LUIZ OLYMPIO TELLES DE MENEZES

O Écho D'Alêm-Tumulo

(O Eco de Além-Túmulo)

monitor do Espiritismo no Brasil

(Ano de 1869 ao ano de 1870)

O Primeiro Jornal Espírita do Brasil que nasceu na Bahia:

O Écho D'Alêm-Tumulo (em grafia atual, O Eco de Além-Túmulo) foi um periódico brasileiro, publicado na segunda metade do século XIX. Destacou-se por ser o primeiro de conteúdo espírita publicado no país.

Em julho de 1869 Luiz Olímpio Telles de Menezes lançava o primeiro jornal espírita do Brasil: O Écho D'Alêm-Tumulo. Periódico impresso na Tipografia do Diário da Bahia, com redação na Ladeira da Fonte das Pedras, 25. Jornal trimestral de pequeno formato, 13 x 25 cm, diagramação a uma coluna, 56 páginas, preço de assinatura anual de 9.000 reis; também podia ser adquirido o número avulso nas livrarias de J. Baptista Martin, localizada no perímetro da Praça Thomé de Souza e na de Francisco Queirolo, cidade baixa.

A seção do manifesto dos espíritos era a mais importante, mas O Eco de Além-Túmulo também reproduzia artigos traduzidos da Revue Spirite, relacionava e sugeria a leitura de obras espíritas e tinha até um folhetim, ou similar, a “Aurora da Resureição” publicado em sete capítulos. Luiz Olímpio destinava mil reis de cada assinatura vendida para dar liberdade a escravos, de qualquer cor, do sexo feminino, de 04 a 07 anos de idade, nascidos no Brasil. O dinheiro arrecadado pretendia comprar cartas de alforria.

Luiz Olímpio Telles de Menezes era militar de carreira, professor de língua portuguesa, membro do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, sócio honorário da Sociedade Magnética da Itália e jornalista; ele um dos fundadores do periódico "A Época Literária", junto com Constantino Gomes, em 1849. Luiz Olímpio foi também tradutor da primeira edição do "Livro dos Espíritos" de Allan Kardec publicada na Bahia pela tipografia de Lellis Masson. Nasceu em Salvador em 1925 e desencarnou nesta cidade em 1893.

O seu jornal mexeu com os brios da Igreja Católica que nesse mesmo ano de 1869 lançava "A Chronica Religiosa", redigido pelo Cônego Juliano José de Miranda. O Écho D'Alêm-Tumulo deixou de existir em 1871 e só voltamos a ter imprensa espírita na Bahia vinte e quatro anos depois (1895) quando Silvino Moura lançou a Revista Espírita.

Apresentação da Revista Espírita da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas:

O ECO DE ALÉM-TÚMULO

Monitor do Espiritismo na Bahia (Brasil)

Diretor: Sr. Luiz Olympio Telles de Menezes

Num dos últimos números da Revista anunciamos o aparecimento de uma nova publicação espírita em língua portuguesa, na Bahia (Brasil), sob o título de O Écho D'Alêm-Tumulo (O Eco de Além-Túmulo, monitor do Espiritismo no Brasil). Mandamos traduzir o primeiro número desse jornal, a fim de que os nossos leitores dele se inteirem com perfeito conhecimento de causa.

O Eco de Além-Túmulo aparece seis vezes por ano, em cadernos de 56 páginas in-4º, sob a direção do Sr. Luiz Olympio Telles de Menezes, ao qual nos apressamos imediatamente a endereçar vivas felicitações, pela iniciativa corajosa de que nos dá prova. Com efeito, é preciso grande coragem de opinião para criar num país refratário como o Brasil um órgão destinado a popularizar os nossos ensinamentos.

A clareza e a concisão do estilo, a elevação dos sentimentos ali expressos, são para nós uma garantia do sucesso dessa nova publicação. A introdução e a análise que o Sr. Luiz Olympio faz, do modo pelo qual os Espíritos nos revelaram a sua existência, pareceram-nos bastante satisfatórias. Outras passagens, referindo-se mais especialmente à questão religiosa, dão-nos ocasião para algumas reflexões críticas.

