Auguste BEZ

O PALADINO DE ALLAN KARDEC

CONTEMPORÂNEO DE ALLAN KARDEC

O GRANDE MÉDIUM DE Bordeaux

 

O FUNDADOR DOS PRIMEIROS JORNAIS ESPÍRITAS

A VOZ DE ALÉM-TÚMULO (La voix d’outre-tombe)

UNIÃO ESPÍRITA DE BORDEAUX (L' Union Spirite Bordelaise)

 

O GRANDE VANGUARDISTA DO ESPIRITISMO

ESCRITOR, MÉDIUM, ARTICULISTA ESPÍRITA, UNIFICADOR

(OS GRANDES GIGANTES DO ESPIRITISMO)

 

JOURNAL PÉRIODIQUE

L 'UNION SPIRITE BORDELAISE

(REVUE DE L' ENSEIGNEMENT DES ESPRITS)

DIRECTION M. AUGUSTE BEZ

TOMES (25 À 37)

(DÉCEMBRE 1865 À MARS 1866)

Biografia de Auguste Bez:

Na história do Espiritismo, nos primórdios da Codificação, na França, destaca-se o ilustre nome de Auguste Bez, um dos mais laboriosos e proeminentes espírita da primeira hora doutrinária, atuando na cidade de Bordeaux.

Em 1860, pelas estimativas de Allan Kardec, havia “milhares de sociedade livres ou reuniões particulares, existentes na França e no estrangeiro” (1).

(1) Kardec, Allan. Revista Espírita, abril de 1860, Brasília: Ed Edicel, 2004

Na mesma época, Auguste Bez calculava um número mais significativo. Dizia que “mais de mil cidades ou aldeias na França possuem reuniões espíritas, isto é, reuniões de amigos onde, após ter orado a Deus, se estuda a filosofia religiosa sob todas as suas faces, e em que se procura as provas da imortalidade da alma e as consolações para os corações aflitos, conversando com aqueles que deixaram seu envoltório corporal, mas que não estão mortos” (2).

(2) Union, Nº 8, 22 de julho de 1865

Allan Kardec observa pessoalmente, em sua primeira visita à cidade de Bordeaux, em outubro de 1861, a excelência de médiuns que aí existiam: “Encontramos em Bordeaux numerosos e excelentes médiuns em todas as classes, de todos os sexos e idades. Muitos escrevem com grande facilidade e obtêm comunicações de elevado alcance, o que, aliás, os Espíritos nos haviam prevenido antes de nossa partida” (3).

(3) Kardec, Allan. Revista Espírita, novembro de 1861, Brasília: Ed Edicel, 2004

A militância espírita de Auguste Bez foi descrita na brochura Almanach Spirite para 1865. Na obra, escrita em Bordeaux e concluída em 18 de dezembro de 1864, não consta o nome do autor, pois, na página de rosto, apenas consta que o volume se encontrava à venda no Bureaux de La voix d’outre-tombe, 19, rue du Palais-de-l’Ombrière (endereço do próprio Bez).

O Almanach Spirite para 1865 anota que Auguste Bez era médium ativo, devotado e muito maleável nas influências dos Espíritos de todos os graus e categorias. Sua devoção era tamanha que participou de praticamente todos os grupos espíritas de Bordeaux, colocando sua faculdade que Deus lhe outorgou à serviço de todos.

Convicto, coerente e aguerrido, encara, em 1862, a primeira polêmica em defesa das ideias espíritas. Inicialmente no periódico “l’Etincelle”, em seguida no “jornal Renard”. Além do mais, posteriormente soube enfrentar as duras críticas do Sr. Philibert Burlet, famoso estudante de medicina de Lyon, que espalhava aos “quatro ventos” a ideia trágica de ser o Espiritismo a causa da alienação mental. (4)

(4) Almanach, pp. 72-3.

Houve um núcleo espírita de Bordeaux que Bez colaborava fortemente. Trata-se do “Grupo Roux”, um dos muitos grupos da comunidade espírita de Bordeaux. Esse miolo espírita era presidido por Jean Bardet, tipógrafo impressor, residente no pátio St-Jean, nº 93, que desencarnou em 23 de outubro de 1863, aos 34 anos. Ressalte-se que o “Grupo Roux” é citado por Allan Kardec, numa subscrição em favor dos operários de Rouen: “está aberta uma subscrição, no escritório da Revista Espírita, 59 rue et passage Saint-Anne, em favor dos operários de Rouen, a cujos sofrimentos ninguém ficaria indiferente. Vários grupos e sociedades espíritas já nos enviaram o produto de sua arrecadação. Convidamos os que pretendem contribuir a apressarem sua remessa, pois o inverno está aí!” (5)

(5) Kardec, Allan. Revista Espírita, janeiro de 1863, Brasília: Ed Ed. Edicel, 2004

A vida prossegue e o ano de 1864 ainda seria cheio de revelações e realizações, na vida missionária de Auguste Bez. Em 31 de julho de 1864, ocorre o lançamento do jornal La voix d’outre-tombe, com o Bureau fixado em sua residência: 19, rue du Palais de l´Ombrière. (6)

Allan Kardec também saúda a chegada de La voix:

“Eis a quarta publicação periódica espírita que aparece em Bordeaux, e que temos a satisfação de incluir nas reflexões que fizemos em nosso último número sobre as publicações do mesmo gênero. De longa data conhecemos o Sr. Bez como um dos firmes sustentáculos da nossa causa. Sua bandeira é a mesma que a nossa e temos fé em sua prudência e moderação. É, pois, um órgão a mais, que vem juntar sua voz às que defendem os verdadeiros princípios da doutrina. Que seja bem vindo!”.

