ALLAN KARDEC

VIAGEM ESPÍRITA EM 1862

(E OUTRAS VIAGENS DE KARDEC)

TRADUTOR - EVANDRO NOLETO

EDITORA FEB

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Allan Kardec

Voyage Spirite

en 1862

 

CHEZ LES ÉDITEURS DU LIVRE DES SPRITS

35, QUAI DES GRANDS-AUGUSTINS

 LEDOYEN, LIBRAIRE-ÉDITEUR

PALAIS-ROYAL, 31 GALERIE D' ORLÉANS

01ª ÉDITION - PARIS (1862)

Sinopse da obra:

Esta obra é o relato da viagem realizada pelo Codificador no ano de 1862, que o levou a mais de vinte cidades, nas quais presidiu aproximadamente 50 reuniões organizadas pelas entidades espíritas das localidades visitadas.

Para Kardec essa viagem teve a finalidade de avaliar a situação em que se encontrava a Doutrina Espírita e levar ao conhecimento geral as orientações necessárias aos organizadores dos diferentes Centros.

Nos três discursos pronunciados por Kardec, em Lyon e Bordeaux, foram feitas valiosas considerações sobre a conduta dos espíritas, as atividades dos grupos e importantes temas que envolvem os adeptos.

O Codificador oferece também instruções particulares aos grupos em resposta a diversas questões propostas e, por fim, um Projeto de Regulamento para o uso de grupos e pequenas Sociedades Espíritas.

Apresentação de Allan Kardec:

BIBLIOGRAFIA

Viagem espírita em 1862

Por Allan Kardec

Acabamos de visitar alguns Centros Espíritas da França, lamentando que o tempo não nos tenha permitido ir a toda parte onde nos haviam convidado, nem prolongar nossa estada em cada localidade como o desejávamos, em razão da acolhida tão simpática e tão fraterna que por toda parte recebemos.

Durante uma viagem de mais de seis semanas e um percurso total de seiscentas e noventa e três léguas, paramos em vinte cidades e assistimos a mais de cinquenta reuniões. O resultado nos proporcionou uma grande satisfação moral, sob o duplo aspecto das observações colhidas e da constatação dos imensos progressos do Espiritismo.

O relato dessa viagem, que compreende principalmente as instruções que demos nos vários grupos, é muito extenso para ser publicado na Revista, pois absorveria quase dois fascículos. Dele faremos uma publicação à parte, do mesmo formato do jornal, a fim de, caso necessário, ser a ela anexado.

Em nosso percurso fomos visitar os possessos de Morzine, na Saboia; ali também recolhemos importantes observações, muito instrutivas, sobre as causas e o modo da obsessão em todos os graus, corroborados por casos idênticos e isolados, por nós vistos em outras localidades, assim como os meios de a combater.

Será objeto de um artigo especial e desenvolvido, que tínhamos a intenção de inserir neste número da Revista; o tempo, porém, não nos permitiu terminá-lo, obrigando-nos adiá-lo para o próximo número [v. Estudos sobre os possessos de Morzin]. Aliás, só terá a ganhar, porque feito com menos precipitação. Além disso, vários fatos recentes vieram esclarecer essa questão, abrindo novos horizontes à patologia.

Este artigo responderá a todos os pedidos de esclarecimentos que frequentemente nos dirigem sobre casos análogos.

Julgamos oportuno aproveitar esta circunstância para retificar uma opinião que, em geral, se nos tem afigurado muito propalada.

Várias pessoas, sobretudo na província, haviam pensado que os gastos com essas viagens corriam por conta da Sociedade de Paris. Vimo-nos forçado a refutar esse erro quando a ocasião se apresentou.

Aos que pudessem ainda partilhar dessa opinião, lembramos o que foi dito em outra circunstância (número de junho de 1862), que a Sociedade se limita a prover as despesas correntes e não possui reservas. Para que pudesse formar um capital, teria de visar o número; é o que não faz, nem quer fazer, pois seu objetivo não é a especulação e o número nada acrescenta à importância de seus trabalhos.

Sua influência é toda moral e o caráter de suas reuniões dá aos estranhos a ideia de uma assembleia grave e séria. Eis o seu mais poderoso meio de propaganda. Assim, não poderia ela custear semelhante despesa.

Os gastos de viagem, como todos os necessários às nossas relações com o Espiritismo são cobertos por nossos recursos pessoais e por nossas economias, acrescidos do produto de nossas obras, sem o que nos seria impossível acudir a todas as despesas consequentes à obra que empreendemos. Dizemos isto sem vaidade, unicamente em homenagem à verdade e para edificação dos que imaginam que entesouramos.

