ALLAN KARDEC

O CÉU E O INFERNO

EXAME COMPARADO DAS DOUTRINAS SOBRE A PASSAGEM DA VIDA CORPORAL À VIDA ESPIRITUAL, SOBRE AS PENALIDADES E RECOMPENSAS FUTURAS, SOBRE OS ANJOS E DEMÔNIOS, SOBRE AS PENAS, ETC., SEGUIDO DE NUMEROSOS EXEMPLOS ACERCA DA SITUAÇÃO REAL DA ALMA DURANTE E DEPOIS DA MORTE.

EDITORA FEB

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Allan Kardec

Le ciel et l'enfer ou La justice divine selon le spiritisme: contenant l'examen comparé des doctrines sur le passage de la vie corporelle et la vie spirituelle, les peines et les récompenses futures

DIDIER ET COMPAGNIE, LEDOYEN
01ª ÉDITION - PARIS (1865)

Sinopse da obra:

Esta é a quarta das cinco obras básicas que compõem a Codificação do Espiritismo. Seu principal escopo é explicar a justiça de Deus à luz da Doutrina Espírita. Objetiva demonstrar a imortalidade do Espírito e a condição que ele usufruirá no mundo espiritual, como conseqüência de seus próprios atos. Divide-se a obra em duas partes:

A primeira parte estabelece um exame comparado das doutrinas religiosas sobre a vida após a morte; mostra fatos como a morte de crianças, seres nascidos com deformações, acidentes coletivos e uma gama de problemas que só a imortalidade da alma e a reencarnação explicam satisfatoriamente. Kardec procura elucidar temas como: anjos, céu, demônios, inferno, penas eternas, purgatório, temor da morte, a proibição mosaica sobre a evocação dos mortos, etc. Apresenta também a explicação espírita contrária à doutrina das penas eternas.

A segunda parte, resultante de um trabalho prático, reúne exemplos acerca da situação da alma durante e após a desencarnação. São depoimentos de criminosos arrependidos, de espíritos endurecidos, de espíritos felizes, medianos, sofredores, suicidas e em expiação terrestre.

Temas doutrinários:

O CÉU E O INFERNO

Em setembro de 1865, Kardec anunciou, na Revista Espírita, o lançamento de seu quinto livro: O céu e o inferno — ou a justiça divina segundo o espiritismo.

O subtítulo era tão detalhado quanto os das obras anteriores: “Contendo: o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penas e recompensas futuras, os anjos e os demônios, as penas eternas; segundo numerosos exemplos da situação real da alma durante e após a morte.”

Desta vez, porém, Kardec não atribuía a autoria do texto a espíritos superiores e a colaboradores invisíveis. Dividido em duas partes, “Doutrina” e “Exemplos”, o livro era resultado de pesquisa e reunia inclusive histórias recentes já publicadas nas edições da Revista Espírita.

Velhos conhecidos dos leitores, como Jobard e Sanson, ressurgiriam nas páginas do livro como exemplos de “espíritos felizes”. Jacques Latour — que também enviara mensagens na sede da Sociedade — estava entre os “criminosos arrependidos”. Personagens do noticiário também eram citados no capítulo “Suicidas”, com a identidade devidamente preservada por Kardec.

Onde esta gente feliz e infeliz estaria hoje? No céu? No inferno? No purgatório? Que “céu” e que “inferno” seriam estes, os do espiritismo?

Sem medo de riscar do mapa as imagens dos subterrâneos infernais e das alturas celestiais, Kardec escrevia:

O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras e o céu está igualmente em toda parte onde houver almas felizes.

Anjos e demônios, tão caros à crença católica, seríamos todos nós e estaríamos em todos os cantos, “unidos a corpos materiais”:

Esses seres constituem a Humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas; uma vez libertos do corpo material, constituem o mundo espiritual ou dos espíritos, que povoam os espaços.

E quem decretaria, em primeira e última instância, o destino de todos? Nós mesmos — e não um Deus todo-poderoso e, muitas vezes, implacável a ponto de fazer arder os pobres pecadores.

“A cada um, segundo suas obras” — palavras de Cristo citadas por Kardec antes de martelar conceitos já revelados nas obras anteriores:

A lei geral é que toda falta terá punição e todo ato meritório terá recompensa, segundo o seu valor. A reencarnação pode dar-se na Terra ou em outros mundos, mais ou menos evoluídos. Os espíritos superiores só se ocupam de comunicações inteligentes, visando a instruir-nos.

Ao citar longos trechos de O livro dos espíritos e O livro dos médiuns e resgatar histórias já publicadas na Revista Espírita, Kardec dava sinais de cansaço.

E ficaria mais cansado ainda quando dois novos visitantes estrangeiros desembarcassem em Paris: os famosos e polêmicos irmãos Davenport.

