ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI

O GRANDE MÉDICO DOS POBRES

O LUMINAR DO ESPIRITISMO NO BRASIL

(1831 - 1900)

Apresentação do site:

 

Quando se pergunta quem foi Bezerra de Menezes e a grande contribuição que trouxe para o Espiritismo e difícil responder... Na estruturação  pedagógica do Espiritismo no Brasil... Ou na Figura do Médico... Ou na figura daquela pessoa que o único objetivo era levar a paz e a fraternidade por onde passava, aonde a mensagem do Nazareno da Galiléia do amor ao próximo que lhe conduzia os passos...

 

O Doutor Bezerra de Menezes foi em vida aquela pessoa que se dedicou o amor ao próximo, auxiliando materialmente e espiritualmente aos necessitados que procuravam a vossa ajuda.

 

Após o seu desencarne o Espírito de Bezerra de Menezes continua a sua missão evangelizadora no mundo espiritual, conduzindo para Senda do Nazareno da Galiléia, os espíritos aviltados no mal ou espíritos desviados do bem, que fogem de suas próprias criações mentais de sofrimento e dores morais em abismos espirituais.

 

Por isto, queridos amigos este grande Príncipe da Paz que conquistou a todo o Mundo Espírita no Brasil, através dos seus exemplos pelo bem do próximo e que vem contagiando aos corações de milhares de espíritas, o site vem prestar uma singela homenagem!!!

 

Irmãos W.

Biografia de Bezerra Menezes:

 

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831 na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará.

 

Descendia Bezerra de Menezes de antiga família, das primeiras que vieram ao território cearense. Seu avô paterno, o coronel Antônio Bezerra de Souza e Menezes tomou parte da Confederação do Equador, e foi condenado à morte, pena comutada em degredo perpétuo para o interior do Maranhão, e que não foi cumprida porque o coronel faleceu a caminho do desterro, sendo seu corpo sepultado em Riacho do Sangue.

 

Seus pais, Antônio Bezerra de Menezes, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, desencarnou em Maranguape, no dia 29 de setembro de 1851, de febre amarela; a mãe, Fabiana Cavalcanti de Alburquerque, nascida em 29 de setembro de 1791, desencarnou em Fortaleza, aos 91 anos de idade, perfeitamente lúcida, em 5 de agosto de 1882.

 

Desde estudante, o itinerário de Bezerra de Menezes foi muito significativo. Em 1838, no interior do Ceará, conheceu as primeiras letras, em escola da Vila do Frade, estando à altura do saber de seu mestre em 10 meses.

 

Já na Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, para onde se transferiu em 1842 com a família, por motivo de perseguições políticas, aprendeu latim em dois anos, a ponto de substituir o professor.

 

Em 1846, já em Fortaleza, sob as vistas do irmão mais velho, o Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra, conceituado intelectual e líder católico, efetuou os estudos preparatórios, destacando-se entre os primeiros alunos do tradicional Liceu do Ceará.

 

Bezerra queria tornar-se médico, mas o pai, que enfrentava dificuldades financeiras, não podia custear-lhe os estudos. Em 1851, aos 19 anos, tomou ele a iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe deram para ajudar na viagem.

 

No Rio de Janeiro, ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia.

 

Para poder estudar, dava aula de filosofia e matemática. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

 

Em março de 1857, solicitou sua admissão no Corpo de Saúde do Exército, sentando praça em 20 de fevereiro de 1858, como cirurgião tenente.

 

Ainda em 1857, candidatou-se ao quadro dos membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento", sendo empossado em sessão  de 1º de junho. Nesse mesmo ano, passou a colaborar na "Revista da Sociedade Físico-Química".

 

Em 6 de novembro de 1858, casou-se com a Sra. Maria Cândida de Lacerda, que desencarnou no início de 1863, deixando-lhe um casal de filhos.

 

Em 1859 passou a atuar como redator dos "Anais Brasilienses de Medicina", da Academia Imperial de Medicina, atividade que exerceu até 1861.

 

Em 21 de janeiro de 1865, casou-se, em segunda núpcias com Dona Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa, com quem teve sete filhos.

 

Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional.

 

Foi justamente o respeito e o reconhecimento de numerosos amigos que o levaram à política, que ele, em mensagem ao deputado Freitas Nobre, seu conterrâneo e admirador, definiu como “a ciência de criar o bem de todos”.

