AMÁLIA DOMINGO Y SOLER

MEMÓRIAS DO PADRE GERMANO

Histórico da obra:

"Memorias del padre Germán", reúne ditados autobiográficos obtidos pelo médium sonâmbulo Eudaldo, da "Sociedad la Buena Nueva", da ex-vila de Gracia, Barcelona, de uma encarnação do protetor de Amália, o Espírito de San Germán del Prado, que habitara, por volta do século IV, as cercanias de Paris, recebidos pelo médium Eudaldo, entre 1880 e 1884, copiados e anotados pela escritora, que os começou a publicar, a partir de 29 de Abril de 1880, como artigos, no jornal "La Luz del Porvenir", e que, o editor espírita João Torrente, um dos fundadores desse órgão, deu a idéia de reunir em volumes.

Esse trabalho, a que se prestou "de boa vontade, e, no veementíssimo intuito de propagar o Espiritismo", se completou no dia 10 de Janeiro de 1884. Essa obra foi reeditada inúmeras vezes. Traduzida para o português por M. Quintão, foi editada com o título de "Fragmentos das Memórias do Padre Germano", pela Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, 1917, 1ª ed. 576 pp.
Introdução da obra:

Aos 29 de abril de 1880 comecei a publicar, no jornal espírita “A Luz do Porvir”, as Memórias do Padre Germano - uma série de comunicações que, sob a forma de novela, nem por isso deixam de instruir deleitando. O Espírito do Padre Germano foi relatando alguns episódios de sua última encarnação terrena, consagrada à consolação dos humildes e oprimidos, ao mesmo tempo que desmascarava os hipócritas e falsos religiosos da Igreja Romana.

Tal proceder, como era natural, lhe acarretou inúmeros dissabores, perseguições sem tréguas, cruéis insultos e ameaças de morte, ameaças que, por mais de uma vez, e por pouco se não converteram em amarissima realidade.

Vítima dos superiores hierárquicos, assim viveu desterrado em obscura aldeia, ele que, pelo talento, bondade e predicados especiais, poderia ter conduzido a seguro porto, sem perigo de soçobro, a arca de São Pedro.

Mas, nem por viver em recanto ermo da Terra, obscura foi sua existência. Assim como as ocultas violetas exalam delicado perfume entre as heras que as sobrepujam, assim a religiosidade dessa alma exalou o sutil aroma do sentimento, e com tanta fragrância, que a essência embriagadora pôde ser aspirada em muitos lugares da Terra.

Muitos foram os potentados que, aterrados pela idéia de crimes enormes, correram pressurosos à sua presença, prostrando-se humildes ante o humilde sacerdote, para que fosse intermediário entre eles e Deus.

O Padre Germano

O Padre Germano arrebanhou muitas ovelhas desgarradas, guiando-as pela senda estreita da verdadeira religião, que outra não é senão a do bem pelo bem, e amando - não só o bom, que por excepcionais virtudes merece ser amado ternamente, como também o delinqüente - enfermo da alma que, em gravíssimo estado, só com amor se pode curar.

A missão desse Padre em sua última encarnação foi, de fato, a mais bela que porventura possa ter o homem na Terra; e visto como, ao deixar o invólucro carnal, o Espírito prossegue no espaço com os mesmos sentimentos humanos, pôde ele sentir, liberto dos seus inimigos, a mesma necessidade de amar e instruir o próximo, buscando todos os meios de completar tão nobilíssimos desejos.

À espera de propicia ocasião, encontrou, finalmente, um médium falante puramente inconsciente, ao qual dedicava, contudo, esse achado: - importava que tal médium tivesse um escrevente capaz de sentir, compreender e apreciar o que o médium por si dissesse.

A isso me prestei eu, de boa-vontade, e no intuito de propagar o Espiritismo, trabalhamos os três na redação destas “Memórias”, até 10 de janeiro de 1884.

Não guardam elas perfeita ordem com relação à existência do Padre, sendo que, tão depressa relatam episódios verdadeiramente dramáticos da sua juventude, como deploram o isolamento da sua velhice; em tudo, porém, que diz o Padre Germano, há tantos sentimentos, religiosidade e amor a Deus; admiração tão profunda das leis eternas e tão grande adoração à Natureza, que, lendo estes fragmentos, a criatura mais atribulada se consola, o mais céptico espírito conjetura, comove-se o maior criminoso, cada qual procurando Deus a seu modo, convencido de que Ele existe na imensidade dos céus.

Um dos fundadores de “A Luz do Porvir”, o editor João Torrents, teve a feliz idéia de reunir em volumes as Memórias do Padre Germano, ás quais adicionei algumas comunicações do mesmo Espírito, por ter encontrado nelas imensos tesouros de Amor e de Esperança - esperança e amor que são frutos sazonados da verdadeira religiosidade por ele possuída de muitos séculos.

Sim, porque para sentir e amar como ele, conhecendo ao mesmo tempo tão profundamente as misérias da Humanidade é preciso haver lutado com a fonte nunca estanque das paixões, com a tendência dos vícios, com o estímulo indômito das vaidades mundanas.

As grandes e inveteradas virtudes, tanto quanto os múltiplos conhecimentos científicos, não se improvisam porque são a obra paciente dos séculos.

E sejam estas linhas - humilde prólogo às Memórias do Padre Germano - as heras que ocultam o ramo de violetas, cujo delicadíssimo perfume há de ser aspirado com prazer pelos sedentos de justiça e famintos de amor e verdade.

Grácia, 25 de fevereiro de 1900
Amália Domingo Sóler

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Allan Kardec O Educador  Documentário - Dora Incontri)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (A História do Espiritismo - Allan Kardec O Codificador da Doutrina Espírita)

"Como poderemos acreditar que Deus permite ao Espírito do Mal que se manifeste exclusivamente para perder-nos, sem dar-nos como antídoto os conselhos dos Bons Espíritos.?"

Amália Domingo y Soler "A Grã-Senhora do Espiritismo"

Padre Manterola: — As comunicações de ultratumba que os discípulos da escola espírita obtêm; são dignas do anjo da bondade. Aliás, o que se pode esperar atribuído aos santos anjos? Não! Impossível! A que conduzem todas as revelações do Espiritismo, segundo aos temos compilados pelo seu grande profeta, Allan Kardec? A que? A destruição completa, radical de todos os dogmas católicos. Logo não é um anjo bom o autor das revelações espíritas.

Não vos esqueçais de que me refiro aos católicos, para os quais a argumentação deve ser de força incontrastável.

Amália Domingo y Soler: — Faz bem, Senhor Manterola em se dirigir somente aos católicos, pois que somente os católicos ortodoxos poderão admitir como argumentação de força incontrastável, os argumentos que apresentais. Sim só aqueles que se deixam levar sem interrogações pelo credo romano, o qual, apesar de não haver encontrado por meio da Geologia e da Geografia nem o inferno nem o purgatório nas entranhas da Terra; nem na Astronomia os localizaram no espaço; apesar dessa negativa científica, os sacerdotes desentendendo-se por completo da ciência, seguem indiferentes sua predicação.

O senhor é um deles. Cremos que não se devia dedicar à prédica para uns poucos, deveria falar a todos. Por isto nos dá tanto prazer a linguagem da ciência: porque sua predicação é universal.

Amália Domingo y Soler "Na defesa dos Postulados Espíritas"

César Bogo - Amália Domingo y Soler A Grã-Senhora do Espiritismo

 

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