srta. Honorine Huet

MEMBRO DA SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS (spee)

A GRANDE MÉDIUM de efeitos físicos (pneumatografa) e sonâmbula

OS GRANDES Médium dos Círculos de Allan Kardec

(1819 - 1895)

 

CSI do Espiritismo

Imagens e registros históricos do Espiritismo

Pesquisa: Carlos Seth | Revisão de Abril de 2019 | Para outras imagens: facebook.com/HistoriaDoEspiritismo (#SrtaHuet)

Apresentação da pesquisa da médium:

Destaque: A médium judia, de efeitos físicos e sonâmbula.

Médium: Honorine Huet.

Nome completo: Honnorine Marie Cecile Huet (1).

Variações encontradas: Além de Honorine | Honnorine, Hueí (um equívoco do tradutor na mensagem "Os Sábios" da Revista Espírita (R.E.) de novembro de 1860 da editora IDE) | Huai (pronúncia irônica em Francês, sem o "t", para imitar o sotaque do sul do país, usada no livro "A segunda fileira do colar" (Le second rang du collier) de Judith Gautier).

Nascimento: 1º de outubro de 1819, em Toulon (2), embora tenha vivido em Marselha (3), 124 Km de Paris (não confundir com outra Honorine Huet, nascida em 1840 e desencarnada em 1915, que tinha 1 irmão e 4 irmãs, nenhuma delas chamada Virginie Huet (4) (5).

Desencarne: 4 de maio de 1895, em Neuily-sur-Seine (6), no asilo Saint Anne, quase 2 anos após sofrer um acidente de carruagem (7).

Profissão: Governanta na casa de (Pierre Jules) Théophile Gautier (8) (escritor de várias obras do romantismo e parnasianismo, mas também de Spirite (9), publicada no folhetim Moniteur Universel e comentada na R.E. de março de 1866) e professora de sua filha Judith Gautier.

Contextualização de caso: John Warne Monroe em seu livro "Laboratories of Faith: Mesmerism, Spiritism, and Occultism in Modern France"(10) afirma na página 137 que: "Em 1860, ela <Srta. Huet> tinha se tornado a voz exclusiva de São Luís, o Espírito guia da Sociedade Parisiense.". Registramos apenas 4 mensagens da Srta. Huet assinadas por São Luís, mas nesse ano ele se manifesta muitas outras vezes, sem a identificação do (a) médium. Por outro lado, ele se comunica em 1860 também através do Sr. C., do Sr. D., do Sr. Darcol e da Sra. N., portanto não podemos afirmar que sua "voz exclusiva" seja da Srta. Huet, apesar de ser através dela que ele declara:

"Quanto às várias comunicações que me atribuem, são por vezes de outro Espírito que usa o meu nome. Pouco me comunico fora da Sociedade, que tomei sob meu patrocínio. Gosto destes lugares de reunião, que me são especialmente consagrados. É somente aqui que gosto de dar avisos e conselhos. Assim, desconfiai dos Espíritos que às vezes se servem do meu nome."(11). Se assim for (voz exclusiva), podemos imaginar que quase todas, senão todas as mensagens de São Luís em O Evangelho segundo o Espiritismo (OESOE) tenham sido obtidas através da Srta. Huet, pois todas elas são de Paris (2 em 1859 e 9 em 1860).

Mas Channing sim, 4 comunicações suas na R.E. são unicamente por ela (uma 5ª, "Da firmeza nos trabalhos espíritas", de novembro de 1860, não indica o (a) médium): "Variedades" de maio de 1860, "O saber dos Espíritos" de agosto de 1860, "O beijo de paz" de novembro de 1860 (só mencionada, talvez trocada pela "Da firmeza nos trabalhos espíritas") e "A voz do anjo guardião"(12) de janeiro de 1861. Esta última é a que foi aproveitada por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns (OLM) (13). Poderíamos inferir portanto que as demais mensagens deste Espírito em OLM também poderiam ter sido obtidas através da Srta. Huet (2ª Parte, Cap. XXV, item 282, subitem 30; 2ª Parte, Cap. XXXI, itens VII e VIII).

