Célina Japhet (Célina Eugenie Béquet) - SONÂMBULA

a médium de efeitos físicos

(1819 - 1895)

sR. rOUSTAN (Jean Pierre Roustan) - O magnetizador

(1796 - 1874)
 

OS PRECURSORES DO ESPIRITISMO

 

CSI do Espiritismo

Imagens e registros históricos do Espiritismo

Pesquisa: Carlos Seth | Revisão janeiro de 2021 | Para outras imagens: facebook.com/HistoriaDoEspiritismo (#Célina Japhet) (#ROUSTAN)

Apresentação das pesquisas:

Destaque: "A verdadeira identidade da terceira médium utilizada por Kardec, e seu magnetizador".

Médium: Célina Japhet | Magnetizador: Roustan

Nome completo da médium: Cœlina ou Célina Eugenie Béquet (1)

Variações encontradas: Célina Japhet | Célina Béquet | Célina Béqet | Célina Béquet dite Japhet | RuthCelina Japhet.

Nascimento: 1º de abril 1822 na comuna (cidade) de Caen (2), a 241 Km de Paris, no departamento (estado) de Calvados.

Desencarne: 30 de abril de 1884 no 19º "arrondissement" (3) (conjunto de bairros) de Paris.

Profissão: sonâmbula profissional.

Nome completo do magnetizador: Jean Pierre Roustan.

Variações encontradas: Rostan.

Nascimento: Nasceu em 25 de setembro de 1796 em Digne (Antiga capital dos “Basses Alpes”, atual Digne-les-Bains, capital dos “Alpes-de-Haute-Provence”) ((4) Pág. 52)

Desencarne: Faleceu em 04 de Janeiro de 1874. O registro de óbito foi encontrado no 18º arrondissement de Paris ((4x) - Pág. 06)

Profissão: relojoeiro.

Nota: Ao longo da monografia, quando textos são simplesmente traduzidos, os comentários entre "<>" são nossos.

Contextualização de caso: Faremos o desenvolvimento deste processo apresentando cronologicamente os fatos pesquisados. Antes porém adiantamos:

Não, ela não era uma mocinha, não nasceu em 1837 e portanto não tinha 20 anos em 1857 (5).

Não, seu primeiro nome não era Ruth (5).

Não, seu sobrenome não era Japhet (5).

Não, seu pai não era contador, nem era viúvo em 1857 (5). (já estava desencarnado nesta época)

Não, ela não emigrou para a Espanha (6).

Não, ela não se casou, pelo menos oficialmente (6).

Não, ela não desencarnou em 1885 (6).

Não, ela não era neta de Hahnemann (equívoco de interpretação) (7).

Não, ela não era magnetizada pelo Sr. Roustaing (equívoco do tradutor) (8).

Eis os fatos sobre Célina e seu magnetizador Roustan:

Em 1796 nascia o Sr. Jean Pierre Roustan, no departamento de "Basses-Alpes", atual Alpes da Alta Provença (4).

Em 1813 um tal Sr. Roustan (joalheiro) reside na Cloître Saint-Honoré, 2; conforme anúncio publicado no "Almanach du commerce de Paris" (9), mas se a data anterior estiver correta, talvez seja o pai de Jean Pierre, François Xavier (10).

Imaginávamos que 1823 seria o ano do nascimento da Srta. Célina, deduzido da sua própria narrativa à Aksakof, ou seja, 1840 - 17 = 1823 (11), mas nunca 1837, de acordo com vários outros autores, que tem sempre a mesma referência (5).! No entanto estávamos enganados. Ela nasceu em primeiro de abril de 1822, em Caen (1), como veremos adiante em detalhes. O sobrenome Béquet também é revelado nesta entrevista. Embora haja outras versões para Rivail ter escolhido o nome "Allan Kardec", ela diz ainda à Aksakof que "Allan" lhe foi revelado, e que "Kardec" o foi para médium Sr. Roze.

Em 1840 Célina tem entre 16 e 17 anos, vive em Paris e é magnetizada pela 1ª vez pelo Sr. Ricard, conforme aquela entrevista. No período de 1841 até 1844 ela vive no interior (nas "provinces"), perde o movimento das pernas e fica na cama por 2 anos e 3 meses. Em 1843, depois de mesmerizada pelo irmão, Célina prescreve remédios a si mesma, e após 1.5 mês pode andar com muletas, recuperando totalmente a saúde durante o ano.

