DISCURSOS PRONUNCIADOS NO ANIVERSÁRIO DE MORTE ALLAN KARDEC

Inauguração do Monumento

 

Obra em francês na Biblioteca Virtual da

Federação Espírita do Paraná

 

Original em francês, de 1870:

Discours Prononcés Pour l'Anniversaire de la Mort d’Allan Kardec
Inauguration du Monument

PARIS
A LA LIBRAIRE SPIRITE
7, RUE DE LILLE, 7

1870
RESERVE DE TOUS DROITS

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

 Tradução: Carla Cristina Duarte Costa

Prefácio: Antonio Cesar Perri de Carvalho

Revisão: Irmãos W. e Ery Lopes

Formatação: Ery Lopes

Versão digitalizada:
© 2020

Distribuição gratuita:

Portal Luz Espírita

Autores Espíritas Clássicos

Prefácio da obra:

A obra traduzida para o português, Inauguração do monumento de Allan Kardec, é importante documento histórico.

A disponibilização do notável registro torna-se importante para que os espíritas vinculados ao idioma português, de épocas mais recentes e do futuro, possam conhecer fatos relacionados com os desdobramentos imediatos após a desencarnação do Codificador.

A pequena obra traz informações sobre o translado dos restos mortais de Kardec originalmente sepultados no Cemitério de Montmartre, a seleção do terreno e a edificação do dólmen no Cemitério de Père-Lachaise e a confecção do busto assinado pelo artista Capellaro. No dia da inauguração do monumento – 31 de março de 1870 – ocorreram manifestações de lideranças espíritas, registradas no livro, e que também reproduz as correspondências que foram enviadas por amigos e líderes que não puderam comparecer.

Os protagonistas da inauguração do monumento em homenagem a Kardec não poderiam imaginar que um século depois este seria um marco histórico e turístico na capital francesa.

A primeira vez que visitamos o dólmen no Cemitério de Père-Lachaise foi em maio de 1971. Na portaria do Cemitério, pedimos informações e um funcionário nos forneceu um mapa impresso com a indicação da localização do túmulo. Ao chegarmos à esquina destacada onde está o dólmen, ficamos impressionado com a quantidade de flores frescas que o adornavam. Numa segunda oportunidade, em setembro de 1973, juntamente com nossa esposa, utilizamos mais tempo para verificações e constatamos que o túmulo já fazia parte de visitações turísticas, de grupos de história da arte e de simpatizantes do vulto Kardec, independentemente de serem espíritas. Na mesma estada encontramos em livrarias parisienses muitos livros ricamente ilustrados focalizando a arte dos túmulos do histórico Cemitério Père-Lachaise.

Ao retornar ao Brasil, escrevemos artigo para a Revista Internacional de Espiritismo, com fotos da visita ao túmulo de Kardec. Aliás, a prática da divulgação dessas fotos tornou-se cada vez mais comum entre os espíritas que viajam a Paris.

Em vários momentos retornamos ao Cemitério parisiense levando parentes e amigos para a visita desejada por muitos. Muitas vezes ali encontramos outros visitantes franceses e de outros países. Nem todos eram espíritas, alguns vinculados a práticas mediúnicas ou espiritualistas em geral, mas demonstravam respeito pelo vulto Kardec. Alguns visitantes também relatavam alguma ideia de busca de cura.

Numa dessas visitas no 1º semestre de 2004, chegamos bem cedo, logo que o Cemitério abriu, e ao nos aproximarmos do túmulo de Kardec, lá estava uma senhora idosa trocando as flores que adornam o monumento. De imediato, pedimos licença e iniciamos um diálogo com ela. Tratava-se da sra. Antoinette Bastide e ela nos informou que há mais de 20 anos espontaneamente assumiu esse encargo diário e dando prosseguimento a compromisso iniciado por uma senhora, já desencarnada, que durante quase 30 anos adotava a prática de renovação de flores em gratidão porque teria sido beneficiada por uma cura. Nossa entrevistada, a sra. Bastide declarou que conhecia as obras de Kardec.

Historicamente, os espíritas franceses faziam cerimônias em homenagem a Allan Kardec, na data de sua desencarnação, 31 de março.

Estas foram retomadas após a 2ª Guerra Mundial e com a reorganização do movimento espírita francês. Em reuniões efetivadas em Paris pelo então novel Conselho Espírita Internacional, em 1997, houve uma visita de dirigentes espíritas de vários países ao túmulo. O episódio se repetiu durante a realização do 4o Congresso Espírita Mundial, promovido por este Conselho, em outubro de 2004, com o objetivo de se comemorar o Bicentenário do nascimento de Allan Kardec. Muitas caravanas de espíritas de várias partes do mundo estiveram no citado túmulo, inclusive para uma delas atuamos como cicerone.