(6) Kardec, Allan. Revista Espírita, setembro de 1864, Brasília: Ed Ed. Edicel, 2004

Em junho de 1865, é fundado a L´Union spirite bordelaise, sob a coordenação do Sr. A. Bez, diretor da La Voix d’Outre-tombe. Unificando, pois, os 4 periódicos, a saber: “La Ruche”, “le Sauveur des Peuples”, “La Lumière” e “la Voix d’Outre-tombe”.

O L´Union spirite bordelaise, há o editorial que exibe a linha de condução do Diretor-Gerente. Na aludida apresentação, compreendemos a visão espírita cristã que revela muita maturidade doutrinária de Augusto Bez.

No artigo “Sr. Fumeaux - um jesuíta”,  foi escrito por Auguste Bez que Kardec leu com encanto, relata a cura em Marmande, também apreciado pelo Codificador, é uma longa missiva enviada pelo Sr. Dombre para Moncher monsieur Bez, em 25 de maio de 1865.

Em 01 de maio de 1864 Auguste Bez publicou a obra Les Miracles de nos jours, ou les manifestations extraordinaires obtenues par l'intermédiaire de Jean Hillaire.

O Codificador leu e recomendou, com elogios, consoante matéria estampada na Revue Spirite: “A obra do Sr. Bez é escrita com simplicidade e sem exaltação. Não só o autor diz o que viu, mas cita numerosas testemunhas oculares, a maioria das quais se interessou pessoalmente pelas manifestações. Esses não teriam deixado de protestar contra as inexatidões, sobretudo se lhes tivesse feito representar um papel contrário ao que se passou. O autor, justamente estimado e considerado em Bordeaux, não se teria exposto a receber semelhantes desmentidos. Pela linguagem se reconhece o homem consciencioso que teria escrúpulo em alterar conscientemente a verdade. Aliás, não há um só fenômeno cuja possibilidade não seja demonstrada pelas explicações que se acham no Livro dos médiuns” (7).

(7) Kardec, Allan. Revista Espírita, agosto de 1864, Brasília: Ed Ed. Edicel, 2004

Auguste Bez, em 10 de novembro de 1868, concluiu e publicou um livro intitulado “Un faux médium dévoilé”, com edição em Paris, Bordeaux e Toulouse.

O livro aborda o tema de um médium falso, Sra. Rodière, indicada pelo Sr. Piérart, que realizou algumas reuniões na sede do grupo espirita, onde Bez ainda era vice-presidente, e que causou inúmeros transtornos, mas que, desmascarada, retirou-se, permanecendo o referido núcleo espírita alicerçado na robusta rocha da verdade.

O médium Auguste Bez foi um dos maiores paladinos da Doutrina Espírita, sendo uma das maiores personalidades dentro do movimento espírita francês e seu labor pela divulgação do Espiritismo jamais poderá ser quantificado.

Irmãos W. e Jorge Hessen

União Espírita Bordelense:

A cidade de Bordeaux na França contava quatro publicações espíritas periódicas: La Ruche, le Sauveur des Peuples, La Lumière e la Voix d’Outre-tombe. Como La Lumièree e le Sauveur des Peuples, estavam sob a mesma direção, na realidade havia apenas três, que acabam de fundir-se numa única publicação, sob o título de União Espírita Bordelense e sob a direção do Sr. M. Auguste Bez, diretor da Voix d’Outre-tombe.

Cumprimentamos esses senhores pela medida que adotaram e que os nossos adversários se equivocariam se a tomassem como indício de decadência da doutrina. Fatos muito mais concludentes aí estão para provar o contrário.

Os materiais do Espiritismo, embora muito numerosos, rolam num círculo mais ou menos uniforme; daí a falta de variedade suficiente e, para o leitor que os queria receber a todos, uma carga muito onerosa, sem compensação. A nova folha bordelense só poderá ganhar com esta fusão, em todos os pontos de vista, e fazemos votos por sua prosperidade. Lemos com prazer, nos primeiros números, uma ótima refutação aos artigos do Sr. Fumeauxs obre a iniqüidade e os flagelos do Espiritismo, bem como um interessantíssimo relato de uma nova cura em Marmande. (Ver a seguir em obras diversas).

Ária e letra compostas pelo rei Henrique III, em 1574, e reveladas num sonho em 1865 ao Sr. N. C. Bach; Legouix, editor, 27, boulevard Poissonnière, Paris. Preço marcado: 3 fr.

Allan Kardec

Fontes: Revista Espírita - Ano 1865 - Mês de Julho

Aos nossos leitores:

Apresentação da 1º edição da L’Union Spirite Bordelaise

A conclamação aos espírita de Bordeaux

O novo jornal, que toma o título de L’Union Spirite Bordelaise, aparecerá, a partir de 1º de junho 1865, quatro vezes por mês, em fascículos de 24 páginas (uma folha grande in-12), Formará, assim, a cada três meses, um magnífico volume de cerca de 300 páginas, com índice e capa especial; ou seja, quatro belos volumes por ano.