A médium Srta. Honorine Huet:

AS PRIMEIRAS LUTAS

Pierre-François Mathieu, mais conhecido como P.-F. Mathieu (20), antigo farmacêutico – chefe do exército e membro de várias sociedades científicas (o mesmo Mathieu da carta de OLM (21) e da (R.E), falecido em 12 de fevereiro de 1864 (22), parece ter sido uma pessoa importante na vida de Honorine Huet, pois também foi diretor-presidente de estudos de seu "Salon de la Madeleine" (23).

Ele inclusive enviava cartas à "Revue Spiritualiste" de Z. Piérart. Lá, em 1859, é publicado um longo trabalho seu com os resultados de uma série de experimentações que realizou com ajuda dela e que apresentou à Académie des sciences (24). Na introdução de seu livro, John Warne Monroe traduziu-o para o Inglês e aqui resumimos em Português (os símbolos "< >" foram usados para nossas inclusões): "Uma delas <a outra foi em 29 de junho de 1859 na Notre-Dame de Lorette>, que ocorreu <em 13 de junho de 1859> em uma capela da nave da basílica parisiense de Notre-Dame des Victoires, envolvia uma folha de papel comum que havia sido retirada da escrivaninha de Mathieu no dia anterior. Depois de verificar que a folha estava em branco, dobrou-a em quatro e colocou-a em um degrau da capela. Huet meditou em silêncio por alguns instantes e após, enquanto recitava uma prece, tocou as pontas dos dedos enluvadas no papel dobrado.

Quando Huet puxou os dedos para longe, Mathieu abriu a folha e, para sua grande estupefação, descobriu a palavra fé escrita, como que com lápis, em uma das partes interiores do papel!". Era a escrita direta ou pneumatografia, comentada por Kardec (25), que esclarece ainda as presenças de Didier (encarnado) e Fénelon (desencarnado) nas experiências que se seguiram em 4 de julho de 1859 na Notre-Dame des Victoires e 12 de julho no Louvre e na igreja São Germano de Auxerre. Veja-se também a experiência de 11 de fevereiro de 1860, descrita na RE de maio de 1860 na sessão Variedades.

Ainda na Introdução de "Laboratories of Faith", John Warne Monroe conta, baseado nos arquivos de Camille Flammarion do Observatório de Juvisy-sur-Orge (26) (caderno marcado Miscellanées ou Miscelânea 1861, cartas para Charles Burdy de 15 de outubro e 1º de novembro de 1861), que em uma sessão, com Huet atuando como médium, ele viu uma mesa pendurada no ar, suspensa como que por uma força invisível; em outra, ele estava presente quando o Espírito de um homem assassinado revelou o lugar de descanso de seu corpo.

Antes, em março de 1854, portanto ainda antes da publicação de O Livro dos Espíritos (OLE), Mathieu foi um dos primeiros a usar a prancheta: "Como estudioso, o Sr. Mathieu não usou o meio rude, lento e difícil da mesa falante. Nós tínhamos acabado de inventar a prancheta (planchette) e a cesta (corbeille)(27), e foi pela prancheta que Julie foi evocada." (28). É nesta monografia que também encontramos o desenho a seguir. Baseado nas descrições de Judith Gautier, estaria a Srta. Huet nele? Não podemos afirmar!

No final de 1858 o jornal L'Union Magnétique estabeleceu uma comissão com mesmeristas do campo terapêutico e do campo espiritualista (sonambulismo induzido), que convenceu Honorine Huet a participar de experimentos utilizando a tiptologia (alfabeto e pancadas).

Como médium sonâmbula, ela era diferente de outros, pois não precisava ser magnetizada para entrar em transe. Dois espiritualistas do grupo, Henri Delaage (29) e Piérart aceitavam os requerimentos dela, enquanto outros não concordavam em ela atuar como magnetizadora e sonâmbula.