Para nós, o Espiritismo não deve tender para nenhuma forma religiosa determinada. Ele é e deve continuar como uma filosofia tolerante e progressiva, abrindo seus braços a todos os deserdados, seja qual for a nacionalidade e a convicção a que pertençam. Não ignoramos que o caráter e a crença daqueles a quem se dirige O Eco de Além-Túmulo devem levar o Sr. Luiz Olympio a manejar certas susceptibilidades. Mas acreditamos, por experiência, que a melhor maneira de conciliar todos os interesses consiste em evitar tratar de questões que a cada um cabe resolver, e empenhar-se em popularizar os grandes ensinamentos que encontram eco simpático em todos os corações chamados ao batismo da regeneração e ao progresso infinito.

As passagens seguintes, extraídas de O Eco de Além-Túmulo, provarão, melhor do que longos comentários, o ardente desejo do Sr. Luiz Olympio, de concorrer eficaz e rapidamente para a propagação dos nossos princípios: (54)

(54) N. do T.: Como se trata da tradução da tradução, há ligeiras discrepâncias quanto à forma no trecho traduzido com o original brasileiro, existente na Biblioteca de Obras Raras da FEB em Brasília.

“O fenômeno da manifestação dos Espíritos é maravilhoso, surgindo e vulgarizando-se por toda parte.

“Conhecido desde a mais remota antiguidade, vemo-lo hoje em pleno século dezenove, renovado e observado pela primeira vez na América setentrional, nos Estados Unidos, onde se produziu por movimentos insólitos de objetos diversos, por ruídos, por pancadas realmente extraordinárias!

“Da América, passou rapidamente para a Europa e aí, principalmente na França, ao cabo de alguns anos saiu do domínio da curiosidade e entrou no vasto campo da Ciência.

“Novas idéias, emanadas então de milhares de comunicações, obtidas das revelações dos Espíritos que se manifestavam, quer espontaneamente, quer por evocação, deram lugar ao nascimento de uma doutrina eminentemente filosófica que, em alguns anos, deu a volta à Terra e penetra em todas as nações, recrutando, em cada uma delas, tão grande número de prosélitos que hoje são contados aos milhões.

“A idéia do Espiritismo não foi concebida por ninguém; conseqüentemente, ninguém é o seu autor.

“Se os Espíritos não se tivessem manifestado espontaneamente, por certo o Espiritismo não existiria. Portanto, o Espiritismo é uma questão de fato, e não de opinião, não podendo as denegações da incredulidade prevalecer contra esse fato.

“A rapidez de sua propagação prova exuberantemente que se trata de uma grande verdade que, necessariamente, há de triunfar de todas as oposições e de todos os sarcasmos humanos; e isso não é difícil de demonstrar, se observarmos que o Espiritismo faz os seus adeptos principalmente na classe esclarecida da sociedade.

“Nota-se, porém, que essas manifestações sempre ocorreram de preferência sob a influência de certas pessoas dotadas de uma faculdade especial e designadas sob o nome de médiuns: maravilhosa faculdade que, aos olhos espantados da Humanidade, prova de maneira indubitável a onipotência, a bondade infinita e a misericórdia de Deus-Trino, supremo criador de todas as coisas.

“E, todavia, o Espiritismo não é privilégio exclusivo de ninguém. Qualquer pessoa, na intimidade de sua família, pode encontrar um médium em alguns de seus parentes, e então poderá, se o quiser, fazer suas próprias observações; mas não deve fazê-las com precipitação, à sua maneira, nem circunscrevê-las ao círculo de suas prevenções ou de seus preconceitos, para depois concluir enfaticamente pela negação daquilo que, por qualquer circunstância, não pôde ser bem estudado e, por conseguinte, ficou mal compreendido, é antes uma prova de leviandade do que de sabedoria.

“O emprego de algumas horas de observação também não é suficiente para que o Espiritismo, no que concerne à Doutrina, possa ser devidamente compreendido; ao contrário, exige, como qualquer outra ciência, além da boa vontade, um longo e sério estudo. E nem se pense que, por ser uma questão de fato, é possível muito ficar sabendo por ter-se presenciado um ou outro, isoladamente; porque um fato isolado nem sempre é perfeitamente compreensível senão depois da observação de outros, que com o anterior tenha a mais íntima conexão, sem o que poderá parecer incrível e até contraditório. Há, pois, que se compulsar e estudar os trabalhos conhecidos, para saber apreciar os fatos que se apresentam à nossa observação e assim poder compreender a sua razão de ser.

“O maravilhoso fenômeno da comunicação dos Espíritos e de sua ação no mundo visível não é mais uma novidade. Está demonstrado ser uma conseqüência das leis imutáveis que regem os mundos. É um fato que se produz desde o aparecimento do primeiro homem e que se perpetuou em todos os povos, em todos os tempos e sob diversos caracteres, dando o mais cabal testemunho dessa verdade os arquivos da História, quer sagrada, quer profana, onde se acham consignados numerosos fatos de manifestações espíritas.