Tomando em mãos a direção de L’Union spirite bordelaise, não poderíamos nos enganar, por um instante, nem quanto à grandeza da tarefa que nos incumbe, nem quanto à fraqueza dos meios de que dispomos pessoalmente para cumpri-la. Assim, sentimos, mais do que nunca, a imperiosa necessidade de fazer apelo às luzes dos espíritas inteligentes e esclarecidos, todos dedicados à propagação da doutrina santa, e vimos pedir-lhes que nos ajudem em nossa fraqueza, com sua força, para sustentar nossa coragem com o concurso de sua sabedoria, de sua experiência e de suas luzes.

Os Espíritos do Senhor que, segundo a promessa do Cristo aos seus apóstolos bem-amados, se espalharam sobre a Terra, a fim de trazer a seus irmãos essa Revelação da Revelação há tanto tempo esperada, quererão também, disso temos a íntima convicção, ajudar-nos em nossa difícil tarefa. Com seu apoio esclarecido e com o de nossos irmãos, ser-nos-á permitido, pelo menos é o que esperamos, triunfar sobre os obstáculos numerosos postos em nosso caminho, e talvez seja dado a L’Union spirite bordelaise trazer sua pedra à construção do grande edifício do futuro.

O Espiritismo, além disso, não é nem a obra pessoal de um homem, nem a revelação pessoal de uma só individualidade espiritual. Ele se dirige a todos e se serve de todos para o triunfo da fé solidamente baseada na razão, e o estabelecimento de um dogma de que só entrevemos ainda as luminosas e beneficentes claridades, mas que, apesar do que dizem nossos adversários, será o dogma consolador e puro de um tempo que não está distante.

Cada um tem, então, o direito, seja encarnado na Terra, seja livre no espaço, de trazer sua ajuda à obra de iniciação para o progresso, e de consolidação da sociedade pela explicação lógica e fria dos princípios imutáveis revelados à humanidade desde seus primeiros passos na Terra. Assim como o cristianismo não veio destruir os princípios divinos da lei mosaica, o espiritismo não poderia procurar destruir os princípios divinos da lei cristã; ele vem, ao contrário, explicá-los, e, dissipando as espessas trevas de que o homem os tem cercado, fazer brilhar aos olhos de todos as verdades imutáveis que o mundo não tem reconhecido ou repelido senão porque não pudera compreender a sublime grandeza deles.

Procurar a verdade por toda parte onde ela se encontre, e isso abrindo suas colunas a toda discussão franca e leal; trabalhar tanto quanto lhe permitirão seus modestos recursos para o estabelecimento do reino de Deus sobre a Terra, tal é o objetivo que perseguirá sem descanso L’Union spirite; e, para a perseguição desse objetivo, convidamos todos os corações amantes do bem, do belo, do verdadeiro; todos aqueles que ainda não perderam toda esperança no cumprimento das promessas sagradas, todos aqueles que esperam o momento bendito em que a verdade reinará na Terra e transformará os homens pela caridade e pelo amor. Temos a firme confiança de que nosso apelo encontrará ecos fiéis para repeti-lo e vozes amigas para responder a ele.

O Espiritismo, poderíamos dizê-lo e repeti-lo, não se dirige àqueles a quem sua convicção é suficiente; ele não vem arrancar os crentes ao altar, nem tirar de uma religião qualquer de seus adeptos que aí encontram a paz de suas almas e a consolação de seus corações; ele se dirige somente a essa maioria imensa de almas que congelam no ateísmo, no materialismo e devastador indiferentismo e, infelizmente para a glória da humanidade, o campo aberto aos seus trabalhos é bastante vasto para que não ambicione ir levar a perturbação às consciências em que pode viver a paz. É um erro atacá-lo de todas as partes com uma violência tão inexplicável quanto imerecida e de apontá-lo à vindita pública como um flagelo que é preciso evitar com cuidado, se não se pode livrar dele a Terra.

Durante esta publicação, teremos algumas vezes que defendê-lo dos ataques numerosos dirigidos contra ele. Nós o faremos com firmeza, mas nos esforçaremos para fazê-lo também com dignidade, com calma. Em nossas polêmicas, em nossas refutações, esforçar-nos-emos para merecer o título de “adversário polido” que quis outorgar-nos ano passado, em plena Faculdade, um sábio professor de teologia cujos argumentos e conclusões tínhamos combatido; atacaremos algumas vezes as doutrinas, mas respeitaremos sempre os homens que as sustentam, porque nós mesmos, sinceramente convencidos, não podemos, nem devemos supor que nossos adversários não o sejam também, seja qual for o abismo que separe nossas crenças das deles. Não esqueceremos, sobretudo, de que a única maneira de provar a superioridade da tese que se defende é de se mostrar à altura dos deveres que ela impõe; ora, o Espiritismo é todo amor e caridade; esforçar-nos-emos, pois, para sermos amoráveis e caridosos, mesmo para com nossos adversários.

Possam Deus e os bons Espíritos dar-nos a força sem a qual nos seria impossível cumprir essas promessas!

Auguste Bez

Diretor-Gerente

(Ano de 1865, Cidade de Bordeaux, França)

Psicografias de Auguste Benz publicadas em diversos Jornais Espíritas de Bordeaux no tempo de Allan Kardec: 

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium: Sr. Aug. BEZ.

Grupo B...

 

Um Ano Novo

 

O tempo passa, amigos, o tempo passa e a verdade prossegue sem cessar o caminho que os espíritos receberam a missão de lhe traçar, através dos rochedos quase impenetráveis da incredulidade e do materialismo que criaram o orgulho, a ambição, a hipocrisia e todos os vícios sob o abraço dos quais geme e se arruína a pobre humanidade.

