Religião e Espiritismo

Análise de novas fontes de informações

 

Documentos inéditos atribuídos a Allan Kardec são publicados na Revista Espírita, meio século depois do falecimento do Codificador Espírita, reunidos e apresentados como um "Estudo das Religiões comparadas com a Filosofia Espírita". A partir daí, um grupo de pesquisadores debruçaram-se sobre este "estudo" a fim de analisar a correlação do seu conteúdo com outras fontes já conhecidas e reconhecidas como de autoria kardequiana, tais como as próprias obras básicas da Codificação Espírita e manuscritos do acervo público do Projeto Allan Kardec da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG.

Este livro é, portanto, o apanhado dessa minuciosa pesquisa, acompanhada da transcrição integral do texto original em francês e sua tradução para o nosso português, além de textos complementares, incluindo um artigo traçando o "perfil religioso de Kardec". Incluindo a "Análise textual dos documentos".

 

OBRA RARA TRADUZIDA

 

 

Grupo Marcos (Carlos Luiz)

 

Centre Spirite Chico Xavier (César S. dos Santos)

 

Luz Espírita - Espiritismo em Movimento (Ery Lopes)

 

Associação Espírita Casa dos Humildes (Luís Jorge Lira Neto)

 

Autores Espíritas Clássicos (Irmãos W.)

 

 Versão digitalizada:

© 2021

Distribuição gratuita:

 

NOTAS MANUSCRITAS DE ALLAN KARDEC:

 

Tivemos a sorte de encontrar, em meio a velhos papéis que em grande parte datam de meio século, uma quantidade de folhas manuscritas de Allan Kardec. Ao invés de lhes incinerar, nosso editor, respeitosamente, dispôs-se a lê-los, a fim de extrair aquilo que deles poderia oferecer algum interesse para os assinantes da Revista Espírita.

 

O conjunto dessas notas forma um estudo sucinto das Religiões, divididos em quatro capítulos, ou melhor, quatro coleções de notas sob uma mesma capa, que ele intitulou:

 

Estudo das Religiões

I. – Introdução.
II. - Necessidade de uma religião. Recrudescimento do materialismo.
III. - Liberdade de consciência. Direito de mudar de religião.
IV. – Decadência das religiões

 

Não pretendemos publicar todas essas notas que compunham para o Mestre os diversos materiais que ele reuniu no entorno do trabalho para levantar uma obra que ele não teve tempo de edificar. Daremos um certo número de páginas aos nossos leitores que experimentarão, ao reler as antigas notas de Allan Kardec, o sabor que encontramos em uma fruta que não degustávamos desde muito tempo.

 

Não afirmamos que essas páginas serão apresentadas na ordem que o escritor mesmo teve que estabelecer, nem que estarão em seu lugar as numerosas notas que a elas estão anexadas, mas extrairemos o melhor delas a fim de compor alguns artigos que farão compreender a ideia do grande filósofo que foi o iniciador e propagador do Espiritismo.

 

Separaremos por asteriscos as notas que parecem se referir à cada capítulo e que têm esse grande valor a nossos olhos que, saindo de seu cérebro, foram traçadas por sua mão. Enfim, o leitor considerará que essas ideias foram emitidas há 50 anos e que desde que Allan Kardec as lançou na terra, elas brotaram.

 

A REDAÇÃO

PAUL LEYMARIE

 

REVISTA ESPÍRITA DE OUTUBRO DE 1908

APRESENTAÇÃO:

Oferecemos à comunidade espírita a compilação de uma série de documentos cuja autoria é atribuída a Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, documentos esses publicados no ano de 1908 (portanto, cerca de meio século depois da presumida composição dos referidos textos) na Revista Espírita (Revue Spirite, no original em francês) então sob a direção geral de Paul Leymarie, tratando essencialmente do tema “religião”, inclusive sendo anunciado como “um estudo” sobre tal tema, quer dizer, uma análise mais apurada. E por que a temática da religiosidade dentro do movimento espírita é assunto recorrente — e não raro envolto de controvérsias e polêmicas — pensamos seja oportuno este trabalho, pelo qual reunimos a compilação dos textos mencionados, sua tradução e mais dois artigos na seção Anexos como apoio interpretativo para os leitores, verificando os documentos e contextualizando o estudo proposto.