 

Elegeu-se vereador para Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1860, pelo Partido Liberal.

 

Quando tentaram impugnar sua candidatura, sob a alegação de ser médico militar, demitiu-se do Corpo de Saúde do Exército. Na Câmara Municipal, desenvolveu grande trabalho em favor do “Município Neutro” e na defesa dos humildes e necessitados.

 

Foi reeleito com simpatia geral para o período de 1864-1868. Não se candidatou ao exercício de 1869 a 1872.

 

Em 1867, foi eleito deputado-geral (correspondente hoje a deputado federal) pelo Rio de Janeiro. Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, com a subida dos conservadores ao poder, Bezerra dirigiu suas atividades para outras realizações que beneficiassem a cidade.

 

Em 1873, após quatro anos afastados da política, retomou suas atividades, novamente como vereador.

 

Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, foi novamente eleito à Câmara dos Deputados, representando o Rio de Janeiro, cargo que exerceu até 1885.

 

Neste período, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, que veio proporcionar-lhe pequena fortuna, mas que, por sua vez, foi também o sorvedouro dos seus bens, deixando-o completamente arruinado.

 

Em 1885, atingiu o fim de suas atividades políticas. Bezerra de Menezes atuou 30 anos na vida parlamentar. Outra missão o aguardava, esta mais nobre ainda, aquela de que o incumbira Ismael, não para o coroar de glórias, que perecem, mas para trazer sua mensagem à imortalidade.

 

O Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de crentes, a todos saciando na sua missão de consolador. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio.

 

Foram palavras do próprio Bezerra de Menezes, ao proceder a leitura de monumental obra: “Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim [...]. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos [...]. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença”.

 

Contribuíram também, para torná-lo um adepto consciente, as extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

 

Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita. Em 1883, recrudescia, de súbito, um movimento contrário ao Espiritismo e, naquele mesmo ano, fora lançado por Augusto Elias da Silva o “Reformador”, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira e o periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da Silva consultava Bezerra de Menezes sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas. O venerável médico aconselhava-o a contrapor-se ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia.

 

Bezerra não ficou, porém, no conselho teórico. Com as iniciais A. M., principiou a colaborar com o “Reformador”, emitindo comentários judiciosos sobre o Catolicismo.

 

Fundada a Federação Espírita Brasileira em 1884, Bezerra de Menezes não quis inscrever-se entre os fundadores, embora fosse amigo de todos os diretores e sobremaneira, admirado por eles.

 

Embora sua participação tivesse sido marcante até então, somente em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande público, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, em longa alocução, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da consoladora doutrina.

 

Daí por diante Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara Ismael. Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco de nossa doutrina por sobre as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana.

 

Presidente da FEB em 1889, ao espinhoso cargo foi reconduzido em 1895, quando mais se agigantava a maré da discórdia e das radicalizações no meio espírita, nele permanecendo até 1900, quando desencarnou.

 

O Dr. Bezerra de Menezes foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, da Sociedade Físicoquímica, sócio e benfeitor da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, membro do Conselho do Liceu de Artes e presidente da Sociedade Beneficente Cearense.

 

Escreveu em jornais como “O Paiz”, redigiu “Sentinela da Liberdade”, os “Anais Brasilienses de Medicina”, colaborou na “Reforma”,na “Revista da Sociedade Físico-química” e no “Reformador”. Utilizava os pseudônimos de Max e Frei Gil.

 

O dicionarista J. F. Velho Sobrinho alinha extensa bibliografia de Bezerra de Menezes, relacionando para mais de quarenta obras escritas e publicadas. São teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc.

 

Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela que nenhum médico queria; eram pessoas pobres, sem dinheiro para pagar consultas. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos visando a possibilitar a manutenção da família. A comissão fora presidida por Quintino Bocayuva.

 

Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11h30min., tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta.

 

Também merece citação o conceito da profissão de médico, contida no livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes (Ramiro Gama):

 

"O médico verdadeiro é isto: não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto... O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado e achar-se fatigado ou por ser alta à noite, mau o caminho e o tempo, ficar perto ou longe do morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura."

 

Por tudo isso, Bezerra de Menezes se tornou conhecido como "Médico dos Pobres".

 

Não cessaram, entretanto suas atividades evangélicas, uma vez que na Pátria Espiritual ele nos continua amando e servindo:

 

• Recomendando, com insistência, a união dos adeptos da Doutrina, todos subordinados ao regime do amor ao próximo.