O tempo passa, os anos se escoam e os maus, pouco a pouco, desaparecem da superfície da terra. O ano que terminou engoliu um grande número, e esse que começa ainda destruirá mais deles.

Quando disse: destruirá, falo dos corpos, porque os espíritos são indestrutíveis, como tudo que é imortal, mas os corpos sendo destruídos os espíritos voam para as esferas que lhes estão destinadas e a terra é assim libertada de uns e de outros. Perda que está bem longe de lhe ser prejudicial, porque, se os maus dela se vão, eles são substituídos com muita vantagem pelos bons que chegam de todas as partes.

De norte a sul, do ocaso à aurora, todas as nações recebem em seu seio Espíritos que, sob a forma de pequenos querubins rosas sempre sorridentes, vêm trazer – hoje frágeis e fracas crianças, em alguns anos homens de gênio cheios de moral e de virtude – seu concurso à grande Obra da regeneração.

Coragem crianças, coragem! sereis poderosamente secundados; aos operários do Senhor não poderiam faltar os apoios, porque o Pai celeste lhes envia irmãos e chefes para engrossar as fileiras dessa armada abençoada que deve dar batalha às paixões da terra e vencê-las para sempre.

Coragem, irmãos, coragem! Lançai um olhar sobre o caminho que, em alguns anos apenas, tendes percorrido. A distância superada é imensa; já a divina luz clareou o mundo e, quanto mais caminhamos, tanto mais sua claridade redobra de intensidade, tanto mais seu doce calor aquece todos os corações e faz reviver a Fé, a Esperança e a Caridade.

Salve 1864! Salve ano bendito que vens, tu também, marcar, com uma marca indestrutível, uma das etapas gloriosas da Obra de regeneração.

Antes que a terra tenha completado a revolução que ela apenas começou, muitos Espíritos estarão encarnados de novo sobre seu solo; muitos incrédulos terão aberto os olhos à luz e terão preparado um ouvido atento aos acentos suaves e melodiosos que não cessam de ressoar a santa Caridade e a doce Esperança. Muitos Espíritos fortes, enfim, serão conduzidos no mundo espírita para se convencer de que sua ciência não era senão uma vã e estéril utopia. Lá eles serão forçados a queimar essa matéria que adoraram e de reconhecer o Espírito, esse Espírito que tanto os fazia rir e que eles não mais poderão negar, porque só ele restará e sua filosofia extinguir-se-á impotente.

Possa o Criador, do qual eles desconheceram as leis, estender sobre eles os tesouros inesgotáveis de sua misericórdia! Possa o arrependimento penetrar com a luz em suas almas, a fim de tornar sua punição menos cruel e menos longa! Progresso! Progresso! Marche, marche sempre para teu objetivo eterno: a perfeição total.

Ó meu Deus! que tua sabedoria é imensa! que teus decretos são imutáveis! Dá-nos a graça, Senhor, de proteger teus filhos fiéis; cobre com tua égide paternal todos os Espíritos que trabalham na santa colheita, que eles sejam errantes ou encarnados, humildes ou poderosos, sábios ou ignorantes. Faze que, durante esse ano que começa, todos se abracem no inefável abraço da Fraternidade e que, numa perfeita união, tirem, por intervenção de tua bondade e de teu amor, essa força invencível diante da qual desaparecerão os obstáculos que a incredulidade e o orgulho amontoam sobre o caminho da Verdade.

Bonifas-Larroque

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium, Sr. A. BEZ.

Grupo Roux

 

A dúvida e o desânimo, vindo depois da fé e da convicção, provam que essa fé não era sólida e que essa convicção era mais aparente do que real, já que o menor sopro a faz desaparecer, como um furacão que passa faz desaparecer as folhas em novembro.

Muitos corações buscando a verdade e não a encontrando abraçaram o Espiritismo com um ardor irrefletido. Viram brilhar a luz e se lançaram nos braços desta doutrina que lhes pareceu tão bela, tão tocante, tão em harmonia com as necessidades de suas almas. Mas eles só se prenderam a ela pelos brilhos exteriores; não compreenderam dela os deveres imperiosos e difíceis de cumprir. Espíritas de nome, eles se deixaram levar à deriva logo que suas paixões reclamaram contra as flagelações sem rodeios dos Espíritos.

Em seu orgulho, ou, antes, em sua irreflexão, eles acreditavam submeter às suas ordens os seres invisíveis; às vezes estes se prestaram aos seus caprichos, e quiseram ainda submetê-los por mais tempo, mas logo reconheceram que não estamos às suas ordens, que, como eles, temos nosso livre-arbítrio e que, muitas vezes, nos recusamos a nos comunicar com aqueles que não o merecem, que deixamos de dar instruções àqueles que não as ponham em prática.

E por que seríamos nós sempre seus humildes servidores? Por que lançar a semente divina sobre os calhaus onde ela não pode germinar? Por que lançar sob os pés dos porcos as pérolas preciosas que Deus nos encarregou de levar sobre a terra para ornamento dos Espíritos escolhidos?

Nossa missão é grande, porque as necessidades da humanidade são grandes e urgentes; o momento da separação dos bons e dos maus chega, aproxima-se a grandes passos e nada temos que fazer com esses que fecham seus ouvidos e seus corações e não querem nos escutar.

