LE SPIRITISME

ORGANE DE l'uNION SPIRITE FRANÇAISE

directeur - Gabriel Delanne

(1883 à 1895)

 

OS GRANDES COMBATENTES DA CAUSA ESPÍRITA

NA FRANÇA de allan kardec

 

ESTATUTO
PARA
UNIÃO ESPÍRITA FRANCESA
E A
FUNDAÇÃO DE UM JORNAL
Aprovados pela Assembléia geral de 24 de dezembro de 1882
_________________
 
TÍTULO I

A fim de dar um novo impulso ao espiritismo na França, certo número de espíritas e chefes de grupos de Paris se reuniram e formaram um comitê de iniciativa para organizar a União Espírita Francesa.

 TÍTULO II

ART. 1º. – A união tem por objetivo o agrupamento de espíritas franceses, o estudo de todos os fenômenos espíritas, e a propagação da filosofia e da moral do espiritismo por todos os meios que as leis autorizam, e principalmente pela publicação de um jornal bimensal tendo por título: O Espiritismo, órgão da União Espírita Francesa.
ART. 2º. – Essa associação terá a denominação de: União Espírita Francesa. Sua sede é provisoriamente na galeria de Valois, 167, no Palais Royal, onde se farão as reuniões, nas 1as. sextas-feiras de cada mês, às 8 horas.
ART. 3º. – As questões políticas e de controvérsia religiosa são proibidas.
ART. 4º. – A União se compõe de membros titulares, honorários e correspondentes.
ART. 5º. – Todos os titulares, homens ou mulheres, são elegíveis a todas as funções que são eletivas e absolutamente gratuitas.
ART. 6º. – O ano social começa em 31 de março, e as eleições administrativas se farão na segunda quinzena de abril.

 TÍTULO III

ART. 7º. – A União será administrada por um comitê central de trinta membros pelo menos, nomeado pela assembléia geral. Será nomeado um presidente titular encarregado de representar a União nas relações com a autoridade.
ART. 8º. – A cada sessão, o comitê escolherá seu presidente entre os membros.

 ATRIBUIÇÃO DO COMITÊ.

ART. 9º. – As principais atribuições do comitê serão:
1º. O cuidado dos interesses da doutrina e sua propagação;
2º. O estudo dos novos princípios suscetíveis de entrar no corpo da doutrina;
3º. A concentração de todos os documentos e registros que podem interessar ao espiritismo;
4º. A extensão dos laços de fraternidade entre os adeptos dos sociedades dos diferentes países;
5º. A correspondência;
6º. A direção do jornal que será o órgão da federação, dito de outra forma: da União Espírita Francesa;
7º. A direção das sessões da União;
8º. O registro oral e as conferências;
9º. As visitas e instruções às reuniões e grupos de Paris e dos departamentos (municípios);
Essas atribuições serão repartidas entre os diferentes membros do comitê, segundo a especialidade de cada um.
ART. 10. – Para subvencionar as despesas da União será paga uma cotização anual de 6 francos.

 SOBRE O JORNAL

ART. 11. – A assinatura do jornal bimensal, O Espiritismo, tendo 8 páginas de texto, será de 4 francos por ano.
ART. 12. – Todo membro que fizer um pagamento de 50 francos e acima adquire o título de fundador.
ART. 13. – Todo membro que fizer um pagamento de uma soma inferior a 50 francos adquire o título de subscritor.
ART. 14. – A subscrição não pode ser inferior a 5 francos.
ART. 15. –  O jornal será o órgão da União espírita, que designará os membros do comitê para tomar a direção e a redação.

OBSERVAÇÕES
Relativas às subscrições

Rogamos a nossos irmãos em crença que queiram nos dirigir suas subscrições observar que há, em nossa obra, três partes distintas:
1º. Subscrição de 6 francos na federação;
2º. Assinatura do jornal, 4 francos por ano;
3º. As doações gratuitas para a fundação do jornal e a extensão da federação.
As subscrições serão recebidas nas residências dos Senhores:
Delanne, passagem Choiseul, 39 e 41;
Cochet, galeria de Valois, Palais Royal, 167;
Lussan, rua Richelieu, 21.

Artigo 01:

O legado de Fropo

Fropo não intentou apenas fazer uma denúncia, mas, como podemos ler na obra, principalmente objetivou alertar os "espíritas sinceros", conquanto lenientes demais com a situação, para o perigo que a Doutrina Espírita corria, sob os desmandos de Leymarie, e convocá-los para formar uma frente de resistência, em honra à codificação kardequiana — à qual ela demonstra sempre toda a consideração possível.