No final, 8 homens que participaram determinaram que não havia provas conclusivas da atuação de Espíritos. Embora Delaage e Piérart fossem contra, os outros 6 decidiram por publicar os resultados em L'Union Magnétique de 15 de agosto de 1859. Após a publicação ocorreu um intenso debate entre Piérart, espiritualista; e A. S. Morin (30) (não confundir com o Sr. Morin da RE), um cético (31). Para maiores detalhes em Inglês, consultar a obra "Laboratories of Faith" (Honorine Huet and the New Role of the Medium).
A médium Srta. Honorine Huet:

ATIVIDADES NOS MEIOS ESPÍRITAS (SPEE)

Depois, temos a fase da Srta. Huet na SPEE (SPES em Francês). Ela aparece por um ano, de janeiro de 1860 até janeiro de 1861, totalizando 25 mensagens (de Channing, São Luís, Charles Nodier, Fénelon, etc). Por que teria ela abandonado a sociedade? Voltaremos ao assunto na conclusão de caso. Apenas como curiosidade: Kardec (ou o Espírito, ou a médium, ou o editor, ou o impressor, ou o revisor) se enganou ao colocar a data de 16 de dezembro de 1860 (na verdade é 1859) à mensagem de Joinville, Amy de Loys, recebida pela Srta. Huet e divulgada na RE de abril de 1860.

Após a desencarnação do Sr. D'Ambel em novembro de 1866, o L'Avenir é substituído pelo Le Progrès Spiritualiste (32) (O Progresso Espiritualista), que tem como editora a Srta. Honorine Huet. Em 15 de abril de 1867 a médium lança o primeiro número do periódico quinzenal, conforme também anunciado por Kardec na R.E. (33). Durou 6 meses, com a última edição em 15 de outubro de 1867. Antes disso, na edição de 14 de dezembro de 1865 do L'Avenir (34), D'Ambel noticia a abertura de um salão de leitura na casa de Huet à Rua Saint Lazare, 10, com todos os livros e jornais espíritas e espiritualistas à disposição dos visitantes. Era aberto todos os dias, do meio-dia às 5 h da tarde, exceto domingos e feriados.

Eugenio Lara em sua obra "Os desertores de Allan Kardec" (35), observa no entanto que no Le Progrès Spiritualiste não há menção alguma às obras de Allan Kardec na coluna de livros recomendados. Podemos ver apenas a R.E. na relação de jornais e revistas.

Interessante notar também os diversos endereços em que aparentemente a Srta. Huet viveu ou desenvolveu atividades:

• Toulon, conforme seu registro de nascimento.

• Marselha, conforme registro de nascimento da irmã (36).

• Paris, por volta de 1848 (42, rue d'Amsterdam), conforme "Récompenses Honorifiques – Insurgés de 1848", obtido por sua mãe após a morte de seu pai em 23 de fevereiro de 184 (37).

• Desde antes de 1855 até pelo menos 1857, 24 Rue Grange Batelière, onde trabalhava como governanta e professora), conforme cartas (38) de Théophile Gautier.

• Em fevereiro de 1859 (9, Rue du Hasard, hoje Rue Théresè), conforme sua carta à Revista Espiritualista, mencionada anteriormente.

• Em agosto de 1859 (23 Rue Saint Anne), conforme página 282 da mesma Revista Espiritualista.

• Em 1865 (10, Rue Saint Lazare), conforme L'Avenir.

• Em 1865 (53, Rue de la Madeleine, hoje Rue Pasquier), conforme registro de óbito da mãe (39), mas não sabemos se este era o endereço do seu salão de la Madeleine, assim como não sabemos o da rua Mont-Thabor.

• Até 15 de julho de 1867 (34, Rue de la Victoire, onde era a redação do Le Progrès Spiritualiste) (40).

• A partir de 1º agosto de 1867 13, Rue Villedo, onde passou a ser a redação do Le Progrès Spiritualiste) (41).

• Em 1871 morava em Londres, na 78, Edgware Rd; e também dava palestras na 15, Southampton Row (42).

• De 1872 até 1873 (39, Duke Street (Grosvenor Square) ainda em Londres) (43).

• De 1875 até 1891 (173, Rue Saint Honoré) (44), tendo em 1876 viajado até a Suíça (45), quando talvez voltava de uma viagem à Inglaterra, conforme anunciou em janeiro daquele ano (46).