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

Apresentação de Allan Kardec:

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

O Céu e o inferno,
ou a justiça divina segundo o Espiritismo

Contendo: o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penas e recompensas futuras, os anjos e os demônios, as penas eternas, etc.; seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.

POR ALLAN KARDEC

Como não nos cabe fazer o elogio, nem a crítica desta obra, limitamo-nos a dar a conhecer o seu objetivo, pela reprodução de um extrato do prefácio.

“O título desta obra indica claramente o seu objetivo. Aí reunimos todos os elementos próprios para esclarecer o homem sobre o seu destino. Como nos nossos outros escritos sobre a Doutrina Espírita, aí nada introduzimos que seja produto de um sistema preconcebido, ou de uma concepção pessoal, que não teria nenhuma autoridade: tudo aí é deduzido da observação e da concordância dos fatos.

“O Livro dos Espíritos contém as bases fundamentais do Espiritismo; é a pedra angular do edifício; todos os princípios da doutrina aí estão expostos, até os que devem constituir o seu coroamento; mas era necessário lhe dar desenvolvimentos, deduzir-lhe todas as consequências e todas as aplicações, à medida que se desdobravam pelo ensino complementar dos Espíritos e por novas observações. Foi o que fizemos em O Livro dos Médiuns e em O Evangelho segundo o Espiritismo, em pontos de vista especiais; é o que fazemos nesta obra sob um outro ponto de vista, e é o que faremos sucessivamente nas que nos restam publicar, e que virão a seu tempo.

“As ideias novas só frutificam quando a terra está preparada para as receber. Ora, por terra preparada não se deve entender algumas inteligências precoces, que só dariam frutos isolados, mas um certo conjunto na predisposição geral, a fim de que não só dê frutos mais abundantes, mas que a ideia, encontrando maior número de pontos de apoio, encontre menos oposição, e seja mais forte para resistir aos seus antagonistas. O Evangelho segundo o Espiritismo já era um passo avante; O Céu e o Inferno é mais um passo cujo alcance será facilmente compreendido, porque toca ao vivo certas questões; mas não podia vir mais cedo.

“Se se considerar a época em que veio o Espiritismo, reconhecer-se-á sem custo que veio em tempo oportuno, nem muito cedo, nem muito tarde. Mais cedo, teria abortado, porque, não sendo numerosas as simpatias, teria sucumbido sob os golpes dos adversários; mais tarde, teria perdido a ocasião favorável de se produzir; as ideias poderiam ter tomado outro curso, do qual teria sido difícil desviá-las. Era preciso deixar às velhas ideias o tempo de se gastarem e provar a sua insuficiência, antes de apresentar outras novas.

“As ideias prematuras abortam porque não se está maduro para as compreender e porque ainda não se faz sentir uma mudança de posição. Hoje é evidente para todos que se manifesta um grande movimento na opinião; formidável reação se opera, no sentido progressivo, contra o espírito estacionário ou retrógrado da rotina; os satisfeitos da véspera são os impacientes do dia seguinte.

A Humanidade está no trabalho de parto; há qualquer coisa no ar, uma força irresistível que a impele para frente; ela está como um jovem saído da adolescência, que entrevê novos horizontes sem os definir, e se livra das fraldas da infância. Vê-se algo de melhor, alimentos mais sólidos para a razão; mas esse melhor ainda está no vago; buscam-no; todos trabalham nisto, do crente ao incrédulo, do operário ao cientista. O Universo é um vasto canteiro; uns demolem, outros reconstroem; cada um talha uma pedra para o novo edifício, do qual só o grande arquiteto possui o plano definitivo, e cuja economia [organização] só será compreendida quando suas formas começarem a se desenhar acima da superfície do solo. Foi o momento que a soberana sabedoria escolheu para o advento do Espiritismo.

“Os Espíritos que presidem ao grande movimento regenerador agem, pois, com mais sabedoria e previdência do que o fariam os homens, porque abarcam a marcha geral dos acontecimentos, ao passo que nós só vemos o círculo limitado do nosso horizonte. Estando chegados os tempos da renovação, conforme os desígnios divinos, era preciso que, em meio às ruínas do velho edifício e para não perder a coragem, o homem entrevisse as bases da nova ordem de coisas; era preciso que o marinheiro percebesse a estrela polar, que o deve guiar ao porto.

“A sabedoria dos Espíritos, que se mostrou no surgimento do Espiritismo, revelado quase instantaneamente em toda a Terra, na época mais propícia, não é menos evidente na ordem e na gradação lógicas das revelações complementares sucessivas. Não depende de ninguém constranger sua vontade a tal respeito, porque eles não medem seus ensinos ao sabor da impaciência dos homens.

