Henri Sausse

Conselhos, Reflexões e Máximas
de
Allan Kardec

Fragmentos extraídos dos doze
primeiros anos da “Revista Espírita”

Traduzido
Paulo A. Ferreira

Conseils, Reflexions et Maximes
d’Allan Kardec

L' Union Spirite Francaise fondée Alexandre Delanne
Paris (1909)

Sinopse da obra:

Segundo disse M. de Buffon, com muita razão, “o estilo é o homem”, e assim, para melhor apreciarmos Allan Kardec, estudemo-lo em sua obra, porque, dessa forma, quanto mais julgarmos os méritos deste profundo pensador, mais crescerão nosso respeito e nossa afeição por ele.

Dentro deste propósito, acreditamos dever reproduzir aqui algumas passagens extraídas dos numerosos artigos publicados na Revista Espírita de 1858 a 1869; divulgado pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) fundado por Allan Kardec, na França, tem como objetivo de nós recordar alguns dos princípios filosóficos que freqüentemente o mestre gostava de frisar meditando em seus conselhos, suas máximas, aprenderemos a conhecer e amar melhor o fundador da Filosofia Espírita.

Temas doutrinários:

MELHOR REJEITAR 10 VERDADES

Com cadernetas de couro sempre à mão e lápis a afiados a postos nos bolsos do colete, Rivail passou a anotar com letra miúda — que, muitas vezes, só Amélie, além dele, conseguia decifrar — impressões e interrogações sobre os diálogos com Zéfiro e outros visitantes invisíveis na casa das irmãs Baudin.

Eram muitas as perguntas ainda sem resposta. Estariam essas inteligências na humanidade ou seriam sobre-humanas? As irmãs Baudin captariam no ar — no inconsciente dos vivos — ou no além as mensagens atribuídas aos mortos? Em outras palavras: estariam os mortos vivos?

Estas eram as questões cruciais capazes de tornar muito menos penosa a vida no século XIX.

O perigo e a desgraça estavam à espreita por toda a França. A capital cultura do mundo, cenário da Revolução Francesa, enfrentava tempos sombrios. A taxa de mortalidade em Paris era a mais elevada entre os principais centros urbanos da Europa. Um terço de todos os nascimentos na capital eram ilegítimos, e um décimo dos recém-nascidos eram abandonados no hospital de enjeitados, onde 60% deles morriam antes de completar um ano.

Em meados do século XIX, um em cada dez parisienses dependia da assistência social ou da caridade para sobreviver. E o rio Sena, tão romântico, era palco de um sexto de todos os suicídios da França.

O romancista Honoré de Balzac, cada vez mais lido e admirado na Europa, retratava nos volumes de sua Comédia humana , lançada em 1842, o abismo entre os ricos e os pobres em Paris. Em A menina dos olhos de ouro, descrevia assim a aparência dos moradores empobrecidos da cidade:

Seus rostos — abatidos, amarelados, castigados pelas intempéries (...), contorcidos, desfigurados — eram mais máscaras do que rostos, máscaras de fraqueza, máscaras de força, máscaras de desdita, máscaras de prazer, máscaras de hipocrisia.

Onde estava o Deus misericordioso nisso tudo? Qual o sentido da vida em meio a tanta miséria? Como aceitar a injustiça de se nascer condenado à morte?

Era com ceticismo sim — e com uma imensa esperança também — que Rivail lutava para decifrar a lógica por trás do véu que se erguia em torno das mesas girantes e dos cestos escreventes. Para filtrar as informações do além, tentou agir como um legítimo discípulo de Pestalozzi: “Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente segui.”

A cada sessão na casa das irmãs adolescentes, as perguntas cavam mais complexas. Rivail colocava à prova os espíritos — dos vivos ou do além... Como ter uma confirmação da existência de Deus? O espaço universal é um todo infinito ou delimitado? A separação da alma e do corpo é dolorosa?

O professor passou a levar para as reuniões semanais perguntas como essas. Na pauta do longo inquérito, questões sobre a vida e a morte, a moral e a psicologia, e sobre os bastidores do mundo invisível.