Ela também conta que, através de reuniões mediúnicas realizadas na casa da viúva do codificador, o Espírito Allan Kardec manifestou-se várias vezes, incitando seus confrades a tomar providências contra esse iminente mal que assolava a Doutrina Consoladora.

Os desdobramentos seguintes são a fundação de uma nova entidade, a União Espírita Francesa, e seu órgão oficial de informação, o jornal O Espiritismo (Le Spiritisme). Fropo, inclusive, assume a vice-presidência da nova entidade; a presidência ficou a cargo do devotado Gabriel Delanne. Inicialmente, pensou-se em aclamar Amélie como a presidente desta União, mas ela recusou o convite, alegando as dificuldades naturais de sua idade, já que era octogenária.

É certo que Berthe Fropo não conseguiu "salvar" o movimento espírita francês que, como sabemos, praticamente desapareceu da França e demais países da Europa ainda no começo do século XX.

Contudo, certamente a bravura daquela femme forte serviu para dar uma sobrevida ao movimento, sem o que, possivelmente, não teríamos conhecido a magistral obra de Léon Denis — à época, ainda um jovem que começava a despontar nas searas espiritistas. E quem conhece a contribuição de Denis para a Filosofia Espírita, sabe que prejuízo teria sido tal lacuna.

Berthe Fropo - Muita Luz

Artigo 02:

O ARTIGO

UMA INFÂMIA

Le Spiritisme (1ª quinzena) dezembro 1884.

(O Artigo Uma Infâmia trata da denúncia que Henri Sausse fez sobre a adulteração de A Gênese)

Perdoem-me, Irmãos e Irmãs de fé, se, a contragosto, deixei-me levar pela indignação que minha alma transborda.

Deveria expulsar do meu coração todo pensamento de raiva e ódio. Há, contudo, circunstâncias em que não se pode conter uma indignação muito justa.

Todos nós sabíamos que havia uma sociedade espírita, fundada para a continuação das obras de Allan Kardec, e nela confiávamos que cuidasse da integridade da herança moral que nos foi deixada pelo mestre. O que ignorávamos é que ao lado dela, talvez até na sua sombra, se organizasse uma outra para a corrupção das obras fundamentais da nossa doutrina, e esta última, não apenas existe, mas pode ainda continuar com sua triste tarefa.

Não tenho certeza se todas as obras de Allan Kardec foram sujas por mãos sacrílegas, mas me dei conta de que havia pelo menos uma, A Gênese, que havia sofrido importantes mutilações.

Chocado com estas três palavras: Revisada, Corrigida e Aumentada, colocadas abaixo da quinta edição, tive a paciência de confrontar, página por página, linha por linha, esta quinta edição com aquela publicada em 1868, que eu comprei logo após seu lançamento. Aqui está o resultado do meu trabalho.

Descobri, comparando os textos da primeira e da quinta edição, que 126 trechos tinham sido modificados, acrescentados ou suprimidos. Desse número, onze (11) foram objetos de uma revisão parcial. Cinquenta (50) foram acrescidos e sessenta e cinco (65) foram suprimidos, e não conto os números dos parágrafos trocados de lugar nem os títulos que foram adicionados.

Todas as partes desse livro sofreram mutilações mais ou menos graves, mas o capítulo XVIII: Os tempos são chegados, é o que foi mais maltratado; as modificações feitas nele o tornam quase irreconhecível.

Agora, digam-me, quem são os culpados?

Qual o motivo dessas manobras?

Mencionarei, na primeira edição de A Gênese, apenas uma das passagens que foram excluídas e basta apontá-las para que vocês mesmos ponham-se a julgar quem deveria lucrar com essa infâmia.

A Gênese, edição de 1868, capitulo XV. Os Milagres do Evangelho, páginas 379 e 380:

"N° 67. No que se tornou o corpo carnal? É um problema cuja solução só pode ser deduzida, até nova ordem, que, senão por hipóteses, faltam elementos suficientes para estabelecer uma convicção. Esta solução, além disso, é de uma importância secundária e não acrescentará nada aos méritos do Cristo, nem aos fatos que comprovam, de uma maneira bem mais peremptória, sua superioridade e sua missão divina.