Muitos ainda não ouviram a voz celeste que exclama: Coragem, filhos dos homens, levantai a cabeça e que a esperança renasça em vossos corações, porque eis aqui a boa nova: Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão e sua vida. Não quero a morte do pecador, diz o Senhor pela boca de seu profeta Ezequiel, mas eu o perseguirei eternamente até que ele se converta e caminhe na senda reta. Essa exclamação divina, que faz desaparecer o Deus inflexível, para só mostrar ao pecador o Pai sempre terno, sempre bom, sempre pronto a perdoar, só punindo com pesar a fim de não enganar sua infinita justiça; essa exclamação divina que os Espíritos, tantas vezes, fizeram ouvir na terra, tão bem, os homens a esqueceram, e Deus, cuja misericórdia nunca se fatiga, nos enviou para ainda o conduzir desde os quatro cantos dos céus.

Ó homens que escutais essa voz bendita, não endurecei vossos corações e não tapai vossos ouvidos, porque o momento supremo está vindo. Nesse apelo poderoso, levantai-vos com ardor, sacudi o torpor que entorpece vossos membros, retomai vosso bastão de viagem e recomeçai vossa marcha pela rota do progresso que conduz à perfeição, isto é, à eternidade bem-aventurada. Muito bem! Desde muito tempo ficastes estacionários, desde muito tempo vos detivestes, preferindo as miseráveis e pérfidas flores que as paixões humanas semeiam sob os passos do homem carnal, na senda plena dos escolhos, dos óbices e dos espinhos que é necessário seguir para chegar a Deus. Mas, se essas flores encantam um instante, o prazer que elas causam é bem efêmero, e não tardareis em reconhecer que elas ocultavam aos vossos olhos um precipício horroroso do qual é preciso sair quando nele se caiu e cujas bordas eriçaram pontas agudas que dilaceram vossa alma e vosso corpo.

Coragem, então, marchai adiante, sempre adiante e subi para os Céus. E vós, pobres cegos, que vos deixastes arrastar pela dúvida e aos quais a coragem fez falta, escutai nossa voz amiga; vinde a nós, nós vos estendemos os braços e queremos vos tomar pela mão para vos ajudar a subir com esforço a senda penosa. Ainda um esforço e tereis recuperado o caminho que abandonastes. Coragem, então, irmãos, coragem; levantai vossos olhares para os Céus; a nuvem que, um instante, os tinha ocultado à vossa vista, dissipou-se, e a estrela que ilumina o caminho aí reaparece mais bela e mais brilhante que nunca.

Bonifas-Larroque

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium, Sr. A. BEZ.

Grupo Toulouse

 

IRMÃOS, UNAM-SE !

 

Irmãos, unam-se! É o grito que fazemos retinir em seus ouvidos, desde o feliz momento em que Deus nos permitiu manifestar-nos a vocês; e, esse grito, não cessaremos de vo-lo repetir-lhes, porque ele é a sua proteção e o mais seguro apoio sobre o qual vocês podem apoiar sua fé.

Irmãos, unam-se! porque o tempo da prova chega. Ao longe, a tempestade estrondeia; sem cessar ela se aproxima e, em pouco tempo, ela vai cair sobre vocês.

Irmãos, unam-se, porque os ventos desencadeados pelas paixões e pelos ódios roncarão sobre suas cabeças, e os dispersariam aos quatro cantos do Universo, se vocês não bebessem numa santa união da força irresistível que amansará a tempestade.

Assim como um frágil caniço, submetido às intempéries das estações, curva a cabeça e se dobra sob os golpes redobrados do vento sul em cólera, assim vocês seriam tratados se vivessem sempre separados de seus irmãos.

Mas o caniço que não teme aliar-se ao carvalho, nem abraçar seu tronco forte e nodoso com seus ramos flexíveis, enfrenta, sem um instante de inquietação, a tempestade mais impetuosa, e, prodígio miraculoso! seus talos tão frágeis mas incessantes trepadores protegem o próprio rei das florestas, e, fazendo uma muralha com seu corpo, torna-o invulnerável para sempre.

Por isso, eu lhes digo ainda: Irmãos, unam-se, e pensem bem que ninguém, aqui embaixo, é bastante forte para suportar sozinho todo o esforço da luta.

Irmãos, unam-se, porque é preciso que o forte ajude, com sua força, o fraco; é preciso também que o fraco una sua fraqueza ao forte, a fim de que, todos juntos, façam um só e mesmo feixe, e realizem, enfim, essa admirável palavra do Cristo:

“Ajudai-vos uns aos outros”.

Irmãos, unam-se! porque, se vocês ficassem divididos, o sopro das paixões os dispersaria de um lado e de outro, como os restos de um navio despedaçado pela tempestade, e vocês não poderiam um instante resistir à dúvida e ao desânimo que seguem os momentos de prova.

Irmãos, unam-se, porque, se ficassem unidos, formariam uma falange inabalável contra a qual viria se chocar, mas em vão, todo o exército dos inimigos.

Assim nós tornaremos a dizer-lhes sem cessar:

Irmãos, unam-se!

Um Espírito simpático

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium: Sr. Aug. BEZ.

Grupo B...

 

Amigos, é um dever e um dever bem doce vir, ao sair da vida terrestre, vos dar conta de minhas impressões.

Vós o sabeis tudo assim como eu, muitas vezes procuramos juntos desvendar o futuro, esse futuro que nos ocultava a tumba. Muito jovem, me foi dado penetrar esse grande segredo, e me comprazo em vos dizer aqui, de uma maneira solene, minhas esperanças não
foram desiludidas.