Mencionamos ainda sua obra "Manuel du spiritisme" (47) de 1869, da qual, infelizmente, não encontramos maiores detalhes. Haveria ainda o livro "Les Mémoires de deux Esprits, leurs diverses existences, racontées à sa mère par M. Raoul d'A. – âgé de deux ans" (As Memórias de dois Espíritos, suas várias vidas, contadas a sua mãe por Sr. Raoul d'A. – dois anos de idade) (48), publicado em 1874.

Em 1881, com quase 62 anos, ela participa do funeral do barão Du Potet, fundador do "Journal du Magnétisme" (49). Ela provavelmente apareceu no volume 14 deste periódico em 1855 (50) como Srta. H., uma vez que era também muito próxima do Conde d'Ourches, conforme tese de Bernardo Curvelano Freire (51).

Em dezembro de 1888 inicia a publicação a publicação de "Mémoires d'un Salon Spirite" na revista Le Spiritisme (52), encerrando-a em março de 1892.

Na Revista Espírita de julho de 1893 localizamos finalmente uma nota sobre sua internação num asilo, após um acidente de carruagem. Ela já tinha 73 anos de idade. Desencarnou no dia 4 de maio de 1895 aos 75 anos no seu último lar, o lar de idosos Sainte Anne (hoje Théâtre des Sablons), à Avenue du Roule, 68, naquela cidade, que fica ao lado de Paris.

A médium Srta. Honorine Huet:

Allan Kardec

e a Questão da MEDIUNIDADE

Srta. Honorine Huet

 

Conclusão de caso: No "Golpe de vista sobre o Espiritismo em 1864" publicado na R.E. de janeiro de 1865, Kardec informa: "Sabemos muito bem que, por não havermos incensado certos indivíduos, os afastamos de nós e que eles se voltaram para o lado de onde vinha o incenso. Mas, que nos importa!". No "Discurso do Sr. Allan Kardec na abertura do ano social, a 1º de abril de 1862" publicado na R.E. de junho de 1862, destacamos outros fragmentos.

Kardec diz: "Nós, que antes de tudo buscamos a instrução, damos mais valor àquilo que satisfaz ao pensamento do que ao que apenas regala os olhos. Assim, preferimos um médium útil, com o qual aprendemos alguma coisa, a um outro admirável, com quem nada aprendemos.".

E continua: "Mas, como discutir comunicações com médiuns que não suportam a menor controvérsia; que se melindram com uma observação crítica, com uma simples observação, e acham mau que não se aplaudam as coisas que recebem, mesmo aquelas inçadas de grosseiras heresias científicas? ". Acrescenta ainda: "Alguns levam a sua susceptibilidade ao ponto de ofender-se com a prioridade dada à leitura das comunicações recebidas por outros médiuns. Por que uma comunicação é preferida à sua?".

O estilo firme de Kardec parece ter provocado várias baixas até 1862 (Srta. Ermance, Sr. J. Roze, Sr. R. ou Rodolphe de Mulhouse, Sr. Robin) e também em 1865 (Sra. Costel, Sra. Cazemajour, Sr. E. Vézy, Sr. D'Ambel e Sr. Didier, como poderemos comprovar ou não na análise futura destes casos.

Mas no caso da Srta. Huet, parece que não foi ela que se distanciou depois de 1 ano na SPEE, mas a sociedade que supostamente a afastou. Como podemos ver nos documentos a seguir (não temos como verificar sua autenticidade), fotografados por Philippe Leymarie, da Librairie et Editions Leymarie de Paris, a 1ª carta de 22 de outubro de 1859 fala aparentemente da aprovação da sua entrada na SPEE, e a 2ª carta de 17 de janeiro de 1861 fala que a sociedade está agora prescindindo dela devido ao mau uso recorrente que estava fazendo da mediunidade.

PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA

observações de allan kardec (*)

(Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas - médium: Srta. Huet…)

No dia 11 de fevereiro último o Sr. X..., um dos nossos mais ilustres literatos, achava-se em casa da Srta. Huet, com seis outras pessoas, há tempos iniciadas nas manifestações espíritas. O Sr. X... e a Srta. Huet assentaram-se face a face, em volta de uma mesinha escolhida pelo próprio Sr. X... Este último tirou do bolso um papel perfeitamente branco, dobrado em quatro e por ele marcado com sinal quase imperceptível, embora suficiente para ser facilmente reconhecido; colocou-o sobre a mesa e o cobriu com um lenço branco que lhe pertencia.