Como curiosidade apenas, é em 1844 que Andrew Jackson Davis se transporta em Espírito para uma montanha onde conversa com os Espíritos de Galeno e de Swedenborg.

Já Roustan (relojoeiro) reside de 1840 até 1846 na Cloître Saint-Honoré, 6; conforme anúncios publicados no "Annuaire général du commerce, de l'industrie, de la magistrature et de l'administration" (12) e informações na patente de um "cyclonydrôme" (13).

Por volta de 1845 Célina volta a Paris em busca de Ricard, e acaba conhecendo Roustan e o Sr. Millet. Muda seu sobrenome para Japhet e se torna sonâmbula profissional, mas já não acreditávamos que tinha Ruth como prenome, pois não o encontramos em nenhuma fonte primária.

E é em 1846 que Célina faz 3 anúncios em "Le Cocher" oferecendo seus serviços de sonâmbula na Rue du Marché Saint-Honoré, 14 (14), mesmo endereço de Roustan de 1847 (ou 1846, pois o anuário era publicado normalmente no final do ano anterior ou início do ano corrente) até 1848, como veremos em breve.

Eis a tradução livre do anúncio de Célina: "Srta. Célina, Sonâmbula. Dá consultas sobre todos os tipos de assuntos, durante a semana, das 3 às 6 horas; domingos e feriados, do meio-dia às 2 horas, e todos os dias nas horas solicitadas. Basta dirigir-lhe uma pergunta oral ou escrita que lhe é transmitida por seu magnetizador, para que atinja o objetivo de suas pesquisas. Pessoas que não podem vir elas mesmas, podem enviar alguém em seu lugar. Nota. A Srta. Célina atende os convites a domicílio."

É neste período que também recebe informações sobre o tema "reencarnação", por seu avô, Santa Teresa, etc, como pode ser visto na sua entrevista à Aksakof.

Do ponto de vista espiritualista (que não aceita a reencarnação) 1847 é uma data importante, pois Cahagnet publica seu primeiro livro ("Arcanes de la vie future dévoilés" ou Mistérios da vida futura revelados).

Em 1848 as 3 irmãs Fox conversam por pancadas com um Espírito em Hydesville no dia 31 de março, e Roustan faz a experiência de Cahagnet com haxixe em 24 de agosto (15).

Vejam a tradução livre, inédita para o português:

9º ÊXTASE.

SR. ROUSTAN, RELOJOEIRO.

"Este cavalheiro toma a dose comum de haxixe às 11:30; os 1ºs efeitos não são sentidos até às 4 h; eles teriam resultado em nada se eu <Louis Alphonse Cahagnet> não tivesse dado a ele uma dose do meu licor sonambúlico. Este cavalheiro tinha preparado um número de questões, cujas soluções ele desejou obter quando neste estado; mas assim ele não teve sucesso no seu objetivo. Quadros, mais ou menos em harmonia, se apresentaram a sua visão, e nem sempre suportavam uma resposta às suas perguntas, que podem ser divididas em 3 classes: psicológicas, religiosas e políticas; as questões psicológicas eram para saber se nós nascemos materialmente diversas vezes na Terra.

O Sr. Roustan acreditava na afirmativa, de acordo com seus sonâmbulos <provavelmente Célina Japhet>, que lhe asseguravam que ele já tinha vivido materialmente várias vezes; ele acredita que foi um filho de Noé <conforme a Bíblia, um deles se chamava Japhet, além de Sem e Cam>, o bom ladrão <São Dimas>, etc. Ele deseja saber se isso é verdade: a resposta foi na forma de um quadro alegórico representando 3 globos, um dos quais era mais brilhante do que os outros; então apareceu diante dele uma imensa multidão de almas, de altura, forma e cor habituais, passando para um estado de obscuridade, escuridão e morte, e em seguida, voltando ao seu 1º estado, aparentemente indo em torno de uma ilha, e se perdendo nas suas sinuosidades. Esta resposta será categórica para aqueles que compartilham da revelação contida sobre este aspecto no 1º volume dos "Arcanes" <livros de Cahagnet intitulados "Arcanes de La Vie Future Dévoilés" ou "Mistérios da Vida Futura Revelados">; mas não conseguiu destruir a crença que o Sr. Roustan tem de ter aparecido várias vezes na Terra.