Desde 2017 a Fédération Spirite Française tem realizado anualmente uma comemoração do aniversário da desencarnação de Allan Kardec, no cemitério do Père-Lachaise em Paris. O evento é denominado “Journée Allan Kardec”, com uma cerimônia junto ao túmulo e depois um encontro em um auditório com conferências e trocas de idéias entre os participantes.

Neste texto não discutimos a visão espírita sobre o valor ou não da visita a túmulos. Destacamos o fato que na atualidade o túmulo do Codificador é um local histórico e objeto de atenção de simpatizantes das idéias espíritas de várias partes do mundo e do turismo e estudos de pessoas vinculadas à arte funerária.

Evidentemente que a maior homenagem, em qualquer parte, será sempre a valorização da obra de Allan Kardec.

Quiçá alguns visitantes do túmulo de Kardec e os leitores da presente obra possam reforçar o interesse pela monumental obra que nos legou o Codificador do Espiritismo e também pela história do movimento espírita.

São Paulo, 27 de março de 2020.

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

(*) Foi presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, da Federação Espírita Brasileira e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional.
Introdução:

No dia 31 de março de 1870, por volta das duas horas da tarde, um grande número de espíritas, recolhidos e emocionados, se reuniram no Cemitério Père-Lachaise*, em volta do monumento erguido para honrar a memória imperecível do eminente fundador da filosofia espírita. Os transeuntes se detinham atônitos mediante essa edificação de imponente simplicidade, falando aos olhos e à alma, a linguagem dos séculos desaparecidos, evocando as lembranças de antigas gerações que consagraram, pelos seus cultos e por suas sepulturas, as crenças reencontradas pelo Espiritismo moderno.

* 44ª Divisão.

Desde que a forma do monumento foi definitivamente decidida (um dólmen* composto de três pedras verticais de granito bruto, soerguido de uma quarta pedra tabular e repousando um pouco obliquamente sobre as três primeiras), a comissão encarregada pela Sra. Allan Kardec de dirigir os trabalhos, esforçaram-se para acelerar sua execução, de maneira a fazer coincidir o aniversário de morte do mestre com a inauguração do monumento.

* Os dólmens são monumentos funerários pré-históricos, caracterizados por duas ou mais pedras verticais altas que sustentam uma maior, horizontal, formando assim uma câmara sepulcral.

O terreno escolhido, situado ao ângulo de duas alamedas, está à uma altitude de onde se domina a vista do inteiro campo de repouso, e foi admiravelmente propício ao objetivo proposto.

As providências necessárias para sua aquisição, a extração dos blocos de pedra, totalizam um peso superior a 30 toneladas, a construção de um jazigo bastante sólido para suportar semelhante massa, a execução do busto, confiada ao renomado talento do Sr. Capellaro (ver a Revista Espírita de janeiro 1870), tudo isso tomava um tempo considerável; e a comissão se encontrava às vésperas da inauguração sem ter a certeza que tudo estaria concluído no dia marcado. A exumação e o traslado do corpo não poderiam ser feitos antes de 29 de março e, na manhã do dia 31, a pedra tabular superior, pesando seis toneladas, ainda jazia no chão, em consequência de uma falsa manobra dos operários, que colocavam tudo em questão.

Entretanto, na hora marcada, o dólmen estava definitivamente construído, o busto de Allan Kardec repousava sobre o pedestal de granito e, apesar dos andaimes ainda pelos arredores, os espíritas que vindos para saudar as cinzas do mestre, podiam admirar, em todo o seu original esplendor, o símbolo indestrutível da eternidade dos princípios ensinados pelo Espiritismo.

Ainda faltam as inscrições: elas serão gravadas depois. Todos os dias, os visitantes, que a lembrança dos amigos desaparecidos atrai à vasta necrópole, são despertados pela curiosidade, se detém para meditar sobre o sentido e se entregam como que arrependidos, surpresos pelas ideias de um futuro de esperança que elas fazem nascer dentro de seus espíritos.

Isso é o que de fato constitui toda a Doutrina Espírita, e o pensamento inscrito sobre a pedra, ao atrair os olhares, penetra profundamente dentro da inteligência, como uma verdade inegável.

No pedestal do busto lê-se:

ALLAN KARDEC

FUNDADOR DA FILOSOFIA ESPÍRITA

Mais abaixo, a epígrafe da Revista Espírita:

Todo efeito tem uma causa.
Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.
O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.

Qual demonstração mais concisa e mais conclusiva poderíamos dar da existência e da grandeza de Deus?

