Henry Stecki

CONTEMPORÂNEO DE ALLAN KARDEC

O GRANDE PESQUISADOR POLONÊS

DOS FATOS ESPÍRITAS NA BÍBLIA

(1829 - ????)

 

Henry Stecki - Le Spiritisme dans la Biblie

 ESSAI SUR LA PSYCHOLOGIE DES ANCIENS HÉBREUX

LIBRAIRIE INTERNATIONALE

boulevard Montmartre, 15

PARIS (1869)

No Campo do Espiritismo:

Henry Stecki e Allan Kardec

Bibliografia

O ESPIRITISMO NA BÍBLIA

(Ensaio sobre a psicologia dos antigos hebreus)

Por Henri Stecki (*)

Sabe-se que a Bíblia contém uma porção de passagens em relação com os princípios do Espiritismo. Mas como as encontrar nesse labirinto? Seria preciso fazer desse livro uma leitura atenta, o que poucas pessoas têm tempo e paciência para o fazer.

Em algumas, mesmo, sobretudo em razão da linguagem o mais das vezes figurada, a idéia espírita não aparece de maneira clara senão após reflexão.

O autor deste livro fez da Bíblia um estudo aprofundado, e só o conhecimento que tem do Espiritismo lhe deu a chave de coisas que antes lhe pareciam inexplicáveis ou ininteligíveis. Foi assim que pôde informar-se com certeza sobre as idéias psicológicas dos antigos hebreus, ponto sobre o qual os comentadores não estavam de acordo.

Devemos, pois, ser-lhe grato por ter trazido essas passagens à luz, num resumo sucinto e por ter, assim, poupado o leitor de pesquisas longas e fastidiosas. Às citações ele acrescenta comentários necessários à compreensão do texto, e que nele revelam o espírita esclarecido, mas não fanático de suas idéias, vendo o Espiritismo em tudo.

(*) Um pequeno volume in-12; preço: 1 fr.; pelo correio: 1 fr. 25 c. Srs. Lacroix & Cia, Livraria Internacional, 15, boulevard Montmartre, Paris; e nos escritórios da Revista Espírita.

O nome do autor indica que não é francês; diz no prefácio que é polonês e explica em que circunstâncias foi levado ao Espiritismo, e aos socorros morais que hauriu nessa doutrina. Embora estrangeiro, escreve o francês, como aliás a maioria dos povos do Norte, principalmente os poloneses e os russos, com perfeita pureza.

Seu livro é escrito com clareza, o que é um grande mérito em matérias filosóficas, pois nada é menos apropriado à vulgarização das idéias que um autor quer propagar, do que esses livros cuja leitura fatiga a ponto de provocar dor de cabeça, e cujas proposições são uma série de enigmas indecifráveis para o comum dos leitores.

Em resumo, o Sr. Stecki fez um livro útil, razão por que todos os espíritas lhe serão agradecidos.

Agradecemos pessoalmente a graciosa epístola dedicatória que ele houve por bem colocar no frontispício de sua obra.

Allan Kardec

Revista Espírita de Novembro de 1868

Henry Stecki e Allan Kardec:

Correspondência

Aos numerosos testemunhos de simpatia pela Sra. Allan Kardec e de garantias de adesão que temos recebido dos nossos correspondentes da França e dos países vizinhos, a propósito da morte do Sr. Allan Kardec, vêm juntar-se hoje as homenagens prestadas à memória do nosso venerado mestre pelos espíritas dos centros de além-mar.

Julgamos um dever pôr sob os olhos dos nossos leitores alguns extratos dessas cartas, bem como as adesões das sociedades de Rouen e de Saint-Aignan à constituição da Sociedade Anônima.