A questão religiosa é resumida pela visão de quadros representando o Cristo e a virgem, tanto numa cruz quanto numa montanha alta, e diferentes alegorias das escrituras; tudo misturado com animais de todas as espécies, que incessantemente dificultavam as percepções do Sr. Roustan, por sua proximidade indesejada.

No que diz respeito à questão da política, a resposta foi dada na visão de um furacão terrível, carregando montes de palha, seguido por uma série inumerável de guerreiros, atravessando com a rapidez do relâmpago uma montanha, que barrou sua passagem, parando num vasto espaço repleto de blocos de pedra.

Mil quadros, cada um mais diferente do que o outro, apareceram a ele com rapidez incrível, apresentando-lhe os objetos mais estranhos; água, mares e animais predominavam especialmente. Com o intuito de estabelecer um pouco de harmonia em suas ideias, eu tentei tocar um pouco minha flauta. Ao ouvir a "Marseillaise" ele teve uma visão pitoresca das mais belas. Ele viu um grande quadrado longo, limitado nos 2 lados por uma imensa multidão: um homem a cavalo estava no final, gesticulando na medida, em poses guerreiras e graciosas, como se ele mesmo estivesse cantando este hino patriótico. Este quadro emocionou <"fit une sensible impression sur"> o Sr. Roustan. Assim, terminou o êxtase deste cavalheiro: ou a dose era muito fraca, ou, como eu imagino, ele se sentia constrangido pelas pessoas presentes. Ele propôs tomar uma 2ª vez, a fim de definir plenamente este estado, e obter respostas mais claras às suas perguntas <não sabemos se isto aconteceu>.".

Enquanto isso, neste mesmo ano de 1847, e até 1848, Roustan continua fazendo anúncios no "Annuaire général du commerce, de l'industrie, de la magistrature et de l'administration" oferecendo seus serviços como relojoeiro na Rue du Marché Saint-Honoré, 14 (16), o que também se confirma no "Journal du magnetism" do Sr. Jules Denis du Potet Sennevoy, mais conhecido como Barão Du Potet (17).

Em 1848 Célina encerra sua primeira fase como sonâmbula profissional sob o controle de Roustan. Ambos farão parte do círculo a seguir. Interessante que de 1849 até 1850 Roustan não faz mais nenhum anúncio (pelo menos, não encontramos). O período coincide com o início da 2ª República (1848) até o golpe de estado de 1851 que estabeleceria o 2º Império a partir de 1852. Contudo ele continua em Paris, no círculo do Barão Johann Ludwig von Güldenstubbe. E também de Cahagnet.

Portanto de 1849 até 1854 Célina integra o círculo de 9 pessoas na sua casa à Rue des Martyrs, 46: Sr. (?) e Sra. d'Abnour, Güldenstubbé (e sua irmã?), Roustan, Célina, abade Châtel, além das 3 Srtas. Bouvrais18).

Em 1850 temos os registros das sessões de Cahagnet com a presença de Roustan em "Le Magnétiseur Spiritualiste" (19), e em 1851 ele volta a fazer anúncio como relojoeiro, agora na Rue Notre Dame des Victories, 16 (20), mas não em 1852 (pelo menos, não encontramos). Já de 1853 até 1855 temos novos anúncios, mas em novo número: Rue Notre Dame des Victories, 54 (21). A identificação de endereços é sempre importante para o cruzamento de informações entre os personagens pesquisados, a busca de registros de estado civil, etc.

Depois, de 1855 até 1870, fazem parte daquele círculo: Sr. Tierry, Sr. René Gaspard Ernest "Saint-René" Taillandier, Sr. Tillman (ou seria J. N. Tiedman Marthese?) (22), Sr. Ramon de la Sagra, Sr. Sardou pai (Antoine Léandre Sardou) e Sr. Sardou filho (Victorien Sardou), Sr. Roustan e Sra. (e não Srta.!... será mesmo?) Célina. Nesta frase da entrevista da Sra. Célina ao Sr. Aksakof é dito que o Sr. Ramon participou até morrer (mas ele morreu depois, em 1871, na Suíça) e que o Sr. Roustan participou até por volta de 1864 (como ele faria seu último anúncio no "Annuaire-almanach du commerce, de l'industrie, de la magistrature et de l'administration" de 1863 (23). (desconfiávamos que tinha sido ele quem tinha desencarnado em 1864, mas estávamos equivocados, como veremos adiante).