Não nos basta dizer: “Gostaríamos de ter tal coisa” para que ela fosse dada; e ainda menos nos convém dizer a Deus: “Julgamos que é chegado o momento para nos dardes tal coisa; nós nos julgamos bastante adiantados para a receber”, porque seria dizer-lhe: “Sabemos melhor que vós o que convém fazer.” Aos impacientes os Espíritos respondem: “Começai primeiro por saber bem, compreender bem e, sobretudo, por bem praticar o que sabeis, a fim de que Deus vos julgue dignos de aprender mais; depois, quando chegar o momento, saberemos agir e escolheremos os nossos instrumentos.”

“A primeira parte desta obra, intitulada Doutrina, contém o exame comparado das diversas crenças sobre o céu e o inferno, os anjos e os demônios, as penas e as recompensas futuras; o dogma das penas eternas aí é encarado de maneira especial e refutado por argumentos tirados das próprias leis da Natureza, e que demonstram não só o seu lado ilógico, já assinalado centenas de vezes, mas a sua impossibilidade material. Com as penas eternas caem, naturalmente, as consequências que se acreditava delas poder tirar.

“A segunda parte encerra numerosos exemplos em apoio da teoria, ou, melhor, que serviram para estabelecer a teoria. Colhem sua teoria na diversidade dos tempos e lugares onde foram obtidas, porquanto, se emanassem de uma única fonte, poderiam ser consideradas como produto de uma mesma influência. Além disso, colhem-na na sua concordância com o que diariamente se obtém em toda parte onde se ocupam das manifestações espíritas de um ponto de vista sério e filosófico. Esses exemplos poderiam ter sido multiplicados ao infinito, pois não há centro espírita que não os possa fornecer em notável contingente. Para evitar repetições fastidiosas, tivemos de fazer uma escolha entre os mais instrutivos.

Cada um desses exemplos é um estudo em que todas as palavras têm o seu alcance para quem quer que as medite com atenção, porque de cada lado jorra uma luz sobre a situação da alma depois da morte, e a passagem, até então tão obscura e tão temida, da vida corporal à vida espiritual. É o guia do viajor, antes de entrar num país novo. A vida de além-túmulo aí se desdobra sob todos os seus aspectos, como um vasto panorama; cada um aí colherá novos motivos de esperança e de consolação, e novos suportes para firmar a fé no futuro e na justiça de Deus.

“Nesses exemplos, em sua maioria tomados de fatos contemporâneos, dissimulamos os nomes próprios, sempre que o julgamos útil, por motivos de conveniência fáceis de apreciar. Aqueles a quem tais exemplos podem interessar os reconhecerão facilmente. Para o público, nomes mais ou menos conhecidos e, por vezes, muito obscuros, nada teriam acrescentado à instrução que deles se pode tirar.”

Eis os títulos dos capítulos:

PRIMEIRA PARTE. Doutrina. I – O porvir e o nada. II – Temor da morte. III – O céu. IV – O inferno. V – Quadro comparativo do inferno pagão e do inferno cristão. VI – O purgatório. VII – Doutrina das penas eternas. VIII – As penas futuras segundo o Espiritismo. IX – Os anjos. X – Os demônios. XI – Intervenção dos demônios nas modernas manifestações. XII – Da proibição de evocar os mortos.

SEGUNDA PARTE. Exemplos. I – O passamento. II – Espíritos felizes. III – Espíritos em condições medianas. IV – Espíritos sofredores. V – Suicidas. VI – Criminosos arrependidos. VII – Espíritos endurecidos. VIII – Expiações terrestres.

Allan Kardec - Revista Espírita de Setembro de 1865

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Coleção - A vida no mundo espiritual) (Série O Nosso Lar) Nesta importante coletânea, constituída por uma série de 13 obras, o autor espiritual André Luiz (o repórter do além) narra suas próprias experiências e as dos que o cercam no plano espiritual

Fontes:Temário da Obra Kardequiana (Allan Kardec de A a Z)

Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.

"Mateus 26:52"

"O homem é assim o árbitro constante de sua própria sorte. Ele pode aliviar o seu suplício ou prolongá-lo indefinidamente. Sua felicidade ou sua desgraça dependem da sua vontade de fazer o bem"

Allan Kardec "O Céu e o Inferno"

"A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação; aí os vemos em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da felicidade e da desgraça, assistindo, enfim, a todas as peripécias da vida de além-túmulo.

Eis aí por que os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra. Já não é só a esperança, mas a certeza que os conforta; sabem que a vida futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma confiança com que aguardariam o despontar do Sol após uma noite de tempestade. Os motivos dessa confiança decorrem, outrossim, dos fatos testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e bondade de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da Humanidade."

Allan Kardec "O Céu e o Inferno"

 

 

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O CÉU E O INFERNO

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 Allan Kardec - O Céu e o Inferno

 

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