ALLAN KARDEC

CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA

(PRÉVIA DA OBRA - ALLAN KARDEC - A GÊNESE)

Esse texto foi divulgado como opúsculo de ALLAN Kardec; mas ele é, na verdade, uma cópia exata do capítulo I de "ALLAN KARDEC - Gênese")

EDITORA FEB

EM PDF

 

Allan Kardec

Caractères de la révélation spirite

PARIS

bureau de la "Revue spirite"

59, rue et passage saint-anne

 1868

Sinopse da obra:

Este documento, “Caráter da Revelação Espírita”, que disponibilizamos aos leitores, tem o objetivo de esclarecê-los a respeito de sua origem, já que ele está disponível em vários sites da Internet. Esse texto não é uma obra nova de Allan Kardec, mas sim a reprodução integral do capítulo I da obra "A Gênese", de Allan Kardec.

O texto que disponibilizamos foi extraído da 37ª edição tradicional da Federação Espírita Brasileira, traduzida da 5ª edição francesa. Mantivemos nesse texto a folha de rosto da obra “A Gênese” disponibilizada pela própria Editora FEB na Internet, para que o visitante possa conferir estas informações.”

Irmãos W.

Temas doutrinários:

E, contudo, elas se movem

Para filtrar e organizar as mensagens do além — e tentar identificar verdades e mentiras neste intercâmbio —, o professor virava noites e abria mão de férias e fins de semana. O volume de anotações e a qualidade dos textos ganhavam força e consistência, a cada sessão:

— O que se torna a alma no instante da morte?

— A alma, que havia deixado o mundo dos espíritos para vestir o envoltório corporal, deixa o envoltório no momento da morte e volta a ser, num instante, espírito.

Amélie acompanhava o marido nas reuniões e o ajudava na revisão das mensagens escritas a jato em meio às batidas das mesas e aos espasmos e solavancos das corbeilles sobre as páginas em branco. Desconfiada no início, ela foi ganhando confiança ao se deparar com diálogos como estes, saídos das mãos miúdas de Caroline e Julie, com idade para serem suas netas e maturidade intelectual para serem suas alunas:

— A alma, depois da morte, conserva sua individualidade?

— Sim, não a perde nunca. Tinha-la antes da encarnação; conserva-la durante a união e depois da separação do corpo.

Rivail costumava fazer as mesmas perguntas às irmãs Baudin e à senhora De Plainemaison — em dias, horários e endereços diferentes — e já não se surpreendia quando as respostas se repetiam, palavra por palavra, como se viessem da mesma fonte, e não das mãos, mesas e cestos manipulados pelas adolescentes ou pela velha senhora, com idades e formações culturais tão distintas.

Depois de meses de checagens e rechecagens, provas e contraprovas, críticas e autocríticas, as dúvidas que atormentavam Rivail deram lugar a uma convicção: a origem de todas aquelas informações (muitas delas desconhecidas até mesmo por ele) só poderia ser o invisível. Ou melhor: os espíritos. E espíritos de todos os níveis. Frívolos, elevados, levianos, sublimes, profundos, triviais — falíveis ou admiráveis como qualquer mortal.

Espíritos tão confiáveis quantos os vivos. Ou seja: era preciso tomar cuidado com eles.

A convivência com o divertido e às vezes um tanto fútil Zéfiro levou Rivail a uma conclusão básica: a opinião dos interlocutores invisíveis deveria ter o valor de uma crença pessoal e não a força de uma verdade absoluta, ditada por supostos espíritos superiores. Eles seriam “fontes de informação” e não “reveladores predestinados”, e as mensagens que transmitiam deveriam ser confrontadas e avaliadas com bom senso e discernimento.

Convencido da existência de espíritos, Rivail passou então à segunda etapa de sua investigação: desvendar o nebuloso processo de intercâmbio com o além.

Como definir, por exemplo, as irmãs Baudin, a sra. De Plainemaison, a sra. Girardin e outros anfitriões, de ambos os sexos, encarregados de intermediar diálogos entre vivos e mortos para deleite, descrença, diversão, instrução ou consolo de milhares de testemunhas ávidas por notícias do além?