É em 1855 que temos também o comentário positivo de A. S. Morin sobre Cœlina Japhet. Eis a tradução livre do seu texto sobre o romance "La bonne aventure" de Eugène Sue, encontrado no volume 14 do Jornal do Magnetismo de 1855 (24): "Vamos adicionar 2 fatos que são de nosso conhecimento pessoal <destacamos apenas o 2º>... Uma moça jovem e encantadora teve a curiosidade de consultar seu futuro e dirigiu-se à Srta. Cœlina Japhet, que é ao mesmo tempo sonâmbula, médium e cartomante. As cartas foram usadas. A adivinha ("devineresse") viu que a consulente se casaria com um homem viúvo, de idade madura, e tendo uma menininha; que ela não iria obter o consentimento de seu pai e que ela seria obrigada a fazer uma respeitosa "interpelação com suas intenções" ("sommations"). A consulente protestou e disse que preferia ficar como filha a fazer esse casamento. Mas um ano não se passou, e tudo o que foi anunciado para ela foi realizado de um ponto a outro. Deve-se notar que, durante sua consulta, ela não conhecia ninguém que depois se tornasse seu marido, e que,  consequentemente, a adivinha não poderia ler em sua mente nem prosseguir por conjecturas.".

Mas é no ano de 1856, através de Victorien Sardou, que há o encontro da Srta. (e não Sra.!) Célina com Kardec em 3 de abril. Neste ano temos a revisão feita por ambos da 1ª edição de O Livro dos Espíritos (OLE). Em Obras Póstumas (OP), sem a identificação do número da residência, e na RE (Revista Espírita) de janeiro de 1858 (25) é dito que tais reuniões aconteceram na residência do Sr. Roustan na Rue Tiquetonne, 14; mas em 1856 (e até 1863) Roustan morava (ou apenas trabalhava?) na Rue Tiquetonne, 12 (26)! Foi na casa de Roustan que Kardec recebeu a 1ª revelação da sua missão em 30 de abril de 1856, conforme OP.

Curiosamente, em 1848 Cahagnet morava na Rua Tiquetonne, 17 (sua sonâmbula Adèle Magnot também atendia neste endereço); mas Kardec já não residia mais nesta rua (no nº 10) e Roustan só se mudaria pra lá em 1856 (para o nº 12 ou 14, como acabamos de ver).

Champfleury, pseudônimo de Jules François Felix Husson (27), publica em 1859 sua obra de ficção realista "La mascarade de la vie parisienne" (28), mencionando a Srta. Célina Japhet de forma desabonadora. O romance é uma obra de ficção, contudo o autor é defensor do movimento artístico e literário chamado Realismo. Consequentemente não podemos confirmar se seu conteúdo é "fato ou fake"! Todos sabemos que Kardec só mencionou Célina Japhet na R.E de janeiro de 1858 (...os Espíritos reprovam qualquer tráfico que se possa fazer da sua presença, mas a Senhorita Japhet...), no entanto alguns ignoram o ressentimento dela revelado a Aksakof em 1873 (11).

De qualquer forma, eis alguns fragmentos: "...Matifeu, uma espécie de homem de negócios ... usava o magnetizador <Redjougla> e a sonâmbula <Célina Japhet> como se fossem 2 subalternos.", "...esse grande desejo por dinheiro <de Redjougla> o tinha levado durante 2 anos a aproveitar-se, juntamente com Célina Japhet, de Matifeu, que um dia, dando-se conta que estava sendo enganado pelos 2 escroques, desconcertou-os...", "Matifeu ... conquanto recuperasse os 40.000 francos que o magnetizador lhe tinha extorquido, só aceitou o seu arrependimento na condição expressa que Redjougla e Célina Japhet trabalhassem com exclusividade para ele durante 3 anos, condições que foram aceitas...", "Abaixo de 5 francos (29) ninguém tinha direito à consulta...", "<Matifeu>...levava habilmente as pessoas presentes a falarem sobre o assunto que os levava à consulta, e transmitia a Redjougla e a Célina Japhet as informações que estimulavam os seus fenômenos de dupla vista" e "Redjougla e Céline Japhet, cujo salário era de 1 louis cada um até quitarem a dívida, consideravam-se explorados por Matifeu...".

Não acreditamos que os fatos ocorreram desta forma (quem contaria ao escritor tais detalhes... os próprios personagens?), mas parece evidente que a Srta. Japhet cobrava por seus serviços.