 

• Estimulando o fortalecimento de obras assistenciais, pela contribuição generosa de alimentos, remédios e agasalhos, num trabalho de solidariedade humana;

 

• Concitando os espíritas ao estudo metódico da Doutrina e do Evangelho, não só no recinto das sociedades organizadas, como também em grupamentos familiares;

 

• Assistindo enfermos, esforçando-se por ampará-los com amoroso receituário e valiosa orientação, utilizando-se de médiuns evangelizados;

 

• Orientando, na qualidade de patrono, centenas de sociedades espíritas que se espalham pelo Brasil e pelo mundo, ostentando seu amorável nome.

 

• Auxiliando os divulgadores da Doutrina e do Evangelho; os médiuns devotados a Jesus, para que a palavra proferida seja luz e, através do lápis, seja consolação; os que manipulam passes; os que integram caravanas socorristas, os que se encarregam dos serviços de evangelização da criança e do jovem.

 

Fontes: Texto incluído nas obras que integram a Coleção Bezerra de Menezes, publicada pela Federação Espírita do Brasil

 

 

 

Fotografia da célebre Farmácia Cordeiro, onde o Médico dos Pobres mitigou o sofrimento de centenas de criaturas. Cortesia de César Soares dos Reis e Antonio de Souza Lucena. (Extraído da obra - Bezerra de Menezes - Fatos e Documentos/Luciano Klein Filho).

 

Fontes: Canal Jorge Hessen (Ver o Filme Completo Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito) (O filme acompanha a vida do médico Bezerra de Menezes (Carlos Vereza), conhecido como o médico dos pobres. A narrativa tem início na infância do personagem, no sertão nordestino. Aos 18 anos, o protagonista inicia no Rio de Janeiro seus estudos de Medicina. Lá, elegeu-se vereador e deputado em várias legislaturas e defendeu as idéias abolicionistas. Mas o que lhe trouxe o maior reconhecimento foi o trabalho anônimo realizado em prol dos desfavorecidos.)

 

Fontes: Federação Espírita do Brasil

 

Fontes KardecPedia (Enciclopédia Allan Kardec)

 

 

"O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto; O que não atende por estar com visitas,  por ter trabalhado muito e achar-se fatigado,  ou por ser alta noite, mal o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro; O que sobre tudo pedi um carro para quem não tem como pagar a receita, ou quem diz a quem chora a porta que procure outro; ESSE NÃO É MÉDICO, É NEGOCIANTE DE MEDICINA que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura."

Bezerra de Menezes "O Médico dos Pobres"

 

"É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios"

 

(Mensagem "Unificação", psicografia de Francisco Cândido Xavier - Reformador, Agosto de 2001)

 

Bezerra de Menezes "O Médico dos Pobres"

 

 

Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Léon Denis, um dos maiores discípulos de Allan Kardec:

 

"Quando tais homens deixam de existir, enlutasse não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo"

 

 

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

 

 

Prece de Bezerra de Menezes (Em áudio)

 

 

Artigos Espíritas - Princípios Fundamentais do Espiritismo (Bezerra de Menezes)

 

 

01 - Biografia Resumida Bezerra de Menezes (Francisco Acquarone - Bezerra de Menezes - O Médico dos Pobres)

 

 

02 - Biografia Resumida Bezerra de Menezes (Narrativas de fatos)

 

 

03 - Biografia Resumida Bezerra de Menezes (Texto incluído nas obras que integram a Coleção Bezerra de Menezes, publicada pela Federação Espírita do Brasil)

 

 

04 - Antonio Nóbrega Filho / Humberto Mauro Mendonça Machado - Vida e Obra Dr. Bezerra de Menezes (Biografia Completa do Autor)

 

 

05 - A Escravidão no Brasil - Os Pensamentos de um Espírita (Dr. Adolfo Bezerra de Menezes) (Obra rara que foi publicada em 1869 que antecedeu a sua conversão ao Espiritismo)

 

 

06 - Canuto Abreu - Bezerra de Menezes (Biografia Completa de Bezerra de Menezes)

 

 

Bezerra de Menezes - A Loucura sob novo Prisma

 

 

 Bezerra de Menezes - Uma Carta de Bezerra de Menezes

 

 

 

Obras Completas de Bezerra de Menezes (Arquivo Zipado)