“As vantagens que a sociedade tira do Espiritismo são da maior importância, considerando-se que essa doutrina sublime e providencial, que contribui tão eficazmente para a felicidade do homem, nela exerce poderosa ação, tanto científica quanto moralizadora.

“A ação científica do Espiritismo se revela pelas luminosas explicações e pelas definições claras e precisas que dá de todos os fenômenos, tidos como sobrenaturais; revela-se também pelas provas palpáveis que nos dá da preexistência, da individualidade e da imortalidade do ser pensante, demonstrando da maneira mais evidente as causas das desigualdades morais do mundo visível e invisível e, portanto, a responsabilidade moral das almas, bem como as penas e as recompensas futuras.

“A ação moralizadora do Espiritismo se demonstra quando consideramos que o egoísmo, essa chaga cancerosa da Humanidade, engendrada pelo materialismo, negação formal de todo princípio religioso, se acha profundamente abalado por esta aurora celestial, que o Todo-Poderoso, em sua infinita misericórdia, dignou-se a enviar à Terra como precursora dessa nova e bem- aventurada Era, em que os homens, melhor compreendendo os seus deveres recíprocos, de boa vontade cumprirão os salutares preceitos de Jesus: “Ama ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Tudo o que quereis que vos façam os homens, fazei também a eles.”

“O Espiritismo é ainda a aurora precursora de uma nova era, porque à sua luz resplandecente vão se dissipando as sombras da incredulidade, fazendo que pouco a pouco a fé e a esperança se insinuem no coração dos que não possuíam essas virtudes.

“Se, pois, o Espiritismo incontestavelmente produz bons frutos, porque dá esperança e fé; se, de fato, a fé e a esperança trazem os incrédulos a crenças sadias, é lógico, e mais que lógico, é evidente que o Espiritismo, operando milagres sobre a consciência, difunde uma doutrina benfazeja que satisfaz ao mesmo tempo ao espírito e ao coração, porque é um sistema de verdades filosóficas baseadas no Evangelho, que os Espíritos bons, fiéis mensageiros de Deus, nos vêm confirmar. É a espada do Arcanjo que vem derrubar as árvores e os arbustos da incredulidade, confundindo os materialistas e os ateus.

“O Espiritismo deve, portanto, caminhar de fronte erguida, porque vem destruir esses erros e, ao mesmo tempo, derramar bálsamo consolador e vivificante nas chagas da Humanidade.”

A. Desliens

Fontes: Revista Espírita de Novembro de 1869

   Ver no site o Autor Luiz Olímpio Telles de Menezes (O Pioneiro do Espiritismo no Brasil)

  Ver no site as obras sobre a  História do Espiritismo no Brasil e no Mundo

Fontes: Hemeroteca Digital Brasileira

Fontes: A Luz na Mente - Revista on line de Artigos Espíritas (A Imprensa Espírita não deve afagar ou afligir leitores, porém despertar-lhes a consciência)

"A essas duas perguntas, a esse duelo que travou com os Espíritos, Kardec acrescenta no comentário ao mesmo item: “Se o sentimento da existência de um Ser supremo fosse apenas o produto de um ensino, não seria universal e só existiria, como as noções científicas, entre os que puderam receber o ensino.” O conceito espírita de Deus, portanto, como todos os nossos conceitos, se origina no plano do sentimento, da afetividade humana. O homem, primeiramente, sente que Deus existe. É o caso do selvagem, que Feuerbach acusou de medroso (criando Deus pela imaginação aterrorizada diante da Natureza) e que Spencer dotou de uma capacidade de abstração mental inaceitável, tanto numa apreciação psicológica como antropológica e histórica. Primeiro sentimos, depois pensamos. Há um livrinho de Emmanuel, Pensamento e Vida, recebido psicograficamente, por Chico Xavier, que explicará bem esse processo para aqueles que desejarem conhecê-lo do ponto de vista espírita".

Herculano Pires - Introdução à Filosofia Espírita

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - Revista Espírita (FEB) - 1869 (Revista Espírita de Novembro de 1869)

 

Luiz Olympio Telles de Menezes - O Écho D'Alêm-Tumulo - Monitor do Espiritismo no Brasil - Julho de 1869 a Maio de 1870 (Arquivo Zipado)