Claro está, mais uma vez, que a firmeza de Kardec, demonstrada entre outros fatos (afastamento da Srta. Huet, crítica ao jornal do Sr. D'Ambel e ao livro do Sr. Roze) (30), foi fundamental para o Espiritismo. Seu bom senso em valorizar mais o conteúdo e a concordância universal da mensagem, em relação aos médiuns e aos Espíritos, também é uma das característica relevantes da Codificação.

Mas em 1861, 12 anos antes da entrevista a Aksakof, Célina já mostrava indiretamente toda sua mágoa com Kardec num artigo na "Revue Spiritualiste" de novembro (31): "Três homens e apenas uma mulher levaram-na <refere-se a Sra. Dabnour | D'Abnour> a sério e formaram um grupo para estudar a nova ideia. Esses 3 homens eram o Sr. Guldenstubbé, o abade Châtel, o magnetista Roustan, e a Sra. <observem que aqui novamente não é usado Srta.> Célina-Japhet, a sonâmbula, esta última com as faculdades mediúnicas das quais devemos a maior parte de O Livro dos Espíritos e que, por este trabalho, aguarda ainda, após 4 anos, a legítima remuneração moral e material do tempo e dos cuidados cansativos ("soins fatigants") gastos por ela.".

Em 1862 Célina participa ainda do círculo da Revue Spiritualiste (rival da Revue Spirite) conforme uma nota na página 62 da edição de janeiro (32). Aliás esta rivalidade pode ser vista na página 9 desta mesma edição ("Um desacordo perfeito separa o espiritismo da Rue SainteAnne <nº 59, no 2º arrondissement> do espiritualismo da Rue du Bouloi <nº 21, no 1º arrondissement>...", <mas separados fisicamente por apenas 850 m>). Neste ano também temos uma carta de Jules Lovy de 12 de abril, publicada no "Le Magnetiseur" de Charles Léonard Lafontaine de 15 de abril (33) criticando a SPEE ("Quanto às sessões semanais do Sr. Allan Kardec, onde se limita à leitura de fragmentos literários ditados pelos mortos, elas
oferecem à minha alma "gourmand" um alimento muito pobre") e contando sobre a evocação da Srta. Désirée Godu, viva (na verdade de "A Voz", seu Espírito familiar), que estabelece uma comunicação telegráfica (na interpretação de Jules) entre a Rue Tiquetonne e a comuna de Hennebont (a quase 500 km de distância).

E em novembro e dezembro temos na Revue Spiritualiste as polêmicas (além do gelo do Polo Norte, existiriam populações civilizadas, de tradições pré-diluvianas) sobre geografia (34), exploradas difamatoriamente pelo Jornal L'Opinion Nationale ("é sem dúvida Japhet <filho de Noé>, um ancestral de Célina, que lhe teria revelado tais mistérios")

Em 1864 Roustan sai daquele círculo formado em 1855... Seus anúncios como relojoeiro também cessam. Ele teria 68 anos. Mas ainda não tínhamos encontrado seu registro de óbito em Paris! Em 1870 começa a guerra Franco-Prussiana e o círculo é desfeito. Depois, de 1871 até 1874, Célina volta a oferecer seus serviços de sonâmbula, agora na Rue des Enfants Rouge, 6 (35). E é em 1873 que há a entrevista de Célina à Aksakof, publicada apenas em 1875, como visto anteriormente. O Sr. Taillandier ainda trabalhava com ela, que usava objetos deixados pelo seu magnetizador, o Sr. Roustan.

A partir de 1875, até 1877, temos novos anúncios de Célina, mas em novo endereço (provavelmente no mesmo edifício, pois houve alteração no nome e traçado da rua): Rue des Archives, 26 (35).

Depois de publicada a entrevista de Célina em 13/08/1875, temos a réplica de Anna Blackwell de 27/08/1875 (36) e a tréplica de Daniel Dunglas Home de 08/10/1875 (37) sobre a reencarnação. Mas é Leymarie em 08/10/1875 (38) que faz a defesa de Kardec em relação às acusações da Srta. Japhet. Vamos destacar apenas alguns fragmentos em tradução livre desta resposta: "Por que o Sr. Kardec deveria dar mais atenção à participação da Srta. Japhet do que a outros médiuns e sonâmbulos que ele mesmerizou e que também confirmam sua parte na compilação de O Livro dos Espíritos? Todos eles são igualmente modestos e despretensiosos." e "Quem sequer pensou em jogar a Srta. Japhet ou qualquer outro médium nas sombras? Todos eles foram úteis no seu caminho em um determinado momento, mas o que pensar de colocar uma dúzia destes nomes no topo de cada parágrafo? Não seria simplesmente absurdo?". De 1878 até 1884 só sabemos do desencarne de Taillandier em 1879 (39).