A Srta. Huet pôs as mãos sobre a ponta do lenço; o Sr. X... fez o mesmo, pedindo aos Espíritos uma manifestação direta, com vistas à sua instrução. Pediu-a de preferência a Channing, evocado com essa finalidade. Ao cabo de dez minutos, ele mesmo levantou o lenço e retirou o papel, que trazia escrito de um lado o esboço de uma frase traçada com dificuldade e quase ilegível, mas na qual se podiam descobrir os rudimentos destas palavras: Deus vos ama; do outro lado estava escrito: Deus, no ângulo exterior, e Cristo, no fim do papel. Esta última palavra era escrita de modo a deixar uma impressão na folha dupla.

Uma segunda prova foi feita em condições exatamente iguais e, ao cabo de um quarto de hora, o papel continha, na face inferior, e em caracteres fortemente traçados em negro, estas palavras inglesas: God loves you e, mais abaixo, Channing. No fim do papel ele havia escrito em francês: Fé em Deus; enfim, no reverso da mesma página existia uma cruz com um sinal semelhante a um caniço, ambos traçados com uma substância vermelha.

Terminada a prova o Sr. X... exprimiu à Srta. Huet o desejo de obter, por seu intermédio, considerando-se a sua condição de médium escrevente, algumas explicações mais desenvolvidas de Channing, estabelecendo-se entre ele e o Espírito o seguinte diálogo:

P. Channing, estais presente?

Resp. – Eis-me aqui; estais contente comigo?

P. A quem se destina o que escrevestes, a todos ou a mim particularmente?

Resp. – Escrevi esta frase, cujo sentido se dirige a todos os homens; mas, escrevendo-a em inglês, a experiência é para vós, em particular. Quanto à cruz, é o sinal da fé.

P. Por que a fizestes em cor vermelha?

Resp. – Para vos pedir fé. Eu nada podia escrever, era muito longo. Dei a vós um sinal simbólico.

P. O vermelho é, pois, a cor que simboliza a fé?

Resp. – Certamente; é a representação do batismo de sangue.

(*) Observação – A Srta. Huet não sabe inglês e o Espírito quis dar, assim, uma prova a mais de que seu pensamento era estranho à manifestação. Ele o fez espontaneamente e de boa vontade, mas é mais que provável que se tivessem pedido como prova ele não teria se prestado a isso. Sabe-se que os Espíritos não gostam de servir de instrumento visando experiências.

Muitas vezes as provas mais patentes surgem quando menos se espera; e quando os Espíritos agem por sua iniciativa, freqüentemente dão mais do que se lhes teria pedido, seja porque desejam mostrar sua independência, seja porque, para a produção de certos fenômenos, seria necessário o concurso de circunstâncias que, nem sempre, nossa vontade é suficiente para as fazer nascer. Nunca seria demais repetir que os Espíritos têm livre-arbítrio e querem provar-nos que não se submetem aos nossos caprichos. Eis por que raramente acedem ao desejo da curiosidade.

Os fenômenos, seja qual for a sua natureza, jamais estão, de uma maneira certa, à nossa disposição, e ninguém poderia gabar-se de obtê-los à vontade e num dado momento. Quem os quiser observar deve resignar-se a esperá-los e, muitas vezes é, da parte dos Espíritos, uma prova para a perseverança do observador e do fim a que se propõe. Os Espíritos pouco se preocupam em divertir os curiosos e só se ligam de boa vontade às pessoas sérias, que provam vontade de instruir-se, para tanto fazendo o que for necessário, sem mercadejar seu esforço e seu tempo.

A produção simultânea de sinais em caracteres de cores diferentes é um fato extremamente curioso; contudo, não é mais sobrenatural que os outros. Podemos dar-nos conta desse fato lendo a teoria da escrita direta na Revista Espírita do mês de agosto de 1859. Com a explicação desaparece o maravilhoso, resultando num simples fenômeno que tem sua razão de ser nas leis gerais da Natureza, e no que poderíamos chamar a fisiologia dos Espíritos.