Enfim, as datas do nascimento e da morte:

31 outubro 1804

31 março 1869

Sobre o lado anterior da pedra tabular superior, lê-se:

NASCER, MORRER, RENASCER NOVAMENTE
E PROGREDIR SEM CESSAR:
ESTA É A LEI.

A pluralidade das existências e a evolução indefinida, tais são, com efeito, as bases fundamentais da filosofia espírita, as pedras angulares do edifício!...

A incerteza que teve a Sra. Allan Kardec, a respeito da execução final do monumento, não lhe permitiu avisar com antecedência aos nossos irmãos em crença que tinham manifestado o desejo de assistir à reunião comemorativa. Ainda assim o Espiritismo foi dignamente representado por um grande número de espíritas de Paris e das províncias.

Ninguém havia esquecido que no ano anterior, em mesma data, um justo tinha ido buscar na erraticidade, a sanção de uma vida de devoção e de abnegação. A numerosa correspondência que recebemos naquela ocasião, nos é uma testemunha irrecusável que, se Allan Kardec deixou de existir materialmente entre nós, sua memória e a lembrança de seus trabalhos viverão eternamente dentre os corações daqueles que ele abriu, pelo Espiritismo, os vastos horizontes da vida futura.

Como dissemos acima, a província foi representada por alguns nomes de espíritas que os negócios trouxeram, momentaneamente à Paris: citaremos entre outros Sr. Guilbert, o digno presidente da sociedade espírita de Rouen, e Sr. Fortunè Gusman de Bòne, um dos partidários mais ativos da disseminação da nossa filosofia na Argélia.

Muitos discursos foram pronunciados sobre a tumba. Dentre os oradores que usaram as palavras para expressar, com a eloquência do coração, os sentimentos de reconhecimento e testemunhas de gratidão dos espíritos presentes ou ausentes, citaremos: Srs. Levent, Desliens, Leymarie e Guilbert.

Convencidos que nossos leitores, impedidos pela distância, ou por suas ocupações, de assistir à inauguração, nós seremos gratos em lhes trazer ao conhecimento alguns desses discursos (o completo domínio da Revista Espírita não nos permite a publicação completa), nós fizemos como dever lhes reunir em uma brochura especial e de juntar algumas das cartas mais notáveis que nos foram endereçadas, entre outras pelo Sr. Vanderyst, de Spa (Bélgica), e pelo Sr. Delanne, que esteve distante de nós, devido uma longa e dolorosa doença.

Dentre as instruções as quais a inauguração do monumento deu lugar, nos reproduziremos enfim, como conclusão natural deste livro, uma comunicação que o Espirito de Allan Kardec bem desejou transmitir a um de nossos médiuns.

A foto do dólmen que nós colocaremos nessa publicação, para satisfazer a legítima curiosidade de todos, foi executada com o maior cuidado e com a mais rigorosa exatidão, por Sr. Pegard, gravador, depois o desenho de Sr. Sebille.

Nota. Apressamo-nos fazer saber aos nossos leitores, que existe um outro busto destinado ao mausoléu de Allan Kardec (um segundo teste), exposto atualmente no salão sob a direção da Sociedade anônima e destinado ao Museu do Espiritismo, que será colocado na sala de ciências, rua de Lille, 7.

Allan Kardec foi sepultado no antigo Cemitério de Montmartre, em Paris, no dia 2 de abril 1869.

(Ver no link o artigo - Localização da tumba provisória de Allan Kardec no cemitério Montmartre por Laurent Chauvier)

Monumento de Allan Kardec

Inaugurado em 31 de março de 1870

Em 29 de março de 1870 seus restos mortais foram transferidos definitivamente para o cemitério do Père-Lachaise, em Paris, e a inauguração do dólmen no dia 31 de março de 1870.

Fontes: Canal Espírita (Documentário - Roteiro Histórico Espírita em Paris)

Uma viagem pelos pontos históricos relacionados ao Espiritismo na capital francesa, o berço da doutrina consoladora em meados do século XIX. Conheça melhor os locais onde Allan Kardec desenvolveu suas descobertas espíritas e a codificação da doutrina) (Vídeo produzido em junho de 2017 - Produção: Luz Espírita http://www.luzespirita.org.br - Apresentação: Ery Lopes - Trabalhos técnicos: Caroline Garcia Lopes)

Fonte: Luz Espírita - Espiritismo em Movimento

Fontes: GEECX - Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier (Antonio Cesar Perri de Carvalho - Divulgação On Line)

Fonte: Laurent Chauvier (Facebook) (Localização da tumba provisória de Allan Kardec no cemitério Montmartre)

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Discursos pronunciados no aniversário de morte Allan Kardec - Inauguração do Monumento

 

Discours Prononcés Pour L'Anniversaire de La Mort de Allan Kardec - Inauguration Du Monument (1870) (Fr.)

 

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