Para tristeza de boa parte da antiga plateia de Zéfiro, as conversas com o além foram se tornando cada vez menos pessoais. Com ou sem cesto de bico, Caroline e Julie passaram a intermediar diálogos como este, conduzido por Rivail:

— Os espíritos possuem uma forma determinada, delimitada e constante?

— A vossos olhos não; aos nossos, sim. Ela será, se imagem quiserdes, flama ou clarão ou centelha.

A cada resposta mais elaborada vinda das mãos ou do cesto das jovens irmãs, o professor ficava mais esperançoso:

O simples fato de se comprovar a comunicação dos espíritos, dissessem eles o que dissessem, provaria a existência do mundo invisível.

Ficava também preocupado com tanta responsabilidade:

Compreendi antes de tudo a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida.

O problema era a morte e a solução, a vida em outros planos, invisíveis aos simples mortais (ou imortais?):

Era, em suma, toda uma revolução nas ideias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspecção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir.

Testemunhos como os de Victor Hugo — e o apoio permanente de Amélie — estimulavam Rivail a ir em frente. E sua convicção aumentava com as notícias de que as mesmas informações sobre a dinâmica de mundos invisíveis começavam a se revelar em outras sessões de mesas girantes mundo afora, conduzidas ou testemunhadas por “pessoas sérias, honradas, instruídas e dignas”.

Quanto mais perguntas lançava ao invisível e mais respostas consistentes obtinha do “lado de lá”, mais Rivail se irritava com o tratamento dado pela ciência aos novos fenômenos. Faraday e Chevreul, por exemplo, não poderiam ter chegado tão rápido a conclusões tão definitivas sobre a inexistência de forças invisíveis nas manifestações das mesas. Faltavam a estas pesquisas, supostamente científicas, três qualidades básicas: continuidade, regularidade e isenção.

Rivail protestava e avançava, fiel a uma linha de conduta radical: “Melhor rejeitar dez verdades como sendo mentiras do que aceitar uma única mentira como sendo verdade.”

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

O Vento

Fábula Espírita

Queria o vendaval reinar sobre a planície
Em seu impulso impetuoso,
E atormentava toda a superfície,
Até um secular olmo enorme e nodoso.
Dos fecundos ramais – dizia ele – a semente
Podia a terra encher, germinar e crescer;
Previmos uma luta, e aguardamos pra ver
Que impedimento houvesse ao meu poder ingente.
E aos verdes penachos pequenos
Os seus golpes desfolhavam;
Em rápidos bulcões vão-se nos ares plenos
Os grãos que, entretanto, escapavam
Ao sopro que se esforça em seus vôos levar,
E ao solo porém vão parar.
Ah! Contra as leis do Amor e da Sabedoria,
Diante do Espiritismo, árvore da verdade,
O vento da incredulidade
Sopra e ulula em vão, dia a dia.
Faz nascer e crescer o que julga oprimir:
E o ajuda a semear... nunca ao bom germe delir.

C. Dombre (de Marmande)

Revista Espírita de Fevereiro de 1862

Ver no site a Revista Espírita de 1858 a 1869 que foram publicados por Allan Kardec

Fontes: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec

Fontes: l'Encyclopédie Spirite

 

"Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito."

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

Lembrando o Codificador da Doutrina Espírita, é imperioso estejamos alertas em nossos deveres fundamentais.
Convençamo-nos de que é necessário:
Sentir Kardec, estudar Kardec, anotar Kardec, meditar Kardec, analisar Kardec, comentar Kardec, interpretar Kardec, cultivar Kardec, ensinar Kardec, divulgar Kardec…
Que é preciso cristianizar a Humanidade é afirmação que não padece dúvida; entretanto, cristianizar, na Doutrina Espírita, é raciocinar com a verdade e construir com o bem de todos, para que, em nome de Jesus, não venhamos a fazer sobre a Terra mais um sistema de fanatismo e de negação.

Emmanuel - "Religião dos Espíritos" - Psicografia de Chico Xavier

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

 

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