Allan Kardec - Revista Espírita de agosto de 1860

A OSTENTAÇÃO

(Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, 16 de dezembro de 1860 – Médium: Srta. Huet)

Numa bela tarde de primavera, um homem rico e generoso estava sentado em seu salão; sorvia, feliz, o perfume das flores de seu jardim. Enumerava, complacente, todas as boas obras que tinha praticado durante o ano.

A essa lembrança não pôde deixar de lançar um olhar quase desprezível sobre a casa de um de seus vizinhos , que não pudera dar senão módica moeda para a construção da igreja paroquial. De minha parte, disse ele, dei mais de mil escudos para essa obra pia; deitei negligentemente uma cédula de 500 francos na bolsa que me estendia aquela jovem duquesa, em favor dos pobres; dei muito para as festas de beneficência, para toda sorte de loterias e creio que Deus me será grato por tanto bem que fiz. Ah! ia esquecendo uma pequena esmola, que dei há pouco tempo a uma infeliz viúva, responsável por numerosa família e que ainda cria um órfão. Mas o que lhe dei é tão pouco que, por certo, não será por isso que o céu se me abrirá.

Tu te enganas, respondeu de repente uma voz que lhe fez voltar a cabeça: é a única que Deus aceita, e eis a prova. No mesmo instante uma mão apagou o papel em que ele havia escrito todas as suas boas obras, deixando apenas a última; ela o levou ao céu.

Não é, pois, a esmola dada com ostentação que é a melhor, mas a que é dada com toda a humildade do coração.

Joinville, Amy de Loys

Allan Kardec - Revista Espírita de abril de 1860

A IMORTALIDADE

(Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, 3 de fevereiro de 1860 – Médium: Srta. Huet)

Como pode um homem, e um homem inteligente, não crer na imortalidade da alma e, conseqüentemente, numa vida futura, que não é outra senão a do Espiritismo? Em que se tornariam esse amor imenso que a mãe devota ao filho, esses cuidados com que o cerca na infância, essa atitude esclarecida que o pai dedica à educação desse ser bem-amado? Tudo isso seria, então, aniquilado no momento da morte ou da separação?

Seríamos, assim, semelhantes aos animais, cujo instinto é admirável, sem dúvida, mas que não cuidam de sua progênie com ternura senão até o momento em que ela cessa de ter necessidade dos cuidados maternos?

Chegado esse momento, os pais abandonam os filhos e tudo está acabado: o corpo está criado, a alma não existe.

Mas o homem não teria uma alma, e uma alma imortal! E o gênio Deus, tanto dEle emana, esse gênio que gera prodígios, que cria obras primas, seria aniquilado pela morte do homem! Profanação! Não se pode aniquilar assim as coisas que vêm de Deus. Um Rafael, um Newton, um Miguel Ângelo e tantos outros gênios sublimes abarcam ainda o Universo em seu Espírito, embora seus corpos não mais existam. Não vos enganeis; eles vivem e viverão eternamente. Quanto a se comunicarem convosco, é menos fácil de admitir pela generalidade dos homens. Somente pelo estudo e pela observação eles podem adquirir a certeza de que isso é possível.

Fénelon

Allan Kardec - Revista Espírita de abril de 1860

O SABER DOS ESPÍRITOS

 (Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas - médium: Srta. Huet…)

No estudo do Espiritismo há um grave erro, que cada dia mais se propaga e que se torna quase o móvel que faz os outros virem a nós: é o de nos julgarem infalíveis nas respostas. Pensam que tudo devemos saber, tudo ver, tudo prever. Erro! Grande erro! Certamente, nossa alma não mais estando encerrada num corpo material, como um pássaro numa gaiola, lança-se no espaço; os sentidos dessa alma tornam-se mais sutis, mais desenvolvidos; vemos e ouvimos melhor, mas não podemos saber tudo, estar em toda parte, porque não temos o dom da ubiquidade.

Que diferença haveria, então, entre nós e Deus, se nos fosse permitido conhecer o futuro e anunciá-lo pontualmente? Isto é impossível. Sabemos mais que os homens, certamente; por vezes podemos ler no pensamento e no coração dos que nos falam, mas aí se detém a nossa ciência espírita.