E em 1884 desencarna Célina Béquet.

Antes havíamos buscado registros de óbito nos arrondissements de alguns hospitais da época (Hôtel Dieu de Paris no 4º arr, Maison Municipale de Santé ou Maison Duboi no 10º arr e Hôpital de la Pitié no 13º arr), além de alguns asilos nas cidades próximas de Paris (40), sem qualquer sucesso. O trabalho do pesquisador ou do investigador é exaustivo. Às vezes, após dias seguindo uma pista, percebemos que ela não chegará a lugar nenhum. Exemplificamos aqui, com um caso de homônimo. Encontramos uma Célina Bequet, mas que morreu no 15º arrondissement em 29 de março de 1884, e foi enterrada 2 dias depois numa cova gratuita no cemitério d'Ivry, que é um cemitério "extra-muros", i.e., fora dos limites da cidade, mas administrado por Paris. Esta nasceu em 1850, portanto muito depois da "nossa" Célina Béquet ter se mudado para Paris.

E finalmente, depois de revelarmos "a verdadeira identidade das primeiras médiuns utilizadas por Kardec", as Srtas. Baudin (41), apresentamos "a verdadeira identidade da 3ª médium utilizada por Kardec", a Srta. Japhet. Mas antes repetimos o alerta: estas informações não são relevantes do ponto de vista doutrinário. Ainda assim, trazem uma contribuição para o resgate fidedigno da história do Espiritismo.

Ela nasceu em 1822 e portanto tinha 35 anos em 1857, 15 anos a mais do que se supunha. Seu verdadeiro nome era Célina (ou Cœlina) Eugenie Béquet.

Seu pai era comerciante de brinquedos ("marchand bimbelotier") e nunca foi viúvo (sua esposa morreu em 1859, depois dele).

Ela viveu seus últimos dias em Paris e morreu solteira.

Ela desencarnou em 1884 aos 62 anos de idade.

Depois de centenas de horas de pesquisa, encontramos um documento de sucessão de uma tal Célina Béquet (42). A partir dele 2 caminhos foram trilhados.

O 1º foi a busca nos registros de estado civil nos Arquivos Municipais de Paris, e posteriormente em Caen, Calvados, etc. Como tínhamos o endereço e a data de óbito, foi só procurar nos registros do 19º arrondissement (3). Mas a 1ª prova circunstancial que conseguimos foi a identificação do Sr. Jean Roustan, relojoeiro, como testemunha no casamento do irmão desta Célina (43). Como já sabíamos, o Sr. Jean Pierre Roustan, relojoeiro, era o magnetizador e grande amigo de Célina Japhet. Além disso, a data de nascimento dela (1) estava coerente com a entrevista dada por ela a Aksakof, analisada anteriormente, e que nos dá a 2ª prova circunstancial. Só restaria uma dúvida, que na verdade desconsideramos por termos observado divergências similares antes: as pessoas não eram muito precisas em informar a idade em alguns registros de estado civil (vejam o caso de Caroline Baudin) (41). No registro de casamento do irmão, Roustan aparece como tendo 60 anos. Ele tinha na verdade 67 anos.

A prova definitiva viria do 2º caminho: a partir do documento de sucessão, conseguimos verificar uma cópia física do inventário de Célina, disponíveis nos Arquivos Municipais de Paris.

E nele encontramos novas informações: ela havia deixado um testamento hológrafo (feito pelas próprias mãos).

Este testamento está nos Arquivos Nacionais da França, em Paris, entre as "Minutes et répertoires du notaire Antoine Pierre LATAPIE de GERVAL, 20 avril 1876 - 21 juin 1892 (étude CIII)", no CARAN (Centre de Recherches des Archives nationales).

Observem que além da assinatura (C. Bequet dite Japhet) o endereço é o mesmo da época em que foi entrevistada por Aksakof (desde 1874 a Rue des Enfants Rouges, 6 é a Rue des Archives, 26; e desde 1903 o número 26 é o número 82) (44).

Seu herdeiro era Joseph Couppierolle, que residia na Rue des Quatre-Fils, 4; a 600 m da Rue des Archives, 26, onde Célina morava na época do testamento (25/09/1876). Talvez ela tenha dado seu imóvel na Rue Payen, 3 como herança, em troca de viver na Impasse Fessart, pois Joseph parece ser o dono também deste imóvel (45).