Folha de rosto da Revista Espírita, edição de outubro de 1908

O fato histórico:

O fato elementar é que na edição de outubro de 1908 da Revista Espírita, página 590, (1) é publicado uma nota (“Notas manuscritas de Allan Kardec”) dando conta aos seus leitores que havia sido encontrada uma boa quantidade de manuscritos do Mestre pioneiro espírita, e que dentre esses documentos alguns textos formavam um estudo suscinto sobre as Religiões, estudo esse que aquele jornal se propunha a publicar sob o título Estudo das Religiões, dividindo-o em quatro capítulos, sendo o primeiro deles (Introdução) já disposto naquela edição; os capítulos restantes ficariam para as três edições subsequentes.

Parece interessante observarmos que, por alguma razão que não sabemos precisar, os subtítulos do índice apresentado naquele comunicado inicial não correspondem precisamente ao que viria a ser publicado nas edições seguintes do jornal, além de que — estranhamente — a quarta parte do prometido estudo não foi publicado.

Este o índice anunciado:

Estudo das Religiões

I. Introdução
II. Necessidade de uma religião. Recrudescimento do materialismo.
III. Liberdade de Consciência. Direito de mudar de religião.
IV. Decadência das religiões.

Notes Manuscrites D'Allan Kardec - Revue Spirite Année 1908

O que vai aparecer no periódico é o descrito adiante:

A primeira parte, de fato, consta na mesma edição da nota inicial do estudo, ocupando as páginas de 591 a 596, trazendo o título “Estudo sobre as Religiões comparadas à Filosofia Espírita” (em lugar de “Estudo das Religiões”, como indicado no índice) e o subtítulo “Introdução”.

Ver-se-ia a segunda parte publicada na Revue Spirite do mês seguinte, novembro de 1908, entre as páginas 677 e 680, (2) trazendo, além da inscrição (que seria a da seção) “Notas manuscritas de Allan Kardec, o mesmo título “Estudo sobre as Religiões comparadas à Filosofia Espírita” sinalizado como “(continuação)” e “(2)”, referente à segunda parte, contendo dois tópicos: “Influência do espiritismo para a destruição da incredulidade” e “Necessidade da Religião”, que transcreve uma comunicação assinada por Lamennais seguida por comentários atribuídos a Kardec.

A parte terceira da série vai se figurar na edição posterior da Revista, dezembro de 1908, (3) entre as páginas 742 e 748, onde se lê a inscrição “Notas manuscritas de Allan Kardec” sinalizada com “(continuação)”, desta vez substituindo o título “Estudo sobre as Religiões comparadas à Filosofia Espírita” por “Liberdade de consciência” (que no índice havia sido posto como um dos tópicos do capítulo), incluindo aí o tópico “Da mudança de religião” (enquanto no índice aparecia como “Direito de mudar de religião”).

Pensamos ser oportuno dizer que este capítulo fora precedido para transcrição de uma correspondência de um leitor da revista (Paul Verdad-Lessard) ao seu diretor-chefe (Paul Leymarie), que recebeu o título “A Religião e o Espiritismo”, tecendo comentários exatamente sobre o estudo oferecido pela Revista, de tal maneira que julgamos por bem incluir esta correspondência neste nosso trabalho, e sobre a qual voltaremos a tratar no artigo com a análise textual dos documentos na seção Anexos deste livro. A carta de Lessard ocupa as páginas numeradas de 739 a 742. (4)

Conquanto a terceira parte termine com a sinalização “(A continuar)”, não encontramos a quarta parte (“Decadência das Religiões)” nem na edição subsequente, de janeiro de 1909, nem nas demais, sem que saibamos o motivo do cancelamento da série.

O ACHADO:

É o próprio Paul Leymarie — gerente da Revista Espírita — que se ocupa de notificar o estudo a ser publicado. Diz ele que “por sorte” foram encontrados, em meio a “um milhão de papéis velhos”, uma quantidade de folhas manuscritas do codificador espírita. Sabemos que Kardec catalogava cuidadosamente uma série de materiais (manuscritos das obras, correspondências e anotações diversas) para compor um acervo histórico e fonte de pesquisa do Espiritismo. Esse material foi guardado por sua esposa a fim de ser futuramente explorado pela Sociedade Espírita. Mais tarde, dirigente daquela entidade, Leymarie fez uso desse material, por exemplo, para a composição do livro Obras Póstumas (1890). Ou seja, Paul tinha ali, bem debaixo do seu nariz, um tesouro doutrinário inestimável.