Um dos nossos correspondentes de São Petersburgo (Rússia), o sr. Henri Stecki, autor do Espiritismo na Bíblia (Revista Espírita, novembro de 1868), adere igualmente, e da mais absoluta maneira, à nova organização. Desejoso de concorrer pessoalmente para a vulgarização universal de nossos princípios, o Sr. Henri Stecki quer consagrar o produto integral da venda de sua interessante obra à alimentação do fundo de reserva da caixa geral. Pedimos-lhe aceitar, em nome do Espiritismo e dos espíritas do mundo inteiro, nossas calorosas felicitações e vivos agradecimentos.

Todos esses testemunhos provam de sobra que, segundo nossas mais íntimas convicções, o Espiritismo reunirá num futuro próximo, sem distinção de casta, nem de nacionalidade, os homens sinceramente devotados aos verdadeiros interesses e à regeneração da Humanidade. (*)

(*) No momento de levar ao prelo, recebemos do Grupo de Montauban (Tarn-et-Garonne) uma carta de adesão, da qual falaremos em nosso próximo número.

Allan Kardec

Revista Espírita de Outubro de 1869

Trechos da obra de Herculano Pires:

Espiritismo não é evocação de mortos. Não é magia. Não é macumba nem umbanda. As pessoas que conhecem a história do pensamento moderno sabem que o Espiritismo é uma doutrina religiosa, de bases científicas e filosóficas, elaborada em Paris, em meados do século XIX, por um ilustre pedagogo francês. Encontra-se nas livrarias o livrinho “O Espiritismo”, de Yvonne Castellan, tradução da coleção “Que sais-jé?”, publicada pela Difusão Européia do Livro em sua coleção “Saber Atual”. Pequeno volume de vulgarização cultural, que poderá esclarecer os que ainda confundem esse problema.

Note-se que Yvonne Castellan não é espírita. O tradutor brasileiro do livro é católico. A editora também não é espírita. Não se trata de obra de propaganda doutrinária, mas de simples divulgação cultural, como toda a coleção “Que sais-je” na França e sua similar no Brasil, a “Saber Atual”. Os católicos, portanto, não devem estar proibidos de ler esse livro. Justamente por não ser espírita, a autora comete vários enganos, mas, no geral, faz um trabalho sincero, procurando acertar. Pelo menos confirma o que estamos dizendo: que o Espiritismo é uma doutrina moderna, apoiada em fatos, em investigações científicas e estruturada com precisão lógica.

Encontra-se também nas livrarias o grande livro de Conan Doyle: “História do Espiritismo”, traduzido por Julio Abreu Filho e publicado pela Editora Pensamento. Conan Doyle era espírita, mas sua imparcialidade foi louvada por toda a imprensa inglesa. E o livro de Kardec, do próprio codificador da doutrina, intitulado “O que é o Espiritismo”, também é facilmente encontrado nas livrarias, em boas traduções portuguesas. Além disso, toda a coleção das obras fundamentais do Espiritismo está traduzida e editada em nossa língua. Só desconhecem, pois, o Espiritismo os que não querem conhecê-lo ou os que fingem confundi-lo com outras coisas.

Por outro lado, o Espiritismo não é condenado pela Bíblia. Muito pelo contrário, encontra vigoroso apoio nos textos bíblicos. Ainda há pouco, a Editorial Victor Hugo, de Buenos Aires, publicou uma tradução castelhana do livro de Stecki: “O Espiritismo na Bíblia”. Entre os vários trabalhos brasileiros a respeito, podemos citar o livro do professor Romeu Amaral Camargo, “De Cá e de Lá”, que apresenta o Espiritismo no Velho e no Novo Testamento. Repetir, pois, que essa doutrina é condenada na Bíblia, é simplesmente fechar os olhos às demonstrações contrárias, que são vigorosas, como veremos a seguir.

Os espíritas não evocam os mortos. O que fazem é apenas atender aos Espíritos, através de médiuns. Uma e outra coisa, Espíritos e Médiuns, sempre existiram no mundo. Não foi o Espiritismo que os criou. Limitou-se apenas a constatar a existência de ambos, a tirar desse fato as conclusões necessárias e a utilizá-lo para o engrandecimento espiritual e moral da humanidade. Aquilo que era mistério na antiguidade, e que ainda hoje o é, para os anti-espíritas, tornou-se claro no Espiritismo.