Corrigi-vos, pois, da ideia de nos interrogar unicamente para saber o que se passa em tal ou qual parte do vosso globo, em relação a uma descoberta material, comercial, ou para serdes advertidos do que se passará amanhã, nos negócios políticos ou industriais.

Nós vos informaremos sempre sobre o nosso estado, sobre nossa existência extracorpórea, sobre a bondade e a grandeza de Deus, enfim, sobre tudo quanto possa servir à vossa instrução e à vossa felicidade presente e futura, mas não nos pergunteis o que não podemos nem devemos dizer-vos.

Channing

Allan Kardec - Revista Espírita de agosto de 1860

O TEMPO PERDIDO

 (Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas - Médium – Srta. Huet)

Se, por um instante, pudésseis refletir sobre a perda de tempo, mas refletir muito seriamente e calcular o imenso erro que cometeis, veríeis quanto esta hora, este minuto escoado inutilmente que não podeis recuperar, poderia ser necessário ao vosso bem futuro. Nem todos os poderes da Terra vo-lo poderiam devolver. E se o usastes mal, um dia sereis obrigados a repará-lo pela expiação, e, talvez, de maneira terrível! O que não daríeis, então, para recuperar o tempo perdido! Votos inúteis; pesares supérfluos!

Assim, pensai bem nisto, em benefício de vosso interesse futuro e, mesmo presente, porque muitas vezes os pesares nos atingem mesmo na Terra.

Quando Deus vos pedir contas da existência que vos concedeu, da missão que tínheis de cumprir, que havereis de responder? Sereis como o enviado de um soberano que, longe de cumprir as ordens de seu senhor, passava o tempo a divertir-se, não se ocupando absolutamente do negócio para o qual foi credenciado.

Em que responsabilidade não incorreria à sua volta?

Sois aqui os enviados de Deus e tereis que prestar conta do vosso tempo, passado com os vossos irmãos. Eu vos recomendo esta meditação.

Massillon

Allan Kardec - Revista Espírita de novembro de 1860

Registro de nascimento da médium Srta. Huet - 01/10/1819

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

Genealogia da médium Srta. Huet

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

Doutor Rouvière na casa da Condessa de X (talvez com Srta. Honorine Huet à esquerda)

Antes, em março de 1854, portanto ainda antes da publicação de O Livro dos Espíritos (OLE), Mathieu foi um dos primeiros a usar a prancheta: "Como estudioso, o Sr. Mathieu não usou o meio rude, lento e difícil da mesa falante. Nós tínhamos acabado de inventar a prancheta (planchette) e a cesta (corbeille), e foi pela prancheta que Julie foi evocada. Nesta monografia que também encontramos o desenho. Baseado nas descrições de Judith Gautier, estaria a Srta. Huet nele? Não existem comprovações ainda.

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

A médium Srta. Huet e a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE)

O caso da Srta. Huet, parece que não foi ela que se distanciou depois de 1 ano na SPEE, mas a sociedade que supostamente a afastou. Como podemos ver nos documentos a seguir (não temos como verificar sua autenticidade), fotografados por Philippe Leymarie, da Librairie et Editions Leymarie de Paris, a 1ª carta de 22 de outubro de 1859 fala aparentemente da aprovação da sua entrada na SPEE, e a 2ª carta de 17 de janeiro de 1861 fala que a sociedade está agora prescindindo dela devido ao mau uso recorrente que estava fazendo da mediunidade.

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

Atividades da médium Srta. Huet

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

Registro de óbito da médium Srta. Huet - 04/05/1895

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

Espiritoscopes - Aparelho medir as manifestação de espíritos

Z Pierart - Revue Espiritualiste, 1859

Fontes: CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo (Acessar o Facebook) (Páginas contendo descobertas da médium Srta. Honorine Huet)

Fontes: Allan Kardec.OnLine (Manuscritos Raros e Inéditos de Allan Kardec - Museu Virtual e Historiografia do Espiritismo)

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Carlos Seth Bastos - CSI do Espiritismo (Médiuns de Kardec) (Srta. Honorine Huet)

Allan Kardec - Revista Espírita (FEB) - 1860 (Contendo diversos mensagens da médium  (Srta. Honorine Huet)

Baixar todas as obras no arquivo zipado