ALLAN KARDEC

CONSELHOS REFLEXÕES E MÁXIMAS DE ALLAN KARDEC

Sinopse da obra:

Segundo disse M. de Buffon, com muita razão, “o estilo é o homem”, e assim, para melhor apreciarmos Allan Kardec, estudemo-lo em sua obra, porque, dessa forma, quanto mais julgarmos os méritos deste profundo pensador, mais crescerão nosso respeito e nossa afeição por ele.

Dentro deste propósito, acreditamos dever reproduzir aqui algumas passagens extraídas dos numerosos artigos que ele publicou na Revista Espírita de 1858 a 1869; divulgado pelo Centro Espírita Lionnais Allan Kardec, na França, tem como objetivo de nós recordar alguns dos princípios filosóficos que freqüentemente o mestre gostava de frisar meditando em seus conselhos, suas máximas, aprenderemos a conhecer e amar melhor o fundador da Filosofia Espírita.

Temas doutrinários:

MELHOR REJEITAR 10 VERDADES

Com cadernetas de couro sempre à mão e lápis a afiados a postos nos bolsos do colete, Rivail passou a anotar com letra miúda — que, muitas vezes, só Amélie, além dele, conseguia decifrar — impressões e interrogações sobre os diálogos com Zéfiro e outros visitantes invisíveis na casa das irmãs Baudin.

Eram muitas as perguntas ainda sem resposta. Estariam essas inteligências na humanidade ou seriam sobre-humanas? As irmãs Baudin captariam no ar — no inconsciente dos vivos — ou no além as mensagens atribuídas aos mortos? Em outras palavras: estariam os mortos vivos?

Estas eram as questões cruciais capazes de tornar muito menos penosa a vida no século XIX.

O perigo e a desgraça estavam à espreita por toda a França. A capital cultura do mundo, cenário da Revolução Francesa, enfrentava tempos sombrios. A taxa de mortalidade em Paris era a mais elevada entre os principais centros urbanos da Europa. Um terço de todos os nascimentos na capital eram ilegítimos, e um décimo dos recém-nascidos eram abandonados no hospital de enjeitados, onde 60% deles morriam antes de completar um ano.

Em meados do século XIX, um em cada dez parisienses dependia da assistência social ou da caridade para sobreviver. E o rio Sena, tão romântico, era palco de um sexto de todos os suicídios da França.

O romancista Honoré de Balzac, cada vez mais lido e admirado na Europa, retratava nos volumes de sua Comédia humana , lançada em 1842, o abismo entre os ricos e os pobres em Paris. Em A menina dos olhos de ouro, descrevia assim a aparência dos moradores empobrecidos da cidade:

Seus rostos — abatidos, amarelados, castigados pelas intempéries (...), contorcidos, desfigurados — eram mais máscaras do que rostos, máscaras de fraqueza, máscaras de força, máscaras de desdita, máscaras de prazer, máscaras de hipocrisia.

Onde estava o Deus misericordioso nisso tudo? Qual o sentido da vida em meio a tanta miséria? Como aceitar a injustiça de se nascer condenado à morte?

Era com ceticismo sim — e com uma imensa esperança também — que Rivail lutava para decifrar a lógica por trás do véu que se erguia em torno das mesas girantes e dos cestos escreventes. Para filtrar as informações do além, tentou agir como um legítimo discípulo de Pestalozzi: “Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente segui.”

A cada sessão na casa das irmãs adolescentes, as perguntas cavam mais complexas. Rivail colocava à prova os espíritos — dos vivos ou do além... Como ter uma confirmação da existência de Deus? O espaço universal é um todo infinito ou delimitado? A separação da alma e do corpo é dolorosa?

O professor passou a levar para as reuniões semanais perguntas como essas. Na pauta do longo inquérito, questões sobre a vida e a morte, a moral e a psicologia, e sobre os bastidores do mundo invisível.

Para tristeza de boa parte da antiga plateia de Zéfiro, as conversas com o além foram se tornando cada vez menos pessoais. Com ou sem cesto de bico, Caroline e Julie passaram a intermediar diálogos como este, conduzido por Rivail:

— Os espíritos possuem uma forma determinada, delimitada e constante?

— A vossos olhos não; aos nossos, sim. Ela será, se imagem quiserdes, flama ou clarão ou centelha.

A cada resposta mais elaborada vinda das mãos ou do cesto das jovens irmãs, o professor ficava mais esperançoso:

O simples fato de se comprovar a comunicação dos espíritos, dissessem eles o que dissessem, provaria a existência do mundo invisível.

Ficava também preocupado com tanta responsabilidade:

Compreendi antes de tudo a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida.

O problema era a morte e a solução, a vida em outros planos, invisíveis aos simples mortais (ou imortais?):

Era, em suma, toda uma revolução nas ideias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspecção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir.

Testemunhos como os de Victor Hugo — e o apoio permanente de Amélie — estimulavam Rivail a ir em frente. E sua convicção aumentava com as notícias de que as mesmas informações sobre a dinâmica de mundos invisíveis começavam a se revelar em outras sessões de mesas girantes mundo afora, conduzidas ou testemunhadas por “pessoas sérias, honradas, instruídas e dignas”.

Quanto mais perguntas lançava ao invisível e mais respostas consistentes obtinha do “lado de lá”, mais Rivail se irritava com o tratamento dado pela ciência aos novos fenômenos. Faraday e Chevreul, por exemplo, não poderiam ter chegado tão rápido a conclusões tão definitivas sobre a inexistência de forças invisíveis nas manifestações das mesas. Faltavam a estas pesquisas, supostamente científicas, três qualidades básicas: continuidade, regularidade e isenção.

Rivail protestava e avançava, fiel a uma linha de conduta radical: “Melhor rejeitar dez verdades como sendo mentiras do que aceitar uma única mentira como sendo verdade.”

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

Ver no site as Revistas Espíritas publicadas por Allan kardec

Poesia espírita tirada da Revista Espírita de Fevereiro de 1862

O Vento

Fábula Espírita

Queria o vendaval reinar sobre a planície
Em seu impulso impetuoso,
E atormentava toda a superfície,
Até um secular olmo enorme e nodoso.
Dos fecundos ramais – dizia ele – a semente
Podia a terra encher, germinar e crescer;
Previmos uma luta, e aguardamos pra ver
Que impedimento houvesse ao meu poder ingente.
E aos verdes penachos pequenos
Os seus golpes desfolhavam;
Em rápidos bulcões vão-se nos ares plenos
Os grãos que, entretanto, escapavam
Ao sopro que se esforça em seus vôos levar,
E ao solo porém vão parar.
Ah! Contra as leis do Amor e da Sabedoria,
Diante do Espiritismo, árvore da verdade,
O vento da incredulidade
Sopra e ulula em vão, dia a dia.
Faz nascer e crescer o que julga oprimir:
E o ajuda a semear... nunca ao bom germe delir.

C. Dombre (de Marmande)

 

"Quanto maior a repercussão da crítica, tanto maior bem poderá fazer, ao chamar a atenção dos indiferentes"

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

 

 

 

 

 

 

Allan Kardec - Conselhos Reflexões e Máximas de Allan Kardec