Ainda preso ao meu leito de dor, tinha a alma mergulhada nas esferas imensas da eternidade; os Espíritos que ainda não posso reconhecer, mas que, com certeza, são Espíritos amigos, vinham me consolar no meio das minhas mais cruéis dores, e me mostravam a rota da felicidade, e essa vista me fazia esquecer meus sofrimentos.

Amigos, não deixarei de vo-lo repetir: minhas esperanças, que são as vossas, não foram desiludidas para além da tumba.

Oh! como teria desejado me manifestar abertamente a um de vós, no meio dessa numerosa reunião de amigos que conduziram meu despojo mortal à sua derradeira morada! Muitas influências contrárias impediram essa manifestação; mas eu estava presente no pensamento de todos, me comunicava com eles intuitivamente e enchi seus corações de alegria e de esperança.

Que inefável consolação às idéias espiritistas não se verteram como ondas no coração de meus queridos pais e nos vossos também, meus bons amigos! E quanto às palavras simples e tocantes que dois dentre nossos irmãos pronunciaram sobre minha tumba,agitaram os corações dos incrédulos!

Oh! obrigado, meus bons amigos, obrigado; continuai com ardor a aprofundar a ciência sagrada que os bons Espíritos vieram nos desvendar. De agora em diante unir-me-ei a eles e, se bem que ainda muito fraco, farei todos os meus esforços para vos ajudar na procura da Verdade. Espírito, farei muito freqüentemente ressoar em vossos ouvidos essas palavras sagradas que me ditavam muitas vezes os nossos bons guias: “Coragem e confiança, porque a hora da libertação vai soar logo”.

Adeus, caros amigos, não me estendo muito esta noite, porque estou fraco ainda e a combinação dos fluidos que me são necessários me incomoda muito. Ajudai-me com vossas preces a fim de que possa, rápido, gozar inteiramente de minhas novas faculdades.

Não vos digo adeus como o dizem só aqueles que estão sem esperança além da tumba; não, meu adeus significa: Até à vista, porque nós nos reveremos, aqui embaixo, por minha presença em nossas reuniões, e também um dia nas esferas celestes, quando o momento vier em que, vós também, quebrareis vossa prisão para tomar vosso vôo para Deus.

Amigos, e vós também meus queridos pais, coragem e confiança e, sobretudo, bani a dor que assedia vossa alma. Se vos deixei corporalmente, pensai que estou entre vós em Espírito; se o número de vossos irmãos terrestres está menor por minha morte, pensai que, por minha morte também, o número de vossos irmãos espirituais aumentou.

E vós, querido amigo, com quem trabalhei tanto tempo, vós que me ajudastes tão poderosamente, quando eu dirigia o grupo Roux, oh! não quero me retirar sem vos agradecer e sem vos repetir também essas palavras sagradas: Coragem e confiança!

Adeus, caros amigos, enviai essa comunicação à minha mãe, ela lhe fará bem.

Jean Bardet

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium: Sr. Aug. BEZ.

Grupo Roux

 

Elogios dirigidos aos médiuns

 

Amigos, um grande defeito existe em quase todos os grupos espíritas.

Esse defeito é tanto maior quando conduz muitos médiuns à sua perda e, com eles, muitas pessoas semiconvencidas de que, vendo esses próprios médiuns desanimar e abandonar a prática da doutrina que eles eram os primeiros e os mais ardentes a ensinar, se desencorajam tanto mais facilmente, e abandonam a procura da verdade.

Esse vício é muito útil dá-lo a conhecer a vocês. Ei-lo:

ELOGIOS QUE SE DIRIGEM AOS MÉDIUNS SOBRE AS COMUNICAÇÕES QUE RECEBEM.

Esquece-se, geralmente, que o médium só é uma máquina que o Espírito faz mover a seu gosto, e se, por essa máquina, o Espírito dá algum bom ensinamento, em seguida se dirigem ao médium elogios que ele está longe de merecer e que, muitas vezes, o conduzem à sua perda, porque, ai de mim!, ele é levado a ter a ilusão de suas qualidades e os elogios o enchem de orgulho.

Então, ele olha com desdém as comunicações obtidas por seus irmãos, vê se elas estão marcadas com o mesmo sinete de grandeza que as que ele próprio obtém, e despreza, não só os Espíritos que as ditam, mas também os médiuns que as interpretam e estes, muitas vezes desencorajados, renunciam ao exercício de sua faculdade.

Infeliz! Envaidecido pelos elogios, ele se entrega ao orgulho, esse laço odioso que maus Espíritos não cessam de estender, e então ele se torna a vítima inevitável de Espíritos zombadores, frívolos e tirânicos que lhe inspiram suas comunicações falsas e errôneas; que, pouco a pouco, o dominam, impondo-lhe todas as suas vontades e afastando-no dos grupos sérios onde ele tinha o hábito de ir, porque eles temem ser desmascarados pelos homens austeros e direitos e ver escapar sua vítima.

Assim fascinado, e dominado pelos Espíritos que seu orgulho atrai, o médium recebe o castigo merecido por suas faltas e paga bem caro o prazer que lhe causaram um instante algumas palavras lisonjeiras.

Oh! meus amigos, lembrem-se constantemente de que a humildade e a caridade são virtudes e de que só elas encerram todoo Espiritismo.

Então, por que os médiuns se orgulham de suas obras?