Em resumo, Célina nasceu na comuna de Caen, departamento de Calvados, na França, em primeiro de abril de 1822 (1), e desencarnou em 30 de abril de 1884 no 19º arrondissement de Paris (3). Morava na época na Impasse Fessart, 14; depois do ano de 1899, Rue Mélingue (46). Impasse é uma rua sem saída. Célina era filha de François Béquet e Aimable Julie Le Planquais.

Esta desencarnou em 21 de maio de 1859 no departamento de la Manche, como viúva Béquet (47). O Sr. Béquet trabalhava como comerciante de brinquedos, como vemos no registro de nascimento de Célina e em outra fonte de 1836 (48). Célina, que era a 2ª, teve mais 3 irmãos: Antonielle Justine de 1819, Georges Alphonse de 1823 e Aimable Hippolyte de 1827. Este último se casou em 1863 e teve Jean Roustan como testemunha. Interessante que Aimable Hippolyte, um vendedor ambulante, foi condenado em 1846 (pela venda de escritos ilícitos), em 1852 (por desacato ao oficial da força policial) e mais tarde, em 1872 (por porte de armas) (49). Os filhos deste "comunard" de Nogent-sur-Marne nasceram entre 1854 e 1863, portanto antes da oficialização do casamento, sendo que a 1ª nasceu na Bélgica (teria ele se exilado e depois sido anistiado, como Leymarie?). Seria este (os eventos antes da prisão em 1846) o motivo da Srta. Célina ter adotado o sobrenome Japhet? Como ela disse, a mudança em 1845 foi por motivos familiares. Acreditamos que aqui tenhamos nossa 3ª prova circunstancial.

Mas por que Célina teria escolhido o sobrenome Japhet? Temos uma hipótese, que infelizmente não terá como ser comprovada. Ei-la: Sr. Roustan acreditava ser a reencarnação de um dos filhos de Noé (o da arca. Japhet era um deles.

Descobertas posteriores: https://bit.ly/2XglxZk (registro de óbito do pai de Célina) e https://bit.ly/3oDYfsg (confirmação da identidade do Sr. Roustan).

Conclusão de caso: Neste artigo demonstramos que a médium Srta. Japhet, mencionada por Kardec na Codificação, é Célina Eugenie Béquet, e que seu magnetizador, Sr. Roustan, é Jean Pierre Roustan.

O magnetizador - Sr. ROUSTAN:

Mais um personagem misterioso tem sua identidade revelada aqui no CSI do Espiritismo. Já sabíamos que o magnetizador de Célina Japhet se chamava Jean Pierre Roustan, tinha nascido nos “Basses Alpes” e o pai se chamava François Xavier, mas não havíamos descoberto nenhum dos seus registros de estado civil. Agora, com a ajuda do filae.com, pudemos encontrá-los.

Recordamos antes que algumas inconsistências de datas são normais, como já mostrado em outras ocasiões, por exemplo, no artigo sobre as irmãs Baudin, publicado no JEE (https://sites.google.com/.../volume.../resumo---art-n-010202).

Seu registro de óbito foi encontrado no 18º arrondissement de Paris. Ele desencarnou em 04/01/1874 (e não em 1864, como havíamos deduzido anteriormente), quando morava no distante Chemin Latéral 10. (4x)

Ele nasceu em 25/09/1796 em Digne (antiga capital dos “Basses Alpes”, atual Digne-les-Bains, capital dos “Alpes-de-Haute-Provence”). Portanto ele não nasceu em 1798, como outros indícios sugeriam, por exemplo, seu próprio registro de óbito, mas sim em 4 de vindemiário do ano 5 do calendário revolucionário francês. Ele era irmão gêmeo de Felix Chrisosthome Roustan e filho de Pierre François Xavier Roustan (4).

O irmão faleceu em 1828 e o pai em 1838, ambos em Digne.

A história do Sr. Roustan, importante personagem de O Livro dos Espíritos como magnetizador da Srta. Japhet, pode ser encontrada na monografia já mencionada anteriormente sobre ela, que alega também ser a grande contribuidora de O Livro dos Médiuns. Com isso finalizamos a revisão da dita monografia.