"Portanto, só pode haver opiniões pessoais sobre o modo como esse desaparecimento ocorreu, que só teriam valor a menos que fossem sancionados por uma lógica rigorosa e pelo controle universal dos Espíritos, e, até o presente, nenhuma das que foram formuladas recebeu a sanção desse duplo controle.

"Se os Espíritos ainda não decidiram a questão pela unanimidade de seus ensinamentos, é que sem dúvidas o momento de resolvê-la ainda não veio, ou que nos faltam os conhecimentos pelos quais poderíamos resolvê-la nós mesmos. Entretanto, se descartarmos a suposição de um sequestro clandestino, poderíamos encontrar, por analogia, uma explicação provável na teoria do duplo fenômeno de transportes e invisibilidade."

A supressão dessa passagem deixa evidente a quem Allan Kardec foi vendido para que fosse necessário insistir nesse ponto. Todos os espíritas sabem a quem se aplica o segundo parágrafo que eu mesmo enfatizei.

Henri Sausse

P. S. — Para aqueles que gostariam de estar cientes das modificações sofridas por A Gênese, aqui estão os números das páginas onde poderão ser encontradas.

- Passagens modificadas da edição de 1868:
Páginas: 68, 79, 85, 105, 148, 155, 181, 203, 205, 215, 429 (onze).

- Passagens adicionadas na 5ª edição: 
Páginas: 10, 16, 17, 48, 52, 73, (75-76), 84, 104, 127, 133, 138, 142, 159, 174, 176, 178, (188-189), 194, 196, (201-202-203-204), 212, (220-221), 223, 234, (240-241), 245, 251, 257, 274, (276-277-278), 284, 286, 301, 310, 311, 312, 313, (314-315-316), 320, (367-368), 376, 394, 399, 424, 433, 436, (448-449-450-451-452-453-454), 455 (cinquenta).

- Passagens suprimidas da edição de 1868: 
Páginas: 12, 23, 47, 48, 50, 54, 58, (59- 60), (61- 62), 65, 69, 73, 74, 78, 82, 83, 85, 86, (87-88), 93, 95, 97, 118, (145-146-147), 165, (173-174), 177, 181, 189, 190, 192, 195, 203, 204, 205, 229, 232, 243, (244-245), 247*, 251, 263, (267-268*), 270, 279, (303-304-305), (379-380), (385-386), 389, 392, 393, 403, 411, 412, 433, (435-436), (439-440), (441-442), (444-445-446), (447-448), (451-452-453) (sessenta e cinco).

As supressões das páginas marcadas por um * é característico.

H. S.

Article Henri Sausse

Une Infamie

Le Spiritisme, décembre 1884

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Seminário: 150 anos de A Gênese - O Resgate Histórico com Simoni Privato Goidanich)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Brasil Flash TV International - Charles Kempf - 160 anos de Espiritismo) 

Fontes: Encyclopédie Spirite (Revue Le Spiritisme)

Fontes: Biblioteca Espírita Virtual Obras Raras

O periódico bimestral “Le Spiritisme”, no qual Delanne assume o papel de redator geral. O primeiro volume foi publicado no mês de março.

"Lantier afirma que Gabriel Delanne era um redator criterioso e rejeitava artigos dos amigos que não apresentassem os rigores exigidos pela ciência."

Henri Regnault citou um fragmento de um discurso que expressa bem as diretrizes que Delanne tomou para a sua prática: demonstrar que o Espiritismo não é incompatível com a Ciência e divulgá-lo amplamente, para que não ficasse reduzido a uma elite de cientistas e intelectuais.

Paul Bodier - Henri Regnault "Gabriel Delanne sua vida, seu apostolado e sua obra"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Fundação da União Espírita Francesa - Relatório das Sessões de 24 de dezembro de 1882 e de 5 de janeiro de 1883 (Obra rara traduzida)

 

année 01 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (février 1884)

 

Année 02 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (mars 1884 - février 1885)

 

Année 03 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (mars 1885 - février 1886)

 

Année 04 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (mars 1886 - février 1887)

 

Année 05 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (mars - décembre 1887)

 

Année 06 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1888)

 

Année 07 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1889)

 

Année 08 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1890)

 

Année 09 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1891)

 

Année 10 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1892)

 

Année 11 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1893) (A partir d'octobre 1893, Gabriel Delanne n'est plus directeur de la Revue, il est remplacé par Arthur d'Anglemont et Adophe Laurent de Faget)

 

Année 12 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1894)

 

Année 13 - le Spiritisme - Organe de L'Union Spirite Française (1895) (Un seul numéro, fin de la revue)

 

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