ALLAN KARDEC

Obras Póstumas GRÁTIS

EDITORA FEB

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Oeuvres posthumes d'Allan Kardec

LIBRAIRES DES CIENCES SPIRITES ET PSYCHIQUES

P. LEYMARIE EDITEUR

PARIS (1890)

Sinopse da obra:

Obra publicada após a desencarnação de Allan Kardec, apresenta, inicialmente, uma  biografia do Codificador, seguida do discurso pronunciado por Camille Flammarion junto ao túmulo de Kardec quando do sepultamento do seu corpo físico.

Reunindo importantes registros deixados por Allan Kardec, acerca de pontos doutrinários e fundamentais do Espiritismo, divide-se este trabalho em duas grandes partes: a primeira aborda assuntos como: caráter e conseqüências religiosas das manifestações dos Espíritos, as cinco alternativas da Humanidade, questões e problemas, as expiações coletivas, liberdade, igualdade e fraternidade, música espírita, a morte espiritual, a vida futura; a segunda parte inclui apontamentos em torno da iniciação espírita e o roteiro missionário de Kardec, assim como uma “exposição de motivos”, apresentada na “Constituição do Espiritismo”, como precioso legado do mestre lionês às sociedades espíritas do futuro.

Temas doutrinários:

AS FOGUEIRAS DA INQUISIÇÃO

Por enquanto, o perigo ainda vinha de fora. A tempestade anunciada por Erasto começaria a se formar nos céus de Barcelona no segundo semestre de 1861, quando Kardec enviou duas caixas, com trezentas obras espíritas, ao amigo, escritor e editor Maurice Lachâtre. Condenado a cinco anos de prisão por Napoleão III — pelas “ofensas ao Império” publicadas no célebre Dicionário universal ilustrado —, Maurice vivia exilado em Barcelona, onde montara uma livraria para sobreviver.

Entusiasmado com O livro dos espíritos e com o recém-lançado O livro dos médiuns, estava disposto a propagar por toda a Espanha a “nova revelação”. Autor de História dos papas e História da Inquisição, Lachâtre escreveu uma carta entusiasmada a Kardec sobre a doutrina dos espíritos:

Ela encerra em si os elementos de uma transformação geral das ideias, e a transformação nas ideias conduz forçosamente à da sociedade.

Naquele ano, as ideias de Kardec ganharam força na Espanha graças a uma brochura intitulada Carta de um espiritista a don Francisco de Paula Canalejas. Um longo manifesto em favor da doutrina assinado pelo ilustre escritor espanhol Alberico Péron, futuro membro da Academia de Letras.

Os exemplares enviados por Kardec desembarcaram no porto espanhol em setembro, passaram por todos os trâmites burocráticos de praxe — inspeção pelos fiscais e pagamento das taxas alfandegárias, por exemplo —, mas não chegaram às mãos de Lachâtre.

Quando estava prestes a ser liberada, a carga foi confiscada por “ordem superior”. A entrega só seria autorizada com o consentimento expresso do bispo de Barcelona, Antônio Palau y Termens. Emissários violaram as caixas para levar um exemplar de cada obra ao bispo.

Na coleção preparada por Kardec estavam seus livros — O livro dos espíritos, O livro dos médiuns e O que é o espiritismo — e outras quatro obras: Fragmento de sonata (aquele que teria sido ditado pelo espírito de Mozart ao médium Bryon-Dorgeval), Carta de um católico sobre o espiritismo, do dr. Grand, História de Joana D’Arc por ela mesma (psicografada por Ermance Dufaux) e A realidade dos espíritos demonstrada pela escrita direta, do barão de Guldenstubbé, além das coleções da Revue Spiritualiste, redigida por Piérart, e da Revista Espírita.

O veredito do bispo veio rápido: confisco. E pior: fogueira. Os livros — “imorais e contrários à fé católica” — deveriam ser queimados em praça pública por ordem do Santo Ofício. E não adiantava apelar.

Kardec, é claro, apelou. A entrada dos livros em território espanhol fora autorizada pela alfândega e todas as taxas estavam pagas. A apreensão da carga feria, portanto, o direito internacional. Além disso, a destruição das obras seria um ato arbitrário e contrário ao direito comum e à soberania da França.

Os argumentos não convenceram o bispo, que se manteve irredutível, e Kardec fez, então, uma última proposta: já que os livros não poderiam circular na Espanha, que fossem devolvidos ao país de origem. Nada feito.

Doutor em teologia, catedrático do Seminário de Barcelona, cônego magistral de Tarragona e autor de várias obras religiosas, o bispo Antônio Palau y Termens manteve sua decisão: fogo. E ainda emitiu a seguinte nota:

A Igreja Católica é universal e, sendo estes livros contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles pervertam a moral e a religião de outros países.

Kardec ficou indignado: um bispo estrangeiro agia como juiz do que convinha ou não convinha ao mundo todo! Pensou em recorrer à diplomacia dos governos da França e da Espanha, mas desistiu a tempo.

Uma nova orientação assinada pelo Espírito da Verdade o convenceu a desistir da luta pela devolução das obras:

— Por direito, podes reclamá-las e conseguirias que te fossem restituídas, se te dirigisses ao ministro de Estrangeiros da França. Mas, a meu ver, desse auto de fé resultará maior bem do que o adviria da leitura de alguns volumes. A perda material nada é diante da repercussão que semelhante fato produzirá em favor da doutrina.

Um conselho certeiro. O auto de fé de Barcelona estava prestes a se transformar num marco na história do espiritismo.

Os fantasmas da Inquisição, tão bem-retratados por Lachâtre em suas obras, se materializaram na manhã de 9 de outubro de 1861 na esplanada da Cidadela de Barcelona, no bairro La Ribera, palco da execução dos condenados à morte na cidade. A “queima de livros” seguiu o protocolo eclesiástico.

Um padre, vestido com trajes solenes, segurava uma cruz com a mão direita e uma tocha, com a esquerda. A seu lado, o tabelião, encarregado de redigir a ata do auto de fé, e um escrevente. Foram eles que registraram a presença dos demais participantes do evento: um funcionário superior, um agente e três serventes da Alfândega, trio responsável por atiçar o fogo.

Uma multidão silenciosa acompanhou o evento. Quando o fogo reduziu a cinzas os trezentos livros hereges, gritos ecoaram na praça: “Abaixo a Inquisição!”

Sob protestos dos espectadores mais indignados, o cortejo liderado pelo padre se retirou. Em meio à fumaça, muitos curiosos se aproximaram para recolher das cinzas restos de páginas queimadas. Entre eles um certo capitão Lagier, comandante do vapor El Monarca. Diante do desalento de muitos simpatizantes do espiritismo, ele exclamou em voz alta:

— Eu vos trarei, na próxima viagem de Marselha, todos os livros que quiserdes.

Muitas obras espíritas passariam a desembarcar na Espanha pelas mãos do comandante e seus subordinados.

Dos restos do incêndio, chegaram às mãos de Kardec um punhado de cinzas e um fragmento de O livro dos espíritos. Lembranças que ele fez questão de conservar numa urna de cristal.

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

Fontes: O Espiritismo de Kardec aos Dias de Hoje - Filme Completo (Documentário Produzido pela Federação Espírita do Brasil) 

Ver no site Pierre Gaetan Leymarie (Continuador dos trabalhos de Allan Kardec)

"É preciso propagar a Moral e a Verdade"

"A Epígrafe da Obra"

 Pierre Gaetan Leymarie - Allan Kardec Obras Póstumas

 

 

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