Não vemos de outra forma senão que era com impensável desleixo que tratavam o acervo de Kardec. Continua ele dizendo que “ao invés de queimá-los”, o seu redator-chefe Léopold Dauvil (certamente por ordem do gerente), “respeitosamente”, teve a boa-vontade de os ler a fim de extrair “algum interesse” para os assinantes da Revista.

Enfim, esse Estudo das Religiões por alguma razão lhe tocou e então se tomou a resolução de publicá-lo, embora mutilado, pois o mesmo gerente dirá que não garantirá que publicará todas as notas nem seguirá a mesma ordem estabelecida pelo autor (Kardec). O ápice desse desleixo será, como já dito aqui, a não publicação da quarta parte do prometido estudo.

Tratamento do estudo:

Uma vez encontrado o material publicado pela Revue Spirite no portal online da Biblioteca Nacional da França, providenciamos então a sua transcrição do original em francês, com todo o cuidado para manter a fidelidade desse conteúdo, antepondo-lhe sua tradução para o nosso português, feita e revisada conjuntamente, e não com menos dedicação, estando diretamente envolvidos nesse trabalho: Carlos Luiz, diretor do Grupo Marcos; César Sátiro dos Santos, presidente do Centre Spirite Chico Xavier de Sherbrooke, Canadá; Ery Lopes, diretor do Portal Luz Espírita; Luís Jorge Lira Neto, pesquisador espírita, membro da Associação Espírita Casa dos Humildes de Recife - PE; e Wanderlei dos Santos, diretor do site Autores Espíritas Clássicos.

Na sequência, a providência primordial foi fazer a análise documental, procurando identificar elementos que apontassem a plausibilidade da autenticação dos textos, já que sua publicação se efetuara por terceiros e não pelo autor (Allan Kardec). Afinal, podemos confiar que essa série de textos seja realmente da autoria de Allan Kardec? — O resultado dessa “perícia” empreendida pode ser conferido no artigo Análise textual dos documentos, na seção Anexos deste trabalho.

Por fim, a apuração que fizemos das consequências práticas e proveitos deste material, juntamente com uma ideia do perfil kardequiano a respeito da temática religiosa, considerando a importância e recorrência do tema, está disposto no artigo Perfil religioso de Kardec, também na seção Anexos.

O presente tratamento que oferecemos acerca do referido estudo não tem — obviamente — nada de oficial nem conclusivo, pois que o estudo e a pesquisa são contínuos. A par de nossos apontamentos, o leitor pode muito bem — e deve — desenvolver suas próprias ideias, quiçá com conclusões divergentes, e muito estimamos que outros confrades espíritas se debrucem sobre este material, compartilhem suas deduções e se proponham à livre discussão dessas ideias, posto a relevância do objeto deste estudo.

Que possamos, todos nós, colher bons frutos dos esforços empregados nesse estudo e também melhor contribuir com o entendimento e a divulgação da nossa iluminadora e consoladora doutrina.

Os Editores

Comunicação obtida após um sermão pregado pelo abade Lecot, da diocese de Noyon, na Igreja de Nossa Senhora de Chauny (Aisne)

Necessidade da Religião

A religião é a necessidade dos povos; sem ela, nada de civilização possível nem de poder duradouro; sem ela, os homens seriam todos criminosos ou bárbaros; é ela quem pule os costumes, quem adoça a
linguagem, quem dá a porção de vida intelectual a cada um de vós, como uma mãe dá a cada um de seus filhos o alimento coletado por ela.

Proclamamos, pois, em alta voz, a necessidade do espírito religioso, a necessidade de reconhecê-lo acima de todos os poderes, que devem segui-lo e não o ultrapassar. É a religião que liga o céu à terra, é ela que vem extrair de vós as flores tão preciosas da esperança, é ela que fortalece o coração de uma mãe, é ela que dá o heroísmo e o destemor da fé e vos impede de medir o perigo para correr e salvar vossos irmãos.

Oh! Ela é bela, ela é nobre, pois ela vem de Deus! Ela deve, portanto, ser pura, deslumbrante e descobrir seu seio para todos — grandes e pequenos; ele deve irradiar em cada um de seus intérpretes como a lâmpada da noiva, para que as virgens, vendo-a de longe, a reconheçam e não se desviem dela. Deve, através de suas mãos consagradas pelo óleo sagrado, derramar-se em um fluido que cura os males, que restaura, naqueles que têm febre moral, uma nova energia. Vede-a então abençoar, vede-a se regenerar e entrar, simples e cândida como nos primeiros dias, no santuário, para oferecer a Deus a pomba branca e a cesta de flores.

