ALLAN KARDEC

FIRST ÉDITIONS DES LIVRES EN FRANÇAIS

(LIVRES RARES)

 

ALLAN KARDEC

AS PRIMEIRAS EDIÇÕES DOS LIVROS EM FRANCÊS

(LIVROS RAROS)

 

 

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

No dia 11 de setembro de 1856, o cesto se moveu na casa das irmãs Baudin e uma mensagem animadora chegou do além:

— Compreendeste bem o objetivo do teu trabalho. O plano está bem concebido (...). Estamos satisfeitos e nunca te abandonaremos. Crê em Deus e avante.

A comunicação trazia a seguinte assinatura: “Muitos Espíritos”.

No dia 17 de abril de 1857, Zéfiro também se manifestou pelas mãos de Caroline Baudin. Desta vez, seu tom era bem mais sóbrio e comedido:

— Não te deixas arrastar pelos entusiastas, nem pelos muito apressados. Mede todos os teus passos, a fim de chegares ao fim com segurança. Não creias em mais do que aquilo que vejas; não desvies a atenção de tudo o que te pareça incompreensível.

A mensagem poderia ter sido assinada pelo Espírito da Verdade, inclusive pelas revelações seguintes, nada animadoras:

— Mas, ah!, a verdade não será conhecida de todos, nem crida, senão daqui a muito tempo! Nessa existência não verás mais do que a aurora do êxito da tua obra. Terás que voltar, reencarnado noutro corpo, para completar o que houveres começado (...).

Rivail foi em frente.

Na manhã de 18 de abril de 1857, 1.500 exemplares da obra começaram a ser vendidos em Paris, com a chancela do editor Pierre-Paul Didier, por 3 francos cada um. Em dois meses — para surpresa de Rivail, ou melhor, de Allan Kardec —, a primeira tiragem já estava esgotada.

Os espectadores dos fenômenos das mesas girantes e dos cestos escreventes, ou mesmo os críticos de diversões ou ilusões fúteis como aquelas, encontraram nas páginas do livro perguntas e respostas desconcertantes, divididas em três partes: “Doutrina espírita” (com dez capítulos), “Leis morais” (onze capítulos) e “Esperanças e consolações” (três capítulos).

A primeira pergunta da série era quase uma resposta aos católicos que encaravam como heresia ou satanismo o ato de consultar os mortos:

— O que é Deus?

Deus é a suprema Inteligência, causa primeira de todas as coisas.

A segunda questão era tão cristã quanto a primeira:

— Onde encontrar a prova da existência de Deus? Basta lançar os olhos sobre as obras de sua criação.

Difícil imaginar começo menos herético. Mas nem tudo era tão apostólico assim. As definições básicas do glossário do além levavam o leitor para bem longe do mundo de anjos e demônios, exorcismos e excomunhões, missas de ação de graça e lutos fechados dos ritos católicos e protestantes.

De acordo com a nova doutrina, o homem seria formado por três dimensões: o corpo denso, “de carne”; a alma imaterial, “dona do corpo”; e o liame, intermediário entre alma e corpo, que une a carne ao espírito (o “perispírito”).

Em resumo: alma, ser imaterial e individual que reside em nós e sobrevive ao corpo; mundo espírita, mundo eterno, preexistente e sobrevivente a qualquer outro; e mundo corporal, secundário, que poderia deixar de existir, ou nem mesmo ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita.

Um mundo novo — e eterno — se descortinava a cada página.

Eram muitas as boas-novas: a morte não é o fim, mas um recomeço; a Terra é apenas um dos mundos habitados neste universo infinito, e está longe de ser o mais evoluído deles; estamos de passagem por este planeta para resgatar dívidas de existências anteriores, cumprir missões e renascer, em seguida, em outros estágios de evolução, num processo constante de aprendizado rumo à perfeição; o corpo no caixão é pura carne, mero cadáver; a vida real, verdadeira, está fora dele, no espírito liberto do peso da matéria.

Mas de onde viriam tantas revelações?

No capítulo final do livro, Rivail deu nome e sobrenome aos ilustres colaboradores invisíveis.

Que a Igreja o perdoasse, mas João Evangelista — ele mesmo, um dos doze apóstolos de Cristo — e Vicente de Paulo, o sacerdote santificado pelo papa no século anterior, estavam na lista de comunicantes, ao lado do teólogo católico liberal François Fénelon, morto no século anterior.

Que a ciência se conformasse, mas o renomado Benjamin Franklin, inventor do para-raios e das lentes bifocais, e o controvertido matemático espiritualista Emanuel Swedenborg também contribuíram para as novas revelações, acompanhados por dois médicos contemporâneos de Rivail, recém-falecidos, o alemão Samuel Hahnemann, considerado o pai da homeopatia, e o cirurgião francês Guillaume Dupuytren.