“Médium” — este era o nome correto, anunciou Rivail, após uma nova rodada de entrevistas com os colaboradores invisíveis. Médium: meio, intermediário entre os espíritos e os homens — definiu.

E por que só em torno destes médiuns as mesas, cestas, lápis e ponteiros de ardósia se moviam? Por que o próprio Rivail, por exemplo, não seria capaz de pôr no papel as lições do além sem necessidade de intermediários? Causas físicas e morais — “ainda imperfeitamente conhecidas”, segundo o professor — seriam as responsáveis por este dom, que deveria também ser exercitado.

Foram necessários dez meses de incessantes diálogos com o invisível e de pesquisas complementares para que o professor Rivail desenvolvesse as bases do que definiria, mais tarde, como ciência espírita.

Primeiro, os “nãos”:

• Não era o espírito quem movia as mesas com as próprias mãos e as lançava de um lado ao outro com os próprios braços. Motivo: seu corpo era fluídico e não poderia exercer uma ação muscular direta sobre os objetos.

• Não era o médium quem usava o próprio fluido, ou mesmo as próprias mãos, para transmitir mensagens através de mesas ou cestos. Um dos motivos: médiuns como as irmãs Baudin não teriam cultura para dar determinadas respostas. O conhecimento viria de inteligências estranhas.

Como então o espírito, ou “ser invisível”, atuaria sobre a matéria inerte? Simples (ou não tão simples assim): através dos fluidos do médium. A combinação dos dois fluidos (do espírito e do médium) seria responsável pela dança das mesas.

O espírito satura a mesa com seu próprio fluido, combinado com o fluido animalizado do médium. Por esse meio, a mesa fica momentaneamente animada de uma vida fictícia: então obedece a vontade, como o faria um ser vivo; por seus movimentos exprime alegria, cólera e os diversos sentimentos do espírito que dela se serve.

O mesmo aconteceria com o cesto, com o lápis e com as próprias mãos do médium nesses ditados do além. O fluido universal seria a matéria-prima de tantos fatos inexplicáveis — “veículo e agente de todos os fenômenos espíritas”, como escreveria Rivail.

Tudo parecia se encaixar. Tudo fazia sentido para o velho professor... E tudo parecia completamente absurdo para a maioria dos cientistas e jornalistas da época: mesas que contrariavam as leis da gravidade, mensagens inconsistentes saídas de cestos manipulados, jovens histéricas (palavra muito em voga na época) ávidas por chamar atenção e fluidos magnéticos caquéticos em ação em pleno apogeu da ciência.

Era preciso, sim, caminhar com “circunspecção” nesse território nebuloso, mas nem sempre Rivail conseguia manter a moderação diante da descrença alheia.

Quando os críticos insistiam em menosprezar e ridicularizar a dança das mesas, ele recorria à frase que Galileu teria dito ao sair do tribunal, logo depois de condenado pelo Santo Ofício pela heresia de afirmar que a Terra girava: “Eppur si mueve!”

E, contudo, elas se movem...

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (A História do Espiritismo - Allan Kardec O Codificador da Doutrina Espírita)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Herculano Pires - A Missão do Espiritismo - Palestra gravada em 1956)

Fontes: Paulo Neto - Pesquisador Espírita (Artigo Espíritas)

"O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra."

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

"A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo estabeleceu no Evangelho, sem todavia defini-lo como a muitos outros, é uma das mais importantes leis reveladas pelo Espiritismo, pois que lhe demonstra a realidade e a necessidade para o progresso. Com esta lei, o homem explica todas as aparentes anomalias da vida humana; as diferenças de posição social; as mortes prematuras que, sem a reencarnação, tornariam inúteis à alma as existências breves; a desigualdade de aptidões intelectuais e morais, pela ancianidade do Espírito que mais ou menos aprendeu e progrediu, e traz, nascendo, o que adquiriu em suas existências anteriores."

Allan Kardec "O Codificador da Doutrina Espírita"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - Caráter da Revelação Espírita (Capítulo I da obra "A Gênese")

 

Allan Kardec - A Gênese

 

Allan Kardec - Caractères de la révélation spirite - 1ª Édition (1868) (Fr)