A máquina vai se gabar do trabalho que se faz por meio dela?

A locomotiva arrastando atrás de si os milhares de viajantes tem o direito de dizer-lhes: “Sou eu que os conduz, é a mim que vocês obedecem?”

Não obedece ela própria ao vapor que a governa e a leva a seu gosto e sem o qual ela seria apenas um corpo inerte e insensível?

E o vapor também não obedece aos caprichos, à vontade do mecânico que lhe impõe todos os movimentos que ele quer fazê-lo executar?

Deve acontecer o mesmo com os médiuns, meus amigos. Eles são a locomotiva da qual os Espíritos são o vapor, e uns e outros obedecem à vontade suprema de Deus, o todo-poderoso mecânico que dirige todas as coisas.

“FELIZES SÃO OS HUMILDES E OS PEQUENOS DA TERRA, DISSE JESUS CRISTO, PORQUE O REINO DOS CÉUS É PARA
ELES”.

Um Espírito simpático

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium: Sr. Aug. BEZ.

Grupo Roux

 

O MELHOR MEIO DE OBTER BOAS COMUNICAÇÕES

 

É para mim um prazer e um dever participá-los do que sei.

Como vocês, aprendi porque me ensinaram e porque trabalhei para compreender e reter as instruções que me deram.

Hoje minha maior felicidade é fazer para os outros o que outros fizeram por mim, e a felicidade é tanto maior quando as pessoas às quais me dirijo se empenham seriamente em me ouvir e me compreender, e fazem o maior esforço para pôr em prática as lições que lhes dou.

Porque observem bem isso, amigos:

É que queremos que vocês pratiquem a Caridade e a Fraternidade.

Não é suficiente pronunciar belas palavras, é necessário provar que elas saem do coração e que vocês não são como um instrumento de música que faz retinir sons melodiosos, mas que não entende nada desses sons, nem lhes saboreia a suave harmonia.

Espero que vocês me compreendam e que eu não seja forçado a dirigir-lhes advertências a esse respeito. Convençam-se de que, se for o caso, não deixarei de fazê-lo porque, se a caridade tem muitas formas, uma delas é dizer aos homens coisas desagradáveis e pouco lisonjeiras para seu amor próprio, se eles o merecem, e se tais censuras podem servir ao seu melhoramento.

Pergunta: Devemos fazer a evocação de Espíritos sofredores?

Resposta: Sim, chamem os Espíritos sofredores e procurem moralizá-los; muitas vezes vocês perdem tempo e não chegarão a nada a não ser rasgar papel, ou a ouvir asneiras, às vezes até blasfêmias.

Nesse caso, peçam a Deus que enviem Espíritos superiores junto a esses Espíritos rebeldes, para fazê-los compreender que eles andam no mau caminho e procurem reconciliá-los com o bem.

Mas vocês encontrarão também alguns que os ouvirão, serão dóceis aos seus conselhos e se melhorarão. Desses, ainda que vocês só encontrassem um em cem, um, mesmo em mil, seus trabalhos seriam abençoados, porque o Cristo disse:

“HÁ MAIS ALEGRIA NO CÉU PARA UM PECADOR QUE SE EMENDA, DO QUE PARA CEM JUSTOS QUE NÃO PRECISAM DE ARREPENDIMENTO”.

Coragem, então, e perseverança.

Um Espírito simpático

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium: Sr. Aug. BEZ.

Grupo Toulouse

 

O PERDÃO

 

Perdão das ofensas, é um desses deveres sublimes que a Caridade encerra em seu seio.

Cristo, o divino modelo, nos disse: “FAZEI O BEM ÀQUELES QUE VOS FAZEM O MAL, BENDIZEI AQUELES QUE VOS AMALDIÇOAM, PERDOAI AQUELES QUE VOS OFENDEM E ORAI POR VOSSOS PERSEGUIDORES” e, juntando o exemplo aos preceitos, a fim de melhor mostrar que esses preceitos não são palavras vãs e que se pode praticá-los em toda a sua extensão, ele ofereceu em holocausto, à humanidade inteira, uma vida cheia de amor e de caridade, onde a abnegação de si mesmo foi sempre aliada da bondade para os outros, mesmo para aqueles que estão encarnados para sua perda e que o fizeram morrer da morte ignominiosa da cruz.

Ah! vocês que se dizem seus discípulos, todos vocês, filhos de Deus, cuja nobre missão é melhorar a fim de chegar um dia puros de toda mancha aos pés de seu trono eterno, tenham sempre seu divino modelo presente no pensamento.

Cada vez que alguns de seus irmãos, esquecendo seus deveres ou levados por um orgulho tolo, uma vaidade insensata, vierem insultá-los ou, ocultamente, procurarem prejudicá-los, escutem as palavras do Cristo saindo de sua boca expirante e subindo para o céu, exalando um perfume tão suave de amor e de felicidade: “OH! MEU DEUS, PERDOAI VOS, PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM!”

Que esse grito parta de seus peitos, que saia do mais profundo de seus corações, e, longe de sentir o cruel aperto da ofensa, vocês se sentirão muito alegres pela maneira pela qual serão vingados.

Sim, porque a vingança, essa serpente hedionda que os antigos ousaram chamar de verdadeiro prazer dos deuses, aquece em seu seio as mais amargas dores, os mais lancinantes males.

Ferindo seu inimigo no coração, vocês se ferem a si mesmos, e, com freqüência, sucumbem sob seus terríveis golpes antes que seu adversário seja alcançado.