Pompas terrestres, vós destruís sua candura; vós escondeis sob indumentárias douradas seu verdadeiro rosto. O mundo finalmente reconheceu aquela palavra dos sábios: Vaidades, tudo é vaidade, até mesmo a adoração que rendeis à Divindade.

Por que esta marca de grandeza? Jesus não é humilde? Por que ireis carregar a palavra de Deus em vosso palanquins (*) modernos?

(*) Tipo de assento acoplado a um conjunto de varas destinado a ser carregado nos ombros pelos seus carregadores (geralmente servos de quem se transporta sentado) ou no dorso de determinados animais (especialmente camelo e elefante), sendo em muitas regiões orientais um meio de transporte tradicional e bastante comum à época de Allan Kardec; no presente contexto, espécie de andor, que nas procissões religiosas transporta imagens de santos — N. E.

Assim como Jesus, o povo pode vos seguir? Não, ele se aproxima de vós tremendo; o pobre afasta-se do caminho para deixar passar o magnífico prelado! Mas Deus viu e ele é um juiz. Vós desnatureis sua obra. Diretamente aos pequenos ele faz ser ouvida sua palavra a fim de que, sem orgulho e sem ênfase, eles a espalhem entre as pessoas que se tornarem o eco de Deus.

Assinado: LAMENNAIS, ex-pregador

RELIGIÃO E ESPIRITISMO - Análise de novas fontes de informações

Allan Kardec (1804 - 1809)

Família Leymarie (Pierre, sua esposa Marina e o filho Paul Leymarie)

Léopold Dauvil - Editor Chefe da Revista Espírita

Fontes: ABRADE COMUNICAÇÃO (Os Autores do E-book RELIGIÃO E ESPIRITISMO vem a público, através dessa Live no Canal da ABRADE, oferecer à comunidade espírita a compilação de uma série de documentos cuja autoria é atribuída a Allan Kardec, o codificador do Espiritismo. Será o Espiritismo o futuro das religiões? Ou desde já é a Religião do momento? Como os autores respondem a essas e outras perguntas? Venha conosco no dia 8 de setembro - 20h - conversar com nosso entrevistados (Carlos Luiz, César Santos, Ery Lopes, Luis Lira e Wanderley dos Santos) sobre esse importante tema!)

Fontes: Grupo Marcos

Fontes: Centre Spirite Chico Xavier

Fontes: Luz Espírita - Espiritismo em Movimento

Fontes: Associação Espírita Casa dos Humildes

A religião consiste na fé em Deus, na Providência, na
imortalidade da alma e na vida futura.

A diferença entre as religiões consiste na maneira como se
entende esses quatro pontos.

ALLAN KARDEC.

A Religião Espírita não vem impor-se nem substituir pela força qualquer outro culto, mas penetrar-se nas fileiras e se submeter às circunstâncias da concorrência. Um fato incontestável é a invasão que a dúvida e a incredulidade têm feito em todos os cultos; há, portanto, uma notável parte da população que flutua na incerteza ou que, de fato, não é mais da velha religião. É a este a quem a crença espírita se dirige; ela lhes diz: O alimento intelectual que vos foi dado até hoje não vos saciou; o vazio se fez em vossas crenças: eu venho preencher este vazio e dar ao vosso espírito o alimento que vos faltava; aceitai-me se vós me compreendeis e se vós me achais ao vosso agrado.

ALLAN KARDEC.

O espiritismo indica seu verdadeiro caráter; ele deve ser um progresso em relação a todas as doutrinas que existem e deve acompanhar o progresso das ideias, das artes e das ciências.

A doutrina cristã é um progresso em relação às crenças pagãs.

A doutrina espírita é um progresso em relação à doutrina cristã, no sentido de que ela a desenvolve e a complementa pela revelação de novas leis.

É um progresso porque ela dá a conhecer novas leis da natureza, as quais têm imensas consequências para a família, o bem-estar presente e futuro.

ALLAN KARDEC.

 

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Allan Kardec Revue Spirite 1908 (Fr.)

 

Allan Kardec - O Evangelho Segundo O Espiritismo

 

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