A relação de celebridades reunia ainda o todo-poderoso imperador Napoleão I, tio do católico Napoleão III, agora no poder, e o filósofo ateniense Sócrates condenado à morte pelo crime de “não aceitar os deuses reconhecidos pelo Estado” na Atenas de quatro séculos antes de Cristo.

O misterioso Espírito da Verdade não foi citado uma única vez. Talvez integrasse uma outra categoria mencionada por Kardec entre seus colaboradores do além: “Os demais habitam esferas elevadas, não viveram na Terra ou aqui apareceram em época muito remota.”

Sim, os mortos estavam vivos... E felizes pela oportunidade de fazer contato.

Capítulo II — “Ventura e desventura na Terra”

Como é agradável poderdes entrar em comunicação com vossos amigos pelos meios que tendes e que se propagam mais e mais todos os dias, enquanto esperais obter outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos. (…) A possibilidade de entrar em comunicação com os espíritos é uma agradabilíssima consolação, pois nos proporciona o meio de nos entretermos com os nossos parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós.

Em todos os cantos da atormentada Paris, mais e mais gente lia, sublinhava, estudava e divulgava as boas-novas. Sofrimento? Expiação. Morte? Separação provisória.

Uma sensação de alívio acompanhava a leitura de trechos como este:

Capítulo VII — “Múltiplas encarnações”

— Que acontece à alma da criança morta em tenra idade? Reentra em outro corpo para recomeçar nova existência.

Em espírito, pais e lhos, viúvos e órfãos, unidos por vínculos imortais, se reencontrariam ao longo dos tempos, a cada existência, numa sucessão de múltiplas encarnações. E todas as dores da vida não seriam em vão. A cada renascimento, seríamos recompensados se fizéssemos a nossa parte, de acordo com a lei moral número um: “Não fazeis aos outros aquilo que não quereis que os outros vos façam.”

Uma frase do escritor Goethe, extraída de As afinidades eletivas, de 1809, resumiria toda a lógica desta dinâmica infinita: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar. Esta é a lei.”

Este seria o epitáfio inscrito no suntuoso mausoléu erguido em homenagem a Allan Kardec no cemitério do Père-Lachaise, doze anos depois.

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

 

RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD

 

Allan Kardec - Le Livre des Esprits - 1ª Édition (1857) (Fr)

 

Allan Kardec - Le Livre des Esprits - 2ª Édition (1860) (Fr) (1ª Reproduction Historique et Rara da 2ª Édition)

 

Allan Kardec - Le Livre des Esprits - 14ª Édition (1866) (Fr)

 

Allan Kardec - L'Évangile selon le spiritisme - 3ª Édition (1866) (Fr)

 

Allan Kardec - L'Évangile selon le spiritisme - 4ª Édition (1868) (Fr)

 

Allan Kardec - Le Livre des Médium - 1ª Édition (1861) (Fr)

 

Allan Kardec - Le Livre des Médium - 2ª Édition (1862) (Fr) 

 

Allan Kardec - Le Livre des Médium - 6ª Édition (1863) (Fr)

 

 Allan Kardec - Le Ciel et l'enfer ou La justice divine Selon le Spiritisme - 1ª Édition (1865) (Fr)

 

 Allan Kardec - La Genèse - Les Miracles et les Prédictions Selon le Spiritisme - 1ª Édition (1868) (Fr)

 

 Allan Kardec - La Genèse - Les Miracles et les Prédictions Selon le Spiritisme - 4ª Édition (1868) (Fr)

 

Allan Kardec - Le Spiritisme à sa plus simple expression - 1ª Édition (1862) (Fr)

 

Allan Kardec - Qu'est-ce que le Spiritisme - 6ª Édition (1865) (Fr)

 

Allan Kardec - Résumé de la loi des phénomènes spirites - 1ª Édition (1864)

 

Allan Kardec - Voyage Spirite en 1862 - 1ª Édition (1862) (Fr)

 

Allan Kardec - Caractères de la révélation spirite (1868) (Fr)

 

Allan Kardec - Instruction pratique sur les manifestations spirites - 1ª Édition (1858) (Fr)

 

Allan Kardec - Le Spiritisme a sa Plus Simple Expression 1ª Édition (1862)

 

Allan Kardec - Revue Spirite - Journal D' Etutes Psycholigiques - 1ª Édition (1858) (Fr)

 

Oeuvres Posthumes / Allan Kardec - 6ª Édition (1912) (Fr)

 

Fontes: Bibliothèque Nationale de France