Registro de nascimento dos irmãos gêmeos Felix Chrisosthome e Jean Pierre Roustan

Nasceu em 25 de setembro de 1796 em Digne (Antiga capital dos “Basses Alpes”, atual Digne-les-Bains, capital dos “Alpes-de-Haute-Provence”) ((4) Pág. 52)

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

 

Registro de óbito de Jean Pierre Roustan

O falecimento ocorre em 04 de Janeiro de 1874. O registro de óbito foi encontrado no 18º arrondissement de Paris. ((4x) - Pág. 06)

CSI do Espiritismo - Imagens e registros históricos do Espiritismo

 

Abreviaturas utilizadas:

OLE: O Livro dos Espíritos
OP: Obras Póstumas
RE: Revista Espírita
SPEE: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
SPES: Société Parisienne des Études Spirites

Allan Kardec e a médium Srta. Japhet:

Muitas vezes já nos dirigiram perguntas sobre a maneira por que foram obtidas as comunicações que são objeto de O Livro dos Espíritos. Resumimos aqui, com muito prazer, as respostas que temos dado a esse respeito, pois que isso nos ensejará a ocasião de cumprir um dever de gratidão para com as pessoas que, de boa vontade, nos prestaram seu concurso.

Como explicamos, as comunicações por pancadas, ou tiptologia, são muito lentas e bastante incompletas para um trabalho alentado; por isso jamais utilizamos esse recurso: tudo foi obtido através da escrita e por intermédio de vários médiuns psicógrafos. Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são, textualmente, as que foram dadas pelos Espíritos; a maior parte delas foi escrita sob nossas vistas, algumas foram tomadas das comunicações que nos foram enviadas por correspondentes ou que recolhemos para estudo em toda parte onde estivemos: a esse efeito, os Espíritos parecem multiplicar aos nossos olhos os motivos de observação.

Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas B ***, cuja boa vontade jamais nos faltou: este livro foi escrito quase por inteiro por seu intermédio e na presença de numeroso auditório que assistia às sessões e nelas tomava parte com o mais vivo interesse.

Mais tarde os Espíritos recomendaram a sua completa revisão em conversas particulares para fazerem todas as adições e correções que julgaram necessárias. Essa parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, (*) que se prestou com a maior boa vontade e o mais completo desinteresse a todas as exigências dos Espíritos, pois eram eles que marcavam os dias e as horas para suas lições. O desinteresse não seria aqui um mérito particular, visto que os Espíritos reprovam todo tráfico que se possa fazer de sua presença; a senhorita Japhet, que é também sonâmbula notável, tinha seu tempo utilmente empregado, mas compreendeu, igualmente, que dele poderia fazer um emprego proveitoso, consagrando-se à propagação da Doutrina.

Quanto a nós, temos declarado desde o princípio, e nos apraz reafirmar aqui, jamais pensamos em fazer de O Livro dos Espíritos objeto de especulação, devendo sua renda ser aplicada às coisas de utilidade geral; por isso seremos sempre reconhecidos aos que se associarem de coração, e por amor do bem, à obra a que nos estamos consagrando.

[*] Rua Tiquetonne, 14

Allan Kardec

Revista Espírita de janeiro de 1858

Os três homens e uma mulher só a levaram a sério e formaram um grupo com o objetivo de estudar a nova ideia. Esses três homens eram o Barão de Guldenstubbé, o Sr. l'Abbé Châtel e o magnetista Sr. Roustan e a médium Srta. Célina Japhet, esta última sonâmbula, e cujas faculdades mediúnicas devemos a maior parte do O LIVRO DOS  ESPÍRITOS, publicado em abril de 1857 e que, para esta obra, ainda espera, passados ​​quatro anos (1861), a legítima remuneração moral e material do tempo e dos cansativos cuidados dispensados por ela.

Z. J. Piérart - Revue Spiritualiste (1861) - Pág. 389

Fontes: CSI DO ESPIRITISMO - Imagens e registros históricos do Espiritismo (Acessar o Facebook) (Páginas contendo descobertas da Médium: Célina Japhet | Magnetizador: Roustan)

Fontes: Allan Kardec.OnLine (Manuscritos Raros e Inéditos de Allan Kardec - Museu Virtual e Historiografia do Espiritismo)

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Carlos Seth Bastos - CSI do Espiritismo (A Médium de Kardec - Srta. Japhet) (Sr. Roustan - O Magnetizador)

 

Allan Kardec - Revista Espírita de Janeiro de 1858 (FEB)  (Comentário de Allan Kardec sobre a médium Srta. Japhet)

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