A ciência espírita tirou à mediunidade o seu aspecto de bruxedo, de magia, que a ignorância lhe dava, como a ciência física tirou aos fenômenos atmosféricos o sentido fantástico que a ignorância lhe atribuía. Demonstrado, cientificamente, que os chamados mortos estão mais vivos do que nós e podem comunicar-se conosco – o que todas as religiões admitem e praticam –, o Espiritismo estabeleceu as normas necessárias para essas comunicações.

Contra isso, alega-se a proibição bíblica. E chega-se a citar até mesmo aquele trecho do Êxodo: “Não deixarás viver os feiticeiros”, que serviu de base para terríveis matanças de médiuns no passado. Mas o principal texto citado é o capítulo 18 do Deuteronômio. Nesse capítulo, porém, o que está proibido é exatamente o que o Espiritismo proíbe.

Nada do que ali se encontra é praticado pelos espíritas. E se consultarmos o livro de Números, capítulo 11, versículos 26 e 29, veremos Moisés aplaudir a mediunidade e desejar mesmo que ela se propague a todas as criaturas. Para os que entendem a proibição anterior como absoluta, a Bíblia se contradiz. mas para os que compreendem que Moisés proibia os abusos e as imposturas, como o Espiritismo os proíbe, a Bíblia se mostra coerente e concorda plenamente com o ensino espírita.

Em provérbios, 31:1-9, o espírito da mãe de Lamuel aparece-lhe para lhe transmitir conselhos. Em Juízes, 13, um espírito aparece a Manué e sua mulher. Os profetas, em seus livros, falam de muitas formas de comunicações de espíritos.

O apóstolo Paulo, na sua primeira epístola aos coríntios, descreve as reuniões mediúnicas dos apóstolos. João recomenda que verifiquemos se os espíritos comunicantes são de Deus ou não, da mesma maneira que o Espiritismo recomenda analisarmos as comunicações. Como diz o grande pensador italiano Ernesto Bozzano: as bases da religião estão na mediunidade. Mas encerremos esta rápida exposição com o magnífico episódio da “magia” e da “necromancia” na própria Bíblia.

Conta-nos o texto sagrado (Números, 18) que Moisés recebia a comunicação do Senhor, tendo ao seu redor os setenta anciãos. O Senhor, “tirando do espírito que havia em Moisés”, deu-o aos anciãos, que também passaram a profetizar. Mas nos versículos 24 e 29 vemos o ministro Josué contar a Moisés que dois jovens, Eldad e Medad, recebiam espíritos no campo. Josué pede a Moisés que os proíba de fazerem isso. E Moisés lhe responde: “Que zelos são esses, que mostras por mim? Quem dera que todo o povo profetizasse e que o Senhor lhe desse o seu Espírito!”

Como vemos, Moisés era médium e desejava a mediunidade para todo o povo. Mas queria que os médiuns recebessem os espíritos dentro de normas morais e com elevada espiritualidade, como o quer o Espiritismo. Que Deus abra os olhos e os ouvidos daqueles que insistem em dizer o contrário!

Herculano Pires - Os Três Caminhos de Hécate

Ver no site trechos na obra de Herculano Pires

Fontes: Federação Espírita do Paraná (Livros Espíritas Raros)

Fontes: ADDE (Associação de Divulgação da Doutrina Espírita)

"O Espiritismo não adiciona nada à obra divina, que foi completa desde a eternidade e que será de toda a eternidade, dividindo a história religiosa de nosso globo em três eras distinta: Mosaismo, Cristianismo e Espiritismo, lembrando as palavras de Jesus."

Henry Stecki "O Pesquisador Espírita Polonês"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Allan Kardec - Endereços e locais onde ele viveu e atuou)

 

Henry Stecki - Le Spiritisme dans la Biblie, Essai sur la psychologie des anciens hébreux (1869) (Fr)