Mas, se, para se vingar, vocês prodigalizam o amor e o perdão, esse amor e esse perdão, que devem atrair para vocês o sarcasmo e o mais inveterado ódio, vocês sentem passar sobre suas feridas pungentes como um sopro celeste que as refrigera e as cura instantaneamente.

E o que acontece muitas vezes, se seu inimigo tocou sua generosidade, se lança aos seus pés e reconhece suas próprias iniqüidades, oh! vocês estarão nobremente vingados, não é?

Que transportes de júbilo! Que santo delírio d´alma! Vocês salvaram um irmão; mais que isso, um inimigo.

Eis aí a vingança que o Criador pede; eis aí o prazer indizível que se poderia chamar de verdadeiro prazer de Deus, mas que Deus, em sua infinita bondade, deixou em parte aos humanos.

Felizes são aqueles que o sabem cultivar e colher! Receberão a doce recompensa; na terra e nos céus eles saborearão seu delicioso perfume.

Um Espírito simpático

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

Sociedade Espírita de Bordeaux

Médium: Sr. Aug. BEZ.

Grupo B...

 

A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE

 

A Fé, a Esperança e a Caridade são as três bases sobre as quais devem todos vocês apoiar-se para chegar ao Céu, sua pátria, nossa pátria, de todos.

Pela Fé, sabemos que essa felicidade eterna e sem nome nos está reservada.

Pela Esperança, experimentamos o avanço em nossos corações, os efeitos benéficos e salutares, cuja doce influência nos ajuda a atravessar com calma as mais rudes provas da vida.

Pela Caridade, trabalhamos em nosso melhoramento, melhorando a sorte de nossos irmãos que sofrem, de todos os nossos irmãos, porque todos sofrem, todos são infelizes, todos se sujeitam às provas. Uns, as da riqueza, outros, as da pobreza; uns, as da doença que os abate, outros, as da saúde da qual abusam; todos, qualquer que seja sua posição social, estão submetidos às provas que devemos procurar aliviar não só por nossas instruções, mas também por nossos pensamentos e nossas preces, mais ainda que por nossa cooperação material.

Com Fé, Esperança e Caridade nada é impossível ao homem. Conduzido ligeiramente por suas asas azuis, ele se lança radioso em direção à eternidade bem-aventurada onde o esperam os Espíritos já chegados ao termo de seu curso.

Sem elas, ai de mim!, nada lhes cabe em partilha, nada a não ser a miséria, o remorso e o desespero.

Oh! meus bons amigos, peçam a Deus que lhes permita adquirir essas três virtudes que se resumem numa só: a Caridade, e lembrem-se, repito-o mais uma vez, que, sem ela,não há salvação.

Um Espírito simpático

(Ano de 1864, Cidade de Bordeaux, França)

O banquete idealizado por Auguste Bez, nosso biografado estampa, com alegria, uma nota, na L’Union (2º ano, nª 51, 15 de junho de 1866, p. 48), informando o endereço e o horário das reuniões de estudo da Nova Sociedade Espírita de Bordeaux:

"Informamos que as sessões de estudos da Sociedade Espírita de Bordeaux são realizadas aos sábados, às 8 horas da noite, 23 rue des Menuts, 1º andar."

Fontes: Bibliothèque Nationale de France

 Fontes: A Luz na Mente - Revista On Line de Artigos Espíritas (Evocar ou não espírito, uma breve reflexão espírita)

 Fontes: Artigos Espíritas Paulo Neto (Materiais de Pesquisas Espíritas)

"Para mim, muito de minha fé, dessa fé que se apóia sobre provas palpáveis, proclamá-la-ei sem cessar, alto e bom-som: Eu creio em Deus, na imortalidade da alma e em suas manifestações. Creio na caminhada sempre ascendente dessa alma através dos milhares de milhões de mundos dos quais o Grande Arquiteto acreditou dever encher sua incomensurável criação. Creio numa recompensa ou numa punição sempre proporcional aos méritos ou às faltas. Repilo como criminoso, como atacando a bondade e a justiça de Deus, a idéia revoltante de um inferno eterno e, se me engano, disso reclamo com confiança ao Soberano Juiz para julgar meu erro, persuadido de que, mais que tudo, será dada a cada um a parte que lhe toca."

Auguste Bez "Les Miracles de nos jours, ou les manifestations extraordinaires obtenues par l'intermédiaire de Jean Hillaire"

"Mais de mil cidades ou aldeias na França possuem reuniões espíritas, isto é reuniões de amigos onde, após ter orado a Deus, se estuda a filosofia religiosa sob todas as suas faces, e em que se procura as provas da imortalidade da alma e as consolações para os corações aflitos, conversando com aqueles que deixaram seu envoltório corporal, mas que não estão mortos."

Auguste Bez "L' Union Spirite Bordelaise nª 8, 22 de julho de 1865, p. 173"

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - Revista Espírita (FEB) - 1865 (Ver o Artigo  Publicado na Revista Espírita no Mês de Julho)

 

Journal Périodique - L' Union Spirite Bordelaise - année 1865 (Arquivo Zipado)

 

Journal Périodique - L' Union Spirite Bordelaise - année 1866 (Arquivo Zipado)

 

Auguste Bez - Les Miracles de nos jours, ou les manifestations extraordinaires obtenues par l'intermédiaire de Jean Hillaire (1864) (Fr) (Obra rara publicada por Auguste Bez)