que federava centros espíritas e grupos familiares de todo o Estado. Uma comissão executiva, que tinha como Presidente o Coronel Antonio Raposo de Almeida, Batuíra e Studário Cardoso como vices, dirigia a União que, naturalmente, era filiada à FEB.

Trechos da obra:

Fac-símile do Jornal Verdade e Luz de 15/01/1900

Como já relatamos, o surgimento do Jornal Verdade e Luz foi muito importante por ter sido o único a sobreviver e manter regularidade por duas décadas no campo doutrinário espírita. Sua importância crescia à medida em que se tornava uma voz em defesa dos princípios espiritistas, principalmente contra os católicos, que viam o Espiritismo crescer em adeptos e se solidificar junto a intelectuais de prestígio da sociedade paulista.

O episódio mais importante da vida do jornal foi à polêmica religiosa travada entre Batuíra e as Damas da Caridade da Diocese de São Paulo por mais de oito anos, em que ele assinava os artigos com o pseudônimo "Ninguém".

Nestes artigos intitulados Diversos Assuntos oferecidos as Exmas. Damas de Caridade da Diocese de São Paulo, Batuíra relatava casos do Centro, curas físicas e espirituais lá obtidas, conceitos evangélicos espíritas, rebatia as acusações dos católicos e fazia defesa veemente do Espiritismo contra as diatribes assacadas pela Igreja. Sua redação era simples, mas correta, e ele alternava momentos de serenidade na linguagem com rigor e agressividade quando necessário.

Para ilustrar o teor dos artigos dedicados às Damas de Caridade, selecionamos um pequeno trecho que reproduzimos do exemplar de 30 de abril de 1903, n° 311, Ano XIII. É a seqüência da descrição de uma polêmica com o Rev. Eduardo Pereira, protestante.

Desafiamos o nosso contendor para que nos dissesse o nome de um só espírita que estivesse no Hospício.

Dissemos que a mentira dita por um sábio não deixaria de ser mentira. Mas a verdade dita por um ignorante era sempre verdade. Era isto o que esperava iria acontecer.

Provamos pelos fatos que o Espiritismo curava a loucura e que as religiões positivas a produziam.

Começamos por contar a primeira cura que fizemos, como o mais indigno instrumento da Divina Providência.

Uma senhora (médium auditiva inconsciente) estava muito atormentada por ouvir as palavras as mais imorais e insultuosas que "lábios" ocultos proferiam; entretanto, com uma oração e alguns conselhos ficou livre desse incômodo moral por 10 minutos.

Outra tinha sido acometida de loucura furiosa horas depois de seu casamento havia 5 anos e a quem a família já pensava em internar no Hospício; veio para nossa casa e, no fim de dois meses, achava-se completamente sã.

Ainda outra, uma moça solteira que viera com seus pais, uns roceiros, em menos de quinze dias voltou ao seu trabalho.

Mencionei ainda o caso de três pessoas, pertencentes à mesma família, que ficaram loucas, num sábado quando estavam rezando novenas e que em vinte dias ficaram curadas.

Essa família morava seis léguas distante da capital. No fim de trinta dias nos vieram agradecer a cura que Deus lhes fez.

Estes fatos contamos com todas as peripécias, assim como outros que seria longo enumerar.

Quando demos por terminada a conferência, eram nove horas da noite.

Todos os assistentes, no auge do entusiasmo, romperam com uma demorada salva de palmas.

Vede, nobres Damas de Caridade, como foi aplaudida a verdade!

A verdade é sempre a verdade.

Ninguém

"O Espiritismo não admite a confiança cega; quer ser claro em tudo; quer que lhe compreendam tudo e que se dêem conta de tudo. Então, quando recomendamos estudo e meditação, pedimos o concurso do raciocínio, o que prova que a Ciência Espírita não teme o exame, desde que antes de crer sentimos a necessidade de compreender"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

 

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