Allan Kardec

Revista Espírita de Novembro de 1862

Temas doutrinários:

QUE SE ABRAM AS CORTINAS

Desta vez, Kardec preferiria não entrar em polêmica. Tinha muito trabalho a fazer nas cidades onde era bem-vindo. Depois de descansar da maratona do ano anterior, arrumou as malas de novo para atender a convites feitos pelos aliados de Bruxelas e da Antuérpia. Por todo canto, nos bairros mais populares e nas regiões mais nobres da Bélgica, eram inauguradas novas associações espíritas dedicadas não aos “sonhos da magia e da aparição de espíritos”, mas à caridade.

Em um destes centros, batizado de A Fraternidade, os sócios se uniram para oferecer roupa e comida aos necessitados, e patrocinar uma creche para famílias de operários. Em outro grupo, o Amor e Caridade, associados percorriam bairros da periferia para dar apoio espiritual e material em visita semanais.

Kardec festejou a “revolução em marcha” na região e se rendeu também a um fenômeno típico da fase definida por ele como “jardim de infância do espiritismo”. Ele já tinha assistido a prodígios de muitas mesas e cestos encantados, mas nunca testemunhara mesa mais ligeira — e mais habilidosa — do que a de um médium de Antuérpia.

Os ditados do além vinham a jato através dos três pés da mesa. Cada um ecoava uma série de letras do alfabeto: o pé número um, do A ao H; o dois, do I ao P; e o três, do Q ao Z. Três assistentes se desdobravam para contar as pancadas e convertê-las em letras — cada um atento a um dos pés. Uma pancada, letra A, duas pancadas, letra B, e assim sucessivamente, de acordo com o velho método.

Havia, porém, uma novidade neste processo já um tanto ultrapassado: as palavras se formavam de trás para a frente. Eram ditadas ao avesso e geravam textos de até vinte linhas em menos de quinze minutos, diante de testemunhas perplexas.

Kardec, que já não se impressionava com fenômenos como este, trataria de dividir seu entusiasmo com os leitores da Revista Espírita na edição de outubro de 1864:

Esta divisão de letras, aliada à cooperação de três pessoas que não se podem comunicar, à rapidez do movimento e à indicação das letras em sentido inverso, tornam a fraude materialmente impossível.

Em Bruxelas, testemunhou outra manifestação extraordinária. Sem que ninguém evocasse qualquer espírito, a médium, lápis à mão, pôs no papel a seguinte frase, escrita com letras trêmulas e graúdas: “Arrependo-me, arrependo-me. Latour.”

Sete pessoas acompanharam a cena, ou melhor, uma sequência eletrizante. Logo depois de escrever as primeiras palavras, a médium largou o lápis e entrou em transe. Com as feições crispadas, mãos enrijecidas, olhos arregalados de terror, passou a dar voz ao recém-chegado: um criminoso executado na guilhotina.

O que Latour via e sentia do outro lado atemorizou a todos.

— Piedade! Que é a guilhotina perto do quanto sofro agora? Nada. Esse fogo que me devora é pior; é uma morte contínua, é um sofrimento que não deixa trégua nem repouso. E minhas vítimas estão aí, em volta de mim, me mostram suas feridas... Me perseguem com o olhar. E este mar de sangue? E este ouro manchado de sangue? Tudo sangue. Ei-las essas pobres vítimas; elas me imploram... E eu, sem piedade, firo... Firo... Firo sempre. O sangue me embriaga.

O inferno era ali.

Kardec transcreveu o pedido de socorro do criminoso arrependido e o divulgou como um alerta geral. Melhor fazer o bem para não se arrepender depois.

Esta seria a mensagem central de seus discursos em Bruxelas e Antuérpia.

O descrente poderia duvidar de tudo — da mesa eletrizante e da médium transtornada —, mas não poderia questionar a caridade.

Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior

Ver no site a cidade de Bordeaux um dos maiores pólos de divulgação do Espiritismo na França através do paladino de Allan Kardec o médium Auguste Bez

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (A História do Espiritismo - Allan Kardec O Codificador da Doutrina Espírita)

Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Programa Espiritismo em Foco - Doutrina dos Espíritos sem Jesus não faz sentido)

Fontes: Le Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec 

"Entre os que adotam as idéias espíritas, há, como sabeis, três categorias bem distintas:

1ª) - Os que crêem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que não lhes deduzem nenhuma conseqüência moral;
2ª) - Os que vêem o lado moral, mas o aplicam aos outros e não a si próprios;
3ª) - Os que aceitam para si mesmos todas as conseqüências da Doutrina, e que praticam ou se esforçam por praticar a sua moral."

Allan Kardec "Viagem Espírita em 1862"

 

 


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VIAGEM ESPÍRITA EM 1862

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